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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Prof. Marco Túlio 
Curso Extensivo de História 2022 
 
 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EXTENSIVO 2021 
 
 
AULA 
Prof. Marco Túlio 
DATA 
IDADE CONTEMPORÂNEA V 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Prof. Marco Túlio 
Curso Extensivo de História 2022 
 
 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 2 
Sumário 
1. INTRODUÇÃO 3 
2. O FIM DA HISTÓRIA? UMA NOVA ORDEM MUNDIAL? 3 
2.1. Neoliberalismo 4 
2.2. Globalização 5 
3. TENSÕES E CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO 5 
3.1. O conflito árabe-israelense 6 
3.2. O Irã: da modernização à Revolução 12 
3.3. O Oriente Médio no pós-Guerra Fria 17 
4. ÁFRICA E SEUS MÚLTIPLOS CONFLITOS 25 
4.1. África do Sul 25 
4.2. Angola 27 
4.3. Genocídio em Ruanda (1994) 28 
5. AMÉRICA LATINA: QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS 28 
5.1. Neozapatismo no México 30 
6. CONFLITOS ÉTNICOS E SEPARATISTAS NA EUROPA 30 
6.1. Conflitos nos Balcãs 31 
6.2. Questão basca na Espanha 32 
6.3. O IRA e a unificação da Irlanda 32 
7. REFERÊNCIAS 33 
10. REFERÊNCIAS ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 
 
 
 
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Curso Extensivo de História 2022 
 
 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 3 
1. INTRODUÇÃO 
Olá, pessoal! 
Essa e a última aula do nosso curso! Veremos os seguintes assuntos: 
 Neoliberalismo 
 Globalização 
 Conflitos no Oriente Médio 
 Apartheid na África do Sul 
 Genocídio em Ruanda 
 Neozapatismo no México 
 Conflitos separatistas na Europa 
Espero que assim que a terminarmos, você esteja pronto para gabaritar na prova de História da 
UERJ! Trata-se de uma banca muito atenta às atualidades, então é preciso abordarmos questões que 
envolvem a história recente. 
Bons estudos, 
Prof. Marco Túlio 
 
2. O FIM DA HISTÓRIA? UMA NOVA ORDEM MUNDIAL? 
O esfacelamento da União Soviética e o fim da Guerra Fria fizeram com que os Estados Unidos se 
consolidassem como a única superpotência remanescente no mundo. Uma onda de otimismo tomou 
conta do país, que exaltava o triunfo da democracia liberal como modelo político e do capitalismo como 
sistema econômico consolidado. O economista Francis Fukuyama chegou a falar em “fim da história”, 
afinal a humanidade havia chegado ao seu clímax. 
No entanto, a Nova Ordem Mundial, nome 
dado ao período pós-Guerra Fria, se revelou muito 
diferente das projeções otimistas norte-americanas. 
Se no plano diplomático, militar e estratégico, ela 
assumia contornos de unipolaridade, o avanço 
econômico-tecnológico em outros países indicava um 
cenário multipolar, com diversos países estruturando 
sua própria ordem regional de influência.1 
As décadas finais do século XX foram marcadas 
por dois fenômenos de extrema importância: o 
neoliberalismo e a globalização, cujos efeitos foram 
aplaudidos e repudiados por grupos distintos em 
diversos territórios. Para compreendê-los melhor, 
vejamos cada um deles a seguir. 
 
1 VISENTINI, Paulo Fagundes. O caótico século XXI. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015. p. 70. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 4 
2.1. Neoliberalismo 
Denomina-se neoliberal a política econômica que adapta o modelo liberal às novas conjunturas 
enfrentadas pelo capitalismo no final do século XX, baseada na preocupação de manter o equilíbrio dos 
preços a partir da estabilização financeira e monetária, obtida a partir da adoção de um austero 
programa de medidas anti-inflacionárias. 
O modelo neoliberal foi consolidado nos governos de Margaret Thatcher, no Reino Unido; de 
Ronald Reagan, nos Estados Unidos; e de Helmut Kohl, na Alemanha Ocidental. Em seguida, espalhou-se 
para outros países do mundo, alcançando o Brasil nas gestões dos presidentes Fernando Collor e Fernando 
Henrique Cardoso. 
Um ponto importante do neoliberalismo é atribuir à sociedade a busca pela solução de seus 
problemas, e não o Estado. Com isso, cabe a este garantir o bem comum e o equilíbrio social, mas não 
destinar largos investimentos com políticas sociais.2 A visão de um “Estado mínimo”, que leva à 
decadência da ideia do Estado de Bem-Estar Social, recebeu aplausos de alguns entusiastas diante do 
enxugamento da máquina pública, mas foi questionada por setores que enxergaram o comprometimento 
da garantia dos direitos sociais. 
 
 
Figura 2 - Margareth Thatcher e Ronald Reagan. 
 
As ideias neoliberais de economistas como Hayek e pensadores ligados à Escola de Chicago 
atribuíam à crise econômica dos anos 1970 aos aumentos salariais e despesas do Estado com políticas 
sociais, por isso a solução seria limitar o seu tamanho e atribuições. 
O neoliberalismo conseguiu atingir alguns de seus objetivos. Os impostos e a inflação diminuíram, 
assim como os gastos sociais do Estado e o número de empresas públicas. A representação sindical 
também foi fortemente enfraquecida na mediação de interesses dos trabalhadores. 
 Por outro lado, a eliminação da regulamentação financeira criou um sistema especulativo, no qual 
se verifica ampla facilidade de transferência e evasão fiscal, que dificulta os Estados regularem suas contas 
diante da pouca capacidade de arrecadação. Além disso, a precarização das relações de trabalho 
contribuiu para que se verificasse uma piora nas condições de vida, sobretudo nos países em 
desenvolvimento. 
 
2 MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, 2002.p. 581. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 5 
2.2. Globalização 
Outro ponto importante na modificação do cenário mundial foi a reorganização do trabalho e das 
técnicas de produção. O final do século XX foi marcado pela verificação de uma Revolução Científico-
Tecnológica, no qual se observam avanços em áreas como a informática, a comunicação, a biotecnologia 
e a robótica. 
Verifica-se no período o fenômeno da globalização produtiva, ou seja, muitas empresas de países 
pós-industriais transferem seu parque industrial para países em desenvolvimento, onde é possível pagar 
baixos salários aos trabalhadores diante de uma ínfima legislação social, além de baixos impostos e um 
menor controle ambiental. 
Tomemos como exemplo uma fábrica de automóveis alemã, cuja sede se situa em seu país de 
origem, mas possui unidades de produção no Brasil e se utiliza de peças vindas de um terceiro lugar. Essa 
divisão leva em conta fatores diversos, como a qualificação profissional, carga tributária, infraestrutura, 
incentivos fiscais, entre outros. 
Vale ressaltar que se no modelo fordista prevalecia a produção em larga escala, a economia 
globalizada passa a demandar a fabricação de séries mais curtas e de uma gama de produtos diferentes, 
voltados para inúmeros mercados. A produção se torna mais flexível, levando em conta as flutuações do 
mercado para evitar a acumulação de estoques. 
A globalização conectou várias partes do planeta, permitindo a rápida circulação de notícias, bens 
e pessoas. As novas tecnologias deram abertura para que setores até então invisibilizados pudessem 
expor suas demandas e exigir a solução de problemas enfrentados. 
Por outro lado, também podem ser citados aspectos negativos da globalização, como o aumento 
do desemprego (incluindo nos países ricos), a manutenção de baixos salários, a concentração de riquezas, 
a degradação ambiental e a padronização cultural. 
 
3. TENSÕES E CONFLITOS NO ORIENTE MÉDIO 
O Oriente Médio é uma região de confluência de três continentes (Europa, Ásia e África), berço 
das primeiras civilizações da humanidade (Egito, Suméria e Babilônia) e das religiões monoteístas 
(cristianismo, judaísmo e islamismo).3 Trata-se de um termo bastante impreciso geograficamente, afinal 
não existe um ponto do planeta que seja mais “médio” que o outro. Contudo, trata-se de umao presidente norte-americano George Bush propôs a Área de Livre Comércio das 
Américas (ALCA), que eliminaria as barreiras alfandegárias entre os países do continente. Contudo, as 
disparidades econômicas existentes entre a América do Norte e a América Latina fez com que muitos 
setores de oposição acreditassem que a indústria norte-americana levaria ao fechamento de indústrias e 
ao agravamento do desemprego na região. A proposta foi rechaçada em 2005. 
Algumas reações a este processo foram verificadas a partir do final da década de 1990. Uma delas 
foi o Fórum Social Mundial (FMS), cujo primeiro encontro aconteceu em 2001, na cidade de Porto Alegre 
 
