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Unidade 2
História Natural das Doenças e Determinação Social do Processo Saúde-Doença
Aula 1
Aspectos Históricos e concepção sobre a saúde e a doença.
Aspectos Históricos e concepção sobre a saúde e a doença.
Aspectos Históricos e
concepção sobre a saúde e
a doença.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Seja bem-vindo à disciplina de Saúde Pública!
Esta videoaula apresenta os aspectos históricos e as
concepções fundamentais sobre saúde e doença. Faremos
uma revisão dos modelos conceituais de saúde e trataremos
da promoção da saúde e a sua importância para melhoria da
qualidade de vida da comunidade.
Desejamos a você bons estudos!
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
A compreensão da saúde vai além da mera ausência de
doença, sendo influenciada por diversos fatores políticos,
sociais, ambientais e comportamentais que impactam os
estados de adoecimento. Neste curso, exploraremos o
conceito ampliado de saúde, abordando as suas diversas
facetas ao longo da história e as diferentes concepções
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/54/3bb8e93b-e2e7-572c-8fe4-bb17e2bef34d.pdf
sobre o processo saúde-doença. Aproveitem o conteúdo e
bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Pode parecer evidente afirmar que a saúde de uma pessoa
está associada à ausência de doença. Embora essa
perspectiva não seja completamente equivocada, o conceito
de saúde pode ser ainda mais amplo, principalmente
levando em consideração o que pode provocar o surgimento
das doenças.
Durante muito tempo, a saúde foi entendida simplesmente
como o estado de ausência de doença. Considerada
insatisfatória, essa definição foi substituída por outra, que
engloba bem-estar físico, mental e social. Embora mais
abrangente, o novo conceito não está livre de dificuldades,
sobretudo quando se leva em conta a legitimidade dos
movimentos que defendem a ‘saúde para todos’.
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SAÚDE PÚBLICA
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não
apenas como a ausência de doença, mas como a situação de
perfeito bem-estar físico, mental e social.
Essa definição é válida oficialmente até os dias de hoje e tem
recebido, desde a sua formulação, críticas e reflexões de
muitos profissionais, pesquisadores e outros protagonistas
da área da saúde. Esses profissionais, de modo geral,
classificam-na como utópica e não operacional,
caracterizando-a mais como uma declaração do que
propriamente como uma definição (NARVAI et al., 2008).
A Constituição Federal do Brasil, 1988, em sua seção sobre
saúde (Art. 196), define-a nos seguintes termos: “A saúde é
um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco
de doenças e outros agravos e ao acesso universal e
igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção
e recuperação”.
A concepção de saúde estabelecida na Lei Orgânica de Saúde
(LOS), nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, busca
transcender aquela proposta pela Organização Mundial de
Saúde (OMS). Essa definição é mais abrangente, pois
explicita os fatores determinantes e condicionantes do
processo saúde-doença.
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SAÚDE PÚBLICA
Assumido o conceito da OMS, nenhum ser humano (ou
população) será totalmente saudável ou totalmente doente.
Ao longo de sua existência, viverá condições de
saúde/doença, de acordo com as suas potencialidades, suas
condições de vida e a sua interação com elas.
A doença não pode ser compreendida apenas por meio das
medições fisiopatológicas, pois quem estabelece o estado da
doença é o sofrimento, a dor, o prazer, enfim, os valores e
sentimentos expressos pelo corpo subjetivo que adoece.
Vamos tratar brevemente dos diferentes modelos
explicativos do processo saúde-doença e do cuidado para
entender como esse tema se faz presente desde a
Antiguidade. Além disso, vamos nos reportar aos modelos
para apontar diferentes concepções que se complementam,
buscando indicar, sempre que possível, os avanços e as
limitações explicativas referentes a cada um deles. Esse
panorama histórico vai ajudá-lo a entender proximidades e
disparidades com as concepções de saúde, doença e cuidado
da atualidade.
As abordagens conceituais sobre saúde propõem explicar a
origem e a disseminação das doenças nas populações
humanas. Ao longo da história, a busca humana por
compreender os processos e os fatores determinantes do
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SAÚDE PÚBLICA
adoecimento e da mortalidade tem sido constante, visando
retardá-los ou preveni-los pelo maior tempo possível.
Conforme o conhecimento científico evolui, novas formas de
explicação para esses fenômenos foram desenvolvidas.
Podem-se destacar cinco principais modelos explicativos
(ALMEIDA FILHO; ROUQUAYROL, 2006): 
1. modelo biomédico;
2. modelo processual;
3. modelo sistêmico;
4. modelo mágico-religioso;
5. modelo de determinação social da doença.
Cada uma dessas concepções incorpora distintos
conhecimentos científicos em diversas épocas históricas. A
ideia de que era atribuição dos deuses determinar o estado
de doença e cura nos seres humanos deu origem ao
chamado modelo mágico-religioso. Esse modelo também é
caracterizado pela associação entre pecado e doença, bem
como redenção e cura.
Platão, Aristóteles e Demócrito acreditavam que o homem
era formado pelo corpo e pela alma e que, desse modo, a
relação com o meio afetava o seu estado de saúde.
Hipócrates postulou a existência dos humores (bile amarela,
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bile negra, fleuma e sangue) para explicar o desequilíbrio ao
qual o homem estava sujeito (BARROS, 2002).
Siga em Frente...
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Apesar de não ser predominante, o modelo mágico-religioso
continua a influenciar a concepção contemporânea de
saúde. Segmentos religiosos de diversas culturas preservam
práticas voltadas para a proteção ou tratamento de doenças.
No contexto brasileiro, é bastante frequente a presença de
benzedeiras, cerimônias de cura, cirurgias espirituais,
manipulação de energias, o uso de patuás ou amuletos, o
cumprimento de promessas e uma variedade de rituais
associados à preservação da saúde.
O saber clínico, racionalizado e experimental, trouxe uma
nova forma de compreender a saúde. Nesse contexto de
grandes descobertas, Descartes propôs que o corpo e a
mente deveriam ser estudados de forma separada, sendo o
corpo analisado pela medicina e a mente estudada pela
religião e pela filosofia. Esse modelo separatista de pensar o
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fenômeno do adoecimento foi fortalecido pelas descobertas
de Pasteur e Virchow em seus trabalhos com micro-
organismos (BARROS, 2002).
O modelo biomédico tem como abordagem a patogenia e a
terapêutica, classificando as doenças segundo a forma e o
agente patogênico. Assim, pode-se caracterizar esse modelo
como individual, curativo, centrado na figura do médico,
fragmentado, especialista e hospitalocêntrico (ALMEIDA
FILHO; ROUQUAYROL, 2006).
