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<p>1</p><p>89</p><p>AULA 00: ANTIGUIDADE</p><p>História</p><p>Exasiu</p><p>ENEM</p><p>Exasiu</p><p>Exasiu</p><p>EXTENSIVO</p><p>História e Patrimônio</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>AULA 22</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>2</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Sumário</p><p>Introdução ............................................................................................................... 2</p><p>1. Patrimônio cultural .............................................................................................. 3</p><p>2. Patrimônio material e imaterial ........................................................................... 7</p><p>3. O processo de tombamento ............................................................................... 13</p><p>4. A proteção ao patrimônio Cultural na Constituição ............................................ 31</p><p>5. Memória e monumentos ................................................................................... 32</p><p>Questões sem comentários .................................................................................... 34</p><p>Gabarito ................................................................................................................ 51</p><p>Questões com comentários .................................................................................... 51</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Nesta nossa última aula do curso, mais curta do que as anteriores (“amém, né, Alê?”),</p><p>vamos discutir um tema que tem baixa incidência quantitativa (em número de questões), mas é</p><p>comum ser cobrado todos os anos. Então, considerando que não podemos perder nenhum</p><p>pontinho na prova, mãos à obra, ou melhor, ao patrimônio.</p><p>Antes de iniciarmos os estudos, quero lhe dizer que foi um imenso prazer acompanhar seus</p><p>estudos até aqui, ser sua professora de História e ajudá-lo(a) a conquistar a sua vaga. A vaga é</p><p>sua, pode ter certeza!!! Pode contar comigo no que for preciso. Até a noite da véspera da</p><p>prova, estou antenada para conversar, tirar aquela duvidazinha da “pulga atrás” da orelha antes</p><p>da prova, enfim, estamos juntos até o final.</p><p>Um beijo bem grande, bons estudos e aquele mantra fundamental aqui do Estratégia</p><p>Educacional:</p><p>Profe Ale Lopes</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>3</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>O segredo do sucesso é a constância no objetivo.</p><p>1. PATRIMÔNIO CULTURAL</p><p>1</p><p>Vejam, patrimônio é, grosso modo, um bem. Contudo, quando falamos em patrimônio</p><p>cultural, estamos falando de um bem bastante específico. Veja sua definição:</p><p>O patrimônio cultural forma-se a partir de referências culturais que estão muito presentes na</p><p>história de um grupo e que foram transmitidas entre várias gerações. Ou seja, são referências</p><p>que ligam as pessoas aos seus pais, aos seus avós e àqueles que viveram muito tempo</p><p>antes delas. São as referências que se quer transmitir às próximas gerações. Entre os elementos</p><p>que constituem a cultura de um lugar, alguns podem ser considerados patrimônio cultural. São</p><p>elementos tão importantes para o grupo que adquirem o valor de um bem - um bem</p><p>cultural - e é por meio deles que o grupo se vê e quer ser reconhecido pelos outros2.</p><p>Pela citação acima, chegamos à conclusão de que os patrimônios estão relacionados com</p><p>aquilo que se busca preservar de uma geração para outra, no campo da cultura de um grupo , de</p><p>um povo, ou seja, de toda uma coletividade. Por isso, falamos que os patrimônios contribuem</p><p>1 BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Disponível em:</p><p>http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/872. Acesso em: 20/10/2021.</p><p>2 BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Educação Patrimonial: Inventários</p><p>Participativos. 2016, p. 7.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>4</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>para a construção da identidade, do sentimento de pertencimento e, por isso, relacionam-se com</p><p>a memória coletiva.</p><p>Mas, profe, como podemos definir cultura?</p><p>Existem algumas definições antropológicas de cultura, no geral, veja as mais</p><p>importantes. Procure perceber como os conceitos se relacionam:</p><p>Franz Boas (1858-1942): cultura é própria de cada grupo social, de cada sociedade.</p><p>Assim, não há uma única cultura, mas culturas.</p><p>Ruth Benedict (1887-1948) e Margareth Mead (1901-1978): existem padrões</p><p>culturais que são menos vinculados a categorias biológicas e mais a aos aspectos da</p><p>vida em sociedade.</p><p>Bronislaw Malinowski (1884-1942): culturas são sistemas funcionais e equilibrados</p><p>com elementos interdependentes que compoem o todos social.</p><p>Claude Lévi-Strauss (1908-2009): cultura é u conjunto de sistemas simbólicos que</p><p>engloba a linguagem, regras matrimoniais, a arte, a religião.</p><p>Clifford J. Geertz (1926-2006) e Marshall Sahlins (1930- ): cada cultura pode ser</p><p>definida coo um sistema de signos e significados criado por um grupo social.</p><p>Então cuidado, corujinha, nem tudo no âmbito da cultura é patrimônio. Por exemplo,</p><p>a falta de educação no trânsito ou o costume de jogar lixo na rua são, sem dúvida,</p><p>aspectos culturais em alguns lugares, mas, definitivamente, não são patrimônios</p><p>culturais.</p><p>A discussão sobre patrimônio cultural está, então, intimamente relacionada à compreensão</p><p>histórica de cultura. Conforme a professora Marilena Chauí, cultura</p><p>passou a significar a relação que os humanos, socialmente organizados, estabelecem com o tempo</p><p>e com o espaço, com os outros humanos e com a natureza, relações que se transformam e variam</p><p>em condições temporais e sociais determinadas. Agora, cultura torna-se sinônimo de história.3</p><p>Com efeito, essa dimensão só é possível ser pensada a partir da atividade racional dos seres</p><p>humanos, pois o exercício das capacidades e habilidades racionais permite um processo de</p><p>resposta e reação aos estímulos da vida, gerando, então, uma memória.</p><p>3 CHAUÍ, Marilena. Cidadania cultural: o direito à cultura. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2006, p. 107.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>5</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Sem essa memória, os homens e mulheres necessitariam, a todo momento, recomeçar a</p><p>responder a cada experiência vivenciada. Não por menos, dessa constatação, também chegamos</p><p>aos processos de aprendizado.</p><p>A memória, de forma isolada é individual, mas por meio da linguagem é possível pensar em</p><p>uma memória coletiva. A memória é um processo de socialização. Por isso, falamos em</p><p>memória coletiva, de modo que, sem memória coletiva não seria possível transmitir</p><p>conhecimento e cultura de geração em geração.</p><p>Você sabe qual elemento é fundamental para a memória? A linguagem!! Leio o que o</p><p>professor e arqueólogo Ulpiano Bezerra Menezes diz:</p><p>“É a linguagem que permite que a memória seja um veículo de socialização das</p><p>experiências individuais. As capacidades de abstração e de articulação, portanto, não morrem</p><p>no nível individual. No indivíduo, elas têm continuidade, mas podem também se transmitir a uma</p><p>comunidade de pessoas”4.</p><p>Assim, são importantes para a memória coletiva:</p><p>Língua falada, a oralidade;</p><p>Língua escrita, documentação.</p><p>Em particular, a também documentação assegura a preservação da memória e, portanto, é</p><p>fundamental para a cultura.</p><p>Então, veja que patrimônio se relaciona com memória, mas não são sinônimos. Os</p><p>patrimônios contribuem para transmitir, preservar e dar sentidos às memórias coletivas.</p><p>Mas, Alê, e sobre patrimônio e cultura, como podemos entender esta relação?</p><p>4 MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. Os paradoxos da memória social. In: MIRANDA, Danilo dos Santos de (org).</p><p>Memória e cultura: a importância da memória na formação cultural humana. São Paulo: SESC/SP. 2007, p. 15.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares</p><p>para conciliá-lo inteiramente com a Europa</p><p>vencedora e torná-lo um cidadão satisfeito e feliz."</p><p>Carl Von Martius. O estado do direito entre os autóctones do Brasil. Belo Horizonte/São</p><p>Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982.</p><p>Com base nessa descrição, conclui-se que o naturalista Von Martius</p><p>a) apoiava a independência do Novo Mundo, acreditando que os índios, diferentemente do</p><p>que fazia a missão europeia, respeitavam a flora e a fauna do país.</p><p>b) discriminava preconceituosamente as populações originárias da América e advogava o</p><p>extermínio dos índios.</p><p>c) defendia uma posição progressista para o século XIX: a de tornar o indígena cidadão</p><p>satisfeito e feliz.</p><p>d) procurava impedir o processo de aculturação, ao descrever cientificamente a cultura das</p><p>populações originárias da América.</p><p>e) desvalorizava os patrimônios étnicos e culturais das sociedades indígenas e reforçava a</p><p>missão "civilizadora europeia", típica do século XIX.</p><p>14. (ENEM 2003)</p><p>Jean de Léry viveu na França na segunda metade do século XVI, época em que as chamadas</p><p>guerras de religião opuseram católicos e protestantes. No texto a seguir, ele relata o cerco</p><p>da cidade de Sancerre por tropas católicas.</p><p>“(...) desde que os canhões começaram a atirar sobre nós com maior frequência, tornou-se</p><p>necessário que todos dormissem nas casernas. Eu logo providenciei para mim um leito feito</p><p>de um lençol atado pelas suas duas pontas e assim fiquei suspenso no ar, à maneira dos</p><p>selvagens americanos (entre os quais eu estive durante dez meses) o que foi imediatamente</p><p>imitado por todos os nossos soldados. De tal maneira que a caserna logo ficou cheia deles.</p><p>Aqueles que dormiram assim puderam confirmar o quanto esta maneira é apropriada tanto</p><p>para evitar os vermes quanto para manter as roupas limpas (...)”.</p><p>Neste texto, Jean de Léry</p><p>a) despreza a cultura e rejeita o patrimônio dos indígenas americanos.</p><p>b) revela-se constrangido por ter de recorrer a um invento de "selvagens".</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>44</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) reconhece a superioridade das sociedades indígenas americanas com relação aos</p><p>europeus.</p><p>d) valoriza o patrimônio cultural dos indígenas americanos, adaptando-o às suas</p><p>necessidades.</p><p>e) valoriza os costumes dos indígenas americanos porque eles também eram perseguidos</p><p>pelos católicos.</p><p>15. (ENEM 2015)</p><p>“Iniciou-se em 1903 a introdução de obras de arte com representações de bandeirantes no</p><p>acervo do Museu Paulista, mediante a aquisição de uma tela que homenageava o sertanista</p><p>que comandara a destruição do Quilombo de Palmares. Essa aquisição, viabilizada por verba</p><p>estadual, foi simultânea à emergência de uma interpretação histórica que apontava o</p><p>fenômeno do sertanismo paulista como o elo decisivo entre a trajetória territorial do Brasil e</p><p>de São Paulo, concepção essa que se consolidaria entre os historiadores ligados ao Instituto</p><p>Histórico e Geográfico de São Paulo ao longo das três primeiras décadas do século XX”.</p><p>MARINS, P. c. G. Nas matas com pose de reis: a representação de bandeirantes e a</p><p>tradição da retratística monárquica europeia. Revista do LEB, n. 44, tev. 2007.</p><p>A prática governamental descrita no texto, com a escolha dos temas das obras, tinha como</p><p>propósito a construção de uma memória que</p><p>a) afirmava a centralidade de um estado na política do país.</p><p>b) resgatava a importância da resistência escrava na história brasileira.</p><p>c) evidenciava a importância da produção artística no contexto regional.</p><p>d) valorizava a saga histórica do povo na afirmação de uma memória social.</p><p>e) destacava a presença do indígena no desbravamento do território colonial.</p><p>16. (ENEM 2014)</p><p>“A Praça da Concórdia, antiga Praça Luís XV, é a maior praça pública de Paris. Inaugurada</p><p>em 1763, tinha em seu centro uma estátua do rei. Situada ao longo do Sena, ela é a</p><p>intersecção de dois eixos monumentais. Bem nesse cruzamento está o Obelisco de Luxor,</p><p>decorado com hieróglifos que contam os reinados dos faraós Ramsés II e Ramsés III. Em</p><p>1829, foi oferecido pelo vice-rei do Egito ao povo francês e, em 1836, instalado na praça</p><p>diante de mais de 200 mil espectadores e da família real”.</p><p>NOBLAT, R. Disponível em: www.oglobo.com Acesso em: 12 dez. 2012.</p><p>A constituição do espaço público da Praça da Concórdia ao longo dos anos manifesta o(a)</p><p>a) lugar da memória na história nacional.</p><p>b) caráter espontâneo das festas populares.</p><p>c) lembrança da antiguidade da cultura local.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>45</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>d) triunfo da nação sobre os países africanos.</p><p>e) declínio do regime de monarquia absolutista.</p><p>17. (ENEM 2010)</p><p>“Quem construiu a Tebas de sete portas?</p><p>Nos livros estão nomes de reis.</p><p>Arrastaram eles os blocos de pedra?</p><p>E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a reconstruiu tantas vezes?</p><p>Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?</p><p>Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?</p><p>A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.</p><p>Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os césares?”</p><p>BRECHT, B. Perguntas de um trabalhador que lê.</p><p>Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.</p><p>Partindo das reflexões de um trabalhador que lê um livro de História, o autor censura a</p><p>memória construída sobre determinados monumentos e acontecimentos históricos.</p><p>A crítica refere-se ao fato de que</p><p>a) os agentes históricos de uma determinada sociedade deveriam ser aqueles que realizaram</p><p>feitos heroicos ou grandiosos e, por isso, ficaram na memória.</p><p>b) a História deveria se preocupar em memorizar os nomes de reis ou dos governantes das</p><p>civilizações que se desenvolveram ao longo do tempo.</p><p>c) grandes monumentos históricos foram construídos por trabalhadores, mas sua memória</p><p>está vinculada aos governantes das sociedades que os construíram.</p><p>d) os trabalhadores consideram que a História é uma ciência de difícil compreensão, pois</p><p>trata de sociedades antigas e distantes no tempo.</p><p>e) as civilizações citadas no texto, embora muito importantes, permanecem sem terem sido</p><p>alvos de pesquisas históricas.</p><p>18. (ENEM 2020)</p><p>“A agenda escolar 2008 convida os alunos das escolas municipais do Recife à leitura mensal</p><p>de trechos de poemas dos 12 artistas agraciados com estátuas desde 2005. Dessa maneira,</p><p>esses alunos tiveram acesso, em cada mês do ano, a informações sobre as personalidades</p><p>retratadas no papel e no espaço público, lendo e discutindo seus versos e visitando as</p><p>esculturas instaladas estrategicamente no centro da cidade. Trata-se, em suma, de uma</p><p>pedagogia do espaço público que repousa no reconhecimento de personalidades e lugares</p><p>simbólicos para a cidade. De acordo com a prefeitura, o itinerário poético seria uma maneira</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>46</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>de fazer reconhecer talentos que embelezam os postais recifenses, além de estreitar laços</p><p>do cidadão com a cultura”.</p><p>MACIEL, C. A. A.; BARBOSA, D. T. Democracia, espaços públicos e imagens simbólicas da</p><p>cidade do Recife. In: CASTRO, I. E.; RODRIGUES, J. N.; RIBEIRO, R. W. (Org.). Espaços da</p><p>democracia. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013 (adaptado).</p><p>No texto, está descrita uma ação do poder público que coloca a paisagem como um fator</p><p>capaz de contribuir para a</p><p>a) inclusão das minorias reprimidas.</p><p>b) consolidação dos direitos políticos.</p><p>c) redução de desigualdades de renda.</p><p>d) construção do sentimento de pertencimento.</p><p>e) promoção do crescimento da economia.</p><p>19. (ENEM 2019) 4000017260</p><p>“O frevo é uma forma de expressão musical, coreográfica e poética, enraizada no Recife e</p><p>em Olinda, no estado de Pernambuco. O frevo é formado pela grande mescla de gêneros</p><p>musicais, danças, capoeira e artesanato. É uma das mais ricas expressões</p><p>da inventividade e</p><p>capacidade de realização popular na cultura brasileira. Possui a capacidade de promover a</p><p>criatividade humana e também o respeito à diversidade cultural. No ano de 2012, a Unesco</p><p>proclamou o frevo como Patrimônio Imaterial da Humanidade”.</p><p>PORTAL BRASIL. Disponível em: www.brasil.gov.br. Acesso em: 10 fev. 2013.</p><p>A característica da manifestação cultural descrita que justifica a sua condição de Patrimônio</p><p>Imaterial da Humanidade é a</p><p>a) conversão dos festejos em produto da elite.</p><p>b) expressão de sentidos construídos coletivamente.</p><p>c) dominação ideológica de um grupo étnico sobre outros.</p><p>d) disseminação turística internacional dos eventos festivos.</p><p>e) identificação de simbologias presentes nos monumentos artísticos.</p><p>20. (ENEM 2019) 4000016964</p><p>A porca e os sete leitões</p><p>“É um mito que está desaparecendo, pouca gente o conhece. É provável que a geração</p><p>infantil atual o desconheça. (Em nossa infância em Botucatu, ouvimos falar que aparecia atrás</p><p>da igreja de São Benedito no largo do Rosário.) Aparece atrás das igrejas antigas. Não faz</p><p>mal a ninguém, pode-se correr para apanhá-la com seus bacorinhos que não se conseguirá.</p><p>Desaparecem do lugar costumeiro da aparição, a qual só se dá à noite, depois de terem</p><p>‘cumprido a sina’.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>47</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Em São Luís do Paraitinga, informaram que se a gente atirar contra a porca, o tiro não acerta.</p><p>Ninguém é dono dela e por muitos anos apareceu atrás da igreja de Nossa Senhora das</p><p>Mercês, na cidade onde nasceu Oswaldo Cruz”.</p><p>ARAÚJO, A. M. Folclore nacional I: festas, bailados, mitos e lendas. São Paulo: Martins</p><p>Fontes, 2004.</p><p>Os mitos são importantes para a cultura porque, entre outras funções, auxiliam na</p><p>composição do imaginário de um povo por meio da linguagem. Esse texto contribui com o</p><p>patrimônio cultural brasileiro porque,</p><p>a) preserva uma história da tradição oral.</p><p>b) confirma a veracidade dos fatos narrados.</p><p>c) identifica a origem de uma história popular.</p><p>d) apresenta as diferentes visões sobre a aparição.</p><p>e) reforça a necessidade de registro das narrativas folclóricas.</p><p>21. (ENEM 2017) 4000014250</p><p>“Na antiga Vila de São José del Rei, a atual cidade de Tiradentes (MG), na primeira metade</p><p>do século XVIII, mais de cinco mil escravos trabalhavam na mineração aurífera. Construíram</p><p>sua capela, dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Na fachada, colocaram um oratório com</p><p>a imagem de São Benedito. A comunidade do século XVIII era organizada mediante a cor,</p><p>por isso cada grupo tinha sua irmandade: a dos brancos, dos crioulos, dos mulatos, dos</p><p>pardos. Em cada localidade se construía uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário.</p><p>Com a decadência da mineração, a população negra foi levada para arraiais com atividades</p><p>lucrativas diversas. Eles se foram e ficou a igreja. Mas, hoje, está sendo resgatada a festa do</p><p>Rosário e o Terno de Congado”.</p><p>CRUZ, L. Fé e identidade cultural. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso</p><p>em: 4 jul. 2012.</p><p>Na lógica analisada, as duas festividades retomadas recentemente, na cidade mineira de</p><p>Tiradentes, têm como propósito</p><p>a) valorizar a cultura afrodescendente e suas tradições religiosas.</p><p>b) retomar a veneração católica aos valores do passado colonial.</p><p>c) reunir os elementos constitutivos da história econômica regional.</p><p>d) combater o preconceito contra os adeptos do catolicismo popular.</p><p>e) produzir eventos turísticos voltados a religiões de origem africana.</p><p>22. (ENEM 2017) 4000014109</p><p>“As primeiras ações acerca do patrimônio histórico no Brasil datam da década de 1930, com</p><p>a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 1937. Nesse</p><p>período, o conceito que norteou a política de patrimônio limitou-se aos monumentos</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>48</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>arquitetônicos relacionados ao passado brasileiro e vinculava-se aos ideais modernistas de</p><p>conhecer, compreender e recriar o Brasil por meio da valorização da tradição”.</p><p>SANTOS, G. Poder e patrimônio histórico: possibilidades de diálogo entre educação</p><p>histórica e educação patrimonial no ensino médio. EntreVer, n. 2, jan.-jun. 2012.</p><p>Considerando o contexto mencionado, a criação dessa política patrimonial objetivou a</p><p>a) consolidação da historiografia oficial.</p><p>b) definição do mercado cultural.</p><p>c) afirmação da identidade nacional.</p><p>d) divulgação de sítios arqueológicos.</p><p>e) universalização de saberes museológicos.</p><p>23. (ENEM 2014) 4000008654</p><p>“A abordagem do patrimônio cultural, centrada nos aspectos técnicos da conservação e da</p><p>restauração. tende a ocultar a ideia de que a sua preservação é uma pratica social que implica</p><p>um processo de interpretação da cultura não apenas material como simbólica portadora de</p><p>referência à identidade, à ação e à memória dos grupos formadores da sociedade”.</p><p>FONSECA. M.C.L Para além da pedra e cal. IN ABREU, R. CHAGAS, M. Memória e</p><p>patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro, 2003 (adaptado).</p><p>A defesa do patrimônio histórico busca valorizar os bens que representam a nossa</p><p>identidade. Nesse sentido, há manifestações culturais cuja preservação demanda seu</p><p>reconhecimento como patrimônio imaterial. Essa concepção de patrimônio expressa-se</p><p>a) no conjunto de bens culturais classificados segundo a sua natureza: arqueológica, histórica</p><p>e etnográfica.</p><p>b) no tombamento dos bens imóveis, como grupos urbanos, sítios arqueológicos e</p><p>paisagísticos.</p><p>c) na preservação e proteção de monumentos históricos e bens culturais de diversas regiões</p><p>brasileiras.</p><p>d) no conhecimento transmitido entre gerações e recriado pelas comunidades, gerando um</p><p>sentimento de pertencimento.</p><p>e) no arquivamento da produção intelectual como os livros e a conservação de pinturas e</p><p>esculturas.</p><p>24. (ENEM 2014) 4000008063</p><p>“De modo geral, os logradouros de Fortaleza, até meados do século XIX, eram conhecidos</p><p>por designações surgidas da tradição ou de funções e edificações que lhes caracterizavam.</p><p>Assim, chamava-se Travessa da Municipalidade (atual Guilherme Rocha) por ladear o prédio</p><p>da Intendência Municipal; S. Bernardo (hoje Pedro Pereira) por conta de igreja homônima;</p><p>Rua do Cajueiro (atual Pedro Borges) por abrigar uma das mais antigas e populares árvores</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>49</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>da capital. Já a Praça José de Alencar, na década de 1850, era popularmente designada por</p><p>Praça do Patrocínio, pois em seu lado norte se encontrava uma igreja homônima”.