8 VISENTINI, Paulo Fagundes. O caótico século XXI. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015. p. 132. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 29 
(RS). Reunindo a sociedade civil articulada, o evento acontece anualmente para discutir os efeitos do 
neoliberalismo e a globalização. 
Outra reação se deu por meio da chamada guinada à esquerda (ou onda rosa), nome dado ao 
período em que muitos chefes de Estado ligados à partidos e movimentos políticos de esquerda foram 
eleitos, sobretudo entre o final da década de 1990 e meados da década de 2010. Vejamos alguns nomes 
do período: 
 Hugo Chávez → eleito em 1999 na Venezuela; 
 Luís Inácio Lula da Silva → eleito em 2002 no Brasil pelo Partido dos Trabalhadores; 
 Tabaré Vásquez → eleito em 2004 no Uruguai; 
 Nestor e Cristina Kirchner → se sucederam na presidência da Argentina; 
 Evo Morales → eleito pelo Movimento para o Socialismo na Bolívia (2005); 
 Michelle Bachelet → eleita pelo Partido Socialista do Chile (2006); 
 Rafael Correa → eleito pela Aliança PAIS no Equador (2006); 
 Fernando Lugo → eleito presidente do Paraguai (2008); 
 Raúl Castro → sinalizou a recondução de Cuba para a socialdemocracia. 
O ciclo de governos da esquerda não se estendeu por muitos anos na América Latina. Em 2009, o 
presidente hondurenho Manuel Zelaya tentou convocar um referendo para formar uma constituinte que 
lhe permitiu a reeleição, mas um golpe o afastou do cargo. Em 2012, Fernando Lugo foi destituído do 
poder após ser responsabilizado por um confronto entre camponeses e policiais no Paraguai. Mais tarde, 
outros dois presidentes também terminaram seu mandato prematuramente: Dilma Rousseff, cujo 
processo de impeachment se deu em 2016, e Evo Morales, que renunciou à presidência da Bolívia após 
acusações de fraudes nas eleições de 2019. 
De forma menos turbulenta, a hegemonia das esquerdas também terminou em outros países do 
subcontinente, algo entendido por muitos especialistas como esgotamento do boom das commodities, 
que limitou sua capacidade de investimentos dos governos em serviços sociais e encerrou um período de 
crescimento econômico. 
Ao final da segunda década dos anos 2000, a América Latina viveu uma guinada à direita em países 
como a Argentina, Colômbia, Paraguai, Peru e Brasil. Vejamos os principais nomes em ascensão: 
 Argentina → o comando dos Kirchner chegou ao fim com a eleição do empresário Maurício 
Macri, em 2015; 
 Peru → Ollanta Humala foi substituído pelo economista liberal Pedro Pablo Kuczynski, 
sucedido pelo direitista Martin Vizcarra; 
 Equador → Lenín Moreno, vice de Rafael Correa, rompeu com o presidente e foi eleito com 
o apoio de partidos de direita; 
 Chile → Sebastián Piñera derrotou Bachelet nas eleições presidenciais e assumiu a 
presidência do Chile em 2010. Durante muito tempo, foi o único governante de direita em 
meio à onda rosa latino-americana; 
 Colômbia → Iván Duque assumiu o comando do país em 2018; 
 Paraguai → Mario Abdo Benítez, filho de um secretário geral do governo militar paraguaio, 
assumiu o poder em 2018; 
 Brasil → o deputado federal e capitão reformado Jair Messias Bolsonaro assumiu a chefia 
do país em 2018. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 30 
Neste mesmo período, o México apareceu como exceção na América Latina, pois em julho de 2018 
foi eleito o esquerdista Andrés Manuel López Obrador. Outros países da região, como Venezuela, Bolívia 
e Nicarágua, continuaram a ter governos de esquerda, mas marcados por graves crises políticas. 
5.1. Neozapatismo no México 
Em 1º de janeiro de 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), composto por 
camponeses indígenas treinados com táticas de guerrilha, ocupou o estado de Chiapas, uma região pobre 
do sul do México. Os rebeldes lançaram a Declaração da Selva de Lacandona, por meio da qual 
reivindicavam trabalho, terra, teto, alimentação, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, 
justiça e paz. Sem apresentar o rosto, o porta-voz do movimento se identificou como Subcomandante 
Marcos9, pois segundo ele, Emiliano Zapata era seu verdadeiro líder. 
Um dos pontos decisivos para a eclosão do movimento foi o Tratado Norte-Americano de Livre 
Comércio (NAFTA), acordo econômico formalizado entre Estados Unidos, Canadá e México. Ele buscava 
estimular a integração comercial entre os signatários, promovendo reduções nas tarifas alfandegárias de 
produtos que circulassem na região. Para o EZLN, o novo bloco econômico significou uma “sentença de 
morte” para os pobres mexicanos, afinal isso comprometeria modos tradicionais de gestão da terra 
perante interesses externos. São declaradamente antiglobalização. 
Após algumas horas de combate com o Exército 
federal, os zapatistas retornaram à selva, mas não 
cessaram suas movimentações nos anos seguintes. Em 
2001, o EZLN organizou uma marcha pacífica até a 
Cidade do México, com o intuito de defender os direitos 
indígenas sobre a terra e o fechamento de bases 
militares em Chiapas. O movimento foi um dos primeiros 
a fazer largo uso da internet para expor suas 
reivindicações, o que atraiu atenções do mundo todo. 
Recentemente, a luta do EZLN se voltou contra 
duas grandes obras anunciadas pelo governo López 
Obrador: o Trem Maia, que passará pelo estado de 
Chiapas, e o Corredor Transistmic, que ligará os oceanos 
Pacífico e Atlântico. O movimento considera o presidente 
“inimigo dos indígenas” e “representante da falsa 
esquerda”, e continua sendo uma força política relevante 
no México. 
 
6. CONFLITOS ÉTNICOS E SEPARATISTAS NA EUROPA 
A História recente do continente europeu foi marcada por graves questões de caráter étnico e 
separatista, tanto na parte corresponde à antiga União Soviética quanto na Europa Ocidental. A seguir, 
veremos alguns pontos de conflito verificados após o fim da Guerra Fria. 
 
 
9 Em maio de 2014, ele comunicou sua mudança de nome para Subcomandante Galeano, em homenagem ao zapatista de 
mesmo nome morto naquele ano. 
Figura 12 - Bandeira do Exército Zapatista de Libertação Nacional. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 31 
6.1. Conflitos nos Balcãs 
Após a morte do general Josip Tito (1980) e com o colapso da União Soviética, a continuidade do 
regime socialista da Iugoslávia foi duramente comprometida diante do crescimento de discursos de 
afirmação étnica e independentistas, além da problemática situação econômica. A Iugoslávia era 
composta por seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Montenegro, Eslovênia, Bósnia-Hezergovina e Macedônia. 
Ao assumir a presidência da Sérvia, em 1988, Slobodan Milošević incitou o sentimento nacionalista 
sérvio, defendendo a unidade da Iugoslávia mediante a hegemonia deste grupo étnico. Também foram 
realizadas eleições livres na Eslovênia e na Croácia, que descontentes com o discurso do presidente sérvio, 
manifestaram seu desejo de obter sua independência. 
A situação da região dos Balcãs era bastante delicada, porque cada república tinha minorias étnicas 
em seu interior. Milhares de sérvios habitavam a Croácia (600.000pessoas) e a Bósnia-Hezergovina (1,3 
milhão), o que levou Milošević a defender a unidade iugoslava ardorosamente. 
Em junho de 1991, a Eslovênia e a Croácia obtiveram sua independência, o que levou a Sérvia a 
agir. Como a maioria do Exército iugoslavo era composto por sérvios, ele foi deslocado para a Croácia, 
onde conquistou um terço do território. Após Milošević concordar com o cessar-fogo, tropas da ONU 
foram mobilizadas para policiar a região, em fevereiro de 1992. A partir daí, a comunidade internacional 
reconheceu a independência da Eslovênia, da Croácia e da Bósnia-Hezergovina. 
 
Guerra da Bósnia (1992-1995) 
Em março de 1992, a Bósnia declarou sua independência. O novo Estado apresentava uma 
população etnicamente diversificada, com 44% de bosnianos-muçulmanos; 33% de sérvios e 17% de 
croatas. Para os primeiros, o futuro Estado da Bósnia deveria ser governado por eles, enquanto sérvios e 
croatas defendiam que os territórios ocupados por eles fossem anexados pela Sérvia e a Croácia, 
respectivamente. 
Um bárbaro conflito se iniciou em abril, quando sérvios-bósnios, apoiados pelo governo Milošević, 
atacaram os bosnianos em Sarajevo, capital do Estado. Os ataques se espalharam por todo o território, 
evidenciando uma clara intenção dos sérvios de realizarem uma limpeza étnica na Bósnia, colocando 
muçulmanos em campos de concentração, assassinando homens e estuprando mulheres. Embora 
atrocidades também tenham sido cometidas pelos bosnianos contra os sérvios, os ataques destes se 
deram em uma proporção muito maior. 
Em julho de 1995, tropas sérvias invadiram Srebrenica e massacraram a população local, 
assassinado mais de oito mil pessoas e atirando seus corpos em valas comuns. Croatas e bósnios 
muçulmanos fizeram um acordo para lutarem juntos contra os sérvios-bósnios, enquanto a OTAN entrou 
em ação para cessar os massacres. 
 Um cessar-fogo foi acordado em 1995, seguido por um tratado de paz que estabeleceu os 
seguintes pontos: 
 A continuidade da Bósnia como um Estado único, com sua capital sediada em Sarajevo; 
 O Estado contaria com duas seções: uma de maioria bósnio-muçulmana e bósnio-croata, enquanto 
a outra seria de maioria bósnio-sérvia; 
 
 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 32 
Guerra do Kosovo (1998-1999) 
Desde 1989, a região do Kosovo, integrada à Sérvia e de maioria albanesa, buscou sua 
independência. Como suas manifestações pacíficas foram ignoradas por Milošević, elementos albaneses 
organizaram o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), que enfrentou as forças sérvias. 
Atrocidades contra a população albanesa foi cometida pelo Estado sérvio no Kosovo, o que levou 
a OTAN a realizar controversos bombardeios no território, com o intuito de forçar o presidente a 
renunciar. Porém, isso só serviu para que o discurso de limpeza étnica fosse reforçado sobre a região, 
levando à fuga de milhares de albaneses para Estados como a Albânia, Macedônia e Montenegro. 
Diante dos altos gastos empenhados no conflito contra as forças da OTAN, Milošević aceitou retirar 
as forças sérvias do Kosovo, que foram acompanhadas pelos civis sérvios que ali habitavam e temiam 
represálias dos albaneses. O conflito terminou com mais de 13.000 mil mortos, a maioria deles albaneses. 
Além de líderes políticos e militares sérvios, guerrilheiros do Kosovo também foram condenados 
por crimes contra a humanidade no Tribunal de Haia10. O território kosovar ficou sob administração da 
ONU até 2000, quando obteve sua independência. 
 
6.2. Questão basca na Espanha 
Entre o extremo norte da Espanha e no extremo sudoeste da França existe um povo chamado 
basco, composto por mais de 3 milhões de pessoas. Muitos deles reivindicam a formação de um Estado 
próprio, que abrangeria parte dos territórios franceses e espanhóis ocupados por eles atualmente. 
Durante o regime do general Francisco Franco, foi proibido o ensino da língua basca e sua 
reprodução nos meios de comunicação, o uso da bandeira foi vetado e milhares de pessoas foram 
perseguidas, torturadas e assassinadas pelas suas crenças políticas. Em resposta à intolerância do regime, 
foi organizado o ETA (Pátria Basca e Liberdade), que partiu para a luta armada durante os anos 1960. 
Nos anos 1970, enquanto parte do ETA rejeitou o uso da violência, outra recorreu ao terrorismo 
como forma de ação, mesmo após o fim do franquismo na Espanha. Duas décadas depois, manifestações 
populares pressionaram o movimento a abandonar o uso da violência, forçando-o ao cessar-fogo diante 
da perda de prestígio perante a sociedade civil. Cabe dizer que 80% dos atentados cometidos pelo ETA se 
deram já no período democrático, deixando 854 mortos e mais de 6 mil feridos. Em maio de 2018, perante 
jornalistas e observadores estrangeiros, o grupo entregou suas armas e anunciou sua extinção. 
 
6.3. O IRA e a unificação da Irlanda 
Outro grupo terrorista atuante na Europa foi o IRA (Exército Republicano Irlandês). Criado em 
1919, defendeu a unificação da Ilha da Irlanda em um só país e o fim da influência britânica na região. A 
maioria de seus membros eram católicos, que embora dissessem atuar em um movimento aberto a todos 
os irlandeses, viam com desconfiança a minoria protestante na Irlanda do Norte, considerada leal aos 
britânicos. 
 