A medicalização da sociedade, marcada pelo consumo
abusivo de tecnologias médicas (exames, intervenções,
medicamentos), faz-se presente em todos os níveis de
complexidade do sistema de saúde e nas diferentes classes
sociais e, por vezes, tenta substituir a escuta qualificada e a
avaliação clínica. 
Diante da ampliação do conceito de saúde e da
compreensão de que fatores políticos, sociais, ambientais e
comportamentais desempenham papéis significativos nos
estados de adoecimento, a promoção de saúde emerge
como uma abordagem que transcende os serviços
assistenciais e compromete-se com a determinação da
doença, sendo fundamentalmente intersetorial.
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Ao contrário do conceito de prevenção, a promoção da
saúde não se limita a uma doença específica, mas busca
aprimorar a saúde e o bem-estar geral da população
(CZERINA, 2003). A noção de que a saúde está
intrinsecamente ligada à qualidade de vida ganhou destaque
durante a Conferência Internacional sobre Promoção de
Saúde, realizada no Canadá em 1986. Como resultado desse
evento, a Carta de Ottawafoi concebida, exercendo impacto
significativo na concepção e na regulamentação do Sistema
Único de Saúde (SUS) no Brasil.
A definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) estipula
que as iniciativas de promoção da saúde englobam
programas, políticas e atividades que devem ser duradouros,
imparciais, abrangentes em suas estratégias, e alinhados aos
princípios de capacitação individual e comunitária. Essas
iniciativas também devem incorporar a participação popular
nas etapas de planejamento, implementação e avaliação;
adotar uma perspectiva holística da saúde, considerando os
aspectos físicos, mentais, sociais e espirituais; e fomentar a
colaboração intersetorial entre agências de diferentes
setores relacionados (OMS, 1998).
No Brasil, o tema de promoção da saúde, o conceito
ampliado de saúde e os determinantes sociais estão
contemplados na Constituição Federal de 1988, na Lei
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Orgânica da Saúde nº 8.080/1990 e em vários outros
documentos (BRASIL, 2010). Em 2006, foi lançada a Política
Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), que propõe a
articulação sujeito/coletivo, público/privado e
Estado/sociedade para a redução do risco e do dano no
processo de adoecimento (BRASIL, 2010). 
Dessa forma, é possível afirmar que a promoção da saúde,
como um componente essencial para a equidade, deve estar
integrada à comunidade e à unidade de saúde, por meio de
ações contextualizadas de acordo com as necessidades
específicas do território.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Ao longo da história, diferentes modelos de saúde e doença
moldaram as concepções e práticas relacionadas ao cuidado.
Na Antiguidade, o modelo mágico-religioso prevalecia. Nele,
as causas das doenças eram atribuídas a elementos naturais
e aos espíritos, sendo tratadas por líderes religiosos.
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Com a medicina hindu e chinesa, surgia o modelo holístico,
baseado no equilíbrio entre elementos e humores no
organismo. Na Grécia Antiga, Hipócrates introduziu o
modelo empírico-racional, vinculando a saúde ao equilíbrio
dos humores e propondo cuidados direcionados a
compreender e restabelecer esse equilíbrio.
No Renascimento, o modelo de medicina científica ocidental,
também conhecido como biomédico, emergiu. Esse modelo,
prevalente na atualidade, reduz a saúde a um
funcionamento mecânico, enfocando a explicação da doença
e um tratamento fragmentado.
Na década de 1970, ganhou destaque o modelo sistêmico,
concebendo o processo saúde-doença como um sistema
dinâmico, contrapondo-se à visão fragmentada do modelo
biomédico. Essa abordagem considera interações complexas
no ecossistema e destaca a necessidade de um sistema de
saúde abrangente.
Esses modelos refletem a evolução do pensamento sobre
saúde e doença, influenciados por contextos culturais,
filosóficos e científicos. Cada abordagem oferece uma
perspectiva única, destacando a complexidade na
compreensão do cuidado em saúde ao longo da história.
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SAÚDE PÚBLICA
Saiba mais
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A Carta de Ottawa estabelece os princípios e as diretrizes
para a promoção da saúde em nível global. O seu principal
objetivo é definir estratégias e ações para promover a saúde
e prevenir doenças, indo além do tradicional foco na
assistência médica. Segue o link de acesso para saber mais
sobre o assunto. CARTA DE OTTAWA PRIMEIRA
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA
SAÚDE. Ottawa, novembro de 1986.
O seguinte artigo oferece uma análise aprofundada sobre o
modelo biomédico, que tradicionalmente orienta a nossa
compreensão do processo saúde-doença. BARROS, J.A.C.
Pensando o processo saúde doença: a que responde o
modelo biomédico.
O seguinte estudo busca compreender como são abordados
os conceitos e as ideias relacionados à saúde e à doença
desenvolvidos hoje e ao longo da história, fundamentados
na perspectiva epidemiológica e antropológica. CONCEITOS
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SAÚDE PÚBLICA
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/4CrdKWzRTnHdwBhHPtjYGWb/
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/conceitos-saude-doenca.pdf
DE SAÚDE E DOENÇA AO LONGO DA HISTÓRIA SOB O OLHAR
EPIDEMIOLÓGICO E ANTROPOLÓGICO.
Referências
Referências
ALMEIDA FILHO, N. D.; ROUQUAYROL, M. Z. Modelos de
saúde e doença. In:
ALMEIDA FILHO, N. D.; ROUQUAYROL, M. Z. Introdução à
epidemiologia. 4. ed. rev. e amp. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2006.
BARROS, J. A. C. Pensando o processo saúde doença: a que
responde o modelo biomédico? Saúde e Sociedade, v. 11, n.
1, p. 67–84, 2002. Disponível em: http://
www.scielo.br/pdf/sausoc/v11n1/08. Acesso em: 26 jan.
2024.
CZERINA, D.; FREITAS, C. M. (Orgs). Promoção da saúde:
conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz,
2003.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/conceitos-saude-doenca.pdf
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/conceitos-saude-doenca.pdf
NARVAI, P. C. et al. Práticas de saúde pública. In: Saúde
pública: bases conceituais. São Paulo: Atheneu, 2008, p. 269-
297. 
OMS. Organização Mundial da Saúde. Carta de Ottawa. In:
CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1., Ottawa,
1986. Anais… Ottawa: OMS, 1986. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf.
Acesso em: 10 jan. 2024.
PAIM, J.S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde Coletiva: teoria e
prática. 1. ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2014.
ROUQUAYROL, M. Z.; SILVA, M. G. C. Rouquayrol:
epidemiologia & saúde. 8. ed.  Rio de Janeiro:  Medbook,
2018.
SOLHA, R. K. T. Sistema único de sau´de: componentes,
diretrizes e poli´ticas pu´blicas. Sa~o Paulo: E´rica, 2014.