</p><p>SILVA FILHO, A. L. M. Fortaleza: imagens da cidade. Fortaleza: Museu do Ceará; Secult-</p><p>CE, 2001 (adaptado).</p><p>Os atos de nomeação dos logradouros, analisados de uma perspectiva histórica, constituem</p><p>a) formas de promover os nomes das autoridades imperiais.</p><p>b) modos oficiais e populares de produção da memória nas cidades.</p><p>c) recursos arquitetônicos funcionais à racionalização do espaço urbano.</p><p>d) maneiras de hierarquizar estratos sociais e dividir as populações urbanas.</p><p>e) mecanismos de imposição dos itinerários sociais e fluxos econômicos na cidade.</p><p>25. (ENEM 2012) 4000006669</p><p>“O Ofício das Baianas de Acarajé constitui um bem cultural de natureza imaterial, inscrito no</p><p>Livro dos Saberes em 2005, que consiste em uma prática tradicional de produção e venda,</p><p>em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao</p><p>culto dos orixás, amplamente disseminadas na cidade de Salvador, Bahia”.</p><p>Disponível em: http://portal.iphan.gov.br. Acesso em: 29 fev. 2012 (adaptado)</p><p>O texto contém a descrição de um bem cultural que foi reconhecido pelo IPHAN (Instituto</p><p>do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) como patrimônio imaterial, pois representa</p><p>a) uma técnica culinária com valor comercial e atratividade turística.</p><p>b) um símbolo da vitalidade dessas mulheres e de suas comunidades.</p><p>c) uma manifestação artística antiga e de abrangência nacional.</p><p>d) um modo de fazer e viver ligado a uma identidade étnica e regional.</p><p>e) uma fusão de ritos das diferentes heranças e tradições religiosas do país.</p><p>26. (ENEM 2011) 4000003981</p><p>“A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial ‘as práticas, representações,</p><p>expressões, conhecimentos e técnicas ― junto com os instrumentos, objetos, artefatos e</p><p>lugares culturais que lhes são associados ― que as comunidades, os grupos e, em alguns</p><p>casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.’ São</p><p>exemplos de bens registrados como Patrimônio Imaterial no Brasil: o Círio de Nazaré no</p><p>Pará, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Ofício das Baianas de Acarajé, o Jongo no</p><p>Sudeste, entre outros”.</p><p>Disponível em: http://www.portal.iphan.gov.br. Acesso em: 29 jul. 2010 (adaptado).</p><p>É bastante recente no Brasil o registro de determinadas manifestações culturais como</p><p>integrantes de seu Patrimônio Cultural Imaterial. O objetivo de se realizar e divulgar este</p><p>tipo de registro é</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>50</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>a) reconhecer o valor da cultura popular para torná-la equivalente à cultura erudita.</p><p>b) recuperar as características originais das manifestações culturais dos povos nativos do</p><p>Brasil.</p><p>c) promover o respeito à diversidade cultural por meio da valorização das manifestações</p><p>populares.</p><p>d) possibilitar a absorção das manifestações culturais populares pela cultura nacional</p><p>brasileira.</p><p>e) inserir as manifestações populares no mercado, proporcionando retorno financeiro a seus</p><p>produtores.</p><p>27. (ENEM 2009) 4000035916</p><p>“O Cafundó é um bairro rural situado no município de Salto de Pirapora, a 150 km de São</p><p>Paulo. Sua população, predominantemente negra, divide-se em duas parentelas: a dos</p><p>Almeida Caetano e a dos Pires Pedroso. Cerca de oitenta pessoas vivem no bairro. Dessas,</p><p>apenas nove detém o título de proprietárias legais dos 7,75 alqueires de terra que</p><p>constituem a extensão do Cafundó, que foram doados a dois escravos, ancestrais de seus</p><p>habitantes atuais, pelo antigo senhor e fazendeiro, pouco antes da Abolição, em 1888.</p><p>Nessas terras, seus moradores plantam milho, feijão e mandioca e criam galinhas e porcos.</p><p>Tudo em pequena escala. Sua língua materna é o português, uma variação regional que, sob</p><p>muitos aspectos, poderia ser identificada como dialeto caipira. Usam um léxico de origem</p><p>banto, quimbundo principalmente, cujo papel social é, sobretudo, de representá-los como</p><p>africanos no Brasil”.</p><p>Disponível em: http://www.revista.iphan.gov.br. Acesso em: abr 2000 (adaptado).</p><p>O bairro de Cafundó integra o patrimônio cultural do Brasil porque</p><p>a) possui terras herdadas de famílias antigas da região.</p><p>b) preservou o modo de falar de origem banto e quimbundo.</p><p>c) tem origem no período anterior à abolição da escravatura.</p><p>d) pertence a uma comunidade rural do interior do estado de São Paulo.</p><p>e) possui moradores que são africanos do Brasil e perderam o laço com sua origem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>51</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>GABARITO</p><p>1. D</p><p>2. A</p><p>3. C</p><p>4. E</p><p>5. C</p><p>6. B</p><p>7. A</p><p>8. E</p><p>9. E</p><p>10. D</p><p>11. A</p><p>12. C</p><p>13. E</p><p>14. D</p><p>15. A</p><p>16. A</p><p>17. C</p><p>18. D</p><p>19. B</p><p>20. A</p><p>21. A</p><p>22. C</p><p>23. D</p><p>24. B</p><p>25. D</p><p>26. C</p><p>27. B</p><p>QUESTÕES COM COMENTÁRIOS</p><p>1. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Desde 15 de agosto, quando o grupo fundamentalista islâmico sacramentou sua volta ao</p><p>poder com a tomada da capital Cabul, é crescente também a preocupação com o patrimônio</p><p>cultural do país. O maior receio é a repetição de cenas vistas entre 1996 e 2001, quando o</p><p>Taleban controlou pela primeira vez o Afeganistão, resultou na proibição de expressões</p><p>artísticas, destruição de artefatos arqueológicos e na simbólica implosão de duas estátuas</p><p>gigantes de budas esculpidas na encosta de uma montanha no século VI. O risco de mais</p><p>uma era de destruição, no entanto, já começou a virar realidade quando se leva em conta a</p><p>preservação do patrimônio imaterial do país. Contrário à música e ao canto fora do contexto</p><p>religioso, o Taleban proibiu na sua primeira passagem pelo poder que as pessoas tocassem</p><p>instrumentos musicais, cantassem ou dançassem — até mesmo em casa.</p><p>(NEXO Jornal. Acesso em: 26/08/2021)</p><p>São exemplos de patrimônio imaterial negados pelo Talibã, segundo o texto</p><p>a)Aqueles desenvolvidos pelas Universidades Laicas ao longo da história e praticados pelo</p><p>povo islâmico e não islâmico.</p><p>b)Prédios públicos, fortalezas, rotas de comércio utilizados historicamente porque acreditam</p><p>que não é útil para a economia Afegã.</p><p>c)Os direitos das mulheres e crianças devido à interpretação ampla da lei islâmica.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>52</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>d) Suas práticas culturais, tradições folclóricas, cultos religiosos, música, dança e recitais de</p><p>poesia não islâmica, devido à interpretação radical da lei islâmica.</p><p>e)A gastronomia afegã que usa ingredientes não locais devido à interpretação radical da lei</p><p>islâmica.</p><p>Comentários</p><p>Vamos começar a questão lembrando o que é patrimônio material e imaterial:</p><p>O patrimônio material protegido pelo Iphan é composto por um conjunto de bens culturais</p><p>classificados segundo sua natureza, conforme os quatro Livros do Tombo: arqueológico,</p><p>paisagístico e etnográfico; histórico; belas artes; e das artes aplicadas. Os bens tombados de</p><p>natureza material podem ser imóveis como as cidades históricas, sítios arqueológicos e</p><p>paisagísticos e bens individuais; ou móveis, como coleções arqueológicas, acervos museológicos,</p><p>documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.</p><p>O patrimônio imaterial, por sua vez, são os bens culturais de natureza imaterial que dizem</p><p>respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos</p><p>de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e os lugares</p><p>(como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas). A UNESCO define</p><p>como patrimônio imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas –</p><p>com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as</p><p>comunidades, os grupos e, em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de</p><p>seu patrimônio cultural."</p><p>O comando nos cobra sobre o patrimônio IMATERIAL. O texto fala que o Talibã nega, de</p><p>maneira geral, tudo o que não é islâmico.</p><p>Tendo isso em mente, vamos analisar cada alternativa:</p><p>a)Errado. Os patrimônios não são criados pelas Universidades. O texto traz patrimônios que</p><p>fazem parte da história social e não dos conhecimentos científicos, que é o produto do saber</p><p>universitário.</p><p>b)Errado. Primeiro que o Talibã mesmo usa essas rotas para circular e dominar o território.</p><p>Além disso, o comando perguntou sobre patrimônio imaterial e não material.</p><p>c)Errado. Os direitos das mulheres não são considerados patrimônios, mas sim, cidadania.</p><p>d)Gabarito. A negação de tudo o que não é islâmico, sobretudo, a cultura é uma forma de</p><p>interpretar os dogmas religiosos – uma forma radical de interpretar. É importante essa</p><p>caracterização porque afirma que é uma forma de viver o islamismo e, portanto, não é uma</p><p>característica única e elementar dessa religião.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>53</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>e)Errado. Apesar de a gastronomia fazer parte do patrimônio imaterial, não há relatos de</p><p>que o Talibã negue ingredientes não locais. O que ocorre é a negação de hábitos culturais, como</p><p>os fastfood, ou as comidas enlatadas. Mas,</p><p>outro maior problema no que se refere à gastronomia</p><p>é a dificuldade econômica.</p><p>Gabarito: D</p><p>2. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Retirada da estátua de Vladimir Lênin, Lituânia, agosto de 1991.</p><p>Com base em seus conhecimentos sobre monumento histórico, o evento retratado na foto</p><p>reflete</p><p>a) mudanças na forma como aquela sociedade escolhe recordar e celebrar o passado.</p><p>b) a violência e o vandalismo dos movimentos sociais e manifestações públicas.</p><p>c) a intolerância do governo em relação à diversidade de orientação política.</p><p>d) a intensificação da xenofobia contra russos no Leste europeu.</p><p>e) substituição de materiais que causam danos ao meio ambiente em espaços públicos.</p><p>Comentários</p><p>A imagem retrata a retirada da estátua de Vladimir Lênin, um dos principais líderes da</p><p>Revolução Russa de 1917, no ato que marca o fim da chamada União das Repúblicas Socialistas</p><p>Soviéticas (URSS), que chegou ao fim em 26 de dezembro de 1991. Junto a isso, houve a</p><p>declaração de independência de suas repúblicas constituintes e o colapso dos governos</p><p>comunistas em grande parte da África e Ásia. A escolha de retirar a estátua de Lênin como um</p><p>símbolo nacional, remete à noção de patrimônio histórico, que tradicionalmente se refere à</p><p>herança composta por um complexo de bens históricos. A própria delimitação do que é</p><p>monumento, do que é ou não patrimônio é seletiva, escolhe somente os pontos do passado que</p><p>queremos lembrar e rejeita os outros. Assim, visto que a noção de monumento é seletiva e é a</p><p>partir dela que se constitui o conceito de patrimônio, a própria ideia de patrimônio cultural não</p><p>pode ser a mesma para todo o mundo, já que depende de diferentes contextos nacionais e do</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>54</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>momento histórico. Cada cultura tem sua noção de patrimônio, que molda seu tipo de ação</p><p>estatal.</p><p>a) Correta! Através dos patrimônios históricos e de monumentos, um determinado país</p><p>escolhe que tipo de passado quer exaltar e recordar. Assim, a retirada da estátua de Lênin,</p><p>símbolo máximo da Revolução Russa de 1917, representa uma mudança política e ideológica após</p><p>o fim da URSS, em 1991. A partir daí, outros símbolos nacionais seriam escolhidos para representar</p><p>a nova Rússia.</p><p>b) Incorreta. A retirada de símbolos nacionais, como estátuas e outros monumentos pode</p><p>ser ou não acompanhada de vandalismo. No caso da imagem, a estátua de Lênin foi retirada de</p><p>maneira oficial pelo novo governo.</p><p>c) Incorreta. Na verdade, o crescente autoritarismo, a censura à imprensa e as mais diversas</p><p>formas de manifestações populares e divisão ideológica do Partido Comunista foram alguns dos</p><p>motivos que levaram ao fim da URSS. A imagem retrata o momento em que este regime deixa de</p><p>existir oficialmente.</p><p>d) Incorreta. A xenofobia no Leste europeu emergiu no contexto do imperialismo, no século</p><p>XIX. Contra os russos em especial, ela foi construída a partir do advento do comunismo,</p><p>considerado uma enorme ameaça pelos países capitalistas. A imagem se refere a outro tipo de</p><p>contexto histórico.</p><p>e) Incorreta. A imagem não informa qualquer tipo de prejuízo que a estátua poderia estar</p><p>causando ao meio ambiente. Ela tem apenas uma conotação política e histórica, simbolizando a</p><p>passagem de socialismo para outro regime, o fim da Guerra Fria e a queda da URSS.</p><p>Gabarito: A</p><p>3. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Carlos Latuff, 2018.</p><p>A charge acima pode ser interpretada como uma crítica</p><p>a) ao elitismo cultural sustentado pelos museus brasileiros.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>55</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>b) à memória eurocêntrica preservada pelas instituições culturais do país.</p><p>c) ao descaso dos governos brasileiros em relação ao patrimônio cultural.</p><p>d) à perpetuação de valores escravistas na política patrimonial brasileira.</p><p>e) à falta de acesso do povo brasileiro à sua história.</p><p>Comentários</p><p>A charge retrata o contexto do trágico incêndio no Museu Nacional, ocorrido em setembro</p><p>de 2018, que significou uma perda imensurável para a história e cultura brasileira. O incêndio</p><p>destruiu toda a coleção de etnologia indígena exposta, inclusive de vários povos desaparecidos,</p><p>além de vários objetos que ajudavam a contar a história dos povos africanos. Com cerca de 700</p><p>itens, a coleção de etnologia africana e afro-brasileira era uma das maiores do mundo. Incêndios</p><p>em museus são sintomáticos da falta de investimento público e o descaso com a cultura e</p><p>educação no país. Podemos recordar de outros incêndios em instituições públicas, como o</p><p>ocorrido com o Museu da Língua Portuguesa (2015) e, mais recentemente, com a Cinemateca</p><p>Brasileira (2021).</p><p>a) Incorreta. Apesar do elitismo de algumas instituições culturais brasileiras, refletido nas</p><p>escolhas de acervo, de curadoria e de quem possui o acesso a tais experiências e bens culturais,</p><p>o incêndio do museu não foi causado por este fator, e sim por descaso governamental.</p><p>b) Incorreta. No caso do Museu Nacional, retratado na charge, ele era um dos mais</p><p>relevantes na manutenção da história indígena brasileira e africana no mundo, com um grande</p><p>acervo de objetos etnológicos, destruídos pelo incêndio.</p><p>c) Correta! O Museu Nacional era um importante centro de estudo, de pesquisa, vinculado</p><p>a uma universidade federal, que sobrevive ameaçada pela falta de recursos federais. Além disso,</p><p>era um museu de pesquisa e que viu décadas de trabalho de cientistas virarem cinzas junto com</p><p>seu acervo. Sem investimentos, não há a possibilidade de fazer uma manutenção adequada do</p><p>espaço, ou de garantir sua segurança, como foi o caso retratado na charge.</p><p>d) Incorreta. A charge mostra, na verdade, o descaso com a política patrimonial brasileira,</p><p>uma vez que seus museus são destruídos por falta de investimentos, manutenção e interesses</p><p>governamentais.</p><p>e) Incorreta. A charge retrata o incêndio que destruiu o Museu Nacional, o que significa</p><p>que esta instituição era um dos meios que permitia à população o acesso à sua história e memória.</p><p>O incêndio simboliza justamente o contrário: o apagamento e incineração do passado, sobretudo</p><p>de povos originários e de origem africana, uma vez que tal museu possuía um dos maiores acervos</p><p>etnológicos do mundo, sobre esses temas.</p><p>Gabarito: C</p><p>4. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>56</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Pedra Roseta, 196 a. C., Museu Britânico, Londres, Inglaterra.</p><p>A retenção de artefatos e patrimônios históricos de um país por outro pode ser interpretado</p><p>como</p><p>a) auxílio humanitário.</p><p>b) superioridade intelectual.</p><p>c) aliança diplomática.</p><p>d) provocação de guerra.</p><p>e) perpetuação da violência colonial.</p><p>Comentários</p><p>Durante o período colonial, desde o século XIX, milhares de artefatos culturais foram</p><p>levados da África, da América e da Ásia, pelos europeus. Uma infinidade de países (territórios</p><p>invadidos e antigas colônias) exigem a devolução de seus tesouros e, com eles, de suas</p><p>identidades. O poder de selecionar, nomear e decidir o significado desses itens faz dos europeus</p><p>os "autores" da história. Além disso, a pilhagem de objetos africanos ocorreu tanto na guerra</p><p>quanto em tempos de paz. Foi justificado como um ato de benevolência; como salvar o</p><p>conhecimento que está morrendo. Esse ato simboliza o pensamento colonial europeu, que</p><p>colocava a branquitude como centro do universo, agindo como bem entendesse, para subordinar</p><p>povos e roubar ao máximo suas riquezas, fossem elas humanas, culturais ou materiais.</p><p>a) Incorreto. A ajuda humanitária é um conjunto de ações que tem como objetivo garantir</p><p>a defesa de direitos humanos básicos para grupos em que eles estão ameaçados. O roubo de</p><p>artefatos e patrimônios históricos não corresponde a esse tipo de auxílio.</p><p>b) Incorreto.</p><p>A crença na ideia de superioridade moral, intelectual e estética, construída</p><p>pelo racismo científico é um dos braços do colonialismo. Entretanto, a retenção de artefatos</p><p>artísticos por nações imperialistas deve ser entendida pelo que é: apropriação e violência.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>57</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) Incorreto. As alianças militares, em geral, são celebradas por meio de um tratado</p><p>diplomático, que assegura a mútua assistência em caso de ataque a qualquer um dos membros,</p><p>portanto, não diz respeito ao roubo de patrimônios históricos.</p><p>d) Incorreto. São atos que ameaçam transgredir a paz entre países. Um exemplo, foi a</p><p>corrida armamentista, ocorrida na Europa no século XIX, cujo objetivo principal era a</p><p>demonstração de poder bélico (poder de guerra) e de superioridade aos demais países.</p><p>e) Correto! A maior parte dos artefatos expostos em museus importantes como o Museu</p><p>Britânico, ou o Museu do Louvre, são provenientes de roubo de países que foram colônias de</p><p>nações imperialistas europeias, desde o século XIX, se tornando, assim, símbolos da violência</p><p>colonial. Por esta razão, muitas nações estão pedindo indenizações e a devolução de seus</p><p>artefatos espoliados, movimento muito debatido no cenário atual.</p><p>Gabarito: E</p><p>5. (ENEM 2014)</p><p>Queijo de Minas vira patrimônio cultural brasileiro</p><p>“O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais foi registrado nesta quinta-feira</p><p>(15) como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do</p><p>Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em reunião do</p><p>conselho realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte. O presidente do Iphan</p><p>e do conselho ressaltou que a técnica de fabricação artesanal do queijo está ‘inserida na</p><p>cultura do que é ser mineiro’”.</p><p>Folha de S. Paulo, 15 maio 2008.</p><p>Entre os bens que compõem o patrimônio nacional, o que pertence à mesma categoria</p><p>citada no texto está representado em:</p><p>a)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>58</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>59</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Comentários</p><p>Segundo a Convenção sobre Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, realizada em</p><p>1972 e promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura</p><p>(Unesco), o patrimônio cultural de um povo é constituído pelo conjunto dos saberes, fazeres,</p><p>expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade desse</p><p>povo. Até então, os estudiosos do tema entendiam que o patrimônio histórico pode ser dividido</p><p>em cultura material e cultura imaterial, que expressam a cultura e características de determinado</p><p>grupo ou região. A primeira é composta por elementos concretos, como construções e objetos</p><p>artísticos. A segunda é relacionada a elementos abstratos, como hábitos e rituais. Entretanto, a</p><p>Convenção de 1972 ampliou o conceito de patrimônio histórico, a partir então substituído pelo</p><p>de patrimônio cultural que não deixava de abarcar a cultura material e imaterial, compreendida</p><p>como herança histórica, mas passava a incluir igualmente a herança ecológica de uma região. No</p><p>Brasil, o órgão responsável pela classificação e preservação do patrimônio cultural é o Instituto do</p><p>Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Com isso em mente, note que o texto nos dá</p><p>um exemplo de patrimônio imaterial, pois a forma de produção de pão queijo praticada pelos</p><p>mineiros constitui uma herança histórica abstrata. Trata-se de um conhecimento, um saber que é</p><p>transmitido de geração em geração. Então, o enunciado nos questiona qual alternativa aponta</p><p>outro exemplo de patrimônio imaterial. Vejamos:</p><p>a) Incorreta. Localizado no Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento é um dos principais</p><p>monumentos de arte colonial no Brasil. Ele foi construído entre 1633 e 1798. Destaca-se a</p><p>influência do estilo barroco na sua construção. Todavia, como se vê, trata-se de uma construção</p><p>arquitetônica, portanto, um objeto material. Logo é um patrimônio cultural material, diferente do</p><p>ofício de produção de pão de queijo em Minas Gerais.</p><p>b) Incorreta. O quadro de Pedro Américo foi pintado em 1893, na primeira década da Primeira</p><p>República (1889-1930). Naquele contexto, os republicanos estavam produzindo símbolos</p><p>nacionais vinculados à república para legitimar o novo regime. Por isso, resgatavam personagens</p><p>como Tiradentes, que apesar de não ter lutado pela independência do Brasil, participou de um</p><p>movimento separatista mineiro de cunho declaradamente republicano. No entanto, assim como o</p><p>Mosteiro de São Bento, o quadro Tiradentes Esquartejado constitui um objeto material, portanto,</p><p>um patrimônio cultural material.</p><p>c) Correta! Os saberes e técnicas que envolvem a produção de panelas de barro feitas no bairro</p><p>de Goiabeiras Velhas, em Vitória, no Espírito Santo, foi o primeiro bem cultural registrado como</p><p>patrimônio imaterial pelo IPHAN, em 2002. Segundo estudos arqueológicos na região, trata-se de</p><p>uma prática de origem indígena. Assim como o modo de fabricação artesanal de pão queijo, em</p><p>Minas Gerais, o conhecimento a respeito da fabricação das panelas de Goiabeiras Velhas é um</p><p>bem cultural de caráter abstrato que é transmitido de geração em geração. Por isso, é classificado</p><p>como patrimônio cultural imaterial.