10 A Corte Internacional de Justiça é sediada em Haia, nos Países Baixos. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 33 
O IRA promoveu atentados à bomba e emboscadas contra políticos unionistas, representantes do 
governo britânico e lideranças protestantes, sobretudo na cidade de Belfast. Assim, diferentemente do 
que se verificava no ETA, o nacionalismo do IRA possuía um forte componente religioso, recorrendo ao 
catolicismo como símbolo de resistência à presença britânica. 
O conflito sectário na Irlanda do Norte durou três décadas, entre 1968 e 1998, ficando conhecido 
como Troubles. Em julho de 2005, o IRA anunciou o fim da luta armada e a entrega de armas. 
 
 
 
 
 
 
7. REFERÊNCIAS 
▪ COGGIOLA, Osvaldo. A Revolução Iraniana. São Paulo: Ed. Unesp, 2007; 
 
▪ GORDON, Matthew. Khomeini. São Paulo: Nova Cultural, 1987. (Os grandes líderes) 
 
▪ DEMANT, Peter. O mundo muçulmano. São Paulo: Contexto, 2015. 
 
▪ HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 
 
▪ LOWE, Norman. História do mundo contemporâneo [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Penso, 
2011. 
 
▪ MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, 2002. 
 
▪ VISENTINI, Paulo Fagundes. O caótico século XXI. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015. 
 
▪ VISENTINI, Paulo Fagundes. O grande Oriente Médio: da descolonização à primavera árabe. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2014. 
 
 
 
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Marco Túlio 
Ah, não se esqueça de me seguir nas redes sociais: 
profmarco.tulio @profmarcotulio /marcotulio.gomes.186leitura feita 
por países ocidentais, que tomam essa região como mais próxima que países como a China, por exemplo. 
É preciso destacar que a cultura árabe não é restrita ao Oriente Médio, e que nem todos os 
habitantes dessa região se encaixam nesse conceito etnocultural. Alguns países que foram “arabizados” 
a partir do século VIII, como os do Magreb, como Marrocos, Argélia e Tunísia, não integram à região. Por 
outro lado, o Irã é um país situado no Oriente Médio, mas sua etnia é persa, enquanto a Turquia é um 
país cuja maioria da população é da etnia turca. 
Ademais, a maioria da população da região é muçulmana (92%), mas que coexiste com outras 
vertentes religiosas, como alauitas, drusos, cristãos maronitas, judeus e católicos. Curiosamente, alguns 
dos principais países que concentram a população muçulmana não pertencem ao Oriente Médio, como a 
Indonésia (240 milhões), Bangladesh (154 milhões) e a Índia (130 milhões). 
 
3 VISENTINI, Paulo Fagundes. O grande Oriente Médio. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. p.5. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 6 
Apesar de existirem diversas interpretações sobre os limites do Oriente Médio, consideramos 
neste material os seguintes países: Afeganistão, Arábia Saudita, Barein, Catar, Chipre, Egito, Emirados 
Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia. 
 
 
 
A partir do século XIX, essa região foi alvo de interesses imperialistas britânicos, tanto pela sua 
posição geopolítica quanto pelas reservas de petróleo existentes. Já no contexto da Guerra Fria, ela 
tornou-se um dos cenários de intervenção dos governos dos Estados Unidos e da União Soviética, 
fomentando conflitos que perduram até os dias atuais. A seguir, veremos os principais deles. 
 
3.1. O conflito árabe-israelense 
A região da Palestina foi conferida aos britânicos pela Liga das Nações, após a Primeira Guerra 
Mundial. Naquele momento, os judeus da Palestina correspondiam a mais ou menos 15% da população 
da época, enquanto a maioria era composta por árabes. 
Ao final do século XIX, o judeu húngaro Theodor Herzl deu início ao sionismo, movimento 
nacionalista que reivindicava a criação de um Estado judeu na Palestina, região onde os hebreus haviam 
vivido na Antiguidade antes de suas diásporas. A Grã-Bretanha, que por meio da Declaração Balfour 
apoiou a ideia em 1917, fomentou as imigrações de judeus da Europa para a região, onde passaram a 
adquirir terras e formar colônias. 
Os conflitos entre judeus e árabes se tornaram cada vez mais frequentes, sobretudo porque alguns 
anos antes, os britânicos também haviam prometido aos últimos apoio para a formação de um Reino 
Árabe Independente. E quando judeus obtiveram territórios na região, grupos árabes pegaram em armas 
contra a presença deles e a dominação britânica. 
 
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Figura 3- A região antes e depois da criação do Estado de Israel. 
 
Criação do Estado de Israel 
Após a Segunda Guerra, o holocausto fez com que os judeus adquirissem apoio internacional para 
a criação do Estado de Israel. A partir da retirada dos britânicos da Palestina, a ONU propôs a criação de 
um Estado judeu, mas também um Estado árabe. Jerusalém, cidade sagrada para os dois grupos, 
permaneceria sob jurisdição internacional. Isso ficou conhecido como Plano de Partilha, sendo aceito 
pelos judeus que habitavam a região, mas não pelos palestinos. 
Em maio de 1948, o judeu David Ben Gurion proclamou a criação do Estado de Israel, o que 
estimulou a migração de milhares de judeus do mundo inteiro para a região. A Liga Árabe, organização 
que incluía Egito, Iraque, Líbano, Síria e Transjordânia, não reconheceu a criação do Estado, dando início 
a primeira guerra árabe-israelense (1948-1949). 
Após vencer a guerra, Israel aumentou seu domínio em 20 mil quilômetros quadrados, quase 50% 
do que havia sido previsto anteriormente. Nas negociações de paz, o território que era destinado à criação 
do Estado da Palestina foi dividido entre Egito e a Transjordânia, enquanto a cidade de Jerusalém foi 
repartida entre a Jordânia e Israel4. Sem dispor de um Estado para chamar de si, os palestinos se 
abrigaram na Jordânia, onde passaram a viver em precários campos de refugiados. 
Paralelo a isso, o Estado de Israel se consolidou no Oriente Médio, recuperando o hebraico como 
língua oficial e estimulando o “retorno” de todos os judeus para a região. O país adotou estruturas 
semelhantes às democracias ocidentais, como o sistema parlamentarista, além de se tornar aliado dos 
Estados Unidos, país do qual eram originados muitos dos novos cidadãos de Israel. 
 
4 A repartição está relacionada aos conflitos entre palestinos e judeus no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém, em 2021. 
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A Guerra dos Seis Dias e o Dia do Yom Kippur 
Em 1964, de uma reunião da Liga Árabe, foi criada a Organização para a Libertação da Palestina 
(OLP), que passou a propor ações terroristas para pressionar pela recuperação dos territórios que dariam 
origem ao Estado palestino. Tratava-se de uma organização multipartidária, prevalecendo como a facção 
maior a Al-Fatah, criada em 1959 pelo engenheiro Yasser Arafat e Khalil al-Wazir. 
Em 1967, Israel deu início ao que chamou de uma guerra preventiva, ou seja, uma antecipação de 
uma possível ofensiva dos árabes. A chamada Guerra dos Seis Dias, como ficou conhecida, possibilitou a 
Israel, vencedor do conflito, anexar a Faixa de Gaza, a península do Sinai, a Cisjordânia, as colinas de Golã 
(Síria) e a porção Oriental de Jerusalém, até então administrada pela Jordânia. 
Os habitantes das regiões anexadas por Israel foram expulsos de suas terras e não foram aceitos 
como cidadãos pelos Estados árabes, que consideravam que isso seria reconhecer as novas fronteiras de 
Israel. Dessa maneira, permaneceram em acampamentos precários, sem dispor de direitos como os 
demais indivíduos que habitavam aqueles territórios. 
 
 
Figura 4 - Aumento das fronteiras de Israel. 
 
Sem dispor do mesmo poderio militar que Israel, os grupos armados palestinos passaram a 
promover atentados terroristas contra israelenses, alguns deles fora da Palestina. Em setembro de 1972, 
durante as Olimpíadas em Munique, um grupo terrorista invadiu o alojamento da delegação israelense e 
matou dois de seus membros e manteve outros como reféns. Eles exigiam a libertação de 200 palestinos 
por Israel e um avião, mas foram emboscados pela polícia. Com as trocas de tiros, nove reféns israelenses, 
cinco terroristas e um policial foram mortos. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 9 
Em 1973, enquanto israelenses comemoravam o Yom Kippur (Dia do Perdão), os árabes atacaram 
o Estado judeu nos territórios conquistados por ele durante a Guerra dos Seis Dias, com o intuito de 
recuperá-los. Israel, apoiado pelos Estados Unidos, conseguiu vencer o Egito, a Síria e o Iraque. 
Cabe destacar que durante a Guerra do Yom Kippur, os países árabes produtores de petróleo 
(Arábia Saudita e Egito) tentaram pressionar os Estados Unidos e outros países pró-Israel restringindo o 
fornecimento do produto, o que causou grave escassez. Mais adiante, em 1979, a OPEP – Organização 
dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) aumentou o seu preço, levando à uma nova crise energética. 
Os anos de 1973 e 1979 ficaram conhecidos como “choques do petróleo” (ou crise do petróleo). 
Por meio das negociações que deram origem aos Acordos de Paz de Camp David, Israel concordou 
em devolver a península de Sinai aos egípcios, em 1977, recebendo em troca o reconhecimentodo Egito 
do Estado de Israel. O posicionamento do governo egípcio foi repudiado pelos palestinos e custou a 
expulsão do país da Liga Árabe, cuja sede foi transferida para Túnis. 
Ainda em 1973, durante a Conferência da Cúpula Árabe de Argel, a Organização para a Libertação 
da Palestina (OLP) foi reconhecida pelos Estados árabes como a representante dos esforços pela criação 
do Estado palestino. Um ano depois, a ONU também aprovou uma resolução favorável à formação do 
Estado, mas não chegou a implementá-la. Naquele momento, a OLP já havia sido expulsa da Jordânia e se 
transferido para o sul do Líbano. 
 
Guerra do Líbano (1975-1990) 
Quando obteve sua independência da França, em 1943, o Líbano tinha sua população dividida por 
cristãos maronitas5, cristãos ortodoxos, drusos6 e muçulmanos xiitas e sunitas. Na articulação do novo 
Estado, que adquire uma constituição democrática, ficou acordado que o presidente da República sempre 
seria maronita, o primeiro-ministro sunita, e outros postos do governo seriam divididos entre as 
comunidades religiosas. 
O país manteve relativo equilíbrio até a década de 1960, quando as comunidades drusa e 
muçulmana se tornaram maiores que as comunidades cristãs, o que fez com que as primeiras 
reivindicassem mudanças na distribuição do poder. Além disso, enquanto os cristãos concentravam as 
riquezas do país, a maioria dos pobres era composta por muçulmanos xiitas e sunitas, que passaram a 
demandar mais serviços sociais. 
Após se instalarem no sul do Líbano, os palestinos da OLP passaram a apoiar as demandas dos 
muçulmanos libaneses, recebendo o apoio armamentista do governo da Síria. Os cristãos, por sua vez, 
buscaram apoio em Israel. No decorrer do conflito, a Síria mudou de lado, tanto para evitar um conflito 
direto com os israelenses, quanto para conter a influência da OLP e se tornar hegemônica no Líbano. 
A Guerra do Líbano refletiu o clima de Guerra Fria do período, afinal o governo da Síria contava 
com o apoio soviético, enquanto os Estados Unidos interferiram tanto indiretamente, apoiando as 
decisões de Israel, quanto diretamente, auxiliando na elaboração de um acordo Líbano-israelense e 
ocupando a região sob a bandeira da ONU. 
 