WHO. World Health Organization. Health promotion
evaluation: recommendations to policy-makers.
Copenhagen: WHO Regional Office for Europe, 1998.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf.
Disponível em:
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/108116/1/E60706.p
df. Acesso em: 04 jan. 2024. 
Aula 2
História Natural das Doenças
História Natural das Doenças
História Natural das
Doenças
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SAÚDE PÚBLICA
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/108116/1/E60706.pdf.
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Seja bem-vindo à disciplina de Saúde Pública!
Você está convidado a participar de uma videoaula que vai
explorar temas no campo da saúde e prevenção. Vamos
aprofundar o nosso conhecimento?
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Nesta aula, vamos abordar as Fases da História Natural da
Doença, bem como explorar os Fatores de Risco e Proteção.
Adentraremos no universo dos elementos que impactam a
probabilidade de doenças, examinando exemplos práticos.
Aprenderemos a identificar e mitigar riscos, fortalecendo os
fatores de proteção para promover o bem-estar geral.
Além disso, discutiremos os Modelos de Leavell e Clark,
apresentando um modelo conceitual que incorpora três
níveis de prevenção (primário, secundário, terciário).
Entenderemos como esse modelo amplia a nossa visão
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SAÚDE PÚBLICA
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/54/872793b3-a293-54f7-a6db-421fec7caa48.pdf
sobre saúde, indo além da mera abordagem da doença para
incluir a promoção ativa da saúde. Estamos prestes a
mergulhar em conceitos fundamentais que contribuirão
significativamente para a compreensão e promoção da
saúde em sua totalidade.
Vamos Começar!
Vamos Começar!
A busca por explicações causais no processo saúde-doença
conduziu à formulação da História Natural das Doenças,
também conhecida como modelo processual dos fenômenos
patológicos. Em 1976, Leavell e Clark consolidaram esse
modelo ao definir a história natural da doença como o
conjunto de processos interativos que desencadeiam o
estímulo patológico no ambiente, passando pela resposta do
organismo ao estímulo, até as alterações que resultamem
defeito, invalidez, recuperação ou morte (LEAVELL; CLARK,
1976; APUD ALMEIDA FILHO; ROUQUAYROL, 2002).
O propósito do modelo é monitorar o processo saúde-
doença em sua regularidade, considerando as inter-relações
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SAÚDE PÚBLICA
entre o agente causador da doença, o hospedeiro e o
ambiente, bem como o desenvolvimento da doença. Essa
sistematização contribui para a compreensão dos diferentes
métodos de prevenção e controle de doenças.
Siga em Frente...
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O sistema da história natural das doenças possui uma
dimensão predominantemente qualitativa, dividindo o ciclo
do processo saúde-doença em dois momentos sequenciais:
o pré-patogênico e o patogênico. O primeiro, também
conhecido como período epidemiológico, aborda a interação
entre os fatores do agente, do hospedeiro e do meio
ambiente. O segundo ocorre quando o indivíduo entra em
contato com um estímulo externo, manifesta sinais e
sintomas, e busca tratamento. O período pré-patogênico
permite ações de promoção da saúde e proteção específica,
enquanto o período patogênico abrange a prevenção
secundária e terciária.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
A proposta de sistematização no modelo da História Natural
das Doenças influenciou a estruturação do cuidado em
diversos níveis de complexidade, considerando variações em
termos de recursos e intervenções. Ao contemplar a
perspectiva de evitar óbitos, esse modelo apresenta diversas
oportunidades de prevenção e promoção da saúde,
incluindo a interrupção da transmissão, a prevenção de
casos e a promoção de uma vida com qualidade.
Um modelo que descreve as fases que um processo saúde-
doença pode percorrer desde o seu início até o desfecho,
abrangendo diferentes estágios. As principais fases da
História Natural da Doença são (ROUQUAYROL; GURGEL,
2018):
Fase Pré-patogênica (ou Período Epidemiológico): ocorre a
interação entre os fatores do agente causador da doença, do
hospedeiro (indivíduo suscetível) e do ambiente.
O objetivo é identificar e entender os elementos que podem
levar ao surgimento de uma doença antes mesmo de ela se
manifestar clinicamente. 
Ações de promoção da saúde e proteção específica são
realizadas durante essa fase para prevenir o
desenvolvimento da doença.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Fase Patogênica: inicia quando o agente causador interage
com um hospedeiro suscetível, resultando na manifestação
de sinais e sintomas.
O período patogênico pode ser subdividido em estágios,
como o período de incubação, o período prodromal (início
dos sintomas) e o período clínico (manifestação completa da
doença).
Durante essa fase, intervenções de prevenção secundária
(diagnóstico precoce e tratamento) e prevenção terciária
(reabilitação e prevenção de complicações) são realizadas.
Fase de Resolução ou Desfecho: envolve o desfecho do
processo saúde-doença, que pode incluir recuperação total,
sequelas, invalidez, cronicidade ou óbito. 
Ações de reabilitação e prevenção de complicações são
frequentemente implementadas nessa fase.
É importante destacar que nem todos os processos saúde-
doença seguem rigidamente essas fases. Esse modelo é uma
ferramenta conceitual que ajuda a compreender e abordar a
dinâmica de diferentes condições de saúde. Além disso,
intervenções podem ser implementadas em várias fases
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para influenciar o curso da doença e melhorar os desfechos
para os indivíduos e comunidades.
O modelo de Leavell e Clark categoriza a prevenção em três
níveis: primário, secundário e terciário. No nível primário,
que sustenta a existência de uma prevenção primária,
destaca-se a promoção da saúde como uma das estratégias.
É relevante destacar que, nesse modelo, a ênfase central
está na prevenção da doença. Portanto, o modelo aborda, na
realidade, a doença e não a saúde. A promoção da saúde,
mencionada, está relacionada à abordagem positiva da
saúde e não ao oposto da doença.
Prevenção primária refere-se às medidas adotadas para
eliminar causas e fatores de risco relacionados a um
problema de saúde, tanto em nível individual quanto
populacional, antes que uma condição clínica se desenvolva.
Inclui iniciativas de promoção da saúde e ações específicas
de proteção, como imunização e orientações sobre atividade
física para reduzir a probabilidade de desenvolvimento de
certas condições, como a obesidade, por exemplo.
Prevenção secundária envolve a identificação de um
problema de saúde em estágio inicial, muitas vezes quando
ainda está subclínico, em um indivíduo ou na população.
Essa abordagem facilita o diagnóstico precoce, o tratamento
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eficaz e a redução ou prevenção da disseminação do
problema, minimizando os efeitos de longo prazo. Exemplos
incluem programas de rastreamento e diagnóstico precoce.