</p><p>d) Incorreta. O conjunto arquitetônico de Ouro Petro, em Minas Gerais, abarca vários edifícios</p><p>públicos, religiosos e residências privadas que foram construídas no período colonial,</p><p>principalmente ao longo do século XVIII, em decorrência das riquezas proporcionadas pela</p><p>extração aurífera. Assim como o Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, o centro histórico de</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>60</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Ouro Preto apresenta grande influência barroca. Igualmente, é um conjunto de objetos materiais,</p><p>logo constitui um patrimônio cultural material.</p><p>e) Incorreta. A Ilha do Campeche, em Santa Catarina, pode ser classificada em duas categorias de</p><p>patrimônio cultural: material e ecológico. Isso porque contém uma série de vestígios</p><p>arqueológicos pré-históricos que se enquadram como patrimônio material, enquanto que a</p><p>própria ilha é um dos paraísos naturais mais exuberantes do país.</p><p>Gabarito: C</p><p>6. (ENEM 2019)</p><p>Produzida no Chile, no final da década de 1970, a imagem expressa um conflito entre culturas</p><p>e sua presença em museus decorrente da</p><p>a) valorização do mercado das obras de arte.</p><p>b) definição dos critérios de criação de acervos.</p><p>c) ampliação da rede de instituições de memória.</p><p>d) burocratização do acesso dos espaços expositivos.</p><p>e) fragmentação dos territórios das comunidades representadas.</p><p>Comentários</p><p>Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a função de um museu não é preservar o passado</p><p>como um todo. A função de um museu deriva da definição de monumento, o qual caracteriza um</p><p>bem cultural selecionado para celebrar uma memória ou um ponto de vista específico sobre o</p><p>passado. Diferente do documento histórico, o monumento é preservado com um objetivo bem</p><p>delimitado. O documento, de certa forma, também é um vestígio do passado que foi selecionado,</p><p>porém, de forma mais involuntária, sem um objetivo muito definido. Para ilustrar melhor, imagine</p><p>o seguinte: você encontra no porão da sua casa um armário cheio de cartas, fotografias, recortes</p><p>de jornais, enfim, um amontoado de papéis que pertenciam ao seu avô. A partir deles, você pôde</p><p>ter acesso a certos momentos da vida dele ou do contexto histórico em que ele viveu. Assim, esse</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>61</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>amontoado de papéis seriam nossos documentos. Então,</p><p>para comemorar a memória carinhosa</p><p>que você tem do seu avô, você decide fazer uma exposição sobre a vida dele. Seu próximo passo</p><p>foi selecionar as fotos, papéis e escritos guardados no armário que mais te remetem à essa</p><p>memória carinhosa que você tem dele. Esse conjunto que você selecionou passam a constituir um</p><p>monumento, que você “construiu” em torno da memória do seu avô. Esse monumento não</p><p>necessariamente expressa quem realmente foi seu avô, mas sim como você se lembra dele. É</p><p>basicamente isso que um museu faz. Com isso em mente, olhe mais uma vez para a imagem</p><p>exposta. Trata-se de um painel exibido em um museu no Chile. Ironicamente, a obra afirma que a</p><p>cultura indígena chilena é muito mais ampla do que os museus podem mostrar. Então, vejamos</p><p>em decorrência de que há um conflito de culturas presente nos museus:</p><p>a) Incorreta. O mercado de obras de artes e a especulação no valor das peças influencia na seleção</p><p>dos bens culturais preservados pelos museus. No entanto, o painel chileno remete a algo mais</p><p>fundamental na elaboração da memória na sociedade contemporânea.</p><p>b) Correta! Como destaquei no comentário todo museu faz uma seleção dos bens culturais que</p><p>considera mais apropriado para a memória que quer preservar. Para realizar tal seleção, os</p><p>museólogos critérios que podem ser políticos, científicos ou pessoais. Por essa razão, durante</p><p>muitos anos, e mesmo hoje, os museus e outras instituições culturais privilegiaram um tipo</p><p>específico de arte, de bem cultura e de monumento para criar seus acervos e elaborar sua própria</p><p>narrativa oficial da história, a qual sempre via os povos europeus como superiores aos demais visto</p><p>a dominação colonial que a Europa exerceu no resto do mundo durante séculos.</p><p>c) Incorreta. Se a rede de instituições de memória estivesse sendo ampliada, não haveria um</p><p>problema de seleção, pois mais bens culturais caberiam nelas.</p><p>d) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”. É um fator que influencia no problema, mas não é</p><p>a raiz dele.</p><p>e) Incorreta. O painel não diz respeito à questões de terras, mas sim à questão da memória e do</p><p>papel das instituições culturais.</p><p>Gabarito: B</p><p>7. (ENEM 2009)</p><p>“O que se entende por Corte do antigo regime é, em primeiro lugar, a casa de habitação</p><p>dos reis de França, de suas famílias, de todas as pessoas que, de perto ou de longe, dela</p><p>fazem parte. As despesas da Corte, da imensa casa dos reis, são consignadas no registro das</p><p>despesas do reino da França sob a rubrica significativa de Casas Reais”.</p><p>ELIAS, N. A sociedade de corte. Lisboa: Estampa, 1987.</p><p>Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande efetividade política e terminaram por</p><p>se transformar em patrimônio artístico e cultural, cujo exemplo é</p><p>a) o palácio de Versalhes.</p><p>b) o Museu Britânico.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>62</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) a catedral de Colônia.</p><p>d) a Casa Branca.</p><p>e) a pirâmide do faraó Quéops.</p><p>Comentários</p><p>O Antigo Regime é um termo cunhado pelos revolucionários franceses, no final do século XVIII,</p><p>para designar o sistema político, econômico e social que combatiam. Tal sistema vigorou na</p><p>Europa entre os séculos XIV e XVIII, aproximadamente. Suas principais características foram: o</p><p>absolutismo monárquico, o mercantilismo econômico e a sociedade estamental (baseada no</p><p>nascimento, sem mobilidade social). A sociedade de corte, ou simplesmente corte, era constituída</p><p>pela residência oficial da família real. Por conseguinte, também abarcava todos os nobres, artistas,</p><p>intelectuais e até burgueses que eram mais ou menos próximos do rei e lhe prestavam serviços</p><p>diretamente. Esse seleto grupo recebia todos os privilégios, títulos e regalias que o Estado</p><p>absolutista podia oferecer, em troca de lealdade e serviços prestados na burocracia estatal, em</p><p>atividades militares, artísticas ou intelectuais. Por outro lado, um patrimônio cultural é constituído</p><p>pelo conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história,</p><p>à memória e à identidade desse povo. Atualmente, o conceito de patrimônio cultural inclui o de</p><p>patrimônio histórico, que pode ser dividido em cultura material e cultura imaterial, que expressam</p><p>a cultura e características de determinado grupo ou região. A primeira é composta por elementos</p><p>concretos, como construções e objetos artísticos. A segunda é relacionada a elementos abstratos,</p><p>como hábitos e rituais. Há também o patrimônio ecológico, que abarca paisagens naturais e</p><p>mesmo biomas inteiros. Sabendo disso, vejamos as alternativas:</p><p>a) Correta! Os palácios de imperadores e reis expressaram os valores artísticos e culturais</p><p>predominantes das épocas em que foram construídos e mantidos. Essas construções não só são</p><p>exemplares genuínos dos estilos arquitetônicos preferidos por seus financiadores e construtores</p><p>como também frequentemente abrigam outros bens culturais de grande valor histórico, como</p><p>quadros, esculturas e ornamentos antigos. Por isso, os palácios são considerados Patrimônio</p><p>Cultural Material. Por sua vez, o Palácio de Versalhes foi construído no século XVII, por ordem do</p><p>rei francês Luis XIV. Nesse período, a França era um Estado absolutista tal como descrevi no</p><p>comentário e assim continuou até 1789 quando eclodiu a Revolução Francesa. Assim, agora</p><p>considerado um patrimônio cultural, esse edifício abrigou a corte francesa por séculos e detém</p><p>marcado em suas paredes, cômodos e corredores as marcas de suas preferências artísticas,</p><p>arquitetônicas e estéticas marcadas pelo estilo rococó.</p><p>b) Incorreta. O Museu Britânico e seu edifício foram fundados em 1753. Trata-se do primeiro</p><p>público gratuito, secular e nacional em todo o mundo. De fato, pode ser considerado um</p><p>patrimônio cultural material. No entanto, nunca serviu de residência ao monarca britânico, nem à</p><p>sua corte.</p><p>c) Incorreta. A Catedral de Colônia foi construída entre 1248 e 1322, durante a Baixa Idade Média.</p><p>O templo está localizado na cidade de Colônia, na Alemanha. Trata-se de uma obra arquitetônica</p><p>do estilo gótico e, realmente, é um patrimônio cultural material do país. Todavia, nunca serviu de</p><p>residência aos monarcas alemães, nem às suas cortes.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>63</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>d) Incorreta. O complexo da Casa Branca foi construído entre 1792 e 1800, alguns anos após a</p><p>conquista da independência dos Estados Unidos da América. De fato, é um patrimônio cultural</p><p>material dos Estados Unidos, mas nunca serviu de residência para rei algum, nem à corte alguma.</p><p>Na verdade, a Casa Branca é a residência oficial e principal local de trabalho do presidente norte-</p><p>americano. Além disso, é a sede oficial do Poder Executivo do país.</p><p>e) Incorreta. A pirâmide do Queops, localizada em Gizé, no Egito, foi inaugurada em 2560 a. C.</p><p>Sem dúvidas, é um patrimônio cultural material do Egito. Porém, nunca foi usada como residência</p><p>do faraó e da sua corte. Na realidade, as pirâmides serviam de túmulos para os soberanos e as</p><p>elites egípcios.</p><p>Gabarito: A</p><p>8. (ENEM 2016)</p><p>TEXTO I</p><p>TEXTO II</p><p>A eleição dos novos bens, ou melhor, de novas formas de se conceber a condição do</p><p>patrimônio cultural nacional, também permite que diferentes grupos sociais, utilizando as</p><p>leis do Estado e o apoio de especialistas, revejam as imagens e alegorias do seu passado,</p><p>do que querem guardar e definir como próprio e identitário.</p><p>ABREU, M.; SOIHET, R.; GONTIJO, R.(Org.). Cultura política e leituras do passado:</p><p>historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.</p><p>O texto chama a atenção para a importância da proteção de bens que, como aquele</p><p>apresentado na imagem, se identificam como:</p><p>a) Artefatos sagrados.</p><p>b) Heranças materiais.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>64</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) Objetos arqueológicos.</p><p>d) Peças comercializáveis.</p><p>e) Conhecimentos tradicionais.</p><p>Comentários</p><p>A identificação, classificação e preservação do patrimônio cultural no Brasil é realizada pelo</p><p>Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Para que um bem cultural seja</p><p>considerado patrimônio cultural é preciso que alguém ou um grupo social ou étnico reivindique</p><p>por meio da instituição esse reconhecimento do Estado brasileiro. Assim, o bem cultural passa</p><p>pela avaliação de especialistas no tema. Até a promulgação da Constituição de 1988, esse</p><p>processo não era democrático e quase sempre os bens culturais privilegiados correspondiam aos</p><p>interesses das elites socioeconômicas do país. Contudo, atualmente, como o texto destaca, esse</p><p>processo se tornou mais acessível à população. É importante lembrar que o patrimônio cultural</p><p>de um povo é o conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem</p><p>à história, à memória e à identidade desse povo. Atualmente, o conceito de patrimônio cultural</p><p>inclui o de patrimônio histórico, que pode ser dividido em cultura material e cultura imaterial, que</p><p>expressam a cultura e características de determinado grupo ou região. A primeira é composta por</p><p>elementos concretos, como construções e objetos artísticos. A segunda é relacionada a elementos</p><p>abstratos, como hábitos e rituais. Há também o patrimônio ecológico, que abarca paisagens</p><p>naturais e mesmo biomas inteiros. Na imagem exposta pelo enunciado, temos uma viola-de-</p><p>cocho, instrumento musical tradicional da região dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do</p><p>Sul. No seu caso temos uma situação interessante, pois tanto o instrumento musical quanto o</p><p>método utilizado na sua fabricação são considerados patrimônios culturais, o primeiro patrimônio</p><p>material e o segundo imaterial. Note, inclusive, que a imagem parece dar mais ênfase à fabricação,</p><p>uma vez que se trata de uma fotografia de uma pessoa nas últimas etapas de confecção do</p><p>instrumento. Sabendo disso, vejamos ao que os bens culturais que o texto chama atenção se</p><p>identificam:</p><p>a) Incorreta. Não se trata de um objeto sagrado.</p><p>b) Incorreta. Apesar da própria viola-de-cocho ser um patrimônio material, portanto, uma herança</p><p>material, não é para ela que imagem e texto chamam atenção, mas sim ao método de sua</p><p>fabricação.</p><p>c) Incorreta. Objetos arqueológicos são aqueles encontrados em sítios arqueológicos. A viola-de-</p><p>cocho que vemos está sendo fabricada em uma oficina.</p><p>d) Incorreta. De fato, as violas-de-cocho podem ser comercializadas, mas não é para isso que o</p><p>texto ou a imagem chamam atenção, como já destaquei na letra “b”.</p><p>e) Correta! O método de fabricação das violas-de-cocho caracteriza um conhecimento tradicional,</p><p>ou seja, não só pode como foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial. Como falei no</p><p>comentário, por muito tempo apenas alguns bens culturais bem específicos eram considerados</p><p>patrimônio cultural: aqueles que agradam aos interesses das elites socioeconômicas do país. Até</p><p>recentemente, também predominava uma noção de patrimônio que só considerava objetos</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>65</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>materiais como obras de arte ou construções arquitetônicas como passíveis de serem preservadas</p><p>como patrimônio cultural. Nesse sentido, o reconhecimento cada vez mais amplo de que rituais,</p><p>saberes, técnicas e outros bens culturais abstratos podem ser patrimônio esteve historicamente</p><p>vinculado à luta de grupos sociais e étnicos marginalizados a terem suas culturas valorizadas pela</p><p>sociedade.</p><p>Gabarito: E</p><p>9. (ENEM 2013)</p><p>“No dia 1º de julho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se a primeira do mundo a</p><p>receber título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. A candidatura,</p><p>apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi aprovada</p><p>durante a 36ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial. O presidente do Iphan explicou que</p><p>‘a paisagem carioca é a imagem mais explícita do que podemos chamar de civilização</p><p>brasileira, com sua originalidade, desafios, contradições e possibilidades’. A partir de agora,</p><p>os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas</p><p>visando a preservação da sua paisagem cultural”.</p><p>Disponível em: www.cultura.gov.br. Acesso em: 7 mar. 2013 (adaptado).</p><p>O reconhecimento da paisagem em questão como patrimônio mundial deriva da</p><p>a) presença do corpo artístico local.</p><p>b) imagem internacional da metrópole.</p><p>c) herança de prédios da ex-capital do país.</p><p>d) diversidade de culturas presentes na cidade.</p><p>e) relação sociedade-natureza de caráter singular.</p><p>Comentários</p><p>Essa é uma questão conceitual. A antiga noção de patrimônio histórico privilegiava apenas bens</p><p>culturais de caráter material como patrimônio, com destaque para obras de arte e arquitetura.</p><p>Recentemente, a cultura imaterial ganhou mais espaço na concepção de patrimônio histórico,</p><p>incluindo saberes, técnicas, músicas, danças, rituais e manifestações culturais de caráter abstrato.</p><p>Por volta da década de 1970, o conceito de patrimônio cultural substituiu o de patrimônio</p><p>histórico, pois passou a considerar também as paisagens e o patrimônio ecológico. Nesses casos,</p><p>os especialistas costumam distinguir as paisagens naturais e as paisagens culturais. Estas últimas</p><p>são todas aquelas paisagens que sofreram influência da ação humana. Então, vejamos do que</p><p>deriva o reconhecimento do Rio de Janeiro como patrimônio mundial:</p><p>a) Incorreta. Apesar de obras de arte poderem ser consideradas patrimônio cultural, nem todo</p><p>patrimônio cultural é uma obra de arte. Fundamentalmente, o que define um patrimônio é sua</p><p>importância cultural para um povo ou grupo social.</p><p>b) Incorreta. De fato, como se tratava do reconhecimento de um órgão internacional a imagem da</p><p>cidade no exterior exercia influência. No entanto, tratava-se de um órgão especializado em</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>66</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>patrimônio cultural, portanto, guiado pelos critérios disciplinares que expliquei no comentário, o</p><p>que torna a presente alternativa reducionista. Para alcançar o reconhecimento como um</p><p>patrimônio mundial, a paisagem cultural do Rio de Janeiro teve que ser reconhecida primeiro pelo</p><p>próprio povo e Estado brasileiro enquanto tal. Tanto é que foi o IPHAN, órgão brasileiro, que fez</p><p>a candidatura. Note que na fala do presidente do instituto, o critério destacado é que a paisagem</p><p>carioca é uma expressão genuína da civilização brasileira.</p><p>c) Incorreta. Isso contribuiu, afinal a arquitetura também é um bem cultural e influência na</p><p>formação de uma paisagem cultural. Contudo, não foi especificamente pelos prédios do período</p><p>que a cidade era capital nacional, mas sim pelo conjunto das marcas deixadas pelos variados</p><p>grupos étnicos e sociais que habitaram e habitam sua paisagem.</p><p>d) Incorreta. Evidentemente que a diversidade cultural especifica da cidade do Rio de Janeiro foi</p><p>definitiva para marcar sua paisagem de forma singular. Todavia, lembre-se que na noção de</p><p>paisagem cultural não depende apenas da cultura. Trata-se de um conceito que abarca uma</p><p>relação.</p><p>e) Correta! Como disse no comentário, as paisagens culturais são aquelas marcadas pela influência</p><p>da ação humana. Elas são formadas tanto por elementos naturais quanto por elementos culturais;</p><p>podem ser urbanas ou rurais; podem ser fazendas, zoológicos, florestas replantadas, jardins</p><p>botânicos, complexos arquitetônicos, entre outros. Nesse sentido, a cidade do Rio de Janeiro</p><p>imprimiu várias dessas marcas culturais na paisagem local, como a floresta replantada da Tijuca.</p><p>Gabarito: E</p><p>10. (ENEM 2017)</p><p>“O que o projeto governamental tem em vista é poupar à Nação o prejuízo irreparável do</p><p>perecimento e da evasão do que há de mais precioso no seu patrimônio. Grande parte das</p><p>obras de arte até mais valiosas e</p><p>dos bens de maior interesse histórico, de que a coletividade</p><p>brasileira era depositária, têm desaparecido ou se arruinado irremediavelmente. As obras de</p><p>arte típicas e as relíquias da história de cada país não constituem o seu patrimônio privado,</p><p>e sim um patrimônio comum de todos os povos”.</p><p>ANDRADE, R. M. F. Defesa do patrimônio artístico e histórico. O Jornal, 30 out. 1936. In:</p><p>ALVES FILHO, I. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad, 1999 (adaptado).</p><p>A criação no Brasil do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), em 1937,</p><p>foi orientada por ideias como as descritas no texto, que visavam</p><p>a) submeter a memória e o patrimônio nacional ao controle dos órgãos públicos, de acordo</p><p>com a tendência autoritária do Estado Novo.</p><p>b) transferir para a iniciativa privada a responsabilidade de preservação do patrimônio</p><p>nacional, por meio de leis de incentivo fiscal.</p><p>c) definir os fatos e personagens históricos a serem cultuados pela sociedade brasileira, de</p><p>acordo com o interesse público.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>67</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>d) resguardar da destruição as obras representativas da cultura nacional, por meio de</p><p>políticas públicas preservacionistas.</p><p>e) determinar as responsabilidades pela destruição do patrimônio nacional, de acordo com</p><p>a legislação brasileira.</p><p>Comentários</p><p>Antes de tudo, note que o SPHAN foi criado em 1937. Naquela época, o que guiava as políticas</p><p>patrimoniais era o conceito de patrimônio histórico, que abarcava a cultural material e imaterial.</p><p>A primeira é composta por elementos concretos, como construções e objetos artísticos. A</p><p>segunda é relacionada a elementos abstratos, como hábitos e rituais. Por outro lado, vale destacar</p><p>que o SPHAN foi criado durante o Governo Constitucional de Getúlio Vargas. Entretanto, o</p><p>importante a se destacar é que Vargas era um nacionalista e, por isso, estava preocupado tanto</p><p>em desenvolver o capitalismo brasileiro quanto fortalecer a identidade nacional. E para isso era</p><p>necessário investir em políticas públicas voltadas para a cultura e o patrimônio histórico. Além</p><p>disso. As décadas de 1920 e 1930 no Brasil são marcadas pela influência do movimento artístico</p><p>do modernismo. Os modernistas se destacavam pela defesa da liberdade experimental na arte,</p><p>que envolvia a adoção de tendências estrangeiras, mas também procurava resgatar as tradições</p><p>brasileiras para forjar uma nova arte moderna nacional. Parte desses artistas e intelectuais</p><p>modernistas ocuparam cargos ao longo dos governos de Vargas entre 1930 e 1945,</p><p>principalmente no Ministério de Educação e Saúde, como o famoso poeta modernista Carlos</p><p>Drummond de Andrade. Com isso em mente, vejamos o que os ideais expresso no texto visavam:</p><p>a) Incorreta. O SPHAN foi criado oficial em janeiro de 1937, enquanto o Estado Novo só foi</p><p>instaurado em 1º de novembro daquele ano.</p><p>b) Incorreta. A criação do SPHAN era uma demonstração de que o Estado estava assumindo essa</p><p>responsabilidade.</p><p>c) Incorreta. De fato, todo patrimônio cultural foi selecionado para ser distinguido enquanto tal.</p><p>Lembre-se que o patrimônio, assim como o monumento, são bens culturais que a sociedade</p><p>escolheu lembrar e celebrar. Entretanto, precisamos nos ater ao que o texto da questão expressa.</p><p>Note que há um tom de urgência na fala do jornalista. Lembra que falei que os modernistas tinham</p><p>uma preocupação em resgatar a cultura brasileira para misturá-la às tendências contemporâneas?</p><p>Então, havia um sentimento generalizado na sociedade de que o avanço industrial, os novos</p><p>modos de vida da modernidade, a importação cada vez maior de produtos estrangeiros, tudo isso</p><p>contribuía para apagar gradativamente as culturas tradicionais que carentes de recursos não</p><p>conseguiam sobreviver. Muitos conservadores achavam que era necessário barrar tendências</p><p>artísticas estrangeiras, enquanto os modernistas defendiam que o resgate da cultura brasileira</p><p>podia ser feito em conjunto com a experimentação artísticas e as tendências estrangeiras. De</p><p>qualquer forma, trata-se de um problema de preservação, não apenas de eleger personagens e</p><p>fatos.</p><p>d) Correta! Como acabei de explicar, havia um sentimento de urgência generalizado em relação</p><p>à preservação de bens culturais no Brasil, pois o historicamente o Estado brasileiro se mostrava</p><p>pouco preocupado com essas questões. No que diz respeito ao governo Vargas, especificamente,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>68</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>lembre-se que ele se contrapunha à Primeira República, cujos governos mantiveram a interferência</p><p>do Estado tanto em assuntos econômicos, sociais e culturais de forma bem restrita aos interesses</p><p>das oligarquias cafeeiras. Vargas tinha um projeto verdadeiramente nacional, que pretendia</p><p>ampliar as responsabilidades do governo bem como atender aos anseios nacionalistas na arte e</p><p>na cultura, assim como na economia.