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Apostila ilustrada — Classificação de doenças de plantas
pelos seis grupos de McNew
Esta apostila apresenta os seis grupos de McNew conforme a organização temática da Parte IV do *Manual de
Fitopatologia: Princípios e Conceitos*, volume 1, 5ª edição, 2018.[web:94][web:93] A classificação fisiológica
organiza as doenças segundo o principal processo vital da planta interferido pelo patógeno: armazenamento de
reservas, desenvolvimento de tecidos jovens, absorção, transporte, fotossíntese e utilização dos produtos da
fotossíntese.[web:12][web:1]
Tabela geral
| Grupo | Processo principal | Exemplos gerais |
|---|---|---|
| I | Reserva | Podridões de órgãos de reserva[web:1] |
| II | Tecidos jovens | Damping-off[web:1][web:148] |
| III | Absorção | Podridões de raiz e colo[web:147][web:1] |
| IV | Transporte vascular | Murchas vasculares[web:143][web:145] |
| V | Fotossíntese | Manchas, míldios, oídios e ferrugens[web:1][web:12] |
| VI | Utilização dos fotoassimilados | Carvões, galhas e viroses[web:1][web:154] |
Grupo I — Podridões de órgãos de reserva
Este grupo reúne doenças que destroem frutos, sementes, tubérculos, bulbos, rizomas e outros órgãos de
reserva, reduzindo germinação, conservação e valor comercial.[web:1] O sintoma central é a podridão, que
pode ser mole e aquosa ou seca e mumificante, conforme o patógeno e o órgão atacado.[web:1]
O manejo depende de prevenção, com uso de material propagativo sadio, redução de ferimentos, higiene no
beneficiamento e armazenamento adequado.[web:1]
Grupo II — Damping-off
O Grupo II atinge sementes em germinação e plântulas, causando falhas de estande antes ou depois da
emergência.[web:1][web:148] Em pré-emergência, a planta morre antes de emergir; em pós-emergência, ocorre
lesão no colo e tombamento da plântula.[web:1]
Os patógenos típicos incluem fungos e oomicetos habitantes do solo, favorecidos por excesso de umidade,
adensamento e drenagem deficiente.[web:1][web:148] O controle envolve sementes de qualidade, substrato
limpo e irrigação equilibrada.[web:1]
Grupo III — Podridões de raiz e colo
No Grupo III, o processo mais afetado é a absorção de água e nutrientes, pois os patógenos destroem raízes e
colo.[web:147][web:1] A parte aérea mostra sintomas reflexos, como murcha, clorose e atraso de crescimento,
mas o problema primário está no sistema radicular.[web:147][web:146]
A distinção para o Grupo IV é essencial: aqui a murcha decorre da incapacidade de absorver água, e não da
obstrução do xilema.[web:146][web:147]
Grupo IV — Murchas vasculares
No Grupo IV, fungos e bactérias colonizam o sistema vascular, sobretudo o xilema, interferindo na translocação
de água e nutrientes.[web:143][web:145] Os sintomas incluem murcha progressiva, amarelecimento e
descoloração vascular observada em cortes do caule ou raiz.[web:143][web:144]
O manejo enfatiza exclusão, saneamento, rotação adequada e resistência genética, porque o controle curativo é
difícil após a colonização dos vasos.[web:1][web:145]
Grupo V — Doenças que interferem na fotossíntese
O Grupo V reúne manchas foliares, míldios, oídios e ferrugens, todas importantes porque reduzem a área foliar
ativa e a capacidade fotossintética da planta.[web:1][web:12][web:153]
Manchas foliares
As manchas são áreas cloróticas ou necróticas delimitadas, às vezes com halo, centro claro ou coalescência,
formando crestamentos.[web:152] São causadas principalmente por fungos e bactérias e têm manejo baseado
em redução do inóculo, ventilação e proteção foliar.[web:1]
Míldios
Os míldios são causados por oomicetos e caracterizam-se por manchas cloróticas ou oleosas na face superior
da folha e esporulação na face inferior em ambiente úmido.[web:154] Em geral dependem de alta umidade e
água livre para infecção e disseminação.[web:154]
A imagem mostra sintomas visuais compatíveis com míldio em videira, com lesões cloróticas e necróticas no
limbo foliar.[image:161]
Oídios
Os oídios formam revestimento branco pulverulento sobre a superfície dos órgãos verdes e são causados por
fungos biotróficos obrigatórios.[web:154][web:12] Diferentemente dos míldios, muitos oídios não precisam de
água livre para germinar.[web:154][web:48]
A imagem ilustra o aspecto farináceo típico do oídio sobre a superfície foliar.[image:159]
Ferrugens
As ferrugens formam pústulas com massas de esporos de coloração amarela, laranja, castanha ou escura,
rompendo a epiderme.[web:154][web:177] São doenças causadas por fungos da ordem Pucciniales, geralmente
muito especializados.[web:177][web:154]
A imagem mostra pústulas ferruginosas em folha de soja, padrão visual clássico de ferrugem.[image:163]
Grupo VI — Carvões, galhas e viroses
No Grupo VI, o efeito primário está na alteração do uso dos produtos da fotossíntese, com desvio metabólico,
crescimento anormal ou alterações sistêmicas.[web:1][web:154] Carvões substituem órgãos por massa escura
de esporos; galhas promovem hipertrofia e hiperplasia; viroses provocam mosaicos, deformações, nanismo e
distúrbios sistêmicos.[web:154][web:1]
Comparações essenciais
| Comparação | Diferença |
|---|---|
| Grupo III x Grupo IV | Grupo III: falha na absorção radicular; Grupo IV: falha no transporte
vascular.[web:146][web:147] |
| Míldio x Oídio | Míldio: oomiceto e umidade alta; oídio: fungo e muitas vezes sem exigência de água
livre.[web:154][web:48] |
| Mancha x Ferrugem | Mancha: área necrótica delimitada; ferrugem: pústulas com esporos.[web:152][web:177] |
Síntese final
A classificação de McNew é útil porque integra sintoma, local primário de ataque, processo fisiológico afetado e
lógica de manejo.[web:1][web:12] Em estudo e diagnose, ela ajuda a separar doenças semelhantes na parte
aérea, mas fisiologicamente distintas, como podridão radicular e murcha vascular.[web:146][web:147]