Prevenção terciária consiste em ações destinadas a reduzir
os danos funcionais decorrentes de um problema agudo ou
crônico em um indivíduo ou na população. Isso abrange
atividades de reabilitação, como a prevenção de
complicações associadas a certas condições, como diabetes
ou a reabilitação de pacientes após um infarto do miocárdio
ou acidente vascular cerebral.
Prevenção quaternária, conforme definido pelo dicionário da
World Organization of Family Doctors (WONCA), refere-se à
identificação de indivíduos em risco de intervenções,
diagnósticos e/ou tratamentos excessivos, visando protegê-
los de intervenções médicas desnecessárias e sugerir
alternativas eticamente aceitáveis.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
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Vamos aprender sobre os fatores de risco e prevenção?
Os fatores de risco e proteção são elementos que
influenciam a probabilidade de ocorrência de determinados
eventos, como o desenvolvimento de doenças ou a
promoção da saúde. Eles desempenham papéis cruciais na
compreensão e na intervenção em questões relacionadas ao
bem-estar.
Fatores de Risco: são características ou condições
associadas ao aumento da probabilidade de ocorrerem
eventos adversos.
Exemplos incluem hábitos tabagistas, dieta inadequada,
sedentarismo, exposição a substâncias tóxicas e
predisposição genética.
Identificar e mitigar fatores de risco é essencial para a
prevenção de doenças e promoção da saúde.
Fatores de Proteção: são elementos que reduzem a
probabilidade de ocorrência de eventos adversos.
Exemplos incluem alimentação saudável, prática regular de
exercícios físicos, acesso adequado à educação e apoio
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social.
Reforçar os fatores de proteção é fundamental para
fortalecer a resiliência e o bem-estar geral.
A compreensão desses fatores é fundamental para orientar
estratégias de intervenção em saúde, visando a minimização
dos riscos e o fortalecimento dos elementos que contribuem
para uma vida saudável. A abordagem integrada considera
tanto a redução de fatores de risco quanto o reforço de
fatores de proteção, promovendo uma visão holística do
cuidado e prevenção em saúde.
Saiba mais
Saiba mais
O objetivo do seguinte artigo é verificar a prevalência de
fatores de risco e proteção para doenças crônicas em idosos
rurais num município do RS. Fatores de risco e proteção para
o desenvolvimento de doenças crônicas em população idosa
rural do Rio Grande do Sul. 
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https://www.scielo.br/j/rbgg/a/Lc6DxLh7nVrJS9SHPzVQpmK/?format=pdf&lang=pt#:~:text=Fatores%20de%20risco%20considerados%3A%20h%C3%A1bito,hortali%C3%A7as%20e%20preven%C3%A7%C3%A3o%20de%20c%C3%A2ncer
https://www.scielo.br/j/rbgg/a/Lc6DxLh7nVrJS9SHPzVQpmK/?format=pdf&lang=pt#:~:text=Fatores%20de%20risco%20considerados%3A%20h%C3%A1bito,hortali%C3%A7as%20e%20preven%C3%A7%C3%A3o%20de%20c%C3%A2ncer
https://www.scielo.br/j/rbgg/a/Lc6DxLh7nVrJS9SHPzVQpmK/?format=pdf&lang=pt#:~:text=Fatores%20de%20risco%20considerados%3A%20h%C3%A1bito,hortali%C3%A7as%20e%20preven%C3%A7%C3%A3o%20de%20c%C3%A2ncer
Faça a leitura do texto de Paulo Sabroza, “Concepções de
saúde e doença”, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio
Arouca (2004), e procure identificar como o autor aborda as
dimensões da complexidadedo processo saúde-doença.
Leia o texto de Paulo Buss, “Promoção da saúde e qualidade
de vida”, publicado na Revista Ciência & Saúde Coletiva
(2000).
 
Referências
Referências
ALMEIDA FILHO, N; ROUQUAYROL, M. Z. Modelos de saúde-
doença: introdução à epidemiologia. 3. ed. Rio de Janeiro:
Medci Ed., 2002. p. 27-64.
CZERESNIA, D.; FREITAS, C.M. (Org.) Promoção da saúde:
conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Editora
Fiocruz, 2003.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
http://www.abrasco.org.br/UserFiles/File/13%20CNS/%20SABROZA%20P%20ConcepcoesSaudeDoenca.pdf
http://www.abrasco.org.br/UserFiles/File/13%20CNS/%20SABROZA%20P%20ConcepcoesSaudeDoenca.pdf
http://www.scielo.br/pdf/csc/v5n1/7087.pdf
http://www.scielo.br/pdf/csc/v5n1/7087.pdf
PAIM, J.S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde Coletiva: teoria e
prática. 1. ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2014.
ROUQUAYROL, M. Z.; SILVA, M. G. C. Rouquayrol:
epidemiologia & saúde. 8. ed.  Rio de Janeiro: Medbook,
2018.
SOLHA, R. K. T. Sistema único de sau´de: componentes,
diretrizes e poli´ticas pu´blicas. Sa~o Paulo: E´rica, 2014.
Aula 3
Determinação Social do Processo Saúde-Doença
Determinação Social do Processo Saúde-Doença
Determinação Social do
Processo Saúde-Doença
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Seja bem-vindo à disciplina de Saúde Pública!
O Modelo Social de Saúde propõe uma abordagem ampla,
reconhecendo que a saúde é determinada por fatores
sociais, econômicos, culturais e ambientais. Vamos explorar
juntos como esses determinantes moldam a saúde e como
podemos promover mudanças efetivas para o bem-estar das
comunidades.
Não perca esta oportunidade de aprofundar o seu
entendimento sobre os determinantes sociais da saúde!
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Ponto de Partida
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/54/302f0ea9-4107-55f9-a76a-a7000e963015.pdf
Ponto de Partida
Nesta videoaula, abordaremos a influência dos
determinantes sociais na saúde, destacando a sua
moldagem social pela epidemiologia. A evolução do conceito
de saúde, de uma visão mecânica para uma compreensão
abrangente pela OMS em 1948, é explorada, junto aos
modelos de determinação social de Laframbroise, Tarlov e o
brasileiro de Dahlgren e Whitehead.
Analisa-se como vários determinantes sociais, como
gradiente social, estresse, infância, rede social vs. exclusão
social, trabalho vs. desemprego e suporte social, impactam
diretamente na saúde, representando desafios na saúde
coletiva.
O destaque é para o Modelo Social de Saúde, indo além da
visão biomédica, enfatizando os determinantes sociais na
promoção da saúde.
Vamos Começar!
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Vamos Começar!
A saúde, a doença e o cuidado são determinados
socialmente, variando conforme os tempos, os lugares e as
culturas, o que implica dizer que a organização das ações e
serviços de saúde e das redes de apoio social precisa ser
planejada e gerida de acordo com as necessidades da
população de um dado território (CRUZ, 2011).