</p><p>e) Incorreta. O texto não fala nada sobre responsabilizar a destruição do patrimônio, apenas se</p><p>concentra na urgência da preservação.</p><p>Gabarito: D</p><p>11. (ENEM 2017)</p><p>As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a</p><p>identidade cultural, dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o</p><p>modo de vida dos antigos revoltosos.</p><p>Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do</p><p>Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de</p><p>a) objetos arqueológicos e paisagísticos.</p><p>b) acervos museológicos e bibliográficos.</p><p>c) núcleos urbanos e etnográficos</p><p>d) práticas e representações de uma sociedade.</p><p>e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.</p><p>Comentários</p><p>Um patrimônio cultural material são todos aqueles elementos concretos, como construções e</p><p>objetos artísticos que expressam o conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus</p><p>produtos, que remetem à história, à memória e à identidade de um povo. Por seu turno, Canudos</p><p>foi um povoado fundado em 1893 pelo beato Antonio Conselheiro e seus seguidores. Conselheiro</p><p>se tornou um grande líder messiânico, enquanto Canudos crescia atraindo principalmente os</p><p>setores mais desfavorecidos da sociedade nordestina. Ali, os residentes mantinham um modo de</p><p>vida comunitário e religioso. No entanto, o crescimento do povoado começou a incomodar</p><p>grandes proprietários locais, clérigos e o governo federal. Assim, entre 1896 e 1897 o governo</p><p>brasileiro promoveu uma guerra contra Canudos que resultou no seu extermínio. Contudo, as</p><p>ruínas permaneceram e nos últimos anos foram reconhecidas como patrimônio cultural por se</p><p>enquadrar nos critérios que destaquei. Vejamos então, o que as ruínas reuniam que garantiram</p><p>seu tombamento:</p><p>a) Correta! As ruínas de Canudos abrigam não só o que restou das construções e residências de</p><p>seus antigos habitantes, mas também muitos dos objetos que usavam no seu dia a dia. Com isso,</p><p>o local caracteriza um sítio arqueológico, além de ter características singulares da influência</p><p>humana na paisagem natural, o que também o classifica como uma paisagem cultural.</p><p>b) Incorreta. Canudos não dispõe de acervos bibliográficos ou museológicos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>69</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) Incorreta. As ruínas não nos permitem a compreensão da questão étnica com profundidade.</p><p>d) Correta! A resposta oficial é a letra “a”, no entanto você poderia entrar com um recurso, pois</p><p>a alternativa “d” também está certa. Como destaquei antes, o patrimônio cultural constitui o</p><p>conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à</p><p>memória e à identidade de um povo.</p><p>e) Incorreta. As ruínas não nos permitem acessar completamente as técnicas e saberes</p><p>compartilhados pela sociedade extinta de Canudos,</p><p>pois elas constituem uma cultura imaterial</p><p>que, sem uma pessoa viva que a conheça, não pode ser transferida integralmente.</p><p>Gabarito: A</p><p>12. (ENEM 2007)</p><p>“Não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas</p><p>tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e</p><p>manifestações transmitidas oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao</p><p>longo do tempo. A essa porção intangível da herança cultural dos povos dá-se o nome de</p><p>patrimônio cultural imaterial”.</p><p>Internet: <www.unesco.org.br>.</p><p>Qual das figuras a seguir retrata patrimônio imaterial da cultura de um povo?</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>70</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>e)</p><p>Comentários</p><p>Patrimônio cultural imaterial são todos aqueles bens culturais relacionados a elementos abstratos,</p><p>como hábitos e rituais que expressam o conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus</p><p>produtos, que remetem à história, à memória e à identidade de um povo. Com isso em mente,</p><p>vejamos das figuras retrata um patrimônio cultural imaterial:</p><p>a) Incorreta. O Cristo Redentor é uma estátua, um objeto artístico, ou seja, é um elemento</p><p>concreto, não abstrato. Por isso, constitui um patrimônio cultural material.</p><p>b) Incorreta. O Pelourinho também constitui um patrimônio cultural material, pois é um conjunto</p><p>arquitetônico, logo, um elemento concreto.</p><p>c) Correta! O Bumba Meu Boi é uma festa popular brasileira, que envolve músicas, danças e lendas</p><p>próprias, ou seja, é um conjunto de elementos abstratos que remetem à história, à memória e à</p><p>identidade de um povo.</p><p>d) Incorreta. As cataratas do Iguaçu se enquadram na definição de patrimônio ecológico, por</p><p>constituírem uma paisagem natural de grande importância para o ecossistema e para as</p><p>civilizações humanas à sua volta.</p><p>e) Incorreta. A Esfinge de Gizé, assim como o Cristo Redentor e o Pelourinho, é um elemento</p><p>concreto, portanto, um patrimônio cultural material.</p><p>Gabarito: C</p><p>13. (ENEM 2006)</p><p>No início do século XIX, o naturalista alemão Carl Von Martius esteve no Brasil em missão</p><p>científica para fazer observações sobre a flora e a fauna nativas e sobre a sociedade indígena.</p><p>Referindo-se ao indígena, ele afirmou:</p><p>"Permanecendo em grau inferior da humanidade, moralmente, ainda na infância, a civilização</p><p>não o altera, nenhum exemplo o excita e nada o impulsiona para um nobre desenvolvimento</p><p>progressivo (...). Esse estranho e inexplicável estado do indígena americano, até o presente,</p><p>tem feito fracassarem todas as tentativas para conciliá-lo inteiramente com a Europa</p><p>vencedora e torná-lo um cidadão satisfeito e feliz."</p><p>Carl Von Martius. O estado do direito entre os autóctones do Brasil. Belo Horizonte/São</p><p>Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982.</p><p>Com base nessa descrição, conclui-se que o naturalista Von Martius</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>71</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>a) apoiava a independência do Novo Mundo, acreditando que os índios, diferentemente do</p><p>que fazia a missão europeia, respeitavam a flora e a fauna do país.</p><p>b) discriminava preconceituosamente as populações originárias da América e advogava o</p><p>extermínio dos índios.</p><p>c) defendia uma posição progressista para o século XIX: a de tornar o indígena cidadão</p><p>satisfeito e feliz.</p><p>d) procurava impedir o processo de aculturação, ao descrever cientificamente a cultura das</p><p>populações originárias da América.</p><p>e) desvalorizava os patrimônios étnicos e culturais das sociedades indígenas e reforçava a</p><p>missão "civilizadora europeia", típica do século XIX.</p><p>Comentários</p><p>Carl Friederich von Martius (1794-1868) foi um médico, botânico e antropólogo alemão. Ele foi</p><p>um dos principais cientistas europeus que peregrinaram pelo Brasil e estudaram sua fauna, flora e</p><p>civilizações. Martius chegou ao Brasil em 1817, junto com a comitiva da arquiduquesa austríaca</p><p>Leopoldina, que iria se casar com Dom Pedro I. Entretanto, ele estava a serviço da Academia de</p><p>Ciências da Baviera, que contratara ele e seu colega Johann Baptist von Spix (1781-1826) para</p><p>pesquisar as regiões do território brasileiro. O objetivo era formar coleções botânicas, zoológicas</p><p>e mineralógicas a fim de avaliar suas potencialidades econômicas, medicinais e científicas de modo</p><p>geral. Ainda naquele ano, os dois cientistas saíram do Rio de Janeiro e percorreram regiões das</p><p>províncias de São Paulo, Minas Gerais e Bahia até chegar em Salvador. Em seguida, peregrinaram</p><p>pelos sertões de Pernambuco, Piauí e Maranhão. Eles também exploraram grande parte da bacia</p><p>do Amazonas, alcançando a atual fronteira entre Brasil e Colômbia. Eles retornaram à Alemanha</p><p>em 1820. Sabendo disso, vejamos o que podemos concluir sobre von Martius a partir de seu texto:</p><p>a) Incorreta. É bem evidente no texto que o autor subestima as faculdades intelectuais dos povos</p><p>originários do Brasil. Ele insistia que independente do estímulo que os europeus “civilizados”</p><p>ofereçam, os indígenas jamais atingiam um estado evolutivo superior.</p><p>b) Incorreta. De fato, von Martius tinham uma visão preconceituosa sobre os indígenas. É</p><p>importante destacar que durante o século XIX, as ciências sociais eram muito influenciadas por</p><p>correntes teóricas como o positivismo e o darwinismo social, filosofias evolucionistas que</p><p>difundiam a concepção de que os europeus estavam no auge da linha evolutiva na história da</p><p>humanidade, enquanto os demais povos ainda estavam na “infância”. No entanto, repare que o</p><p>em nenhum momento no texto von Martius defende o extermínio desses povos. Ao que parece,</p><p>ele se esforça em “civiliza-los”, mas se mostrava frustrado diante da indiferença dos nativos aos</p><p>seus estímulos. Graças a sua visão etnocêntrica, ele não via que se tratava apenas de valores</p><p>culturais diferentes, não necessariamente mais ou menos evoluídos.</p><p>c) Incorreta. Isso não era uma posição progressista, pois civilizar os indígenas, ou melhor, colonizá-</p><p>los sempre foi uma das principais estratégias da supremacia europeia sobre os povos ameríndios.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>72</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>d) Incorreta. Na verdade, como destaquei, von Martius era um adepto da aculturação, mas se via</p><p>frustrado diante da indiferença da maioria dos indígenas aos esforços dos europeus para torna-</p><p>los “cidadãos satisfeitos e felizes”.</p><p>e) Correta! Entendemos como patrimônio cultural de um povo o conjunto de saberes, técnicas,</p><p>expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, memória e cultura desse povo.</p><p>Nesse sentido, é flagrante que von Martius não atribuiu nenhum valor ao patrimônio étnico e</p><p>cultural indígena, pois ele os considera seres inferiores, incivilizados, bárbaros, presos na “infância</p><p>da humanidade”. Apenas a cultura europeia poderia torna-los cidadãos satisfeitos e felizes.</p><p>Gabarito: E</p><p>14. (ENEM 2003)</p><p>Jean de Léry viveu na França na segunda metade do século XVI, época em que as chamadas</p><p>guerras de religião opuseram católicos e protestantes. No texto a seguir, ele relata o cerco</p><p>da cidade de Sancerre por tropas católicas.</p><p>“(...) desde que os canhões começaram a atirar sobre nós com maior frequência, tornou-se</p><p>necessário que todos dormissem nas casernas. Eu logo providenciei para mim um leito feito</p><p>de um lençol atado pelas suas duas pontas e assim fiquei suspenso no ar, à maneira dos</p><p>selvagens americanos (entre os quais eu estive durante dez meses) o que foi imediatamente</p><p>imitado por todos os nossos soldados. De tal maneira que a caserna logo ficou cheia deles.</p><p>Aqueles que dormiram assim puderam confirmar o quanto esta maneira é apropriada tanto</p><p>para evitar os vermes quanto para manter as roupas limpas (...)”.</p><p>Neste texto, Jean de Léry</p><p>a) despreza a cultura e rejeita o patrimônio dos indígenas americanos.</p><p>b) revela-se constrangido por</p><p>ter de recorrer a um invento de "selvagens".</p><p>c) reconhece a superioridade das sociedades indígenas americanas com relação aos</p><p>europeus.</p><p>d) valoriza o patrimônio cultural dos indígenas americanos, adaptando-o às suas</p><p>necessidades.</p><p>e) valoriza os costumes dos indígenas americanos porque eles também eram perseguidos</p><p>pelos católicos.</p><p>Comentários</p><p>As Reformas Protestantes foram uma série de movimentos cristãos dissidentes que discordavam</p><p>dos dogmas e comportamentos do clero católico. Eles não abandonavam o cristianismo, mas</p><p>afirmavam suas próprias interpretações sobre as escrituras sagradas, fundando novas Igrejas</p><p>dissidentes com seus próprios dogmas, hierarquias e rituais. Martinho Lutero foi o pioneiro nesses</p><p>movimentos, quando divulgou suas 95 Teses em 1517, na Alemanha. Em pouco tempo, muitas</p><p>outras vertentes surgiram e até mesmo alguns monarcas e nobres romperam com o catolicismo e</p><p>aderiram a alguma das novas Igrejas protestantes, quando não fundaram a sua própria. Ainda no</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>73</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>século XVI, a Igreja Católica reagiu, lançando a Contrarreforma, ou a Reforma Católica. O clero</p><p>católico deu início a uma série de reformas internas que visavam a reafirmar os princípios</p><p>fundamentais do catolicismo, coibir abusos do clero e reforçar a disciplina dos padres, impondo</p><p>votos de pobreza e celibato. Também foram criadas novas ordens religiosas para dar suporte a</p><p>missões evangelizadoras tanto na Europa quanto nos territórios recém-descobertos e em</p><p>colonização, como a Companhia de Jesus em 1532. Entre 1545 e 1563, foi realizado do Concílio</p><p>de Trento que reafirmou dogmas fundamentais do catolicismo, além de reativar o Tribunal do</p><p>Santo Ofício, órgão que perseguia, julgava e condenava todos aqueles acusados de heresias. Os</p><p>conflitos entre católicos e protestantes persistiram até o século XVII, quando eclodiu a Guerra dos</p><p>Trinta Anos (1618-1648), que opôs as monarquias católicas às protestantes. Igualmente, no interior</p><p>de cada país se operava constantes conflitos entre os civis católicos e protestantes, como na</p><p>França, monarquia católica, mas na qual o calvinismo tinha grande expressão. Por outro lado, é</p><p>interessante notar que a França deu início a suas explorações coloniais na América em meados do</p><p>século XVI, inclusive fundando uma colônia no Rio de Janeiro, durante um curto período de tempo.</p><p>Assim, em meio à sociedade francesa dos primeiros séculos da Idade Moderna já havia alguns</p><p>marinheiros, soldados e viajantes que havia visitado o Novo Mundo, como Jean de Léry. Com isso</p><p>em mente, vejamos qual alternativa é a correta:</p><p>a) Incorreta. De fato, podemos notar que Léry tinha certo preconceito com os indígenas e sua</p><p>cultura, afinal os chama de “selvagens”. No entanto, isso não o impede de se apropriar um dado</p><p>conhecimento ou hábito de origem indígena que considere conveniente.</p><p>b) Incorreta. Não há sinal de constrangimento na narrativa de Léry. Na verdade, nota-se até</p><p>alguma vaidade em revelar como ele teve uma ideia brilhante que foi copiada pelos demais.</p><p>c) Incorreta. Como destaquei, Léry ainda considera os indígenas selvagens, portanto, inferiores</p><p>aos europeus.</p><p>d) Correta! Entendemos como patrimônio cultural de um povo o conjunto de saberes, técnicas,</p><p>expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, memória e cultura desse povo.</p><p>Nesse sentido, a técnica de usar redes suspensas para dormir pode ser considerado um patrimônio</p><p>cultural indígena que foi valorizado por Léry e seus conterrâneos visto sua conveniência na</p><p>situação que se encontravam.</p><p>e) Incorreta. No texto, fica evidente que a valorização desse patrimônio cultural específico estava</p><p>vinculado à sua utilidade, não a um sentimento de solidariedade com os indígenas por quaisquer</p><p>razões.</p><p>Gabarito: D</p><p>15. (ENEM 2015)</p><p>“Iniciou-se em 1903 a introdução de obras de arte com representações de bandeirantes no</p><p>acervo do Museu Paulista, mediante a aquisição de uma tela que homenageava o sertanista</p><p>que comandara a destruição do Quilombo de Palmares. Essa aquisição, viabilizada por verba</p><p>estadual, foi simultânea à emergência de uma interpretação histórica que apontava o</p><p>fenômeno do sertanismo paulista como o elo decisivo entre a trajetória territorial do Brasil e</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>74</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>de São Paulo, concepção essa que se consolidaria entre os historiadores ligados ao Instituto</p><p>Histórico e Geográfico de São Paulo ao longo das três primeiras décadas do século XX”.</p><p>MARINS, P. c. G. Nas matas com pose de reis: a representação de bandeirantes e a</p><p>tradição da retratística monárquica europeia. Revista do LEB, n. 44, tev. 2007.</p><p>A prática governamental descrita no texto, com a escolha dos temas das obras, tinha como</p><p>propósito a construção de uma memória que</p><p>a) afirmava a centralidade de um estado na política do país.</p><p>b) resgatava a importância da resistência escrava na história brasileira.</p><p>c) evidenciava a importância da produção artística no contexto regional.</p><p>d) valorizava a saga histórica do povo na afirmação de uma memória social.</p><p>e) destacava a presença do indígena no desbravamento do território colonial.</p><p>Comentários</p><p>Em primeiro lugar, devemos lembrar que estamos falando da aquisição de uma obra de arte, um</p><p>patrimônio cultural material, por um Museu, uma instituição cultural voltada para a memória. De</p><p>modo geral, o patrimônio cultural se trata do conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas</p><p>e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade desse povo. Entretanto, é</p><p>importante notar que o patrimônio, tal como o monumento, é algo selecionado, escolhido por</p><p>alguém ou um grupo para ter esses status representativo de determinada cultura ou povo. Com</p><p>isso mente, repare que do quadro do bandeirante pelo Museu Paulista se deu em 1903, ou seja,</p><p>durante a Primeira República (1889-1930). Naquele período, havia uma grande preocupação em</p><p>criar novos símbolos nacionais e regionais que fortalecessem a identidade da nação e a</p><p>legitimidade da república. Vale destacar que a elite cafeicultora, sobretudo os paulistas, lideravam</p><p>a economia nacional e também buscavam perpetuar sua influência sobre a política. Então, vejamos</p><p>qual memória estava sendo construída com essa política cultural do estado de São Paulo:</p><p>a) Correta! Como destaquei, São Paulo buscava aumentar seu poder e influência sobre o Estado</p><p>brasileiro. Para isso, era importante também reforçar sua importância simbólica na história e</p><p>cultura do país. Desde o século XIX, as diferentes instituições científicas e culturais do Brasil</p><p>estavam preocupadas em eleger fatos e personagens que servissem para forjar uma história</p><p>nacional ou regional gloriosa rumo à civilização. No caso de São Paulo, os bandeirantes estiveram</p><p>entre esses personagens que representavam toda a glória do povo paulista e sua importância para</p><p>a própria formação do Brasil. Convenientemente, eles ignoravam o lado sombrio das ações da</p><p>maioria dos bandeirantes, que cruelmente exterminaram ou escravizaram milhares de indígenas.</p><p>b) Incorreta. Na realidade, naquele período as elites do país, que controlavam as instituições</p><p>científicas e culturais, eram em grande maioria descendentes de europeus ou de senhores</p><p>escravos. Portanto, preferiam omitir ou diminuir a importância da agência dos escravizados tanto</p><p>na luta por sua própria liberdade quanto na construção do país como um todo.</p><p>c) Incorreta. Realmente, a produção artística regional tinha sua importância nas políticas públicas</p><p>voltadas para a cultura. No entanto, note como o texto destaca a controvérsia a respeito da figura</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>75</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>bandeirante representada no quadro. Nesse sentido, a questão procura dar mais ênfase</p><p>– Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>6</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Olha, a ideia de patrimônio está relacionada a um elemento fundamental para</p><p>a cultura: a identidade e, assim, o sentido do pertencimento social.</p><p>Então, não esqueça o conceito de identidade:</p><p>Já identidade, pode ser definida como, nos dizeres do professor Castells: “identidade [é] o</p><p>processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um</p><p>conjunto de atributos culturais interrelacionados, o(s) qual(ais) prevalece(m) sobre outras fontes</p><p>de significado. [...] Não é difícil concordar com o fato de que, do ponto de vista sociológico, toda e</p><p>qualquer identidade é construída”5.</p><p>Tendo tudo isso em mente, na prática, podemos definir patrimônio cultural como:</p><p>De modo geral, o patrimônio cultural se trata do conjunto dos saberes, fazeres,</p><p>expressões, práticas e seus produtos e bens, que remetem à história, à memória e à</p><p>identidade desse povo.</p><p>(ENEM 2020)</p><p>“A agenda escolar 2008 convida os alunos das escolas municipais do Recife à leitura</p><p>mensal de trechos de poemas dos 12 artistas agraciados com estátuas desde 2005. Dessa</p><p>maneira, esses alunos tiveram acesso, em cada mês do ano, a informações sobre as</p><p>personalidades retratadas no papel e no espaço público, lendo e discutindo seus versos e</p><p>visitando as esculturas instaladas estrategicamente no centro da cidade. Trata-se, em suma,</p><p>de uma pedagogia do espaço público que repousa no reconhecimento de personalidades</p><p>e lugares simbólicos para a cidade. De acordo com a prefeitura, o itinerário poético seria</p><p>uma maneira de fazer reconhecer talentos que embelezam os postais recifenses, além de</p><p>estreitar laços do cidadão com a cultura”.</p><p>5 PINTO, Suely Lima de Assis. A cultura e as diferentes concepções apreendidas nas determinações</p><p>históricas. In: Revista de Educação do Cursos de Pedagogia – Campus Avançado de Jataí (UFG), v. 1, n.</p><p>3, jan-jul, 2007.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>7</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>MACIEL, C. A. A.; BARBOSA, D. T. Democracia, espaços públicos e imagens simbólicas da</p><p>cidade do Recife. In: CASTRO, I. E.; RODRIGUES, J. N.; RIBEIRO, R. W. (Org.). Espaços da</p><p>democracia. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013 (adaptado).</p><p>No texto, está descrita uma ação do poder público que coloca a paisagem como um fator</p><p>capaz de contribuir para a</p><p>a) inclusão das minorias reprimidas.</p><p>b) consolidação dos direitos políticos.</p><p>c) redução de desigualdades de renda.</p><p>d) construção do sentimento de pertencimento.</p><p>e) promoção do crescimento da economia.</p><p>Comentários</p><p>a) Incorreta. Não necessariamente. Apesar do conjunto de estátuas referido pelo texto conter alguns</p><p>artistas negros e mulheres, ainda sim excluiu vários grupos reprimidos. Lembre-se que tanto</p><p>patrimônio cultural quanto monumento são bens culturais selecionados. Se há algo que é</p><p>selecionado, há algo que é excluído.</p><p>b) Incorreta. O direito à memória é um direito civil, não um direito político. Este último consiste no</p><p>direito à participação nos espaços de discussão e tomada de decisões na sociedade.</p><p>c) Incorreta. Uma política de memória não reduz a desigualdade de renda por si só. Tem mais a ver</p><p>com questões simbólicas.</p><p>d) Correta! Isso fica evidente nas três últimas linhas do texto: “De acordo com a prefeitura, o</p><p>itinerário poético seria uma maneira de fazer reconhecer talentos que embelezam os postais</p><p>recifenses, além de estreitar laços do cidadão com a cultura.”</p><p>e) Incorreta. A ação do poder público de Recife estava mais relacionada à educação e cultura do que</p><p>à economia.