 
5 Igreja cristã criada no Líbano por são Marun no século IV. Embora possua certos ritos particulares, reconhece a autoridade 
do papa, o líder Igreja Católica Apostólica Romana. 
6 Pequena comunidade religiosa encontrada nos territórios do Líbano, Israel, Síria, Turquia e Jordânia. São falantes do árabe e 
possuem práticas semelhantes ao Islã. 
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 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 10 
Oficialmente Israel estava neutro no conflito, mas em 1982 
resolveu atacar o sul do Líbano para desarticular a OLP, chegando a 
promover, com a ajuda dos maronitas, massacres em acampamentos 
palestinos em Sabra e Chatila, além de bombardear a capital, Beirute. 
Encurralada, a OLP fugiu de navio para a Tunísia. 
A ocupação israelense enfrentou forte resistência de palestinos, 
drusos, muçulmanos e até alguns cristãos. Para combatê-lo, jovens 
xiitas se organizaram no Hezbollah, grupo armado que se utilizava de 
homens-bomba e táticas de guerrilha, sendo apoiado pelo Irã e a Síria. 
Em 1983, o movimento expulsou uma força multinacional liderada 
pelos Estados Unidos que havia assumido p controle de parte do 
Líbano. Já a expulsão de Israel se estendeu até o ano 2000, quando os 
últimos soldados foram retirados da zona de segurança formada na 
parte sul. 
 
 
 
 
 
Figura 6 - Região onde ocorreu a Guerra do Líbano. 
 
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(Unicamp/2012) Em discurso proferido em 20 de maio de 2011, o presidente dos EUA, Barack 
Obama, pronunciou-se sobre as negociações relativas ao conflito entre palestinos e israelenses, 
propondo o retorno à configuração territorial anterior à Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1967. 
Sobre o contexto relacionado ao conflito mencionado é correto afirmar que: 
a) A criação do Estado de Israel, em 1948, marcou o início de um período de instabilidade no Oriente 
Médio, pois significou o confisco dos territórios do Estado da Palestina que existia até então e 
desagradou o mundo árabe. 
b) A Guerra dos Seis Dias insere-se no contexto de outras disputas entre árabes e israelenses, por 
causa das reservas de petróleo localizadas naquela região do Oriente Médio. 
c) A Guerra dos Seis Dias significou a ampliação territorial de Israel, com a anexação de territórios, 
justificada pelos israelenses como medida preventiva para garantir sua segurança contra ações 
árabes. 
d) O discurso de Obama representa a postura tradicional da diplomacia norte-americana, que 
defende a existência dos Estados de Israel e da Palestina, e diverge da diplomacia europeia, que 
condena a existência dos dois Estados. 
Comentários 
- A alternativa A está incorreta, afinal o Estado da Palestina não existia no contexto de criação do 
Estado de Israel. 
- A alternativa B está incorreta, afinal a Guerra dos Seis Dias foi iniciada por Israel, com o intuito de 
se antecipar diante de um possível ataque da Liga Árabe, que apoiava a criação do Estado da 
Palestina. O conflito não envolveu disputas por petróleo, mas sim o não reconhecimento dos países 
árabes da criação do Estado de Israel e a expansão deste para regiões que anteriormente haviam 
sido destinadas ao futuro Estado palestino. 
- A alternativa C é a resposta. Após vencer a primeira guerra árabe-israelense (1948-1949), Israel 
aumentou seu domínio em 20 mil quilômetros quadrados, em um território que anteriormente 
havia sido destinado à criação do Estado da Palestina. Em seguida, deu início ao que chamou de 
uma guerra preventiva, ou seja, uma antecipação de uma possível ofensiva dos árabes. A chamada 
Guerra dos Seis Dias, como ficou conhecida, possibilitou a Israel, país vencedor do conflito, anexar 
a Faixa de Gaza, a península do Sinai, a Cisjordânia, as colinas de Golã (Síria) e Jerusalém. 
- A alternativa D está incorreta, afinal alguns governos norte-americanos não se mobilizaram pela 
criação do Estado da Palestina, ao passo que a maioria dos países europeus defende a existência 
tanto do Estado de Israel quanto do Estado da Palestina. 
Gabarito: C 
 
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A Primeira Intifada (1987) e o Hamas 
 
Em 1987, as atenções de Israel se voltaram para um grave conflito interno, a Intifada. Jovens 
palestinos que habitavam tanto territórios ocupados por Israel quanto a porção árabe de Jerusalém 
passaram a atacar soldados israelenses com pedras, que revidavam com suas armas. 
Afastados da OLP e enfrentando dificuldades econômicas, os rebeldes não esperavam vencer o 
Exército de Israel, mas suscitar a atenção da comunidade internacional para a questão da Palestina. Tais 
protestos fizeram com que nem Estados árabes nem a OLP se dispusessem a negociar com Israel, pois 
esperavam mobilizar a opinião pública internacional. Ao longo dos anos 2000, outras insurreições 
palestinas também foram batizadas de Intifadas. 
Ainda em 1987 foi criado o Hamas, um dos primeiros grupos a se utilizar de estratégias terroristas em 
prol da criação de um Estado Islâmico e da destruição de Israel. Como executava diversos trabalhos sociais 
em campos de refugiados, conseguiu a adesão de milhares de voluntários. 
 
3.2. O Irã: da modernização à Revolução 
Assim como outras regiões da Ásia, a Pérsia foi palco de disputas entre Grã-Bretanha e Rússia, 
duas potências imperialistas que desejavam anexar a região em suas esferas de influência. Naquele 
contexto, a Pérsia era um território miserável, governado por um xá despótico que fazia diversas 
concessões econômicas aos interesses britânicos e russos.É neste contexto que os ulemás (ou mulás), nome dado aos eruditos do Islã, começaram a se opor 
diretamente ao absolutismo do xá. Em um protesto pacífico, eles abandonaram a capital, Teerã, e se 
mudaram para santuários, sendo seguidos por multidões de pessoas. Acuado, o xá buscou coibir os 
protestos violentamente, porém se viu forçado a acatar o clamor pela criação de uma constituição, de 
uma assembleia e de direitos civis. Este processo, conhecido como Revolução Constitucional Persa (1905-
1906), foi primeiro movimento de massas de caráter nacionalista do Oriente Médio, sendo liderado pelos 
mulás e por comerciantes (bazaris). 
Como a Pérsia se localizava nos limites dos impérios britânico e russo, as duas potências 
resolveram esquecer suas diferenças e dividir a região em três zonas de influência: o Norte ficou com a 
Rússia, o Sudeste com a Inglaterra e o restante foi considerado zona neutra. Com isso, buscavam impedir 
que a Alemanha, força imperialista em ascensão, ameaçasse os interesses de ambos. 
 
O regime Reza Pahlevi 
Em 1925, o período constitucional da Pérsia chegou ao fim por meio de um golpe de estado 
liderado pelo coronel Reza Khan, que implementou a dinastia Pahlevi no país. Uma vez no poder, o xá 
Reza Pahlevi buscou implementar medidas modernizantes, como reformas educacionais que limitaram 
a autoridade dos ulemás, a criação de tribunais seculares e a proibição do xador, traje negro que cobre 
todo o corpo das mulheres persas. Por fim, também alterou o nome do país para Irã (1935), que indicava 
a influência da etnia ariana. 
Como o xá era abertamente pró-nazista, a pressão exercida pelos britânicos e soviéticos levou à 
sua deposição, em 1941. Após o final da Segunda Guerra Mundial, uma coalizão formada por profissionais 
liberais, lojistas, comunistas e ulemás levou ao poder o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh, que 
promoveu a nacionalização da exploração de petróleo no país. 
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O governo nacionalista de Mosaddegh frustrou os interesses britânicos na região, sobretudo de 
suas companhias petrolíferas. Em 1953, um golpe de estado coordenado pela CIA e o M16, os serviços 
britânicos dos Estados Unidos e do Reino Unido, respectivamente, levou à prisão e condenação do 
primeiro-ministro. Com isso, Reza Pahlevi retornou ao poder com poderes absolutistas. 
Durante os anos 1960, Reza Pahlevi impôs uma série de reformas que almejavam a modernização 
do país e que ficaram conhecidas como a Revolução Branca do Xá. Suas mudanças visavam estimular a 
ocidentalização dos costumes no país, permitindo que elementos da cultura norte-americana invadissem 
no país, além de proibir o uso do véu muçulmano pelas mulheres. Isso entrou em colisão com o xiismo e 
os ulemás iranianos. 
Já sua reforma agrária, ainda que tenha sido inicialmente bem recebida pelos agricultores, acabou 
por estimular a perda de terras – mais de 1,2 milhão de camponeses tiveram suas terras expropriadas – e 
o êxodo rural. 
Nas cidades, os operários eram submetidos a jornadas de 
trabalho de até 18 horas diárias, e com o choque do petróleo no início 
dos anos 1970, a inflação disparou e afetou de maneira significativa 
as condições de vida da população. O Irã se tornou o quarto maior 
produtor de petróleo, porém os lucros obtidos com sua exportação 
beneficiavam apenas interesses de algumas dezenas de famílias da 
elite e o governo dos Estados Unidos, aliado do xá. 
Para completar este cenário, qualquer mobilização 
organizada contra as medidas do xá e seu regime autoritário e 
corrupto eram reprimidas com prisões, torturas e assassinatos. O 
calendário lunar islâmico foi banido, enquanto publicações marxistas 
e islâmicas foram censuradas. O aiatolá Khomeini, que ocupava o 
posto mais elevado do clero xiita, passou a ser um dos principais 
críticos do regime, o que o forçou a se exilar, em 1960. Contudo, 
continuou a se destacar como uma das grandes lideranças 
oposicionistas. 
 