O processo saúde-doença é um conceito central da proposta
de epidemiologia social, que procura caracterizar a saúde e a
doença como componentes integrados de modo dinâmico
nas condições concretas de vida das pessoas e dos diversos
grupos sociais; cada situação de saúde específica, individual
ou coletiva, é o resultado, em dado momento, de um
conjunto de determinantes históricos, sociais, econômicos,
culturais e biológicos. A ênfase, nesse caso, está no estudo
da estrutura socioeconômica, a fim de explicar o processo
saúde-doença de maneira histórica, mais abrangente,
tornando a epidemiologia um dos instrumentos de
transformação social (ROUQUAYROL, 1993)
O conceito de saúde vem sofrendo mudanças, por ter sido
definido como “estado de ausência de doenças”; foi
redefinido em 1948, pela Organização Mundial da Saúde
(OMS), como “estado de completo bem-estar físico, mental e
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
social”, passando de uma visão mecânica da saúde para uma
visão abrangente e não estática do processo saúde-doença
(CRUZ, 2011).
Desde a década de 1970, há uma crescente preocupação em
compreender os fatores que influenciam a saúde ou a perda
dela. O modelo holístico de Laframbroise, originado no
Canadá em 1976, propôs que o estilo de vida, as condutas de
saúde, a biologia humana, o meio ambiente e a assistência
sanitária constituem fatores determinantes da saúde
(LAFRAMBROISE, 1976).
No final da década de 1990, Tarlov introduziu um modelo
que abrange cinco níveis de determinação social da doença,
indo do nível individual ao coletivo (TARLOV, 1999):
Biológico, físico e psíquico;
Estilo de vida;
Determinantes ambientais e comunitários (família,
escola, emprego e outros);
Determinantes ambientais físicos, climáticos e de
contaminação ambiental;
Estrutura macrossocial, política e percepção
populacional.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Segundo o autor, a assistência à saúde não é vista como
determinante da saúde, mas sim como uma estratégia
reparadora (TARLOV, 1999). Atualmente, o modelo de
Dahlgren e Whitehead é o mais estudado no Brasil,
estabelecendo níveis de determinantes que vão do individual
ao macrossocial.
Wilkinson e Marmot (2003) dividem os determinantes sociais
em:
Gradiente social: a expectativa de vida é menor e as
doenças são mais comuns quanto mais baixa fora
posição na escala social em cada sociedade.
Estresse: circunstâncias estressantes fazem com que as
pessoas se sintam preocupadas, ansiosas e inábeis para
enfrentar tais problemas. Contínua ansiedade,
insegurança e baixa autoestima, isolamento social e
baixo controle sobre a vida têm poderosos efeitos sobre
a saúde e podem levar a morte prematura.
Infância: um bom início de vida é importante para o
desenvolvimento nos anos seguintes da vida. A pobreza
durante a gestação pode ter consequências para o
desenvolvimento fetal devido à carência nutricional,
estresse materno e inadequado cuidado pré-natal.
Rede social x exclusão social: os desempregados, os de
grupos étnicos minoritários, os subempregados, os
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
deficientes físicos, os refugiados e os desabrigados
tendem a viver em estresse constante e têm alto risco de
morte prematura.
Trabalho x desemprego: segurança no emprego melhora
a saúde, o bem-estar e a satisfação. Altas taxas de
desemprego causam mais doenças e mortes
prematuras.
Suporte social: relações de amizade, boas relações
sociais e redes fortes de apoio em casa, no trabalho e na
comunidade aumentam a saúde. Comportamentos ou
escolhas pessoais: hábitos inadequados de saúde,
muitas vezes influenciados pelo ambiente social.
Os determinantes sociais são importantes para entender
como a saúde é sensível ao ambiente social e funcionam
como um elemento de justiça social, sendo assim um
importante desafio da saúde coletiva.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Diante das concepções teóricas, a compreensão da
determinação social do adoecimento deve ser transformada
em ações efetivas para melhorar a situação de saúde nas
populações. Isso implica na necessidade de diminuir as
disparidades sociais, mitigar a exposição a fatores de risco,
reduzir a vulnerabilidade biológica e social de grupos
específicos e, por meio da assistência, atenuar os danos ou
consequências dos determinantes (CEBALLOS, 2015).
O esquema de Dahlgren e Whitehead apresenta os
diferentes níveis de determinação social, desde a camada
mais externa, na qual visualizamos as condições
socioeconômicas, culturais e ambientais gerais, até a mais
proximal ao indivíduo, correspondendo aos fatores
hereditários e outras características pessoais, como idade e
sexo.
O modelo de Dahlgren e Whitehead (Figura 1), ao incorporar
os Determinantes Sociais de Saúde, organiza-se em diversas
camadas, desde aquelas mais próximas dos determinantes
individuais até as mais distantes, nas quais se encontram os
macrodeterminantes. Na base do modelo estão os
indivíduos, com as suas características individuais, como
idade, sexo e fatores genéticos. Na camada imediatamenteexterna, destacam-se o comportamento e os estilos de vida
individuais. A camada seguinte ressalta a influência das
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
redes comunitárias e de apoio. No nível subsequente, são
representados os fatores ligados às condições de vida e de
trabalho, incluindo disponibilidade de alimentos e acesso a
ambientes e serviços essenciais, como saúde e educação.
Por fim, no último nível, situam-se os macrodeterminantes
relacionados às condições econômicas, culturais e
ambientais da sociedade, exercendo significativa influência
sobre as demais camadas (FIOCRUZ, 2008).
Figura 1 | Modelo de determinação social de saúde proposto
por Dahlgren e Whitehead. Fonte: DAHLGRE; WHITEHEAD
apud SUCUPIRA et al., 2014.
Esse modelo de determinação considera os diversos fatores
que contribuem para a saúde dos indivíduos e das
populações. Na camada mais externa da imagem, as
condições socioeconômicas atuariam sobre a saúde da
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
população de forma que os níveis de renda e de riqueza
determinariam melhor ou pior saúde.
O Modelo Social de Saúde é uma abordagem conceitual que
vai além da visão tradicional centrada na medicina e nos
cuidados clínicos para entender a saúde e a doença. Esse
modelo reconhece que fatores sociais, econômicos, culturais
e ambientais desempenham um papel crucial na
determinação do estado de saúde de uma população.
Ao contrário do modelo biomédico, que se concentra
principalmente nos aspectos biológicos e patológicos, o
Modelo Social de Saúde destaca a importância dos
determinantes sociais da saúde. Isso inclui fatores como
condições socioeconômicas, educação, emprego, moradia,
acesso a serviços de saúde e outros elementos que
influenciam a qualidade de vida e as disparidades de saúde.