</p><p>Gabarito: D</p><p>2. PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL</p><p>Conforme o professor e pesquisador da UFRJ José Reginaldo Santos Gonçalves6, a categoria</p><p>patrimônio é muito importante para a vida social e mental de qualquer coletividade humana. Não</p><p>é algo exclusivo das sociedades ocidentais modernas, embora o conceito de “patrimônio” ligado</p><p>a objetos seja característico da concepção das civilizações ocidentais.</p><p>Essa forma de ver patrimônio como um objeto, que conta sobre uma história, contribuiu para</p><p>a ideia de patrimônio histórico, ou patrimônio material, isso porque estava diretamente ligada a</p><p>própria noção de “fonte histórica”.</p><p>6 GONÇALVES, José Reginaldo Santos. O Patrimônio como categoria de pensamento. In: Memória e Patrimônio –</p><p>ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: ed. lamparina. 2003.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>8</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Mas, afinal, qual o traço comum que permite chamar de fontes para o conhecimento histórico</p><p>coisas tão díspares como uma estátua grega do século v a.C, uma máscara maia, uma carta</p><p>do Marquês de Pombal, um concerto de Mozart, uma película cinematográfica, um artigo de</p><p>jornal sobre os perigos do desmatamento, uma entrevista gravada de um trabalhador em</p><p>greve, uma fotografia e uma telenovela? A resposta está no interesse do historiador em</p><p>inquirir o que essas coisas revelam sobre as sociedades às quais elas pertencem e na criação</p><p>de uma narrativa explicativa sobre o resultado de suas análises. Por essa razão, denominamos</p><p>de história uma série de acontecimentos e de historiografia a narração desses</p><p>acontecimentos.7</p><p>Perceberam que as coisas arroladas como “fontes”, na citação acima, são materiais? São</p><p>objetos!! Assim, a noção de patrimônio material está relacionada a “coisas materiais”.</p><p>O patrimônio material (tangível) : é composto por um conjunto de</p><p>bens culturais classificados segundo sua natureza material. Podem ser</p><p>imóveis como as cidades históricas, sítios arqueológicos e</p><p>paisagísticos e bens individuais; ou móveis, como coleções</p><p>arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos,</p><p>arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.</p><p>Não por menos, diz Gonçalves, “todo e qualquer grupo humano exerce algum tipo de</p><p>atividade de colecionamento de objetos materiais, cujo efeito é demarcar domínio subjetivo em</p><p>oposição ao ‘outro’”, sendo o resultado desta atividade a constituição do patrimônio.</p><p>Porém, não há só patrimônio material, isto é, os objetos, aquilo que ganhou ênfase de</p><p>acordo com uma visão eurocêntrica de patrimônio.</p><p>Contrastando, então, com a visão mais ocidental de “patrimônio”,</p><p>No mundo oriental, os objetos jamais foram vistos como principais depositários da tradição cultural.</p><p>A permanência no tempo das expressões materiais dessas tradições não é o aspecto mais</p><p>importante, e sim o conhecimento necessário para reproduzi-las. Nesses países, em suma, mais</p><p>relevante do que conservar um objeto como testemunho de um processo histórico e cultural</p><p>passado é preservar e transmitir o saber que o produz, permitindo a vigência da tradição no</p><p>presente8.</p><p>7 JANOTTI, Maria de Lourdes. In: Fontes Históricas. São Paulo: Ed. Contexto.2008. p. 10.</p><p>8 SANT’ANNA, Marcia. A face imaterial do patrimônio cultural: os novos instrumentos de reconhecimento e</p><p>valorização. In: Memória e Patrimônio – ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: ed. lamparina. 2003.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>9</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Por isso que, tal como para os indígenas no Brasil, para esta concepção de patrimônio, as</p><p>pessoas que detêm o conhecimento preservam e transmitem as tradições e este processo é tão</p><p>importante quanto as coisas que corporificam as próprias tradições. Repare, então, que esse tipo</p><p>de concepção é que fortaleceu o conceito de “patrimônio imaterial”.</p><p>Para Gonçalves, é preciso pensar a produção de patrimônios culturais não apenas como a</p><p>seleção de edificações, sítios e obras de arte que podem receber proteção especial do</p><p>Estado, mas como narrativas, as quais constroem verdadeiras identidades9.</p><p>Esta discussão, que ampliou o conceito de patrimônio, passou a ganhar força quando, após</p><p>a aprovação da Convenção</p><p>aos</p><p>interesses político-ideológicos dos estadistas paulistas.</p><p>d) Incorreta. A construção da memória oficial realizada pelas instituições científicas como os</p><p>museus e os institutos históricos e geográficos era feita de forma elitista, na qual participavam</p><p>apenas intelectuais originários das elites socioeconômicas. Esses homens acreditavam que a</p><p>grande maioria do povo era inculta e incivilizada, portanto, incapaz de refletir sobre essas</p><p>questões. Vale destacar que o positivismo e racismo científico tinham grande influência nesses</p><p>espaços.</p><p>e) Incorreta. O que estava sendo destacado era a presença do bandeirante no desbravamento do</p><p>território brasileiro, um dos principais agentes que cometeram as piores violências contra os</p><p>indígenas.</p><p>Gabarito: A</p><p>16. (ENEM 2014)</p><p>“A Praça da Concórdia, antiga Praça Luís XV, é a maior praça pública de Paris. Inaugurada</p><p>em 1763, tinha em seu centro uma estátua do rei. Situada ao longo do Sena, ela é a</p><p>intersecção de dois eixos monumentais. Bem nesse cruzamento está o Obelisco de Luxor,</p><p>decorado com hieróglifos que contam os reinados dos faraós Ramsés II e Ramsés III. Em</p><p>1829, foi oferecido pelo vice-rei do Egito ao povo francês e, em 1836, instalado na praça</p><p>diante de mais de 200 mil espectadores e da família real”.</p><p>NOBLAT, R. Disponível em: www.oglobo.com Acesso em: 12 dez. 2012.</p><p>A constituição do espaço público da Praça da Concórdia ao longo dos anos manifesta o(a)</p><p>a) lugar da memória na história nacional.</p><p>b) caráter espontâneo das festas populares.</p><p>c) lembrança da antiguidade da cultura local.</p><p>d) triunfo da nação sobre os países africanos.</p><p>e) declínio do regime de monarquia absolutista.</p><p>Comentários</p><p>A estátua do rei Luís XV, o Obelisco de Luxor, bem como a própria Praça da Concórdia são</p><p>considerados patrimônio cultural material da França. Um patrimônio cultural material são todos</p><p>aqueles elementos concretos, como construções e objetos artísticos que expressam o conjunto</p><p>dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e</p><p>à identidade de um povo. Então, vejamos o que a constituição do espaço público da Praça da</p><p>Concórdia ao longo dos anos manifesta:</p><p>a) Correta! Como destaquei, esses monumentos constituem patrimônio cultural material, portanto</p><p>estão vinculados à construção da memória que a França mantem sobre sua história nacional.</p><p>b) Incorreta. O trecho não trata de nenhuma festa popular.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>76</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) Incorreta. Não necessariamente. Os patrimônios culturais são escolhidos como tais de acordo</p><p>com os interesses de quem fez essa seleção. No caso, vemos que a praça foi construía a mando</p><p>de um monarca absolutista que, inclusive mandou erguer uma estátua sua no centro do local.</p><p>Além disso, foi colocado outro monumento, que representa um enaltecimento do imperialismo</p><p>francês sobre o Egito. Nesse sentido, fica evidente que esses patrimônios servem para</p><p>manutenção de uma memória positiva da monarquia francesa. Se pesquisarmos mais um pouco,</p><p>chamará nossa atenção que a praça mudou de nome mais de um mês. Inicialmente, chamada de</p><p>Praça Luís XV, durante a República Jacobina, o local foi rebatizado como Praça da Revolução. Ela</p><p>se tornou o grande palco da revolução, onde se davam os principais anúncios públicos,</p><p>manifestações e comícios, além das execuções políticas na guilhotina. Com a ascensão do</p><p>Diretório, em 1792, o local foi novamente rebatizado, agora como Praça da Concórdia.</p><p>Lembrando que “concórdia” significa “conformidade de pareceres” ou “paz”. Nesse sentido,</p><p>vemos que a praça foi constantemente alvo de mudanças na política da memória da história</p><p>nacional, dependendo dos interesses dos grupos no poder.</p><p>d) Incorreta. Como destaquei acima, apesar de envolver a relação imperialista entre a França e</p><p>países africanos, representada pelo obelisco, a praça como um todo agrega políticas de memória</p><p>diversas, que envolve a exaltação do imperialismo francês, mas também diferentes momentos da</p><p>história interna da França, como o absolutismo, a revolução e a contrarrevolução.</p><p>e) Incorreta. Pela mesma razão que a anterior.</p><p>Gabarito: A</p><p>17. (ENEM 2010)</p><p>“Quem construiu a Tebas de sete portas?</p><p>Nos livros estão nomes de reis.</p><p>Arrastaram eles os blocos de pedra?</p><p>E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a reconstruiu tantas vezes?</p><p>Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?</p><p>Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?</p><p>A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.</p><p>Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os césares?”</p><p>BRECHT, B. Perguntas de um trabalhador que lê.</p><p>Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.</p><p>Partindo das reflexões de um trabalhador que lê um livro de História, o autor censura a</p><p>memória construída sobre determinados monumentos e acontecimentos históricos.</p><p>A crítica refere-se ao fato de que</p><p>a) os agentes históricos de uma determinada sociedade deveriam ser aqueles que realizaram</p><p>feitos heroicos ou grandiosos e, por isso, ficaram na memória.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>77</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>b) a História deveria se preocupar em memorizar os nomes de reis ou dos governantes das</p><p>civilizações que se desenvolveram ao longo do tempo.</p><p>c) grandes monumentos históricos foram construídos por trabalhadores, mas sua memória</p><p>está vinculada aos governantes das sociedades que os construíram.</p><p>d) os trabalhadores consideram que a História é uma ciência de difícil compreensão, pois</p><p>trata de sociedades antigas e distantes no tempo.</p><p>e) as civilizações citadas no texto, embora muito importantes, permanecem sem terem sido</p><p>alvos de pesquisas históricas.</p><p>Comentários</p><p>Um monumento caracteriza um bem cultural selecionado para celebrar uma memória ou um ponto</p><p>de vista específico sobre o passado. Diferente do documento histórico, o monumento é</p><p>preservado com um objetivo bem delimitado. O documento, de certa forma, também é um</p><p>vestígio do passado que foi selecionado, porém, de forma mais involuntária, sem um objetivo</p><p>muito definido. Com isso em mente, vejamos a que a crítica de Brecht se refere:</p><p>a) Incorreta. O autor procura dar destaque àqueles que efetivamente construíram as civilizações</p><p>humanas, os trabalhadores.</p><p>b) Incorreta. Pelo contrário, Brecht coloca isso em dúvida.</p><p>c) Correta! Historicamente, a definição de patrimônio cultural é algo elitista, que só recentemente</p><p>tem sido democratizada. Brecht viveu entre 1898 e 1956, um período em que as concepções de</p><p>monumento e patrimônio ainda eram bem restritas de modo que as políticas patrimoniais</p><p>privilegiavam a memória de personagens e acontecimentos ligados às elites socioeconômicas,</p><p>sobretudo à burguesia. Então, o autor colocava em questão: mas quem de fato construiu esses</p><p>monumentos? Por mais que o Palácio de Versalhes ou a Catedral de Colônia representassem a</p><p>grandeza da monarquia ou do alto clero católico, quem realmente levantou pedra por pedra</p><p>dessas construções foram trabalhadores e deveria ser à eles que sua memória fosse vinculada.</p><p>d) Incorreta. Na verdade, Brecht parte do ponto de vista de um trabalhador que lê sobre a história</p><p>e os monumentos, mas de forma crítica.</p><p>e) Incorreta. As civilizações citadas foram a Grécia Antiga (Tebas), o Império Inca (Lima), a China e</p><p>o Império Romano, todas muito estudadas desde a Idade Moderna.</p><p>Gabarito: C</p><p>18. (ENEM 2020)</p><p>“A agenda escolar 2008 convida os alunos das escolas municipais do Recife à leitura mensal</p><p>de trechos de poemas dos 12 artistas agraciados com estátuas desde 2005. Dessa maneira,</p><p>esses alunos tiveram acesso, em cada mês do ano, a informações sobre as personalidades</p><p>retratadas no papel e no espaço público, lendo e discutindo seus versos e visitando as</p><p>esculturas instaladas estrategicamente no centro da cidade. Trata-se,</p><p>em suma, de uma</p><p>pedagogia do espaço público que repousa no reconhecimento de personalidades e lugares</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>78</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>simbólicos para a cidade. De acordo com a prefeitura, o itinerário poético seria uma maneira</p><p>de fazer reconhecer talentos que embelezam os postais recifenses, além de estreitar laços</p><p>do cidadão com a cultura”.</p><p>MACIEL, C. A. A.; BARBOSA, D. T. Democracia, espaços públicos e imagens simbólicas da</p><p>cidade do Recife. In: CASTRO, I. E.; RODRIGUES, J. N.; RIBEIRO, R. W. (Org.). Espaços da</p><p>democracia. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013 (adaptado).</p><p>No texto, está descrita uma ação do poder público que coloca a paisagem como um fator</p><p>capaz de contribuir para a</p><p>a) inclusão das minorias reprimidas.</p><p>b) consolidação dos direitos políticos.</p><p>c) redução de desigualdades de renda.</p><p>d) construção do sentimento de pertencimento.</p><p>e) promoção do crescimento da economia.</p><p>Comentários</p><p>As estátuas, assim como a própria paisagem urbana de Recife, passaram a constituir patrimônio</p><p>cultural da cidade. Note como a estratégia pedagógica da rede municipal de ensino da cidade</p><p>consistia em usar esses patrimônios para transmitir um conjunto de saberes, fazeres, expressões,</p><p>práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade locais. Nesse sentido,</p><p>o poder público também reconheceu Recife como uma paisagem cultural. Com isso em mente,</p><p>vejamos para que essa ação contribuiu:</p><p>a) Incorreta. Não necessariamente. Apesar do conjunto de estátuas referido pelo texto conter</p><p>alguns artistas negros e mulheres, ainda sim excluiu vários grupos reprimidos. Lembre-se que</p><p>tanto patrimônio cultural quanto monumento são bens culturais selecionados. Se há algo que é</p><p>selecionado, há algo que é excluído.</p><p>b) Incorreta. O direito à memória é um direito civil, não um direito político. Este último consiste</p><p>no direito à participação nos espaços de discussão e tomada de decisões na sociedade.</p><p>c) Incorreta. Uma política de memória não reduz a desigualdade de renda por si só. Tem mais a</p><p>ver com questões simbólicas.</p><p>d) Correta! Isso fica evidente nas três últimas linhas do texto: “De acordo com a prefeitura, o</p><p>itinerário poético seria uma maneira de fazer reconhecer talentos que embelezam os postais</p><p>recifenses, além de estreitar laços do cidadão com a cultura.”</p><p>e) Incorreta. A ação do poder público de Recife estava mais relacionada à educação e cultura do</p><p>que à economia.</p><p>Gabarito: D</p><p>19. (ENEM 2019) 4000017260</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>79</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>“O frevo é uma forma de expressão musical, coreográfica e poética, enraizada no Recife e</p><p>em Olinda, no estado de Pernambuco. O frevo é formado pela grande mescla de gêneros</p><p>musicais, danças, capoeira e artesanato. É uma das mais ricas expressões da inventividade e</p><p>capacidade de realização popular na cultura brasileira. Possui a capacidade de promover a</p><p>criatividade humana e também o respeito à diversidade cultural. No ano de 2012, a Unesco</p><p>proclamou o frevo como Patrimônio Imaterial da Humanidade”.</p><p>PORTAL BRASIL. Disponível em: www.brasil.gov.br. Acesso em: 10 fev. 2013.</p><p>A característica da manifestação cultural descrita que justifica a sua condição de Patrimônio</p><p>Imaterial da Humanidade é a</p><p>a) conversão dos festejos em produto da elite.</p><p>b) expressão de sentidos construídos coletivamente.</p><p>c) dominação ideológica de um grupo étnico sobre outros.</p><p>d) disseminação turística internacional dos eventos festivos.</p><p>e) identificação de simbologias presentes nos monumentos artísticos.</p><p>Comentários</p><p>Patrimônio cultural imaterial são todos aqueles bens culturais relacionados a elementos abstratos,</p><p>como hábitos e rituais que expressam o conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus</p><p>produtos, que remetem à história, à memória e à identidade de um povo. Sabendo disso, vejamos</p><p>o que justifica a qualificação do frevo enquanto patrimônio cultural imaterial:</p><p>a) Incorreta. Não é isso que define um patrimônio cultural de modo geral, apesar de a simpatia</p><p>das elites socioeconômicas influenciar bastante nas políticas patrimoniais, uma vez que são elas</p><p>que controlam o Estado na maioria das vezes.</p><p>b) Correta! Sentidos, significados, técnicas, saberes em geral, tudo isso constitui elementos</p><p>abstratos que não são tangíveis, mas podem ser transmitidos entre as pessoas e através das</p><p>gerações. No caso, o frevo é uma manifestação que envolve conhecidos relacionados à música,</p><p>dança e poesia vinculados à cultura, memória e história do povo pernambucano.</p><p>c) Incorreta. Isso não define um patrimônio cultural de modo geral.</p><p>d) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”.</p><p>e) Incorreta. Os monumentos constituem patrimônio cultural matéria, pois são elementos</p><p>concretos, objetos físicos, não abstratos.</p><p>Gabarito: B</p><p>20. (ENEM 2019) 4000016964</p><p>A porca e os sete leitões</p><p>“É um mito que está desaparecendo, pouca gente o conhece. É provável que a geração</p><p>infantil atual o desconheça. (Em nossa infância em Botucatu, ouvimos falar que aparecia atrás</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>80</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>da igreja de São Benedito no largo do Rosário.) Aparece atrás das igrejas antigas. Não faz</p><p>mal a ninguém, pode-se correr para apanhá-la com seus bacorinhos que não se conseguirá.</p><p>Desaparecem do lugar costumeiro da aparição, a qual só se dá à noite, depois de terem</p><p>‘cumprido a sina’.</p><p>Em São Luís do Paraitinga, informaram que se a gente atirar contra a porca, o tiro não acerta.</p><p>Ninguém é dono dela e por muitos anos apareceu atrás da igreja de Nossa Senhora das</p><p>Mercês, na cidade onde nasceu Oswaldo Cruz”.</p><p>ARAÚJO, A. M. Folclore nacional I: festas, bailados, mitos e lendas. São Paulo: Martins</p><p>Fontes, 2004.</p><p>Os mitos são importantes para a cultura porque, entre outras funções, auxiliam na</p><p>composição do imaginário de um povo por meio da linguagem. Esse texto contribui com o</p><p>patrimônio cultural brasileiro porque,</p><p>a) preserva uma história da tradição oral.</p><p>b) confirma a veracidade dos fatos narrados.</p><p>c) identifica a origem de uma história popular.</p><p>d) apresenta as diferentes visões sobre a aparição.</p><p>e) reforça a necessidade de registro das narrativas folclóricas.</p><p>Comentários</p><p>Lembre-se que o patrimônio cultural consiste em um conjunto de saberes, fazeres, expressões,</p><p>práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade locais. Ele pode ser</p><p>material, se for um elemento concreto, como construções e obras de arte; ou pode ser imaterial,</p><p>caso for um elemento abstrato, como um saber, um ritual, uma dança ou uma festa. Por outro</p><p>lado, também paisagens podem ser consideradas patrimônio cultural, por seu valor ecológico ou</p><p>cultural. Com isso em mente, vejamos por que o texto contribuiu para o patrimônio cultural</p><p>brasileiro:</p><p>a) Correta! A lenda da porca e os sete leitões constitui um mito. Como o próprio enunciado</p><p>destaca, os mitos auxiliam na composição do imaginário por meio da linguagem. Isso por que eles</p><p>são narrativas simbólicas que procuram explicar e demonstrar a origem e o funcionamento das</p><p>coisas por meio da ação e do modo de ser de suas personagens. Os mitos estão</p><p>fundamentalmente vinculados a uma cultura, que se transforma de acordo com condições étnicas</p><p>e históricas. De uma forma ou de outra o mito faz parte da história oral, um saber abstrato</p><p>transmitido de geração em geração que remete à história e memória de um povo. Portanto, ao</p><p>registrar a existência do mito da porca e os sete leitões, o texto contribui para a preservação de</p><p>um patrimônio cultural imaterial.</p><p>b) Incorreta. Apesar de constituir uma narrativa com fins explicativos, o mito não é um retrato fiel</p><p>da realidade, mas sim uma representação simbólica do mundo, frequentemente apresentando</p><p>elementos fantásticos e sobrenaturais.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>81</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) Incorreta. O autor não foi capaz de identificar a origem do mito abordado, apenas que ele era</p><p>contato em Botucatu e São Luís do Paraitinga. Provavelmente, circulava por todo o interior de São</p><p>Paulo, mas pode ter origem de outras partes visto o grande fluxo migratório para a região ao</p><p>longo da história do Brasil.</p><p>d) Incorreta. De fato, o texto apresenta essa diversidade de versões do mesmo mito. Contudo,</p><p>essa não é a raiz de sua contribuição, mas sim a preservação dessa tradição oral por si só.</p><p>e) Correta! O gabarito oficial é a letra “a”. Porém, a presente alternativa também apresenta uma</p><p>resposta satisfatória, uma vez que o autor ressalta em primeiro lugar que esse mito que faz parte</p><p>do folclore paulista está desaparecendo.</p><p>Gabarito: A (cabe recurso)</p><p>21. (ENEM 2017) 4000014250</p><p>“Na antiga Vila de São José del Rei, a atual cidade de Tiradentes (MG), na primeira metade</p><p>do século XVIII, mais de cinco mil escravos trabalhavam na mineração aurífera. Construíram</p><p>sua capela, dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Na fachada, colocaram um oratório com</p><p>a imagem de São Benedito. A comunidade do século XVIII era organizada mediante a cor,</p><p>por isso cada grupo tinha sua irmandade: a dos brancos, dos crioulos, dos mulatos, dos</p><p>pardos. Em cada localidade se construía uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário.</p><p>Com a decadência da mineração, a população negra foi levada para arraiais com atividades</p><p>lucrativas diversas. Eles se foram e ficou a igreja. Mas, hoje, está sendo resgatada a festa do</p><p>Rosário e o Terno de Congado”.</p><p>CRUZ, L. Fé e identidade cultural. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso</p><p>em: 4 jul. 2012.</p><p>Na lógica analisada, as duas festividades retomadas recentemente, na cidade mineira de</p><p>Tiradentes, têm como propósito</p><p>a) valorizar a cultura afrodescendente e suas tradições religiosas.</p><p>b) retomar a veneração católica aos valores do passado colonial.</p><p>c) reunir os elementos constitutivos da história econômica regional.</p><p>d) combater o preconceito contra os adeptos do catolicismo popular.</p><p>e) produzir eventos turísticos voltados a religiões de origem africana.</p><p>Comentários</p><p>Festas populares, como as congadas, festa do divino, folia de reis e cortejos em devoção aos</p><p>santos no catolicismo popular brasileiro são consideradas patrimônio cultural imaterial do Brasil.