Revolução Islâmica 
Entre outubro de 1977 e fevereiro de 1978, milhares de pessoas foram às ruas contra o governo, 
enfrentando a violenta repressão do Exército. Os revoltosos constituíam um grupo heterogêneo, que 
incluía trabalhadores em greve, comunistas, estudantes religiosos e as camadas médias iranianas. Quando 
o xá buscou proteger sua fortuna exportando um bilhão de dólares para os Estados Unidos, a população 
queimou mais de 400 bancos. A Revolução Iraniana estava em curso. 
 A paralização dos trabalhadores das petrolíferas, bem como a fuga de investimentos estrangeiros 
levou o país à derrocada econômica. Soldados passaram a se recusar a atirar nos manifestantes e a 
desertar do Exército. A situação do xá chegou ao seu momento mais crítico, o que o levou a abandonar o 
país, em 16 de janeiro de 1979. 
Em 1º de fevereiro de 1979, o aiatolá Khomeini retornou do exílio, sendo recebido por cinco 
milhões de país. Em discurso para as multidões, defendeu que a população somasse esforços contra o 
regime do Xá e o governo de seu primeiro-ministro, que permaneceu no país. Também buscou se 
aproximar do Exército, convencendo generais iranianos a se rebelarem contra a interferência externa no 
país. 
Figura 7 - O aiatolá Khomeini. Fonte: Shutterstock. 
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Embora as oposições tivessem pautas diversas, Khomeini conseguiu unificá-las por meio do 
discurso antiocidental, que encarava os Estados Unidos como o “Grande Satã”. Pode-se delimitá-las em 
três grandes grupos: 
 o clero tradicional, apoiado pelos bazaris e os pobres tradicionalistas, chamados de mustazafin; 
 muçulmanos de esquerda, comunistas e outros grupos de extrema-esquerda, sobretudo 
estudantes, funcionários públicos e trabalhadores; 
 os liberais, defensores de reformas que promovessem a abertura do regime. 
Nos meses seguintes, Khomeini implementou uma república teocrática xiita com traços 
democráticos no país. Nele, os poderes legislativo e judiciário se concentraram no jurista supremo, o faqih 
– no caso, o próprio Khomeini. Já a administração ficava a cargo do governo e do presidente, sendo o 
parlamento eleito pelo voto universal. 
Os demais grupos revolucionários também foram contidos pelos setores tradicionais nos anos 
seguintes, organizados no Partido Islâmico Republicano. Líderes comunistas, liberais e muçulmanos 
dissidentes foram presos e executados, enquanto paralisações de trabalhadores e protestos estudantis 
foram contidos. Já os costumes seculares foram abolidos, sendo instituída obrigatoriedade do hijab (véu 
islâmico que cobre o cabelo e as orelhas) para as mulheres. 
 
As mulheres depois da Revolução Islâmica 
Se durante o regime do xá Reza Pahlevi o véu muçulmano era retirado a força, a partir dos anos 
1980, após a revolução, as autoridades muçulmanas introduziram um código de vestimenta 
obrigatório, que determinava o uso do hijab pelas mulheres. Milhares de mulheres protestaram no 
Dia Internacional das Mulheres, porém a normativa foi mantida. 
As mulheres iranianas trabalham, votam, podem ser eleitas (exceto para presidente), dirigem, 
podem se divorciar e ter a guarda dos filhos. Porém, em algumas situações do cotidiano são 
cerceadas pela polícia de costumes, como por exemplo a proibição de tomarem banho de mar ou 
usarem trajes de banho em locais públicos. Algumas delas usam lenços soltos e blusas, puxando os 
lenços para trás o quanto podem como forma de resistência. 
Recentemente, as mulheres adquiriram o direito de assistirem partidas de futebol, algo restrito 
no país durante 40 anos. Contudo, a estrutura patriarcal continua a subjugar o feminino, sobretudo 
na punição do adultério com a pena de morte. 
 
Em novembro de 1979, manifestantes mantiveram diplomatas e outros norte-americanos como 
reféns no prédio da embaixadados Estados Unidos, só permitindo que os últimos deles se retirassem após 
444 dias. O incidente diplomático motivou o governo norte-americano a romper relações com o Irã e a 
impor ao país diversas sanções econômicas, incluindo a proibição das importações de seu petróleo. 
 
 
 
 
 
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Guerra Irã-Iraque (1980-1988) 
 
Logo após Khomeini se instalar no poder, eclodiu a Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Para o governo de 
Saddam Hussein, presidente iraquiano, a região do Cuzistão, localizada na fronteira com o Irã, era do 
Iraque por direito, afinal ali era habitada por uma minoria árabe7. Além disso, Hussein se lançou contra o 
país vizinho para garantir o controle completo do canal de Shatt-el-Arab, importante para a saída do 
petróleo exportado por ambos. 
Outro ponto a ser ressaltado como motivador da guerra é o temor de Hussein de que a Revolução 
Islâmica se espalhasse para outras regiões do Oriente Médio. Naquele contexto, o nacionalismo árabe se 
mostrara uma alternativa cada vez menos eficaz para grupos religiosos de diversos países, que assumem 
o pan-islamismo como discurso ideológico. O processo revolucionário torna-se uma alternativa para 
oposições religiosas de países como a Arábia Saudita, cujo governo mantinha fortes laços com os Estados 
Unidos. 
Já no Iraque, país majoritariamente sunita, Hussein buscou impedir que os xiitas se vissem tentados a 
tentar um processo semelhante ao ocorrido no Irã. A aproximação do presidente com o Ocidente era 
encarada por ele como vantajosa, pois isso poderia fazer do país uma potência regional. Para tanto, julgou 
necessária a destruição da revolução anti-imperialista e o controle do petróleo do Golfo Pérsico. 
Enquanto enfrentava os iranianos, uma revolta separatista empreendida pelos curdos, minoria étnica 
que habitava a região norte do Iraque, ameaçou o governo Hussein. Para evitar uma guerra em duas 
frentes, afinal os curdos contavam com o apoio dos iranianos, o presidente liquidou os separatistas com 
armas químicas, matando cerca de 5 mil habitantes da aldeia de Halabja. 
A guerra se arrastou até 1988, quando Iraque e Irã viram suas economias e populações arrasadas pelo 
longo conflito. As negociações de paz foram iniciadas, e em 1990 um acordo foi selado. Pouco antes, no 
dia 3 de junho de 1989, o líder supremo Khomeni faleceu, sendo sucedido pelo aiatolá Ali Khamenei. 
 
 
“Eixo do Mal” 
Embora tenha saído isolado do conflito, o Irã se consolidou como potência regional nos anos 
seguintes, mantendo o tom hostil diante da intervenção dos Estados Unidos no Oriente Médio e 
rivalizando com a Arábia Saudita na região. Apoiou grupos armados em países vizinhos, como o Hezbollah, 
na Síria e sul do Líbano, o Houthis, no Iêmen, e o Hamas, na Palestina. Em 2002, o governo Bush incluiu o 
Irã no que chamou de “Eixo do Mal”, nome dado aos regimes que acusava de serem apoiadores do 
terrorismo e possuírem armas de destruição em massa. 
Em 2015, o Irã aceitou firmar um acordo com as cinco maiores potências do mundo (Estados Unidos, 
Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha, no qual se comprometia a não fabricar armamentos 
nucleares. Em troca, as sanções impostas pela ONU seriam suspensas. 
O acordo se estendeu até 2018, quando o presidente norte-americano Donald Trump resolveu rompê-
lo, retomando as tensões entre Irã e Estados Unidos. Dois anos depois, em janeiro de 2020, autorizou o 
assassinato do general iraniano Qasem Soleimani em Bagdá, no Iraque. O Irã retaliou lançando mísseis 
contra bases áreas americanas em território iraquiano, porém a escalada de tensão não avançou nos 
meses seguintes. 
 
 
7 Vale lembrar que do ponto de vista étnico, a maior parte dos iranianos é persa. 
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(FGV/2019) Costuma-se dizer que a religião deve ser separada da política e que o mundo 
eclesiástico não se deve imiscuir nos assuntos de Estado. Proclama-se que as altas autoridades 
eclesiásticas muçulmanas não devem intervir nas decisões sociais e políticas do governo. Tais 
afirmações só emanam dos ateus: são ditadas e espalhadas pelos imperialistas. A política estava 
separada da religião no tempo do Profeta (…)? 
AIATOLÁ KHOMEINI, O Livro Verde dos princípios políticos, sociais e religiosos. Rio de Janeiro: Record, 1979, p. 27. 
O Aiatolá Khomeini foi um dos líderes da Revolução Iraniana de 1979, que derrubou o regime do Xá 
Reza Pahlevi. A esse respeito, afirma-se: 
I. A Revolução Iraniana provocou a substituição de um regime imperial democrático por um 
Estado republicano de caráter autoritário. 
II. Dirigido pelos xiitas, o movimento instaurou um governo fundamentalista que articulava os 
interesses do Estado a concepções religiosas muçulmanas. 
III. A ascensão do regime dos aiatolás foi patrocinada pelos governos dos Estados Unidos, 
interessados em estimular o conflito entre Irã e Iraque, dirigido, na época, por Saddam Hussein. 
Está correto o que se afirma em 
a) I, apenas. 
b) II e III, apenas. 
c) I e III, apenas. 
d) I e II, apenas. 
e) II, apenas. 
Comentários 
- A afirmativa I está incorreta, afinal o regime do xá Reza Pahlevi era autoritário, ao passo que o 
regime revolucionário manteve alguns traços democráticos, como o pluripartidarismo e a realização 
de eleições. 
- A afirmativa II está correta. Após a desarticulação do regime do xá persa, a Revolução Iraniana 
desaguou na instalação de uma República teocrática xiita e com traços democráticos, que garantiu 
grande influência aos aiatolás nos rumos da política nacional. 
- A afirmativa III está incorreta, pois a Revolução Islâmica foi um movimento de forte oposição à 
interferência dos Estados Unidos nas estruturas políticas, econômicas e culturais do país. 
Feitas essas considerações, a alternativa E é a resposta. 
Gabarito: E 
 
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3.3. O Oriente Médio no pós-Guerra Fria 
Após assumir o comando da União Soviética, Gorbatchev adotou uma política de aproximação dos 
Estados Unidos que perpassava pelo desestímulo aos conflitos regionais no Oriente Médio. Para tanto, se 
afastou de aliados como a OLP, Síria, Iêmen do Sul, Líbia, Iraque e Etiópia. Além disso, desocupou o 
Afeganistão em 1989, onde por dez anos manteve tropas para impedir que a região se aproximasse dos 
norte-americanos. Por fim, também estabeleceu relações com Israel, liberando a emigração de judeus 
russos. 
Com o esfacelamento da URSS, em 1991, o Oriente Médio se voltava totalmente para as forças do 
Ocidente. Porém, conforme veremos a seguir, os conflitos estavam longes de alcançarem o seu fim. 
 