O Modelo Social de Saúde enfatiza a necessidade de
abordagens interdisciplinares e intervenções que vão além
do âmbito puramente clínico. Ele destaca a importância de
políticas públicas, educação, equidade social e justiça para
melhorar as condições de saúde em comunidades e
sociedades. Esse modelo busca promover a saúde não
apenas tratando doenças, mas também abordando as
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
causas subjacentes que afetam a saúde de forma mais
ampla.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
A equipe de saúde em atuação no processo saúde doença.
Ao oferecer assistência a indivíduos, famílias ou
comunidades, é fundamental considerar quem são os
usuários, como se apresentam em situações de necessidade
de saúde, bem como os seus direitos, deveres, valores e
prerrogativas. Reconhecendo a complexidade do ser
humano, que é biopsicossocial e espiritual, é importante
notar que uma única definição não pode abranger
completamente a sua individualidade e singularidade.
Profissionais de saúde adquirem conhecimento sobre a
estrutura e função humanas por meio do estudo de diversas
disciplinas, como anatomia, fisiologia, psicologia, sociologia,
patologia, além de diferentes abordagens e interações
profissionais com indivíduos, famílias e comunidades.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
O ambiente desempenha um papel significativo na vida das
pessoas, influenciando-as de diversas maneiras. Por
exemplo, uma família numerosa vivendo em um único
cômodo provavelmente enfrentará conflitos e problemas
que impactarão a sua saúde mental. Da mesma forma,
habitar em um ambiente úmido e insalubre pode resultar
em doenças, como bronquite, tuberculose, entre outras.
Esses são apenas alguns exemplos das diversas maneiras
pelas quais o ambiente pode afetar a saúde.
Você já havia feito essa reflexão sobre a atuação do
profissional no processo saúde doença?
Saiba mais
Saiba mais
A questão da qualidade de vida associa-se quase de forma
imediata à saúde. Para além dos fatores médicos, existem
outros que afetam ou influenciam de forma determinante a
saúde dos indivíduos. Este artigo aborda os determinantes
de saúde no Brasil. CARRAPATO, P.; CORREIA, P.; GARCIA, B.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Determinante da saúde no Brasil: a procura da equidade na
saúde. Saúde Soc. São Paulo, v.26, n.3, p.676-689, 2017.
Este texto foi organizado a partir de um conjunto de
conceitos sobre o processo saúde doença, questões
históricas e o papel da equipe ao atuar no processo saúde
doença. VIANNA, L. A. C. Determinantes Sociais de Saúde:
processo saúde doença.
No capítulo 2, do livro indicado a seguir, você terá acesso a
um conteúdo muito valoroso sobre Epidemiologia, História
Natural, Determinação Social, Prevenção de Doenças e
Promoção da Saúde. ROUQUAYROL, M. Z.; GURGEL, M.
Rouquayrol - Epidemiologia e saúde. MedBook Editora, 2017.
E-book. ISBN 9786557830000.
Referências
Referências
CEBALLOS, A. G. C. Modelos conceituais de saúde,
determinação social do processo saúde e doença, promoção
da saúde. Albanita Gomes da Costa Ceballos. – Recife: [s.n.],
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/PyjhWH9gBP96Wqsr9M5TxJs/?format=pdf&lang=pt
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/7/unidades_conteudos/unidade05/unidade05.pdf
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786557830000/
2015. 20 p. Disponível em:
https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3332/1/2mod_c
onc_saude_2016.pdf. Acesso em: 07 jan. 2024.
CRUZ, M.M. Concepção de saúde-doença e o cuidado em
saúde. In: GONDIM, R.; GRABOIS, V.; MENDES JUNIOR, W.V.
(org.). Qualificação dos Gestores do SUS. 2. ed. Rio de
Janeiro: Fiocruz/ENSP/EAD; 2011. p.21-33. Disponível em:
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/cfc-193774.
Acesso em: 10 jan. 2024.
COMISSÃO NACIONAL SOBRE DETERMINANTES SOCIAIS DA
SAÚDE. Introdução. In: As causas sociais das iniqüidades em
saúde no Brasil [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ,
2008, pp. 17-21. ISBN: 978-85-7541-591-7. Disponível em:
http://books.scielo.org/id/bwb4z/epub/comissao-
9788575415917.epub. Acesso em: 10 jan. 2024.
SUCUPIRA, A. C. S. L. et al. Social Determinants of Health
among children aged between 5 and 9 years within the
urban area, Sobral, Ceará, Brazil. Revista Brasileira de
Epidemiologia, São Paulo, v. 17, p. 160-177, 2014.
TARLOV, A. R. Public policy frameworks for Improving
population health. Annals of the New York Academy of
Sciences, v. 896, p. 281-293, 1999.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3332/1/2mod_conc_saude_2016.pdf
https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/3332/1/2mod_conc_saude_2016.pdf
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/cfc-193774
http://books.scielo.org/id/bwb4z/epub/comissao-9788575415917.epub.%20Acesso
http://books.scielo.org/id/bwb4z/epub/comissao-9788575415917.epub.%20Acesso
WILKINSON, R.; MARMOT, M. (Eds.). Social determinants of
health: the solid facts. 2. ed. Compenhagem: WHO, 2003.
PAIM, J.S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde Coletiva: teoria e
prática. 1. ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2014.
ROUQUAYROL, M. Z.; SILVA, M. G. C. Rouquayrol:
epidemiologia & saúde. 8. ed.  Rio de Janeiro:  Medbook,
2018.
SOLHA, R. K. T. Sistema único de sau´de: componentes,
diretrizes e poli´ticas públicas. Sa~o Paulo: E´rica, 2014.
Aula 4
Educação em Saúde
Educação em Saúde
Educação em Saúde
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Seja bem-vindo à disciplina de Saúde Pública!
Ao explorar esta videolaula, você terá a chance de refletir
sobre as abordagens pedagógicas, o processo educativo nas
práticas de saúde e a educação em e para saúde e no
contexto das ações da Saúde Pública. O nosso objetivo
central será apresentar os conceitos fundamentais desses
temas e contextualizá-los em situações que se relacionam
com a sua rotina como profissional de saúde na Atenção
Básica, desempenhando o papel de educador.
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Ponto de Partida
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/54/c2f82b1c-baec-5a49-a0bc-6e97b6b415de.pdf
Ponto de Partida
Nesta videoaula, abordaremos a definição do Ministério da
Saúde sobre educação em saúde como processo educativo
para construir conhecimentos, visando a apropriação pela
população. Destacaremos a importânciadas ações,
envolvendo profissionais e gestores comprometidos com
prevenção, e a população em busca de autonomia.