</p><p>A razão disso é o fato dessas tradições constituírem elementos abstratos elaborados</p><p>coletivamente e que rementem à história, memória e cultura de um determinado povo, no caso</p><p>da congada e das festas em homenagem à Nossa Senhora do Rosário, dos africanos e afro-</p><p>brasileiros escravizados, libertos e livres ao longo da história do Brasil. Então, vejamos qual o</p><p>propósito de retomar essas festividades recentemente, em Tiradentes-MG:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>82</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>a) Correta! Note que a retomada da festa fez parte de uma política de memória a respeito do</p><p>passado colonial, especificamente do escravizados e libertos.</p><p>b) Incorreta. Trata-se de uma política de memória voltada para a reparação histórica pela violência</p><p>que a população afro-brasileira sofreu no passado colonial. Portanto, pretende retomar os valores</p><p>desse passado, mas superá-los.</p><p>c) Incorreta. Evidentemente, essa política de memória envolve a histórica econômica regional,</p><p>afinal os festejos mobilizam uma econômica. No entanto, o texto não deixa dúvida que seu</p><p>interesse é a memória específica da cultura afrodescendente e suas tradições religiosas.</p><p>d) Incorreta. A preocupação não era o preconceito com o catolicismo popular, mas com a</p><p>população negra.</p><p>e) Incorreta. A festa do Rosário e as congadas não são de origem africana. Apesar de terem raízes</p><p>africanas, essas festas populares são de origem afro-brasileira, concebidas ao longo do período</p><p>colonial.</p><p>Gabarito: A</p><p>22. (ENEM 2017) 4000014109</p><p>“As primeiras ações acerca do patrimônio histórico no Brasil datam da década de 1930, com</p><p>a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 1937. Nesse</p><p>período, o conceito que norteou a política de patrimônio limitou-se aos monumentos</p><p>arquitetônicos relacionados ao passado brasileiro e vinculava-se aos ideais modernistas de</p><p>conhecer, compreender e recriar o Brasil por meio da valorização da tradição”.</p><p>SANTOS, G. Poder e patrimônio histórico: possibilidades de diálogo entre educação</p><p>histórica e educação patrimonial no ensino médio. EntreVer, n. 2, jan.-jun. 2012.</p><p>Considerando o contexto mencionado, a criação dessa política patrimonial objetivou a</p><p>a) consolidação da historiografia oficial.</p><p>b) definição do mercado cultural.</p><p>c) afirmação da identidade nacional.</p><p>d) divulgação de sítios arqueológicos.</p><p>e) universalização de saberes museológicos.</p><p>Comentários</p><p>Antes de tudo, note que o SPHAN foi criado em 1937. Naquela época, o que guiava as políticas</p><p>patrimoniais era o conceito de patrimônio histórico, que abarcava a cultural material e imaterial.</p><p>A primeira é composta por elementos concretos, como construções e objetos artísticos. A</p><p>segunda é relacionada a elementos abstratos, como hábitos e rituais. Todavia, como o enunciado</p><p>destacou, a cultura material, especialmente obras arquitetônicas, eram mais privilegiadas. Por</p><p>outro lado, vale destacar que o SPHAN foi criado durante o Governo Constitucional de Getúlio</p><p>Vargas. Entretanto, o importante a se destacar é que Vargas era um nacionalista e, por isso, estava</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>83</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>preocupado tanto em desenvolver o capitalismo brasileiro quanto fortalecer a identidade</p><p>nacional. E para isso era necessário investir em políticas públicas voltadas para a cultura e o</p><p>patrimônio histórico. Além disso, as décadas de 1920 e 1930 no Brasil são marcadas pela influência</p><p>do movimento artístico do modernismo. Os modernistas se destacavam pela defesa da liberdade</p><p>experimental na arte, que envolvia a adoção de tendências estrangeiras, mas também procurava</p><p>resgatar as tradições brasileiras para forjar uma nova arte moderna nacional. Parte desses artistas</p><p>e intelectuais modernistas ocuparam cargos ao longo dos governos de Vargas entre 1930 e 1945,</p><p>principalmente no Ministério de Educação e Saúde, como o famoso poeta modernista Carlos</p><p>Drummond de Andrade. Com isso em mente, vejamos o que essa política patrimonial objetivava:</p><p>a) Incorreta. Patrimônios culturais não são historiografia. Esta é composta pelo conjunto de</p><p>escritos e estudos sobre a história. Apesar de estarem relacionados, o patrimônio cultural está</p><p>mais vinculado à memória do que à história.</p><p>b) Incorreta. As obras arquitetônicas que estavam sendo tombadas naquele momento não eram</p><p>comercializadas no mercado, mas sim preservadas pelo Estado.</p><p>c) Correta! O patrimônio cultural, assim como o monumento, são bens culturais que a sociedade</p><p>escolheu lembrar e celebrar, no caso dessa questão, que o Estado varguista escolheu lembrar e</p><p>celebrar. Vargas pretendia fortalecer a identidade brasileira, para integrar o país no</p><p>desenvolvimento nacional. Vale destacar também que Vargas era fortemente influenciado pela</p><p>ideologia fascista, a qual pregava o nacionalismo e Estado fortes.</p><p>d) Incorreta. A maior pesquisa de sítios arqueológicos durante a era Vargas realmente fez parte</p><p>dessa política patrimonial. No entanto, não era o seu objetivo, mas sim um meio para atingi-lo.</p><p>Como vimos na alternativa “c”, o objetivo era a afirmação da identidade nacional. Como doutrina</p><p>política, o nacionalismo implica a necessidade de elaboração de histórias nacionais, de mitos</p><p>fundadores da nação, com antiguidade suficiente para legitimar a própria existência. Nesse</p><p>sentido, a arqueologia foi um dos meios privilegiados para isso, pois contém as ferramentas</p><p>analíticas e teóricas para pesquisar passados muito remotos, lidando diretamente com a cultura</p><p>material, privilegiada nas políticas patrimoniais dos governos Vargas.</p><p>e) Incorreta. A museologia compõe a área do conhecimento dedicada à administração e curadoria</p><p>de museus. Nesse sentido, o Estado varguista não procurava universalizar os saberes</p><p>museológicos, mas sim monopolizá-los para utilizá-los como instrumento de legitimação</p><p>universalização da identidade nacional por ele idealizada.</p><p>Gabarito: C</p><p>23. (ENEM 2014) 4000008654</p><p>“A abordagem do patrimônio cultural, centrada nos aspectos técnicos da conservação e da</p><p>restauração. tende a ocultar a ideia de que a sua preservação é uma pratica social que implica</p><p>um processo de interpretação da cultura não apenas material como simbólica portadora de</p><p>referência à identidade, à ação e à memória dos grupos formadores da sociedade”.</p><p>FONSECA. M.C.L Para além da pedra e cal. IN ABREU, R. CHAGAS, M. Memória e</p><p>patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro, 2003 (adaptado).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>84</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>A defesa do patrimônio histórico busca valorizar os bens que representam a nossa</p><p>identidade. Nesse sentido, há manifestações culturais cuja preservação demanda seu</p><p>reconhecimento como patrimônio imaterial. Essa concepção de patrimônio expressa-se</p><p>a) no conjunto de bens culturais classificados segundo a sua natureza: arqueológica, histórica</p><p>e etnográfica.</p><p>b) no tombamento dos bens imóveis, como grupos urbanos, sítios arqueológicos e</p><p>paisagísticos.</p><p>c) na preservação e proteção de monumentos históricos e bens culturais de diversas regiões</p><p>brasileiras.</p><p>d) no conhecimento transmitido entre gerações e recriado pelas comunidades, gerando um</p><p>sentimento de pertencimento.</p><p>e) no arquivamento da produção intelectual como os livros e a conservação de pinturas e</p><p>esculturas.</p><p>Comentários</p><p>Patrimônio cultural imaterial são todos aqueles bens culturais relacionados a elementos abstratos,</p><p>como hábitos e rituais que expressam o conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus</p><p>produtos, que remetem à história, à memória e à identidade de um povo. Com isso em mente,</p><p>vejamos o que expressa a concepção de patrimônio cultural imaterial:</p><p>a) Incorreta. De modo geral, o patrimônio cultural pode ser classificado de três formas: patrimônio</p><p>material, que designa elementos concretos, como obras de arte, construções, artefatos</p><p>arqueológicos, etc.; imaterial, que, como já disse, remete aos elementos abstratos, como rituais,</p><p>hábitos, músicas, danças, artes marciais, etc.; e ecológico, que abarca paisagens naturais ou</p><p>mesmo biomas inteiros.</p><p>b) Incorreta. Bens imóveis são patrimônio material ou ecológico.</p><p>c) Incorreta. Isso corresponde a qualquer tipo de patrimônio cultural de origem brasileira, não</p><p>somente imateriais.</p><p>d) Correta! Isso se enquadra perfeitamente na descrição que fiz no comentário.</p><p>e) Incorreta. Entenda que a tradição, que uma faculdade intelectual do ser humano, é o que se</p><p>enquadra na definição de patrimônio cultural imaterial. Os produtos materiais dessa faculdade,</p><p>como os livros, as pinturas e esculturas são patrimônio cultural material, uma vez que são</p><p>elementos concretos.</p><p>Gabarito: D</p><p>24. (ENEM 2014) 4000008063</p><p>“De modo geral, os logradouros de Fortaleza, até meados do século XIX, eram conhecidos</p><p>por designações surgidas da tradição ou de funções e edificações que lhes caracterizavam.</p><p>Assim, chamava-se Travessa da Municipalidade (atual Guilherme Rocha) por ladear o prédio</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>85</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>da Intendência Municipal; S. Bernardo (hoje Pedro Pereira) por conta de igreja homônima;</p><p>Rua do Cajueiro (atual Pedro Borges) por abrigar uma das mais antigas e populares árvores</p><p>da capital. Já a Praça José de Alencar, na década de 1850, era popularmente designada por</p><p>Praça do Patrocínio, pois em seu lado norte se encontrava uma igreja homônima”.</p><p>SILVA FILHO, A. L. M. Fortaleza: imagens da cidade. Fortaleza: Museu do Ceará; Secult-</p><p>CE, 2001 (adaptado).</p><p>Os atos de nomeação dos logradouros, analisados de uma perspectiva histórica, constituem</p><p>a) formas de promover os nomes das autoridades imperiais.</p><p>b) modos oficiais e populares de produção da memória nas cidades.</p><p>c) recursos arquitetônicos funcionais à racionalização do espaço urbano.</p><p>d) maneiras de hierarquizar estratos sociais e dividir as populações urbanas.</p><p>e) mecanismos de imposição dos itinerários sociais e fluxos econômicos na cidade.</p><p>Comentários</p><p>Para resolver essa questão, é preciso relembrar a definição de três conceitos básicos: passado,</p><p>memória e história. O passado é tudo que ocorreu antes do presente. A memória é a capacidade</p><p>de conservar certas informações ou impressões passadas, ou reinterpretada como passadas. A</p><p>memória não depende de um estudo prévio para ser construída. Por fim, a história é o estudo da</p><p>humanidade através do tempo, bem como a relação entre o passado e o presente. Então, perceba</p><p>que as três coisas estão profundamente relacionadas, mas são diferentes entre si. No caso, o que</p><p>mais interessa à história sobre a memória é a memória social, justamente aquela se forma em meio</p><p>às relações sociais e políticas. Sabendo disso, vejamos o que os atos de nomeação de logradouros</p><p>públicos constituem, de uma perspectiva histórica:</p><p>a) Incorreta. O texto afirmar abertamente que até o século XIX a escolha dos nomes das ruas era</p><p>guiada pela tradição ou pelas funções e edificações que lhes caracterizavam. E nota-se que</p><p>nenhuma delas fazia menção à autoridades imperiais, no máximo à municipalidade. Por outro lado,</p><p>quando reparamos nos novos nomes desses locais, informados nos parênteses, vemos que a</p><p>nomeação dos logradouros passou a seguir um critério de homenagens a certas personalidades</p><p>políticas e intelectuais o Ceará, tanto do período imperial quanto do republicano.</p><p>b) Correta! A nomeação das ruas, avenidas, praças e espaços públicos em geral, seja seguindo um</p><p>mero critério de utilidade, seja para prestar homenagens, está vinculada a construção de uma</p><p>memória social que visa a fixação de certos fatos e personagens ligados à cultura e identidade de</p><p>um povo.</p><p>c) Incorreta. De fato, os nomes de logradouros também atendem a essas necessidades, no</p><p>entanto, em última análise, estão vinculados de uma forma ou de outra à construção da memória</p><p>social.</p><p>d) Incorreta, pela mesma razão que a anterior.</p><p>e) Incorreta, pela mesma razão que a anterior.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>86</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Gabarito: B</p><p>25. (ENEM 2012) 4000006669</p><p>“O Ofício das Baianas de Acarajé constitui um bem cultural de natureza imaterial, inscrito no</p><p>Livro dos Saberes em 2005, que consiste em uma prática tradicional de produção e venda,</p><p>em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao</p><p>culto dos orixás, amplamente disseminadas na cidade de Salvador, Bahia”.</p><p>Disponível em: http://portal.iphan.gov.br. Acesso em: 29 fev. 2012 (adaptado)</p><p>O texto contém a descrição de um bem cultural que foi reconhecido pelo IPHAN (Instituto</p><p>do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) como patrimônio imaterial, pois representa</p><p>a) uma técnica culinária com valor comercial e atratividade turística.</p><p>b) um símbolo da vitalidade dessas mulheres e de suas comunidades.</p><p>c) uma manifestação artística antiga e de abrangência nacional.</p><p>d) um modo de fazer e viver ligado a uma identidade étnica e regional.</p><p>e) uma fusão de ritos das diferentes heranças e tradições religiosas do país.</p><p>Comentários</p><p>Patrimônio cultural imaterial são todos aqueles bens culturais relacionados a elementos abstratos,</p><p>como hábitos e rituais que expressam o conjunto dos saberes, fazeres, expressões, práticas e seus</p><p>produtos, que remetem à história, à memória</p><p>e à identidade de um povo. Sabendo disso, vejamos</p><p>o que representa o ofício das baianas de acarajé para ser reconhecido como patrimônio cultural</p><p>imaterial:</p><p>a) Incorreta. O valor do referido ofício como patrimônio cultural de modo geral não provém de</p><p>seu valor comercial ou por ter se tornado uma atividade turística, mas sim por ser uma técnica (um</p><p>elemento abstrato) vinculado à identidade e cultura dessas mulheres afro-baianas.</p><p>b) Incorreta. O ofício não representa simplesmente um símbolo de vitalidade, mas está ligado a</p><p>vários elementos da cultura negra na Bahia.</p><p>c) Incorreta. O ofício das baianas de acarajé não é uma manifestação artística, mas sim um modo</p><p>de vida, com dimensões econômicas e religiosas.</p><p>d) Correta! Como disse, o ofício dessas mulheres constituiu um elemento abstrato que agrega</p><p>memória, história e cultura delas e de seus semelhantes, portanto, um patrimônio cultural</p><p>imaterial.</p><p>e) Incorreta. Não foi somente por sua dimensão religiosa, mas sim por toda abrangência que esse</p><p>ofício tem em diferentes dimensões da cultura das baianas de acarajé.</p><p>Gabarito: D</p><p>26. (ENEM 2011) 4000003981</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>87</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>“A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial ‘as práticas, representações,</p><p>expressões, conhecimentos e técnicas ― junto com os instrumentos, objetos, artefatos e</p><p>lugares culturais que lhes são associados ― que as comunidades, os grupos e, em alguns</p><p>casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.’ São</p><p>exemplos de bens registrados como Patrimônio Imaterial no Brasil: o Círio de Nazaré no</p><p>Pará, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Ofício das Baianas de Acarajé, o Jongo no</p><p>Sudeste, entre outros”.</p><p>Disponível em: http://www.portal.iphan.gov.br. Acesso em: 29 jul. 2010 (adaptado).</p><p>É bastante recente no Brasil o registro de determinadas manifestações culturais como</p><p>integrantes de seu Patrimônio Cultural Imaterial. O objetivo de se realizar e divulgar este</p><p>tipo de registro é</p><p>a) reconhecer o valor da cultura popular para torná-la equivalente à cultura erudita.</p><p>b) recuperar as características originais das manifestações culturais dos povos nativos do</p><p>Brasil.</p><p>c) promover o respeito à diversidade cultural por meio da valorização das manifestações</p><p>populares.</p><p>d) possibilitar a absorção das manifestações culturais populares pela cultura nacional</p><p>brasileira.</p><p>e) inserir as manifestações populares no mercado, proporcionando retorno financeiro a seus</p><p>produtores.</p><p>Comentários</p><p>De modo geral, o patrimônio cultural consiste em um conjunto de saberes, fazeres, expressões,</p><p>práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade de um povo, país ou</p><p>região. O patrimônio cultural pode ser classificado de três formas: patrimônio material, que</p><p>designa elementos concretos, como obras de arte, construções, artefatos arqueológicos, etc.;</p><p>imaterial, que, como o enunciado já disse, remete aos elementos abstratos, como rituais, hábitos,</p><p>músicas, danças, artes marciais, etc.; e ecológico, que abarca paisagens naturais ou mesmo biomas</p><p>inteiros. Com isso em mente, vejamos qual o objetivo de se realizar e divulgar o registro de</p><p>patrimônios imateriais, especificamente:</p><p>a) Incorreta. Não se trata de afirmar que a cultura popular é equivalente à cultura erudita, mas</p><p>justamente de naturalizar que ambas têm suas particulares e riquezas e não podem ser</p><p>comparadas de forma a identificar qual é melhor, qual é pior ou se há um empate.</p><p>b) Incorreta. O registro dos patrimônios imateriais serve tanto para preservar tradições dos nativos</p><p>brasileiros quanto de outros povos que formaram a população nacional ao longo da história do</p><p>Brasil. Além disso, não se trata tanto de recuperar a origem, mas de reconhecer que determinada</p><p>tradição, saber, prática ou ritual existe a gerações e um bem cultural do povo do país ou de uma</p><p>de suas regiões. Esse bem cultural, mesmo que abstrato, pode ou não dizer respeito à origem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>88</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) Correta! Até muito recentemente os patrimônios materiais, especialmente obras arquitetônicas,</p><p>eram muito mais privilegiados nas políticas patrimoniais, devido a uma concepção elitista a</p><p>respeito da memória e história do país. Isso porque estadistas, pesquisadores e as pessoas em</p><p>geral acreditavam que apenas elementos concretos e fixos, de difícil alteração ou decomposição</p><p>eram passíveis de serem tomados como marcos da história e cultura da civilização. As tradições</p><p>populares, ainda mais aquelas sem respaldo de documentos escritos, eram comumente vistas</p><p>como folclore e supersticiosidades populares, que mais expressavam o atraso intelectual e cultural</p><p>da população do que a riqueza da cultura nacional. Todavia, ao longo dos séculos XX e XXI, a</p><p>concepção de patrimônio cultural foi ampliada e passou a valorizar mais os patrimônios imateriais,</p><p>além de passar a incluir os patrimônios ecológicos. No que diz respeito aos primeiros, trata-se do</p><p>reconhecimento do que falei na alternativa “a”, de que a diversidade cultural não deveria ser</p><p>interpretada por meio de uma linha evolutiva etnocêntrica e elitista.</p><p>d) Incorreta. O objetivo do registro dos patrimônios culturais de modo geral, e principalmente dos</p><p>imateriais, não é exportar seus bens culturais para outras regiões do país, mas oferecer meios que</p><p>para que a comunidade que os mantem possam continuar fazendo-o.</p><p>e) Incorreta, pela mesma razão que a anterior. Tudo depende das intenções do grupo social ou</p><p>étnico que foi beneficiado com o reconhecimento de seu bem cultural como patrimônio imaterial.</p><p>Se for do interesse deles inserir sua atividade no mercado, o registro patrimonial oferece ampla</p><p>visibilidade para eles. No entanto, os fins específicos desse tipo de registro não são</p><p>mercadológicos.</p><p>Gabarito: C</p><p>27. (ENEM 2009) 4000035916</p><p>“O Cafundó é um bairro rural situado no município de Salto de Pirapora, a 150 km de São</p><p>Paulo. Sua população, predominantemente negra, divide-se em duas parentelas: a dos</p><p>Almeida Caetano e a dos Pires Pedroso. Cerca de oitenta pessoas vivem no bairro. Dessas,</p><p>apenas nove detém o título de proprietárias legais dos 7,75 alqueires de terra que</p><p>constituem a extensão do Cafundó, que foram doados a dois escravos, ancestrais de seus</p><p>habitantes atuais, pelo antigo senhor e fazendeiro, pouco antes da Abolição, em 1888.</p><p>Nessas terras, seus moradores plantam milho, feijão e mandioca e criam galinhas e porcos.</p><p>Tudo em pequena escala. Sua língua materna é o português, uma variação regional que, sob</p><p>muitos aspectos, poderia ser identificada como dialeto caipira. Usam um léxico de origem</p><p>banto, quimbundo principalmente, cujo papel social é, sobretudo, de representá-los como</p><p>africanos no Brasil”.</p><p>Disponível em: http://www.revista.iphan.gov.br. Acesso em: abr 2000 (adaptado).</p><p>O bairro de Cafundó integra o patrimônio cultural do Brasil porque</p><p>a) possui terras herdadas de famílias antigas da região.</p><p>b) preservou o modo de falar de origem banto e quimbundo.</p><p>c) tem origem no período anterior à abolição da escravatura.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>89</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>d) pertence a uma comunidade rural do interior do estado de São Paulo.</p><p>e) possui moradores que são africanos do Brasil e perderam o laço com sua origem.</p><p>Comentários</p><p>Lembre-se que o patrimônio cultural consiste em um conjunto de saberes, fazeres, expressões,</p><p>práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade locais. Ele pode ser</p><p>material, se for um elemento concreto, como construções e obras de arte; ou pode ser imaterial,</p><p>caso for um elemento abstrato, como um saber, um ritual, uma dança ou uma festa. Por outro</p><p>lado, também há o patrimônio ecológico, que podem ser paisagens ou mesmo biomas inteiros de</p><p>grande importância para o ecossistema de uma região, país ou continente. Então, vejamos por</p><p>que o bairro de Cafundó integra o patrimônio cultural brasileiro:</p><p>a) Incorreta. Haver terras de famílias antigas não é suficiente para definir um patrimônio cultural.</p><p>b) Correta! O bairro do cafundó pode ser considerado uma paisagem cultural, ou seja, trata-se de</p><p>toda uma paisagem que carrega as marcas da cultura de seus habitantes. Uma dessas marcas é a</p><p>língua de origem banto e quimbundo falada por eles, que é por si só um patrimônio cultural</p><p>imaterial.</p><p>c) Incorreta. Isso por si só não define um patrimônio cultural, que pode ter origem em qualquer</p><p>período da história de um povo, mesmo no presente.</p><p>d) Incorreta. Isso também não define um patrimônio cultural, que pode pertencer tanto a</p><p>comunidades rurais quanto urbanas, de São Paulo ou não.</p><p>e) Incorreta. Não moram mais africanos no Cafundó, apenas seus descendentes.</p><p>Gabarito: B</p><p>do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural da UNESCO, em 1972,</p><p>países do Terceiro Mundo reivindicaram a realização de estudos para a proposição, em nível</p><p>internacional de um instrumento de proteção às manifestações populares de valor cultural.