Guerras do Golfo (1991 e 2003) 
Em 1990, logo após assinar o cessar-fogo com o Irã, Saddam Hussein ordenou a invasão do 
Kuwait, sob o argumento de que historicamente tratava-se de um território vinculado ao Iraque. Contudo, 
seu verdadeiro motivo era se apossar dos poços de petróleo do país. 
Hussein imaginava que os Estados Unidos não se envolveriam na questão, afinal foi essa a posição 
adotada por Washington durante a repressão dos curdos com armas químicas e durante o conflito contra 
Argo (EUA, 2012) 
O filme conta como seis norte-americanos que foram feitos reféns 
na embaixada dos Estados Unidos durante a Revolução Iraniana 
conseguiram escapar. 
Persépolis (França, 2000)
Desenhada por Marjane Satrapi, a história em quadrinhos conta 
sua infância até os primeiros anos de sua vida adulta no Irã, 
retratando as transformações causadas pela Revolução.
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seu adversário, o Irã. Contudo, o presidente GeorgeBush coordenou uma coalizão composta por 30 
países, que invadiu o Iraque em janeiro de 1991, com a anuência da ONU. O episódio ficou conhecido 
como Operação Tempestade do Deserto. 
A coalizão ordenou a retirada das tropas, o que foi feito após dois meses de conflito. Egito e Arábia 
Saudita também apoiaram a oposição internacional ao governo do Iraque, afinal vislumbravam a 
destruição de uma potência média na região. 
O presidente iraquiano conseguiu se manter no poder, massacrando revoltas curdas no Norte e 
xiitas no Sul nos momentos seguintes. Embora Saddam Hussein tivesse ameaçado interesses 
geoestratégicos de potências ocidentais, não houve grande mobilização contrária aos massacres 
promovidos pelo seu governo, pois é provável que ele fosse encarado como um governante que conferia 
alguma estabilidade à região. Além disso, uma eventual vitória xiita no sul teria fortalecido o Irã, grande 
adversário dos Estados Unidos. 
Em 2003, a permanência de Saddam Hussein no poder foi encarada como insustentável pelos 
Estados Unidos, que deram início a uma nova invasão no Iraque, dessa vez sem o apoio da ONU. A ação 
fez parte do que ficou conhecido como Doutrina Bush – nome dado à política externa do governo de 
George W. Bush, que consistia em tratar como terroristas os países que abrigassem grupos terroristas, 
além de promover o que chamou de guerras preventivas contra regimes que supostamente ameaçavam 
a segurança dos Estados Unidos. 
Os Estados Unidos argumentavam que o regime de Hussein mantinha armas de destruição em 
massa, além de manter ligações com a Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica e terrorista 
liderada Osama bin Laden e que promoveu os ataques do 11 de setembro, nos Estados Unidos. 
A Segunda Guerra do Golfo durou apenas 45 dias, ocasionando na destruição completa do Iraque. 
Contudo, a deposição e execução de Hussein foi seguida pela eclosão de violentos conflitos entre grupos 
religiosos, sobretudo xiitas e sunitas. Nem a existência de armas de destruição em massa e nem as ligações 
com o grupo terrorista foram comprovadas, porém os Estados Unidos mantêm tropas no país até os dias 
atuais. 
 
11 de setembro e o terrorismo 
Embora a desintegração da URSS tenha contribuído para a diminuição do temor de uma guerra 
nuclear, movimentos em diversas partes do mundo mantiveram um clima de pânico diante do uso 
do terrorismo como recurso para visibilizar suas demandas e pressionar para que fossem atendidas, 
sobretudo após 1970. 
Um dos mais famosos atentados terroristas se deu em 11 de setembro de 2001, quando 
terroristas árabes ligados à Al-Qaeda lançaram aviões contra as Torres Gêmeas do World Trade 
Center, em Nova Iorque, no Pentágono, centro de decisão militar, e em Pittsburgh, na Pensilvânia. 
Mais de seis mil pessoas foram mortas nos ataques simultâneos. 
 O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou guerra ao terrorismo. Enviou 
tropas para derrubar o regime do Afeganistão, considerado apoiador da Al-Qaeda, capturar Osama 
Bin Laden, líder da organização, e destruí-la. Outros países também foram considerados parte do 
“Eixo do Mal”, como Irã, Iraque e Coréia do Norte. 
Em outubro de 2001, o regime do Talibã foi desarticulado pelas tropas norte-americanas no 
Afeganistão, enquanto Saddam Hussein foi deposto em 2003 no Iraque. Contudo, mais difícil que 
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derrubar os governos adversários foi substituí-los por regimes estáveis e viáveis, o que forçou os 
Estados Unidos a manter tropas no Oriente Médio. 
O terrorismo, por sua vez, não totalmente eliminado. A partir de 2013, o Estado Islâmico (ISIS), 
organização sunita que contou com o apoio da Al-Qeda em sua criação, passou a promover ataques 
a civis na região do Iraque e da Síria, defendendo a formação de um califado mundial com regras 
rígidas de vida e de caráter anti-xiita. A decapitação dos inimigos e a pena de morte a homossexuais 
foi algo recorrente em áreas dominadas pelo movimento. 
 
Iêmen: da unificação à guerra civil 
Até 1918, a região do Iêmen integrava ao Império Otomano, sofrendo intervenção dos britânicos 
no período seguinte. Em 1962, a parte norte se tornou a República Árabe do Iêmen, também chamada de 
Iêmen do Norte. Já em 1967, os britânicos desocuparam a parte sul, que assumiu contornos socialistas. 
Dois anos depois, a região foi batizada de República Democrática Popular do Iêmen, ou Iêmen do Sul. 
O colapso da União Soviética abriu caminho para que os dois países se unificassem, o que 
ocorreu em 22 de maio de 1990, quando o chefe do Estado do Norte, tornou-se presidente das duas 
regiões, e o chefe do Estado do sul foi nomeado vice-presidente. Para além da divisão dos cargos, ambos 
também dividiram o petróleo encontrado desde 1981. 
Em 1994, a menor representação no Congresso levou rebeldes separatistas do sul a mobilizarem 
uma guerra civil contra o governo, contando com o apoio da Arábia Saudita. No entanto, a ação durou 
durante os dois meses seguintes, pois os rebeldes foram derrotados em Áden, antiga capital do Iêmen do 
Sul. 
Em 2004, um grupo rebelde chamado hutis (“Partidários de Deus” passou a agir no país. 
Identificado com a corrente xiita conhecida como zaidismo no país, ele pegou em armas para obter mais 
autonomia para a província de Sadá, mas foram contidos pelo Exército iemenita. Em 2015, os 
combatentes assumiram o controle da capital e forçaram a renúncia do presidente, Mansour Hadi 
Abdrabbuh. A Arábia Saudita acusou o grupo de ser financiado pelo Irã, o que sempre foi negado por ele. 
 
Israel e Palestina: fracassos nos novos acordos de paz 
Após o fim da Guerra Fria, a OLP e Israel, respectivamente representados por Yasser Arafat e o 
primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, assinaram o Acordos de Oslo (1993 e 1995). Ele estabeleceu 
os seguintes pontos: 
 Israel reconheceu formalmente a OLP; 
 A OLP reconheceu o direito de existir de Israel, prometendo renunciar de táticas terroristas. 
 Os palestinos teriam autogoverno em Jericó, na Cisjordânia, e em partes da Faixa de Gaza, 
territórios que seriam desocupados por Israel. 
Foi criada a Autoridade Nacional Palestina (ANP), entidade comandada por Arafat e empenhada 
da gestão dos territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, que dariam origem ao futuro Estado palestino. 
Apesar dos esforços empenhados por Arafat e Rabin, setores árabes e israelenses impediram o 
caminho para a paz. Em novembro de 1995, Rabin foi assassinado por um extremista judeu contrário às 
negociações. Do lado dos palestinos, o Hamas e o Hezbollah, que se recusaram a cessar armas, 
promoveram quatro atentados suicidas em 1996. 
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Entre 1996 e 1999, Benjamin Netanyahu ocupou o cargo de primeiro-ministro de Israel, 
afastando-se dos compromissos assumidos pelo governo anterior. Ele estimulou a construção de 
assentamentos judaicos na periferia de Jerusalém, que acabaram por isolar os vilarejos árabes da parte 
leste da Cisjordânia. Com isso, Arafat suspendeu as negociações com Israel. 
Em 1998, o presidente norte-americano Bill Clinton mediou o acordo de Wye Plantation, no qual 
novamente Israel se comprometia a desocupar áreas da Cisjordânia e os palestinos se comprometiam a 
abandonar o terrorismo e reconhecerem a existência de Israel. Contudo, dois meses após sua assinatura, 
o acordo foi suspenso. 
 
 
Dois anos depois, foi formada a Cúpula de Camp David (2000), ocorrida nos Estados Unidos. Com 
a mediação de Clinton, Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina, e o primeiro-ministro de 
Israel, Ehud Barak buscaram, sem sucesso, negociar um acordo final para o conflito árabe-israelense. 
Parte disso se deveu à recusa de Arafat de aceitar a manutenção de distritos sob o controle de Israel naCisjordânia, o que inviabilizaria a formação de um Estado palestino independente. 
Outros acontecimentos contribuíram para isso, como a visita do 
líder do Likud (partido da direita israelense), Ariel Sharon, à Esplanada 
das Mesquitas (ou Monte do Templo), recinto sagrado para os 
muçulmanos. Encarada como uma provocação, os árabes revidaram 
promovendo levantes e ataques terroristas que ficaram conhecidos 
como segunda intifada, que se estenderiam até 2005. 
No início de 2001, o conservador Ariel Sharon chegou ao poder 
em Israel, indisposto a promover qualquer negociação com os 
palestinos. Nos Estados Unidos, a ascensão de Bush à presidência 
buscou isolar Arafat, considerado o responsável pelo fracasso de Camp 
David. Após fracassadas as tentativas de grupos israelenses de 
assassiná-lo, os Estados Unidos pressionaram para que ele nomeasse 
Mahmudd Abbas, líder do Fatah, como seu sucessor na ANP 
Arafat morreu em 2004, na Cisjordânia. 
Novas ondas de violência deixaram milhares de mortos, 
marcadas tanto pela ação de atentados suicidas realizados pelo Hamas 
quanto pela repressão de soldados israelenses nas áreas ocupadas. 
Alegando razões de segurança, Sharon autorizou a construção de um 
muro no norte da Cisjordânia, anexando territórios palestinos à Israel. 
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Cercas de arame farpado e barreiras de concreto foram instaladas para proteger os assentamentos 
israelenses, isolando os palestinos em pequenos e empobrecidos distritos. A ação foi condenada pela 
opinião pública internacional, incluindo os Estados Unidos. 
Diante da continuidade do ataque em territórios e assentamentos israelenses, principalmente com 
foguetes, Sharon mudou sua abordagem, organizando, em 2005, um Cúpula com Abbas. Israel retirou 
tropas e colonos em Gaza, ao passo que a segunda intifada foi encerrada. 
Ainda em 2005, o Hamas se envolveu no processo eleitoral dos territórios palestinos, assumindo 
o controle político da Faixa de Gaza e derrubando o Fatah na região, onde também atua outro grupo 
armado palestino, o Jihad Islâmica. Abbas e o seu partido mantiveram o controle dos pequenos territórios 
palestinos fragmentados na Cisjordânia. Em 2007, o Hamas e o Fatah romperam entre si. 
 