Abordaremos a educação continuada e permanente no
trabalho em saúde, explorando o termo "educação para a
saúde" e contrastando com a educação popular em saúde.
No cenário atual, enfatizaremos a necessidade de transição
do modelo centrado na doença para um mais abrangente,
priorizando a promoção e a prevenção. Destacaremos a
importância da educação em saúde participativa para
alcançar esse objetivo.
Vamos Começar!
Vamos Começar!
O Ministério da Saúde define educação em saúde como:
processo educativo de construção de conhecimentos em
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
saúde que visa à apropriação temática pela população [...].
Conjunto de práticas do setor que contribui para aumentar a
autonomia das pessoas no seu cuidado e no debate com os
profissionais e os gestores a fim de alcançar uma atenção de
saúde de acordo com suas necessidades.
As ações de educação em saúde abrangem três grupos de
participantes prioritários: profissionais de saúde que
reconhecem a importância da prevenção e promoção, além
das práticas curativas; gestores que oferecem apoio a esses
profissionais; e a população, que busca construir
conhecimentos e ampliar a sua autonomia nos cuidados,
tanto individualmente quanto de forma coletiva.
A educação em saúde como processo político pedagógico
requer o desenvolvimento de um pensar crítico e reflexivo,
permitindo desvelar a realidade e propor ações
transformadoras que levem o indivíduo à sua autonomia e
emancipação como sujeito histórico e social, capaz de
propor e opinar nas decisões de saúde para cuidar de si, de
sua família e de sua coletividade (MACHADO, 2007).
Para melhor compreensão faz-se necessário o entendimento
da história da saúde pública no Brasil. A partir da década de
1940, ocorreu a expansão da medicina preventiva para
algumas regiões do país com o Serviço Especial de Saúde
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Pública (SESP). Este apresentava estratégias de educação em
saúde autoritárias, tecnicistas e biologicistas, em que as
classes populares eram vistas e tratadas como passivas e
incapazes de iniciativas próprias (VASCONCELOS, 2001). As
ações do Estado se davam por meio das chamadas
campanhas sanitárias.
Temos duas modalidades de educação no trabalho em
saúde: a educação continuada e a educação permanente. A
educação continuada abrange as atividades educacionais
realizadas após a conclusão da graduação, com uma duração
predefinida e frequentemente utilizando metodologias
tradicionais, como programas de pós-graduação. Já a
educação permanente é estruturada com base nas
necessidades do processo de trabalho e incorpora de
maneira inclusiva a abordagem crítica no ambiente laboral.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
A educação permanente engloba iniciativas educativas
fundamentadas na análise crítica do processo de trabalho
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
em saúde. O seu objetivo principal é promover a
transformação das práticas profissionais e da estrutura
organizacional do trabalho. Isso é realizado considerando as
necessidades de saúde individuais e populacionais, a
reestruturação da gestão setorial e a ampliação das
conexões entre a formação e o envolvimento no controle
social em saúde (BRASIL, 2009).
Educação para a saúde é um termo frequentemente
utilizado nos serviços de saúde, implicando uma abordagem
mais verticalizada dos métodos e práticas educativas. Essa
abordagem lembra o conceito de "educação bancária"
proposto por Paulo Freire (1987), sugerindo que os
profissionais de saúde têm a responsabilidade de instruir
uma população considerada como ignorante sobre as
práticas necessárias para promover mudanças nos hábitos
de vida, visando aprimorar a saúde tanto individual quanto
coletiva.
A abordagem da educação popular em saúde se diferencia
da abordagem hegemônica da educação em saúde. Ela se
organiza a partir da interação com diversos sujeitos no
ambiente comunitário, dando destaque aos movimentos
sociais locais. Essa abordagem compreende a saúde como
uma prática social e global, orientada pelos interesses ético-
políticos das classes populares. A educação popular em
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
saúde se fundamenta no diálogo com os conhecimentos
prévios dos usuários dos serviços de saúde, considerando
seus saberes "populares", e na análise crítica da realidade.
Ao analisarmos o panorama atual, torna-se evidente a
urgência de complementar o modelo vigente de atenção
assistencialista. Este, centrado na doença, excessivamente
especializado e predominantemente hospitalar, precisa
evoluir para um modelo mais abrangente. O novo modelo
deve priorizar a promoção da saúde e a prevenção de
agravos, incorporando a educação em saúde de maneira
participativa e dialógica.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
No contexto brasileiro, destaca-se Paulo Freire como o
representante mais notável da abordagem sociocultural
(FREIRE, 1987). Nessa perspectiva, compreende-se que o ser
humano não pode ser dissociado de seu contexto; ele é o
protagonista de sua própria formação e evolução,
envolvendo a reflexão contínua sobre a sua posição no
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
mundo e a sua realidade. Essa conscientização é
fundamental para o processo individual de construção de
conhecimento ao longo da vida, estabelecendo uma relação
intrínseca entre pensamento e prática. O objetivo é alcançar
a consciência crítica, uma transferência do entendimento do
mundo concreto e imediato para a percepção subjetiva da
realidade, num processo de relações complexas e flexíveis
ao longo da história.
Saiba mais
Saiba mais
O propósito deste caderno é apresentar os principais
conceitos desses temas e trazer situações que os aproximam
do seu dia a dia como profissional de saúde da Atenção
Básica com o papel de educador. MAREGA, A. G. MACHADO;
WANDERLEY, L. C. S. Educação Permanente em Saúde na
ação das Equipes de Saúde da Família.
Para saber mais sobre o tema apresentado nesta aula, leia a
Portaria nº 198/GM/MS, de 13 de fevereiro de 2004, que
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade09/unidade09.pdf
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade09/unidade09.pdf
http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2004/GM/GM-198.htm
instituiu a Política Nacional de Educação Permanente em
Saúde.
A Portaria nº 1.996/GM/MS dispõe sobre novas diretrizes e
estratégias para a implementação da Política Nacional de
Educação Permanente em Saúde.
Referências
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Gestão do
Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão
e da Regulação do Trabalho em Saúde. Câmara de Regulação
do Trabalho em Saúde. Brasília: MS; 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde.  Secretaria-Executiva. Secretaria
de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Glossário
temático: gestão do trabalho e da educação na saúde.
Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2009.
FREIRE P. Pedagogia do oprimido. 17ª Edição. São Paulo: Paz
e Terra; 1987.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Portaria_1996-de_20_de_agostode-2007.pdf
MACHADO, M.F.A.S., MONTEIRO, E.M.L.M., QUEIROZ, D.T.,
VIEIRA, N.F.C., & Barroso, M.G.T. (2007). Integralidade,
formação de saúde, educação em saúde e as propostas do
SUS - uma revisão conceitual. Ciência & Saúde Coletiva, 12(2),
335-342.