</p><p>No Brasil, segundo a pesquisadora Marcia Sant’Anna, a ideia de que o patrimônio não se</p><p>compõe apenas de edifícios e obras de arte eruditas, nos leva a Mario de Andrade, pois, para o</p><p>modernista a cultura não seriam apenas artefatos colecionáveis, mas paisagens e o folclore. No</p><p>rol de patrimônio de Mario de Andrade também entravam os vocabulários, os cantos, as lendas,</p><p>a medicina e a culinária indígenas, a música, os contos, enfim, as manifestações populares.</p><p>Nesses termos da problematização do conceito de “patrimônio cultural imaterial”,</p><p>podemos avançar para a seguinte sistematização:</p><p>O patrimônio imaterial (intangível), por sua vez, são os bens culturais</p><p>de natureza imaterial que dizem respeito àquelas práticas e domínios</p><p>da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de</p><p>fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais</p><p>ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que</p><p>abrigam práticas culturais coletivas).</p><p>A UNESCO (vide mais abaixo o que é UNESCO), por exemplo, define como patrimônio</p><p>imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os</p><p>instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades,</p><p>os grupos e, em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio</p><p>cultural".</p><p>9 FONSECA, Maria Cecília Londres. Para Além da Pedra de Cal: por uma concepção ampla de patrimônio cultural.</p><p>Memória e Patrimônio – ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: ed. lamparina. 2003.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>10</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Segundo a pesquisadora Maria Cecília Londres Fonseca10, um exemplo, no Brasil, seria a</p><p>arte dos repentistas, pois é a capacidade de esses atores usarem, de improviso, as técnicas de</p><p>composição de versos, com agilidade e respondendo à fala do parceiro, que produz a</p><p>performance característica desta manifestação imaterial.</p><p>Em maio de 2002, a direção do Museu do Índio submeteu ao Ministério da Cultura</p><p>o registro da arte kusiwa – pintura corporal e arte gráfica wajãpi como bem cultural</p><p>de natureza imaterial. A documentação reunida sobre o kusiwa de mais de quinze</p><p>anos de pesquisa desenvolvida junto aos wajápi do Amapá por Dominique T.</p><p>Gallois, doutora em Antropologia do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo</p><p>da Universidade de São Paulo (USP). Em dezembro de 2002, foi conferido o título</p><p>de “Patrimônio cultural do Brasil” à arte kusiwa, o primeiro bem cultural indígena registrado</p><p>no Livro dos saberes do patrimônio imaterial.</p><p>O registro kusiwa constituiu o resultado da colaboração entre instituições públicas e privadas</p><p>que envolveu, principalmente, a participação direta dos wajãpi, por meio de sua associação</p><p>e seu Conselho de Aldeias – Apina no preparo de coleções de artefatos e de desenhos</p><p>apresentados em exposição a eles dedicada no Museu do Índio. A publicação de um</p><p>catálogo de padrões e composições que ilustram a arte gráfica kusiwa ampliou a</p><p>possibilidade de divulgação desse acervo cultural11.</p><p>12</p><p>10 FONSECA, Maria Cecília Londres. Para Além da Pedra de Cal: por uma concepção ampla de patrimônio cultural.</p><p>Memória e Patrimônio – ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: ed. lamparina. 2003.</p><p>11 FONSECA, Maria Cecília Londres. Para Além da Pedra de Cal: por uma concepção ampla de patrimônio cultural.</p><p>Memória e Patrimônio – ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: ed. lamparina. 2003.</p><p>12 Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi. Sítio do IPHAN. Disponível em</p><p>http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/54</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>11</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“A noção de patrimônio histórico tradicionalmente se refere à herança composta por um</p><p>complexo de bens históricos. Mas, apesar de ainda pouco conhecido mesmo pelos egressos</p><p>dos cursos de História do Brasil, o fato é que os especialistas vêm continuamente</p><p>substituindo o conceito de patrimônio histórico pela expressão patrimônio cultural”.</p><p>SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. 2. ed., 2 reimpressão. São Paulo:</p><p>Contexto, 2009, p. 324.</p><p>Essa nova noção, mais ampla, abarca não só a herança história, mas também</p><p>a) o patrimônio imaterial.</p><p>b) obras de arte, música e cinema.</p><p>c) cultura marginal, como o pixo e o grafite.</p><p>d) a herança ecológica.</p><p>e) as religiões de matriz-africana e indígena.</p><p>Comentários</p><p>A definição atual de patrimônio cultural se originou no documento elaborado pela</p><p>Convenção sobre Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, realizada em 1972 e</p><p>promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura</p><p>(Unesco). O patrimônio cultural de um povo é formado pelo conjunto dos saberes, fazeres,</p><p>expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade</p><p>desse povo. A Cultura material e cultura imaterial são dois tipos de patrimônio que</p><p>expressam a cultura e características de determinado grupo ou região. A cultura material é</p><p>composta por elementos concretos, como construções e objetos artísticos. Por sua vez, a</p><p>cultura imaterial é relacionada a elementos abstratos, como hábitos e rituais.</p><p>a) Incorreta. Cultura material e cultura imaterial são dois tipos de patrimônio que expressam</p><p>a cultura e características de determinado grupo ou região, portanto, a noção de patrimônio</p><p>imaterial já faz parte da herança histórica, descrita no texto.</p><p>b) Incorreta. A cultura material, um dos tipos de patrimônio cultural, é composta por</p><p>elementos concretos, como construções e objetos artísticos. Portanto, objetos artísticos,</p><p>música e cinema podem ser enquadrados nesta categoria.</p><p>c) Incorreta. O grafite e o pixo, intervenções em muros e paredes de cidades grandes, no</p><p>decorrer dos últimos anos ganharam status de arte e de linguagem visual urbana. Assim,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>12</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>algumas cidades incluíram tais objetos artísticos na categoria de patrimônio cultural material,</p><p>sendo assim, parte constituinte da herança histórica.</p><p>d) Correta! O Patrimônio Cultural constitui-se do próprio Meio Ambiente Cultural. É formado</p><p>pelos bens históricos, artísticos, paisagísticos, ecológicos, turísticos, científicos e sociais que</p><p>caracterizam um povo, um lugar e suas heranças.</p><p>e) Incorreta. A cultura imaterial é relacionada a elementos abstratos, como hábitos e rituais.</p><p>Assim, as manifestações religiosas de povos indígenas e de origem africana são identificadas</p><p>como "patrimônio imaterial”, o que se encaixa na descrição de patrimônio do texto.</p><p>Gabarito: D</p><p>Queridos e queridas, não deixem de fazer toda a lista de questões. Lá vocês econtram vários</p><p>exemplo de patrimônios. Só nãpo sssutem, porque, o ENEM cita os patrimônios em geral para</p><p>que você os classifique como patrimônio material ou imaterial. Não perca tempo tentando decorar</p><p>listas de patrimônios por aí, hein Veja a seguir um exemplo de questão</p><p>(ENEM 2019)</p><p>“O frevo é uma forma de expressão musical, coreográfica e poética, enraizada no Recife e</p><p>em Olinda, no estado de Pernambuco. O frevo é formado pela grande mescla de gêneros</p><p>musicais, danças, capoeira e artesanato. É uma das mais ricas expressões da inventividade e</p><p>capacidade de realização popular na cultura brasileira. Possui a capacidade de promover a</p><p>criatividade humana e também o respeito à diversidade cultural. No ano de 2012, a Unesco</p><p>proclamou o frevo como Patrimônio Imaterial da Humanidade”.</p><p>PORTAL BRASIL. Disponível</p><p>em: www.brasil.gov.br. Acesso em: 10 fev. 2013.</p><p>A característica da manifestação cultural descrita que justifica a sua condição de Patrimônio</p><p>Imaterial da Humanidade é a</p><p>a) conversão dos festejos em produto da elite.</p><p>b) expressão de sentidos construídos coletivamente.</p><p>c) dominação ideológica de um grupo étnico sobre outros.</p><p>d) disseminação turística internacional dos eventos festivos.</p><p>e) identificação de simbologias presentes nos monumentos artísticos.</p><p>Comentários</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>13</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Patrimônio cultural imaterial são todos aqueles bens culturais relacionados a elementos</p><p>abstratos, como hábitos e rituais que expressam o conjunto dos saberes, fazeres, expressões,</p><p>práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e à identidade de um povo.</p><p>Sabendo disso, vejamos o que justifica a qualificação do frevo enquanto patrimônio cultural</p><p>imaterial:</p><p>a) Incorreta. Não é isso que define um patrimônio cultural de modo geral, apesar de a</p><p>simpatia das elites socioeconômicas influenciar bastante nas políticas patrimoniais, uma vez</p><p>que são elas que controlam o Estado na maioria das vezes.</p><p>b) Correta! Sentidos, significados, técnicas, saberes em geral, tudo isso constitui elementos</p><p>abstratos que não são tangíveis, mas podem ser transmitidos entre as pessoas e através das</p><p>gerações. No caso, o frevo é uma manifestação que envolve conhecidos relacionados à</p><p>música, dança e poesia vinculados à cultura, memória e história do povo pernambucano.</p><p>c) Incorreta. Isso não define um patrimônio cultural de modo geral.</p><p>d) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”.</p><p>e) Incorreta. Os monumentos constituem patrimônio cultural matéria, pois são elementos</p><p>concretos, objetos físicos, não abstratos.</p><p>Gabarito: B</p><p>3. O PROCESSO DE TOMBAMENTO</p><p>Agora tenho uma pergunta para você: será que tudo o que é cultura é patrimônio? Não, e</p><p>você já sabe disso, né!. Então, como é definido o que é ou não patrimônio?</p><p>O processo que reconhece e define o que é um patrimônio cultural é conhecido como</p><p>tombamento.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>14</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>E quem faz o tombamento, profe?</p><p>São órgãos públicos especializados,</p><p>composto por diferentes níveis de</p><p>governo que tem a legitimidade</p><p>para realizar o tombamento. Em</p><p>cada nível desses temos um tipo de</p><p>patrimônio.</p><p>Repare como que podemos</p><p>entender a consideração entorno</p><p>dos patrimônios a partir da esfera</p><p>espacial de validação:</p><p>Se no plano internacional, via</p><p>organismos internacionais, forem</p><p>reconhecidos patrimônios, estes são</p><p>considerados Patrimônio da Humanidade.</p><p>Se o Estado brasileiro, por exemplo, via governo federal, reconhecer algum patrimônio</p><p>localizado no Brasil aí teremos Patrimônio Nacional.</p><p>Por sua vez, se for algum organismo do governo do estado da Bahia, por exemplo, aí</p><p>teremos a declaração de um Patrimônio do Estado.</p><p>Quando as instâncias declaram determinado patrimônio como tal, então, é criada a</p><p>responsabilidade de manutenção e preservação deste patrimônio.</p><p>No plano internacional, as culturas, as memórias coletivas e o patrimônio cultural são</p><p>preservadas por meio de organismo internacionais, como a Organização das Nações Unidas para</p><p>a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).</p><p>Já no Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é responsável</p><p>por essa preservação. Por meio dessas entidades, os patrimônios histórico, artístico e cultural são</p><p>imortalizados. Além do Iphan, outros órgãos nos estados e nos municípios ajudam na preservação,</p><p>bem como entidades da sociedade civil.</p><p>Estes organismos são fundamentais para a preservação dos</p><p>Patrimônios Culturais.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>15</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Vamos relembrar, tatue na mente:</p><p>Tombamento: declaração do bem patrimônio nacional, estabelecendo regras que</p><p>impedem a alteração, mutilação e destruição deste bem.</p><p>Como falamos, no Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)13 é</p><p>um órgão do Governo Federal que responde pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro.</p><p>Cabe ao Iphan proteger e promover os bens culturais do país, assegurando sua permanência e</p><p>usufruto para as gerações presentes e futuras.</p><p>O Iphan também responde pela conservação, salvaguarda e monitoramento dos bens</p><p>culturais brasileiros inscritos na Lista do Patrimônio Mundial e na Lista o Patrimônio Cultural</p><p>Imaterial da Humanidade, conforme convenções da UNESCO, respectivamente, a Convenção do</p><p>Patrimônio Mundial de 1972 e a Convenção do Patrimônio Cultural Imaterial de 2003.</p><p>O Centro histórico de Ouro Preto (MG) foi a primeira cidade do Brasil a receber o título de</p><p>patrimônio cultural da humanidade.</p><p>O Patrimônio Cultural Mundial é composto por monumentos, grupos de edifícios ou sítios</p><p>que tenham um excepcional e universal valor histórico, estético, arqueológico, científico,</p><p>etnológico ou antropológico.</p><p>Confira algumas fotos da cidade14:</p><p>13 BRASIL. Iphan. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/872. Acesso em: 20/10/2021.</p><p>14 Unesco. Disponível em: http://whc.unesco.org/en/list/124/gallery/&index=1&maxrows=12. Acesso em:20/10/2021.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>16</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>O tombamento da cidade de Ouro Preto pelo Iphan em 1938 fez parte da ação pioneira</p><p>de preservação coletiva de seis cidades mineiras. Além de Ouro Preto, as cidades de Mariana, São</p><p>João del Rei, Tiradentes, Diamantina e Serro foram tombadas por terem sido palco de importantes</p><p>acontecimentos históricos marcantes para a formação da nação brasileira – como a Conjuração</p><p>Mineira – e também por possuírem monumentos, edifícios e igrejas representativas do estilo</p><p>barroco, considerado emblemático das nossas origens.</p><p>Além de Ouro Preto, o centro histórico de Olinda (PE) também tem o mesmo título de</p><p>reconhecimento pela Unesco.</p><p>Vale lembrar, também, de Brasília que, quando da inauguração em 21 de abril de 1960, foi</p><p>considerada um marco na história do urbanismo. O urbanista Lucio Costa e o arquiteto Oscar</p><p>Niemeyer pretendiam que todos os elementos - desde o desenho dos bairros residenciais e</p><p>administrativos até a simetria das próprias edificações - estivessem em harmonia com o conjunto</p><p>da cidade. Os edifícios oficiais do Estado brasileiro, em particular, foram considerados inovadores.</p><p>Não é à toa que Brasília é considerada um “museu a céu aberto”.</p><p>Vejamos como Brasília foi considerada como Patrimônio, segundo IPHAN:</p><p>O conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília, construído a partir do Plano Piloto, um</p><p>projeto de Lucio Costa, foi inscrito no Livro de Tombo Histórico pelo Iphan em 14 de março</p><p>de 1990. Primeiro conjunto urbano do século XX a ser reconhecida pela Unesco, em 1987,</p><p>como Patrimônio Cultural Mundial. Sua principal característica é a monumentalidade,</p><p>determinada por suas quatro escalas: monumental, residencial, bucólica e gregária e por sua</p><p>arquitetura inovadora.15</p><p>15 http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/31</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>17</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Brasília também foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco,</p><p>em 1987.</p><p>16</p><p>16 Secretaria de Turismo. GDF. Distrito Federal. Disponível em: https://www.turismo.df.gov.br/. Acesso em:</p><p>20/10/2021.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>18</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>17</p><p>Um outro patrimônio reconhecido mais recentemente, em 2017, tem importância de</p><p>grande valor histórico e mundial – é o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. Leia a descrição feita</p><p>pela própria</p><p>UNESCO:</p><p>O Sítio Arqueológico Cais do Valongo é</p><p>localizado no centro do Rio de Janeiro, na antiga</p><p>área portuária do Rio de Janeiro, e abrange toda</p><p>a Praça do Jornal do Comércio. O antigo cais de</p><p>pedra foi construído para o desembarque de</p><p>africanos escravizados atingindo o continente sul-</p><p>americano a partir de 1811. Cerca de 900 mil</p><p>africanos chegaram à América do Sul pelo Cais</p><p>do Valongo. O sítio físico é composto por várias</p><p>camadas arqueológicas, sendo a mais baixa</p><p>composta do calçamento no estilo pé de</p><p>moleque, característico do Cais do Valongo. É o</p><p>traço físico mais importante da chegada de</p><p>escravos africanos no continente americano. O Cais do Valongo é um exemplo de sítio</p><p>histórico sensível, que desperta a memória de eventos traumáticos e dolorosos e que lida</p><p>com a história de violação de direitos humanos. Portanto, o Cais do Valongo materializa</p><p>memórias que remetem a aspectos de dor e sobrevivência na história dos antepassados dos</p><p>afrodescendentes, que hoje totalizam mais da metade da população brasileira e marcam as</p><p>sociedades de outros países do continente americano.18</p><p>Outro patrimônio brasileiro é o Parque Nacional Serra da Capivara, criado em 1979, para preservar</p><p>vestígios arqueológicos da mais remota presença do homem nas Américas. Por sua importância,</p><p>17 Unesco. Disponível em: Unesco. Disponível em:</p><p>http://whc.unesco.org/en/list/124/gallery/&index=1&maxrows=12. Acesso em:20/10/2021.. Acesso em:20/10/2021.</p><p>18 https://whc.unesco.org/en/list/1548/ © Milton Guran . Autor: Milton Guran</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>19</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>a UNESCO o inscreveu na Lista do Patrimônio Mundial em 13 de dezembro de 1991, e também</p><p>na Lista Indicativa brasileira como patrimônio misto.</p><p>Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), foto profê. Alê Lopes.</p><p>Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), fotos profê. Alê Lopes. A pintura da direita é o</p><p>símbolo do parque.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>20</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Profe Alê Lopes e família na Serra da Capivara</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>21</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>(ENEM 2007)</p><p>A pintura rupestre mostrada na figura anterior, que é um patrimônio cultural brasileiro,</p><p>expressa</p><p>a) o conflito entre os povos indígenas e os europeus durante o processo de colonização do</p><p>Brasil.</p><p>b) a organização social e política de um povo indígena e a hierarquia entre seus membros.</p><p>c) aspectos da vida cotidiana de grupos que viveram durante a chamada pré-história do</p><p>Brasil.</p><p>d) os rituais que envolvem sacrifícios de grandes dinossauros atualmente extintos.</p><p>e) a constante guerra entre diferentes grupos paleoíndios da América durante o período</p><p>colonial.</p><p>Comentários</p><p>Em primeiro lugar, lembre-se o que é um patrimônio cultural. Trata-se do conjunto dos</p><p>saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem à história, à memória e</p><p>à identidade desse povo. Atualmente, o conceito de patrimônio cultural inclui o de</p><p>patrimônio histórico, que pode ser dividido em cultura material e cultura imaterial, que</p><p>expressam a cultura e características de determinado grupo ou região. A primeira é composta</p><p>por elementos concretos, como construções e objetos artísticos. A segunda é relacionada a</p><p>elementos abstratos, como hábitos e rituais. Há também o patrimônio ecológico, que abarca</p><p>paisagens naturais e mesmo biomas inteiros. No caso, da pintura rupestre mostrada na figura,</p><p>trata-se de um exemplo de patrimônio cultural material, uma vez que se trata de uma</p><p>expressão artística em um objeto físico, material. Ela está localizada no Parque Nacional Serra</p><p>da Capivara, no Piauí, onde existem 912 sítios arqueológicos cadastrados. Eles abrigam cerca</p><p>de 30 mil pinturas rupestres, algumas delas com mais de 20 mil anos de existência. Por meio</p><p>delas, podemos analisar vários aspectos da vida dos povos pré-históricos. Com isso em</p><p>mente, vejamos o que essa pintura expressa:</p><p>a) Incorreta. A pintura é datada da pré-história, muito anterior à chegada dos europeus à</p><p>América, que só ocorreu no século XV d. C.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>22</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>b) Incorreta. Existem pinturas rupestres que nos permitem analisar esses aspectos. No</p><p>entanto, a presente pintura, como você pode ver, parece retratar um momento de caça de</p><p>grandes animais.</p><p>c) Correta! Até o Holoceno, a maioria dos povos pré-históricos não tinham produção, eles</p><p>precisavam caçar, pescar ou coletar seus alimentos. E mesmo durante o Holoceno muitos</p><p>continuaram vivendo dessa forma, enquanto tantos outros desenvolveram a agricultura e se</p><p>fixaram em algumas regiões. Nas sociedades de caçadores, portanto, a caça, além de ser</p><p>algo cotidiano, tinha um grande valor social.</p><p>d) Incorreta. Os dinossauros foram extintos antes dos humanos surgirem, logo nunca</p><p>conviveram uns com os outros.</p><p>e) Incorreta. Note que na pintura as pessoas não estão se enfrentando. A situação retratada</p><p>se assemelha mais a uma emboscada a um grupo de animais grandes.</p><p>Gabarito: C</p><p>O Patrimônio mais recente foi o Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, em 2021. Olha o que a</p><p>UNESCO nos conta:</p><p>Situado a oeste do Rio de Janeiro, o local incorpora um projeto de sucesso desenvolvido ao</p><p>longo de mais de 40 anos pelo arquiteto, paisagista e artista Roberto Burle Marx (1909-</p><p>1994) para criar uma “obra de arte viva” e um “laboratório paisagístico”, usando plantas</p><p>nativas e com base em ideias modernistas. Iniciado em 1949, o Sítio apresenta as</p><p>características principais que definiram os jardins paisagísticos de Burle Marx e influenciaram</p><p>o desenvolvimento de jardins modernos internacionalmente.</p><p>O jardim é caracterizado por formas sinuosas, plantio em massa exuberante, arranjos</p><p>arquitetônicos de plantas, contrastes dramáticos de cores, uso de plantas tropicais e a</p><p>incorporação de elementos da cultura popular tradicional. No final da década de 1960, o</p><p>local abrigava a coleção mais representativa de plantas brasileiras, ao lado de outras</p><p>espécies tropicais raras. No local, 3.500 espécies cultivadas da flora tropical e subtropical</p><p>crescem em harmonia com a vegetação nativa da região, notadamente manguezais, restinga</p><p>(um tipo distinto de floresta tropical úmida costeira e subtropical) e a Mata Atlântica. O Sítio</p><p>Roberto Burle Marx apresenta uma concepção ecológica da forma como um processo,</p><p>incluindo a colaboração social que é a base da preservação ambiental e cultural. É o primeiro</p><p>jardim tropical moderno a ser inscrito na Lista do Patrimônio Mundial. 