 
Em 2012, a Palestina passou a ser reconhecida como um Estado pela Organização das Nações 
Unidas (ONU), status que é acatado por 137 dos 193 países-membros das Nações Unidos, incluindo o 
Brasil. Para as autoridades palestinas e boa parte da comunidade internacional, o Estado da Palestina é 
composto pela Faixa de Gaza, pela Cisjordânia e Jerusalém Oriental, estando as duas últimas sob domínio 
de Israel desde 1967. E embora algumas “ilhas” da Cisjordânia tenham um governo palestino autônomo, 
elas permanecem isoladas em meio às zonas de assentamentos israelenses. 
 
Os conflitos em Sheikh Jarrah (2021) 
De acordo com o Plano de Partilha da ONU, Jerusalém cidade sagrada para judeus e muçulmanos, 
deveria ser dividida em duas porções: a Ocidental, a ser administrada pelo Estado de Israel, e a Oriental, 
pelo Estado da Palestina. 
Em Jerusalém Oriental existe um bairro chamado Sheikh Jarrah, onde muitos judeus compraram 
terras ao final do século XIX, quando a Palestina ainda permanecia sob domínio do Império Turco 
Otomano. Com a Primeira Guerra Árabe-Israelense, a região foi anexada pela Jordânia (1948), onde 
diversos refugiados palestinos se instalaram, com o aval da ONU, e ali permaneceram por gerações. Os 
judeus que habitavam a Jerusalém Oriental tiveram que deixar suas casas, sendo o mesmo feito pelos 
palestinos que ocupavam a porção Ocidental de Jerusalém. 
Em 1967, Israel ocupou a Jerusalém Oriental, o que deu início a disputas entre famílias israelenses 
e palestinas pelo direito à propriedade em Sheikh Jarrah. O país aplicou suas leis na região, permitindo 
que proprietários israelenses das terras compradas antes de 1948, bem como seus herdeiros, pudessem 
reivindicar a devolução de suas terras. Contudo, o mesmo não se aplica aos palestinos que perderam suas 
propriedades no leste no mesmo período. 
PALESTINA
FAIXA DE 
GAZA
HAMAS
CISJORDÂNIA FATAH
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Entre 2020 e 2021, os conflitos se acirraram quando vários grupos de colonos acionaram os 
tribunais israelenses para reivindicar a remoção forçada de famílias palestinas, consideradas inquilinas de 
suas propriedades. Cabe destacar que Israel reconhece as duas partes de Jerusalém como a sua capital. 
Já a Palestina e a ONU consideram ilegal a ocupação israelense na Jerusalém Oriental. 
 
Primavera Árabe (2010-2012) 
Em 2010, um jovem da Tunísia ateou fogo em si mesmo durante um protesto contra a situação 
política e econômica do país. A ação foi seguida de uma explosão generalizada de revoltas em 
diversos países situados na região que compreende o Marrocos ao Golfo Árabe, ficando por isso 
conhecida como Primavera Árabe. 
A onda de protestos, que fez largo uso das redes sociais para a mobilização da população, 
abalou oligarquias autoritárias instaladas tanto em monarquias tradicionais quanto em repúblicas 
modernizadoras do Grande Oriente Médio. Seu resultado se mostrou variado: na Tunísia e no Egito, 
os rebeldes não alteram o sistema de governo, enquanto na Síria, no Iêmen, no Iraque e na Líbia, os 
protestos mergulharam os países em guerras civis. 
 
 
Figura 8 - Protestos durante a Primavera Árabe. 
 
3.4. Afeganistão 
País sem litoral e de relevo montanhoso, o Afeganistão localiza-se na região central da Ásia, 
fazendo fronteira com o Paquistão, Irã, Turcomenistão, Uzbequistão, Tajiquistão e a China. Estima-se que 
sua população seja composta atualmente por 38 milhões de pessoas, divididas em diversos grupos 
étnicos. Pode-se destacar quatro etnias: 
 Os pashtuns, que são a etnia predominante. São muçulmanos sunitas; 
 Os tadjiques, segundo maior grupo, predominam no norte e oeste. São muçulmanos sunitas; 
 Os usbeques são o terceiro maior grupo. Sua maioria também é composta por muçulmanos 
sunitas. 
 Os hazaras são uma minoria étnica. São muçulmanos xiitas. 
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O Afeganistão manteve boas relações com os soviéticos a partir da década de 1920, marcadas por 
acordos de cooperação econômica e militar. Em 1973, a monarquia foi substituída por uma República, na 
qual passou a prevalecer o grupo marxista Parcham. Existia também o Partido Democrático do Povo 
Afegão (PCDA), fundado em 1965 como uma dissidência do Parcham. 
Em 1978, o PCDA promoveu um golpe de Estado, levando ao início do governo Taraki. Este foi 
marcado por programas de alfabetização, reforma agrária, a emancipação dos jovens e das mulheres da 
estrutura familiar patriarcal e nacionalização de alguns setores da economia. 
As reformas incomodaram grupos tradicionais e religiosos do país, que formaram uma guerrilha 
com apoio financeiro e bélico de países como os Estados Unidos, que buscava varrer a influência soviética, 
a China, o Paquistão, o Egito e a Arábia Saudita. Havia ainda uma disputa interna em curso, pois Hafizullah 
Amin, líder de um grupo rival ao de Taraki no governo, buscava tomar o poder. 
 
Ocupação soviética (1979-1989) 
O presidente foi até Moscou solicitar apoio contra as oposições, mas foi assassinado logo após 
retornar ao Afeganistão. A URSS resolveu agir apoiando um golpe que depõe o governo Amin, que 
ascendeu ao poder logo após a morte de Taraki, promovendo uma intervenção militar na região. Barbrak 
Kamal, líder do PCDA, foi nomeado presidente com o apoio soviético em 1980. 
A resistênciaao regime ficou a cargo dos mujahedins (guerrilheiros), grupos armados com o apoio 
dos Estados Unidos, Paquistão, China e Irã. A aproximação entre os rebeldes e o Paquistão criou uma forte 
base de resistência aos soviéticos, que após dez anos de conflitos e de gastos exorbitantes de recursos, 
se retiraram do país. Devido a isso, o Afeganistão é chamado como o “Vietnã dos soviéticos”. 
Um governo socialista, liderado por Mohammad Najibullah, continuou no poder até 1992, quando 
foi derrotado pelos mujahedins. Depois de sua queda, os guerrilheiros se dividiram em milícias étnicas e 
passaram a se enfrentar em uma violenta guerra civil. 
Apesar de pobre, o Afeganistão ocupava uma posição estratégica para companhias petrolíferas 
sauditas e americanas, que ambicionavam construir um oleoduto que ligasse o Mar Cáspio ao Oceano 
Índico passando pelo país, evitando a Rússia e o Irã. Para isso, um governo subserviente em Cabul era 
fundamental. 
 
 
Figura 9 - Mapa do Afeganistão. 
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O Talibã e a tomada do Afeganistão 
 
Em 1994, o Paquistão contou com o apoio dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e da 
Arábia Saudita para recrutar entre os campos de refugiados os chamados “estudantes da religião” (talibãs, 
da etnia pashtu) das escolas corânicas, que formavam uma milícia armada. Eles foram treinados e 
armados, surgindo para muitos como uma esperança para dar fim à guerra civil no Afeganistão. 
Depois de conquistar o interior do país, o Talibã avançou sobre Cabul, conquistando-a em 1996. 
O ex-presidente Najibullah foi capturado, e juntamente com seu irmão, castrado, enforcado e trucidado 
em praça pública. Assumindo o controle do país, o movimento impôs uma interpretação rígida da sharia 
(lei islâmica). Somente os Emirados Árabes, o Paquistão e a Arábia Saudita reconheceram o seu governo. 
Cabe destacar que o Talibã é uma vertente extremista entre os sunitas, grupo religioso majoritário 
no mundo islâmico. Antimodernidade e antiocidental, o movimento impôs uma série de limitações ao 
Afeganistão. Vejamos algumas delas: 
 Destruiu bibliotecas e impôs proibições a televisões, músicas, 
cinemas, jogos e fotos no país. 
 Mutilações e execuções públicas foram adotadas para punir 
transgressores; 
 Homens foram forçados a adotar o mesmo corte de cabelo e a 
usarem barba; 
 Mulheres foram proibidas de frequentar escolas, de trabalhar e 
de sair desacompanhadas por familiares homens de suas casas. 
Além disso, foram forçadas à utilização da burca quando saíam 
de casa, véu islâmico que cobre todo o corpo, deixando 
somente um espaço para os olhos. Muitas viúvas e meninas 
foram obrigadas a se casar com comandantes do Talibã. 
Entre 1996 e 2001, o Talibã buscou exercer o controle sobre o 
cultivo da papoula no Afeganistão, planta utilizada para fabricar o ópio. 
O tráfico de drogas rendeu ao país cerca de 100 milhões de dólares 
entre 1998 e 1999, sendo 20 milhões fruto de taxas pagas ao Talibã. 
A partir de março de 2001, o Talibã levou destruiu centenas de relíquias pré-islâmicas e de inestimável 
valor histórico no país, consideradas “blasfêmias” pelo movimento. O pior ato de intolerância do 
movimento foi a destruição dos Budas de Bamiyan, imensas estátuas esculpidas na rocha entre os séculos 
IV e V. Na ocasião, a UNESCO classificou o ato como um “crime contra a cultura”. 
 
Guerra do Afeganistão (2001-2021) 
Os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, ocorridos em diversas partes dos Estados 
Unidos, foram promovidos pela Al-Qaeda, grupo liderado por Osama Bin Laden que havia recebido do 
Talibã a autorização para instalar sua base de operações no Afeganistão. Quando o governo norte-
americano exigiu que o Talibã entregasse os responsáveis pelos atentados, o movimento se recusou, o 
que levou à uma intervenção militar dos Estados Unidos no país. Era o início da Guerra do Afeganistão. 
 Apesar da tentativa do Talibã de convocar os muçulmanos contra os “infiéis” norte-americanos, 
os Emirados Árabes e a Arábia Saudita romperam com o movimento, enquanto o Paquistão aliou-se aos 
Estados Unidos. Isolado, o movimento foi retirado do poder em dezembro de 2001, quando um novo 
governo foi formado com o aval da ONU e dos norte-americanos. 
Figura 10 - Utilização da burca por mulheres afegãs. 
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A derrota do Talibã em Cabul não significou o fim do movimento, que continuou a resistir à 
presença norte-americana em partes do território nas duas décadas seguintes. A partir do governo Trump, 
negociações foram estabelecidas entre Estados Unidos e o Talibã para se obter o cessar-fogo permanente 
no Afeganistão. 
Após o início da retirada de tropas norte-americanas do país, o Talibã tomou o controle de todas 
as grandes cidades. Em agosto de 2021, o movimento assumiu o controle da capital, e o presidente afegão, 
Ashraf Ghani, deixou o país. O país passou a ser denominado como Emirado Islâmico do Afeganistão, e 
muitos temem que as mesmas restrições dos anos 1990 voltem a ser aplicadas no país, principalmente as 
mulheres. Além disso, há grande preocupação que o território afegão volte a ser um “santuário de 
terroristas”, especialmente após a supremacia do Talibã ser questionada por um outro grupo atuante no 
país, o Estado Islâmico Khorasan (El-K). 
 