VASCONCELOS, E. M. Participação popular e educação nos
primórdios da saúde pública brasileira. In: E. M. Vasconcelos
(Org.). A saúde nas palavras e nos gestos: reflexões da Rede
de Educação Popular nos Serviços de Saúde. São Paulo:
Editora Hucitec, 2001.
PAIM, J.S.; ALMEIDA FILHO, N. Saúde Coletiva: teoria e
prática. 1. ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2014.
ROUQUAYROL, M. Z.; SILVA, M. G. C. Rouquayrol:
epidemiologia & saúde. 8. ed.  Rio de Janeiro:  Medbook,
2018.
SOLHA, R. K. T. Sistema único de sau´de: componentes,
diretrizes e poli´ticas pu´blicas. Sa~o Paulo: E´rica, 2014.
Aula 5
Encerramentoda Unidade
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Videoaula de Encerramento
Videoaula de Encerramento
Nesta aula, exploramos a evolução histórica das concepções
sobre Saúde e Doença. Analisamos a História Natural das
Doenças, desde a exposição a fatores de risco até o desfecho
clínico. Em seguida estudamos sobre a Determinação Social
do Processo Saúde-Doença, destacando como fatores
sociais, econômicos e culturais impactam a saúde.
Discutimos a Educação em Saúde, realçando o seu
importante papel na promoção da saúde e prevenção de
doenças, com ênfase em capacitar indivíduos e comunidades
diante dos determinantes sociais. Compreendemos a
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
complexidade e a importância de uma abordagem holística
para a saúde.
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Ponto de Chegada
Ponto de Chegada
Exploramos dois temas fundamentais: "História Natural das
Doenças" e "Determinação Social do Processo Saúde-
Doença". Iniciamos a nossa jornada com uma análise dos
Aspectos Históricos e Concepções sobre a Saúde e a Doença,
compreendendo a evolução desses conceitos ao longo do
tempo. Em seguida, mergulhamos na História Natural das
Doenças, examinando a progressão dos eventos desde a
exposição a fatores de risco até o desfecho clínico.
A segunda parte de nossa aula abordou a Determinação
Social do Processo Saúde-Doença, destacando como os
fatores sociais, econômicos, culturais e ambientais
influenciam diretamente a saúde das populações.
Analisamos a interação dinâmica entre esses determinantes,
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/54/78d84d9e-e25e-5968-9386-2b730c180898.pdf
considerando o seu impacto nas condições de vida e no
bem-estar.
Por fim, dedicamos um espaço à Educação em Saúde,
discutindo o seu papel crucial na promoção da saúde e na
prevenção de doenças. Exploraremos estratégias para
capacitar indivíduos e comunidades, proporcionando
autonomia e conscientização sobre os determinantes sociais
que moldam o nosso estado de saúde.
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Imagine que na sua atuação como profissional da saúde, se
deparando com famílias em que as mulheres carecem de
instrução, estão em idade fértil e algumas encontram-se
grávidas, como assegurar uma assistência adequada à mãe e
ao bebê, considerando que não costumam realizar as suas
consultas pré-natal?
Reflita
1. O que significa ter saúde? O que contribui para que as
pessoas tenham saúde?
2. O que significa estar doente? O que favorece o
adoecimento das pessoas?
3. O que você faz quando adoece? O que significa para você
ser cuidado?
4. Como os trabalhadores de saúde interferem no processo
saúde-doença das pessoas?
Resolução do Estudo de Caso
Temos na situação acima famílias em situação de
vulnerabilidade, e as evidências mostram que esses grupos
têm maior risco de adoecimento e de mortalidade. 
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Elas não podem receber o mesmo tratamento dado a
famílias com alto grau de instrução e de renda, ao contrário,
devem receber maior atenção das equipes de saúde.
Certamente essas famílias deveriam receber visitas
domiciliares, em vez de a equipe aguardá-las nos serviços,
bem como receber maior atenção da gestão, a qual deve ser
responsável por articular ações intersetoriais que garantam
a cidadania e o bem-estar dessas pessoas.
Assimile
A Lei 8080/90, também conhecida como Lei Orgânica da
Saúde, é um marco na legislação brasileira que estabelece as
diretrizes para a organização do Sistema Único de Saúde
(SUS). Dentre seus dispositivos, o Artigo 3º assume uma
posição central ao abordar os determinantes sociais da
saúde.
O texto do Artigo 3º ressalta que os níveis de saúde de uma
população refletem a estrutura social e econômica do país. A
saúde é apresentada como um fenômeno complexo,
influenciado por diversos fatores que vão além da
assistência médica. Nesse contexto, a lei destaca
explicitamente os determinantes e condicionantes que
moldam a saúde da população.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
A alimentação, por exemplo, é apontada como um fator
crucial para a saúde. A qualidade e a adequação da
alimentação têm impactos diretos na prevenção de doenças
e na promoção do bem-estar. Da mesma forma, a moradia e
o saneamento básico são fundamentais para prevenir
condições adversas à saúde, como doenças relacionadas à
falta de infraestrutura adequada.
O meio ambiente é considerado um determinante da saúde,
reconhecendo que a qualidade do ambiente em que as
pessoas vivem afeta diretamente o seu estado de saúde. A
exposição a poluentes, a preservação dos recursos naturais
e a mitigação dos riscos ambientais são, portanto,
contempladas na legislação.
Além disso, a Lei 8080/90 abrange aspectos relacionados ao
trabalho, renda, educação, atividade física, transporte, lazer
e acesso aos bens e serviços essenciais. Essa abordagem
ampla reflete a compreensão de que a saúde é resultante de
uma multiplicidade de fatores inter-relacionados.
Consequentemente, intervenções eficazes na promoção da
saúde devem abordar não apenas a assistência médica, mas
também as condições sociais que moldam o contexto de vida
das pessoas.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Em síntese, o Artigo 3º da Lei 8080/90 destaca a visão
integrada da saúde, reconhecendo-a como um reflexo das
condições sociais, econômicas e ambientais. Essa
perspectiva embasa a atuação do SUS na promoção da
saúde, reforçando a importância de políticas públicas que
abordem os determinantes sociais para alcançar resultados
significativos na melhoria da saúde da população brasileira.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
Determinantes Sociais de Saúde na Lei 8080/90. Fonte:
Elaborado pela autora.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA
 
 
  
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Gestão do
Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão
e da Regulação do Trabalho em Saúde. Câmara de Regulação
do Trabalho em Saúde. Brasília: MS; 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde.  Secretaria-Executiva. Secretaria
de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Glossário
temático: gestão do trabalho e da educação na saúde.
Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2009.
Disciplina
SAÚDE PÚBLICA

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