4. ÁFRICA E SEUS MÚLTIPLOS CONFLITOS 
Os diversos conflitos sociais, econômicos, políticos e étnicos verificados no continente africano em 
grande parte se relacionam à presença imperialista dos europeus, que contribuiu para a desorganização 
das estruturas pré-existentes. 
A partir do pós-Segunda Guerra, a noção de autodeterminação dos povos alimentou lutas pela 
emancipação política em territórios coloniais, muitos deles refletindo o clima de Guerra Fria subsequente. 
Contudo, em muitos novos Estados formados na África nem a adoção de um regime socialista nem a 
implantação de uma ordem liberal-capitalista foram suficientes para apaziguar os diversos dilemas 
enfrentados pelas populações, sobretudo o déficit público e a miséria social generalizada. 
 
4.1. África do Sul 
A partir de 1487, os europeus alcançaram o extremo sul do continente africano, quando o 
navegador Bartolomeu Dias contornou o acidente geográfico batizado de cabo da Boa Esperança. 
Contudo, sua ocupação efetiva se deu a partir do século XVII, a região passou a ser colonizada por 
protestantes holandeses, franceses e alemães. Conhecidos como bôeres ou africânderes, os colonos 
brancos desenvolveram com o passar do tempo uma língua própria, o africâner. 
 Em 1806, a Grã-Bretanha se estabeleceu na região a partir da fundação de colônias, porém seu 
domínio não foi aceito pelos bôeres que ali viviam. Com isso, muitos deles partiram para o interior da 
extremidade sul da África, onde fundaram as repúblicas de Transvaal e Orange. 
Algum tempo depois, em 1877, os britânicos anexaram a República de Transvaal aos seus 
domínios, mas uma reação armada dos bôeres permitiu a retomada de sua autonomia política, em março 
de 1881. Contudo, a descoberta da maior jazida de ouro do mundo na região de Pretória, capital de 
Transvaal, reacendeu o apetite imperialista da Grã-Bretanha. 
Muitos britânicos migram para a república bôer, com o intuito de lucrar com a atividade 
mineradora. Porém, a política tributária do Estado taxava pesadamente os exploradores, o que levou à 
intervenção do primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, que exigiu que nas repúblicas bôeres os 
britânicos tivessem direitos iguais na prospecção. 
 
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Em resposta à ameaça, em 1899 os bôeres exigiram a retirada de tropas britânicas na fronteira do 
Transvaal.Em seguida, declararam guerra aos adversários, mas foram vencidos três anos depois, em 1902. 
O Tratado de Pretória pôs fim ao conflito, além de transformar as repúblicas de Orange e Transvaal em 
colônias britânicas. Em 1910, elas se tornam províncias da chamada União Sul-Africana. 
 
Independência e o Apartheid 
Em 1931, a União Sul-Africana conquistou maior independência do Império Britânico, passando a 
se chamar África do Sul. Pouco tempo depois foi implementado um regime de apartheid – um sistema de 
segregação racial que garantiu às elites brancas o controle do país. 
A população negra foi legalmente impedida de dispor da propriedade da terra e de participar da 
política, além de ser obrigada a viver em zonas residenciais afastadas dos brancos. Casamentos e relações 
sexuais entre pessoas brancas e negras também foram postos na ilegalidade. Para completar, multas, 
trabalhos forçados, chicotadas e prisões poderiam ser aplicados como penalidades diante do não 
cumprimento das leis segregacionistas. 
 
 
Figura 11 - Banco reservado aos brancos na África do Sul. Fonte: Shutterstock. 
 Para se opor à marginalização, ativistas negros do país fundaram o Congresso Nacional Africano 
(CNA), que promoveu uma campanha de desobediência civil. A tensão racial no país atingiu níveis 
alarmantes em 1960, quando a polícia assassinou 67 manifestantes negros em Sharpeville, favela situada 
a 80 km de Johanesburgo. 
O massacre causou indignação mundial, mas o regime continuou a conter violentamente 
manifestações de oposição. No mesmo ano, a CNA foi posta na ilegalidade, e várias de suas lideranças 
foram presas. Uma delas, Nelson Mandela, foi condenado à prisão perpétua, sendo mantido encarcerado 
até fevereiro de 1990. 
Apesar da repressão, as manifestações de oposição ao apartheid se mantiveram nos anos 
seguintes. Em junho de 1976, cerca de 20 mil estudantes protestaram pacificamente no bairro negro de 
Soweto, reivindicando melhores escolas e o fim da repressão do ensino às línguas locais e da 
obrigatoriedade do ensino do africâner. Ainda assim, centenas de pessoas foram massacradas pelas forças 
policiais. 
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Em 1984, uma revolta popular levou o governo a decretar Lei Marcial no país. Muitos países 
decretaram sanções econômicas para pressionar pelo fim do apartheid, o que também foi apoiado por 
líderes da oposição, como o futuro arcebispo Desmond Tutu. Diante do acúmulo de pressões internas e 
estrangeiras, em 1987 o governo da África do Sul revogou a política do apartheid. 
No ano de 1990, Nelson Mandela é liberto, e o CNA retorna à 
legalidade. Três anos depois, o presidente Frederik de Klerk convocou as 
primeiras eleições para o governo de transição, que elegeram Mandela 
como novo presidente do país. 
Um dos marcos do governo Mandela foi a aposta no rúgbi como 
instrumento de união nacional. Até então visto como um esporte dos 
africânderes, Mandela mobilizou a população para torcer pela seleção 
na Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, da qual o país foi vencedor. Na 
época, o título foi visto como um símbolo de esperança na superação ao 
racismo e aos resquícios do regime de apartheid. 
4.2. Angola 
Assim como em outras regiões do continente africano, os movimentos separatistas ganharam força 
em Angola após a Segunda Guerra Mundial. A luta pela descolonização era liderada por três grupos que 
apresentavam ideologias distintas, refletindo o cenário de bipolarização do período: 
▪ Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) → de caráter multirracial, marxista e pró-
URSS, prevalecia em seu interior a etnia quimbundo; 
▪ Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) → organização anticomunista sustentada 
pelos Estados Unidos e pela República Democrática do Congo. Prevalecia em seu interior a etnia 
bacongo, situados ao norte do país; 
▪ União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) → inicialmente possuía orientação 
maoísta, porém adquiriu contornos anticomunistas. Era predominantemente composta por 
indivíduos da etnia ovimbundo. 
Após a Revolução dos Cravos (1974), que destituiu o salazarismo de Portugal, o novo governo 
anunciou o processo de independência de Angola, referendado pelos três grupos a partir da assinatura 
do Tratado de Alvor (1975). 
Apesar da tentativa de conciliação, as organizações se 
enfrentaram em uma violenta guerra civil que se estendeu até 2002. O 
MPLA, liderado por Agostinho Neto, era apoiado pela União Soviética e 
Cuba, enquanto a UNITA era apoiada pela África do Sul e a FNLA pela 
China e por mercenários portugueses, ingleses e sul-africanos. Os 
Estados Unidos, com o intuito de fazer contrapeso à influência socialista, 
apoiou a FNLA e a UNITA. 
Os anos finais de conflito se deram entre a UNITA e o MPLA, até 
que a primeira se rendeu completamente, em 4 de abril de 2002. Desde 
então, MPLA governa o país, tendo a frente como presidente atual José 
Lourenço. Recentemente, protestos em defesa da democracia e em 
busca de melhores condições de vida foram organizados pela população 
de Angola, que ainda busca se reerguer dos destroços deixados pela 
guerra. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – Prof. Marco Túlio 
Curso Extensivo de História 2022 
 
 O MUNDO PÓS-GUERRA FRIA – Prof. Marco Túlio 28 
4.3. Genocídio em Ruanda (1994) 
Território montanhoso e sem costa marítima, Ruanda foi uma colônia alemã até a Primeira Guerra 
Mundial (1914-1918), e posteriormente da Bélgica. Enquanto exerceram influência sobre a região, os 
belgas privilegiaram os tutsis, minoria étnica local, para exercer postos na administração colonial. Já os 
hutus, que correspondem há mais de 90% da população, foram mantidos marginalizados do poder. 
Em 1959, os hutus pegaram em armas contra sua condição e instalaram um governo em 1961. 
Muitos tutsis se exilaram em Uganda, onde organizaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) para invadir 
o país e tomá-lo da etnia adversária. Em abril de 1994, o avião que transportava os presidentes de Ruanda 
e Burundi, ambos hutus, foi abatido por mísseis, o que levou os hutus a acusarem a FPR de ser autora do 
atentado. 
Extremistas hutus (Interahamwe) atacaram milhares de tutsis no país, a quem chamavam de 
baratas. Mulheres foram sequestradas e mantidas como escravas sexuais. Pessoas foram mortas a golpes 
de facão nas estradas. Nomes de pessoas a serem mortas eram lidos pelo governo no rádio. Após três 
meses de massacres e mais de 800 mil mortos, a FPR, apoiada pelo Exército de Uganda, marchou para o 
país, o que fez com que milhões de hutus fugissem para a República Democrática do Congo (ex-Zaire). 
Após assumir o poder, o movimento organizou o Exército de Ruanda e invadiu o país vizinho após 
acusá-lo de permitir a operação dos hutus em seu território. Há duas décadas a presidência do país vem 
sendo ocupada por Paul Kagame, ditador que desfruta de grande popularidade ao promover a 
modernização tecnológica do país. 
 
5. AMÉRICA LATINA: QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS 
O processo de globalização na América Latina produziu efeitos considerados negativos nas áreas 
econômica e social. Parte disso se deveu à herança legada pelos regimes sociais do Cone Sul (exceto 
Brasil), que renunciaram ao modelo de substituição de importações em benefício de políticas liberais em 
âmbito econômico.8 
Em 1989, um encontro realizado na capital norte-americana, conhecido como Consenso de 
Washington, recomendou a abertura econômica e comercial dos países latino-americanos, além da 
promoção de cortes de gastos pelos Estados e reformas tributárias e administrativas que favorecessem a 
livre-iniciativa e tocassem uma agenda de privatizações. 
Apesar de reticente em um primeiro momento, o Brasil, assim como os demais países da América 
Latina, aderiu ao receituário neoliberal, o que trouxe como consequências negativas a desindustrialização, 
o desemprego e a estagnação. 
Em 1994,

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