19</p><p>19 https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/world-heritage-brazil</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>23</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>O Brasil possui mais de 26 mil sítios arqueológicos cadastrados e reconhece a importância</p><p>desses bens como representantes dos grupos humanos responsáveis pela formação da</p><p>identidade cultural da sociedade brasileira. A proteção dos bens de natureza arqueológica</p><p>está presente, desde a criação do Iphan. são considerados sítios arqueológicos os locais</p><p>onde se encontram vestígios positivos de ocupação humana, os sítios identificados como</p><p>cemitérios, sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento, "estações" e</p><p>"cerâmicos”, as grutas, lapas e abrigos sob rocha. além das inscrições rupestres ou locais</p><p>com sulcos de polimento, os sambaquis e outros vestígios de atividade humana. São</p><p>passíveis de processo judicial por danos ao patrimônio da União e omissão, por exemplo, os</p><p>proprietários de terras que encontrarem qualquer achado arqueológico e não comunicarem</p><p>ao Iphan no prazo de 60 dias.</p><p>Fique atento, pois é possível cobranças em questões de</p><p>prova que explorem a relação entre</p><p>interesses econômicos e a preservação dos sítios arqueológicos. Dá uma conferida no trecho</p><p>da matéria de jornal:</p><p>Justiça autoriza fábrica de cerveja em sítio arqueológico.</p><p>A Justiça mineira autorizou, por meio de liminar, a retomada das obras de uma fábrica de</p><p>cerveja da Heineken em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte. O local é</p><p>repleto de escavações arqueológicas. É lá que foi encontrada a Luzia, fóssil humano mais</p><p>antigo já descoberto nas Américas (NEXO Jornal20).</p><p>Além de considerarmos a relação entre interesses econômicos e patrimônios culturais da</p><p>humanidade, também é possível explorarmos outras temáticas da atualidade, como o impacto das</p><p>questões ambientais.</p><p>Veja outro trecho de reportagem:</p><p>20 NEXO Jornal. 8/10/2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/extra/2021/10/08/Justi%C3%A7a-</p><p>autoriza-f%C3%A1brica-de-cerveja-em-s%C3%ADtio-arqueol%C3%B3gicoAcesso em: 25/10/2021.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>24</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Como a crise climática ameaça patrimônios da humanidade21</p><p>Site reúne modelos 3D, gráficos e imagens que mostram os efeitos do aquecimento global</p><p>em sítios reconhecidos pela Unesco.</p><p>A erosão está apagando o sítio arqueológico de Chan Chan, no Peru, sede do antigo Reino</p><p>de Chimu, que ocupou a região costeira do atual país latino-americano a partir do século 10.</p><p>A cidade é considerada patrimônio da humanidade, e tem sofrido com a elevação do nível</p><p>do mar e os efeitos de fenômenos climáticos extremos, como chuvas e secas mais intensas.</p><p>Chan Chan é um dos cinco locais declarados patrimônio mundial pela Unesco que estão em</p><p>risco e podem ser descobertos por meio do site Heritage on the edge (patrimônio no limite,</p><p>em tradução livre).</p><p>A plataforma conta a história desses lugares, destacando sua importância cultural e histórica,</p><p>chama atenção para o que pode ser perdido com a mudança climática, e explica quais</p><p>fenômenos climáticos colocam suas paisagens em risco. Destaca, ainda, quais medidas estão</p><p>sendo tomadas para conter a destruição.</p><p>21 NEXO Jornal. 07/02/2020. Disponível em: 25/10/2021.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>25</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>22</p><p>Para ajudar nesta discussão, aproveita a aula especial que fiz sobre o movimento de derrubada de estatuas</p><p>de personalidades ligadas aos processos de escravagismo e de colonização. Esse movimento ocorreu como</p><p>parte dos protestos antirracistas após a morte do norte-americano George Floyd.</p><p>Memória e Patrimônio na luta contra o racismo https://www.youtube.com/watch?v=Q5-</p><p>7Z6-XOvU</p><p>22 NEXO Jornal. Onde estão os sítios de patrimônios da humanidade da Unesco. 22/03/2019. Disponível em:</p><p>https://www.nexojornal.com.br/grafico/2019/03/22/Onde-est%C3%A3o-os-s%C3%ADtios-de-patrim%C3%B4nios-</p><p>da-humanidade-da-Unesco. Acesso em: 25/10/2021.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>26</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Não sei se você percebeu nos trechos da UNESCO, que colocamos acima, mas essa</p><p>Instituição Internacional utiliza o conceito de “sítio” para denominar áreas, regiões, locais, cidades,</p><p>bairros, monumentos e construções quanto tradições, festas e manifestações culturais</p><p>consideradas pela comunidade científica como sendo de grande importância para a humanidade</p><p>devido a seu valor histórico, arqueológico, natural ou cultural, entre outros. Existem ainda</p><p>patrimônios mistos, que reúnem elementos de patrimônios naturais e culturais, como o santuário</p><p>de Machu Picchu, no Peru23.</p><p>E qual é a vantagem, Alê, de ter patrimônios incluídos na lista da UNESCO a ponto de eles virarem</p><p>patrimônios da humanidade?</p><p>Uma vez incluído na lista, a UNESCO passa a ter, juntamente com governos nacionais,</p><p>responsabilidade pela conservação deste patrimônio.</p><p>A título de curiosidade, saiba que a Itália é o país com maior quantidade de patrimônios.</p><p>Veja agora os gráficos produzidos pela equipe do jornal NEXO a respeito da situação mundial dos</p><p>patrimônios da humanidade24:</p><p>23 NEXO Jornal. Onde estão os sítios de patrimônios da humanidade da Unesco. 22/03/2019. Disponível em:</p><p>https://www.nexojornal.com.br/grafico/2019/03/22/Onde-est%C3%A3o-os-s%C3%ADtios-de-patrim%C3%B4nios-</p><p>da-humanidade-da-Unesco. Acesso em: 25/10/2021.</p><p>24 Idem, ibidem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>27</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>A importância da preservação do patrimônio cultural também pode ser percebida na</p><p>medida em que sua preservação está alinhada “ao entendimento de elementos como território,</p><p>convívio e cidade como possibilidades de constante aprendizado e formação, associando valores</p><p>como cidadania, participação social e melhoria de qualidade de vida”25.</p><p>Se liga no “aprenda se divertindo”:</p><p>25 BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Educação Patrimonial: Inventários</p><p>Participativos. 2016, p. 5.</p><p>Em agosto de 1944, no contexto da</p><p>Segunda Guerra Mundial, o general</p><p>alemão Dietrich von Choltitz está</p><p>em Paris sob ordens do Terceiro</p><p>Reich com a missão de comandar a</p><p>explosão da capital francesa</p><p>(incluindo pontes, prédios históricos</p><p>e monumentos culturais). Até que,</p><p>no meio da noite, recebe a visita</p><p>inesperada do cônsul geral da</p><p>Suécia, que vai tentar convencê-lo a</p><p>livrar a cidade do destino trágico</p><p>planejado pelos alemães.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>28</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“Quando eu era ainda menino</p><p>O meu pai me disse um dia</p><p>A balança da justiça</p><p>Nunca pesa o que devia</p><p>Não me curvo a lei dos homens</p><p>A razão é quem me guia</p><p>Nem que seu avô mandasse</p><p>Eu não obedeceria</p><p>Esse mundo não tem dono</p><p>E quem me ensinou sabia</p><p>Se tivesse dono o mundo</p><p>Nele o dono moraria</p><p>Como é mundo sem dono</p><p>Não aceito hierarquia</p><p>Eu não mando nesse mundo</p><p>Nem no meu vai ter chefia”.</p><p>Toque de São Bento Grande de Angola, Paulo César Pinheiro.</p><p>Como uma manifestação cultural afro-brasileira surgida no período colonial, a capoeira</p><p>a) tornou-se apenas uma expressão de arte após o fim da escravidão.</p><p>b) foi transformada em esporte nacional brasileiro pela Constituição de 1988.</p><p>c) nunca fez parte de movimentos ou disputas políticos.</p><p>d) foi responsável pela consolidação de uma identidade brasileira na independência.</p><p>e) proporciona a transmissão de memórias e a manutenção de identidades.</p><p>Comentários</p><p>A capoeira ou capoeiragem é uma expressão cultural afro-brasileira que mistura arte marcial,</p><p>esporte, cultura popular, dança e música, foi criada no século XVII pelo povo escravizado da</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>29</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>etnia banto e se difundiu por todo o Brasil. Hoje é considerada um dos maiores símbolos da</p><p>cultura brasileira. Os escravizados usavam a capoeira como uma forma de se proteger da</p><p>violência e punição dos colonizadores brasileiros. Eles eram frequentemente alvos de</p><p>agressões e atrocidades dos senhores de engenho. Um importante atributo da capoeira para</p><p>as outras artes marciais consiste na sua musicalidade, conforme vemos no trecho acima. Além</p><p>de aprender a lutar e jogar, os participantes tocam instrumentos de origem afro-brasileira</p><p>como o atabaque, berimbau e o agogô, cantando as músicas típicas. Para ser um capoeirista</p><p>completo, o praticante deve lutar de acordo com a musicalidade da luta. Em 2014, a Roda</p><p>de Capoeira foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.</p><p>a) Incorreto. Até o ano de 1930 a capoeira era impedida de ser realizada no Brasil. A prática</p><p>era vista como uma luta violenta. Por conta disso, a polícia era orientada a perseguir e</p><p>prender os praticantes.</p><p>Essa opressão é um resquício do medo que senhores de escravos</p><p>tinham de possíveis rebeliões violentas.</p><p>b) Incorreto. Em 1930, o mestre Bimba, importante capoeirista brasileiro, expôs a luta para</p><p>o presidente Getúlio Vargas. O nacionalismo de Vargas viu na capoeira uma forma de luta</p><p>genuinamente brasileira, transformando-a em um promissor esporte nacional brasileiro.</p><p>c) Incorreto. O surgimento se dá como meio de enfrentamento e resistência aos abusos e</p><p>perseguições que escravos africanos e seus descendentes sofreram em território brasileiro.</p><p>Rebelar-se contra senhores, capatazes, oficiais e contra a escravidão de modo geral,</p><p>significava contrariar a lei, a cultura e a política vigente, uma vez que a escravatura estava</p><p>amparada nas leis do império. Assim, a capoeira, desde sua origem, foi vista como perigosa</p><p>e subversiva.</p><p>d) Incorreto. Desde seus primórdios, a prática da capoeira foi perseguida e repreendida. A</p><p>independência não a usou como símbolo nacional. Inclusive, seus praticantes foram</p><p>obrigados a disfarçar a luta, introduzindo lhe mímicas, danças e músicas, para resistir à</p><p>repressão da Polícia Imperial e, posteriormente, à Milícia Republicana. A capoeira foi uma</p><p>prática proibida no Brasil até 1930, quando passou a ser reconhecida como um símbolo da</p><p>identidade brasileira.</p><p>e) Correto! A prática da capoeira constrói relações de sociabilidade e familiaridade entre</p><p>mestres e discípulos. Além disso, a adoção da oralidade, através das canções e do contar de</p><p>histórias, somada à memória gestual dos movimentos corporais, são meios de preservação</p><p>da memória ancestral entre muitos grupos africanos, importantes fatores de resistência, que</p><p>resultaram na formação da cultura e da identidade cultural afro-brasileira.</p><p>Gabarito: E</p><p>(Estratégia Vestibulares/9º Simulado ENEM/ 2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Brasil acaba de receber mais um título de Patrimônio Mundial. Legado do paisagista brasileiro</p><p>que criou o conceito de jardim tropical moderno, o Sítio Roberto Burle Marx (SRBM) foi</p><p>reconhecido por unanimidade nesta terça-feira, 27 de julho, durante a 44ª Sessão do Comitê</p><p>do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>30</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Cultura (Unesco). O SRBM foi reconhecido na categoria de Paisagem Cultural, na qual se</p><p>enquadram bens que referenciam a interação entre o ambiente natural e as atividades</p><p>humanas, resultando em uma paisagem natural modificada.</p><p>Do reconhecimento do Sítio como Patrimônio mundial decorre</p><p>a) a ampliação dos potenciais turísticos, mas não científicos.</p><p>b) o aumento dos compromissos com a proteção, conservação e gestão do SRBM.</p><p>c)o reconhecimento da importância da Burle Marx na luta pela preservação ambiental.</p><p>d)a preservação da memória da arquitetura moderna, movimento do qual Burle Marx foi</p><p>expoente.</p><p>e)a necessidade de tombamento pelo IPHAN, para acompanhar o ato inédito da UNESCO.</p><p>Comentários</p><p>Bem, porque as sociedades atuais tomam patrimônios? Essa é a essência da pergunta. O</p><p>enunciado trouxe um caso de reconhecimento do Sítio Roberto Burle Marx (SRBM) como</p><p>patrimônio histórico na categoria paisagem cultural. Veja, independentemente do</p><p>patrimônio, o processo de reconhecimento e tombamento tem objetivos comuns e o</p><p>principal é preservação.</p><p>Tendo isso em mente, vamos analisar cada alternativa.</p><p>a)Errado. No caso do Sítio Roberto Burle Marx (SRBM) há iniciativa científica sim, no campo</p><p>da fauna e flora.</p><p>b)Gabarito. É a noção geral sobre as consequências do reconhecimento de um patrimônio:</p><p>gera-se responsabilidade para execução do objetivo da preservação.</p><p>c)Errado. O reconhecimento se deu sobre o sítio e não sobre a pessoa de Burle Marx. Ele foi</p><p>um grande paisagista que integrou um dos principais movimentos artístico cultural do século</p><p>XX – o modernismo.</p><p>Burle Marx foi pioneiro na luta pela conservação da natureza e ferrenho defensor do</p><p>ambiente. Compreendendo desde cedo o potencial estético e a importância científica da</p><p>flora tropical, introduziu o uso de espécies nativas em seus projetos paisagísticos, criando o</p><p>conceito de jardim tropical moderno, alinhado ao movimento moderno na arquitetura e nas</p><p>artes, que produziu grande impacto no campo mundial do paisagismo. – IPHAN.</p><p>d)Errado. Indiretamente é verdadeiro que o tombamento preserva a memória, mas no caso</p><p>trazido tem a ver com um patrimônio natural e não arquitetônico.</p><p>e)Errado. O Sítio já é um patrimônio brasileiro reconhecido pelo IPHAN.</p><p>Gabarito: A</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>31</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>4. A PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO CULTURAL NA CONSTITUIÇÃO</p><p>Quando falamos de patrimônio e da obrigação de preservação que é gerada com o</p><p>tombamento, devemos lembrar da Constituição Federal de 1988, que arrola a proteção ao</p><p>patrimônio como parte dos direitos culturais.</p><p>Vejamos os artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988:</p><p>Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso</p><p>às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das</p><p>manifestações culturais.</p><p>§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-</p><p>brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.</p><p>§ 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os</p><p>diferentes segmentos étnicos nacionais.</p><p>§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao</p><p>desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que</p><p>conduzem à:</p><p>I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;</p><p>II produção, promoção e difusão de bens culturais;</p><p>III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas</p><p>dimensões;</p><p>IV democratização do acesso aos bens de cultura;</p><p>V valorização da diversidade étnica e regional.</p><p>Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e</p><p>imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à</p><p>identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade</p><p>brasileira, nos quais se incluem:</p><p>I - as formas de expressão;</p><p>II - os modos de criar, fazer e viver;</p><p>III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;</p><p>IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às</p><p>manifestações artístico-culturais;</p><p>V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,</p><p>arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.</p><p>§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o</p><p>patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,</p><p>tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.</p><p>§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação</p><p>governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela</p><p>necessitem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>32</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>§ 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e</p><p>valores culturais.</p><p>§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.</p><p>§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências</p><p>históricas dos antigos quilombos.</p><p>→ Repare que o texto constitucional sugere o conceito mais largo de patrimônio,</p><p>incluindo-se bens de natureza material e imaterial.</p><p>Além disso, os artigos expressam uma preocupação em responsabilizar o poder público,</p><p>com a colaboração da comunidade, na promoção e na proteção do patrimônio cultural brasileiro,</p><p>compreendidos como “bens de natureza material e imaterial (...)”.</p><p>5. MEMÓRIA E MONUMENTOS</p><p>Há um tema que</p><p>tem sido muito repertoriado nos últimos anos: o papel das estátuas</p><p>monumentais. Isso se vincula à discussão sobre as memórias e os significados das estátuas</p><p>monumentais.</p><p>Estátua de Cristóvão Colombo é derrubada em protestos em Saint Paul, Minnesota, Estados</p><p>Unidos. Policiais armados isolam a estátua.</p><p>A partir do registro fotográfico da derrubada da estátua de Cristóvão Colombo em Saint</p><p>Paul, Minnesota, Estados Unidos, em junho de 2020, e de seus conhecimentos sobre as</p><p>relações entre presente e passado, assinale a alternativa correta.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>33</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>a) O progresso histórico demonstra que as estátuas do passado perdem os seus significados</p><p>no presente, justificando sua derrubada dos espaços públicos.</p><p>b) As estátuas e os monumentos medeiam formas de lembrar o passado e de compreender</p><p>o presente, e seus significados são sempre suscetíveis a disputas políticas e sociais.</p><p>c) As estátuas e os monumentos testemunham modos de viver e conceber o mundo no</p><p>passado, portanto são alheios à ideologia e às disputas políticas.</p><p>d) As estátuas e os monumentos do passado são veículos neutros em termos ideológicos e</p><p>políticos, por isso devem ser preservados e protegidos de vandalismo.</p><p>Comentários:</p><p>Essa questão é muito interessante, traz contextualização e muita atualidade. O tema é</p><p>memória e história.</p><p>A questão da derrubada das estátuas ocorreu no contexto das lutas contra o racismo e os</p><p>racistas, após a morte do cidadão negro americano, George Floyd. Veja que a fonte da</p><p>imagem traz uma palavra-chave : “revisionismo”.</p><p>Nesse caso, o revisionismo marca uma disputa sobre os significados que as estátuas</p><p>expressam. Colombo foi um descobridor ou um colonizador assassino? Na prática, a</p><p>derrubada das estátuas nos colocam diante de processos de “batalhas pela memória”. Ou</p><p>seja, são formas de entender o passado à luz dos valores e experiências atuais. Nesse sentido,</p><p>o gabarito é letra B.</p><p>Vejamos as impropriedades das demais alternativas:</p><p>Errado, porque, na verdade, não há perda de significados, mas outros tatos que podem</p><p>surgir, enquanto outros que já existiam permanecem lá.</p><p>Gabarito.</p><p>Errado. A memória é elemento social, mas é, também, político. O que lembrar, de quem</p><p>lembrar e como lembrar é uma decisão política, seja idealizada e realizada pelo poder público</p><p>ou pela sociedade civil.</p><p>Todos os elementos de memória não são neutros. Segundo especialistas, o processo de</p><p>lembrar também diz respeito ao de esquecer. E isso está em constante movimento porque</p><p>as ressignificações são constantes.</p><p>Gabarito: B</p><p>Nessa discussão sobre preservação da memória, os “monumentos” ganham importância</p><p>porque sintetizam a produção simbólica e os interesses de um grupo de modo a atuar sobre a</p><p>memória coletiva e a formação do imaginário social.</p><p>O monumento, segundo Marcia Sant’Anna, trabalha e mobiliza a memória coletiva por meio</p><p>da emoção e da afetividade, fazendo vibrar um passado selecionado, com vistas a “preservar a</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>34</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>identidade de uma comunidade étnica, religiosa, nacional, tribal ou familiar26. Assim, foi a partir</p><p>da ideia de monumento histórico surgida no mundo ocidental é que emergiu a ideia de datação</p><p>e preservação histórica.</p><p>Os monumentos históricos, os saberes e as práticas que os rodeiam institucionalizaram-se e, com</p><p>a criação dos primeiros instrumentos de preservação – museus e inventários -, surgiu e consolidou-</p><p>se a ideia de patrimônio nacional27.</p><p>Queridas e queridos, chegamos ao final da nossa última aula e, portanto, no nosso Curso</p><p>de História. Alguém aí contou quantas páginas você leu? Foram muitas, não é mesmo! Mas, tenho</p><p>certeza de que, se você chegou até aqui está muito preparado para encarar a Prova do ENEM.</p><p>Nessa longa trajetória, certamente, você se tornou um gigante e é isso o que mais importa</p><p>porque nada e nem ninguém tira de você todo conhecimento que adquiriu até aqui.</p><p>Parabéns, estou orgulhosa do você!!!</p><p>Para fechar com chave de ouro, faça todos os exercícios e, se precisar, sabe que pode me</p><p>encontrar no Fórum de Dúvidas!</p><p>No mais, vai lá naquela prova e arrasa!!</p><p>Um abraço apertado, um suspiro dobrado de amor sem fim.</p><p>Alê <3</p><p>QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS</p><p>1. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Desde 15 de agosto, quando o grupo fundamentalista islâmico sacramentou sua volta ao</p><p>poder com a tomada da capital Cabul, é crescente também a preocupação com o patrimônio</p><p>cultural do país. O maior receio é a repetição de cenas vistas entre 1996 e 2001, quando o</p><p>Taleban controlou pela primeira vez o Afeganistão, resultou na proibição de expressões</p><p>artísticas, destruição de artefatos arqueológicos e na simbólica implosão de duas estátuas</p><p>gigantes de budas esculpidas na encosta de uma montanha no século VI. O risco de mais</p><p>uma era de destruição, no entanto, já começou a virar realidade quando se leva em conta a</p><p>preservação do patrimônio imaterial do país. Contrário à música e ao canto fora do contexto</p><p>religioso, o Taleban proibiu na sua primeira passagem pelo poder que as pessoas tocassem</p><p>instrumentos musicais, cantassem ou dançassem — até mesmo em casa.</p><p>26 SANT’ANNA, Marcia. A face imaterial do patrimônio cultural: os novos instrumentos de reconhecimento e</p><p>valorização. In: In: Memória e Patrimônio – ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: ed. lamparina. 2003.</p><p>27 Idem, ibidem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>35</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>(NEXO Jornal. Acesso em: 26/08/2021)</p><p>São exemplos de patrimônio imaterial negados pelo Talibã, segundo o texto</p><p>a)Aqueles desenvolvidos pelas Universidades Laicas ao longo da história e praticados pelo</p><p>povo islâmico e não islâmico.</p><p>b)Prédios públicos, fortalezas, rotas de comércio utilizados historicamente porque acreditam</p><p>que não é útil para a economia Afegã.</p><p>c)Os direitos das mulheres e crianças devido à interpretação ampla da lei islâmica.</p><p>d) Suas práticas culturais, tradições folclóricas, cultos religiosos, música, dança e recitais de</p><p>poesia não islâmica, devido à interpretação radical da lei islâmica.</p><p>e)A gastronomia afegã que usa ingredientes não locais devido à interpretação radical da lei</p><p>islâmica.</p><p>2. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Retirada da estátua de Vladimir Lênin, Lituânia, agosto de 1991.</p><p>Com base em seus conhecimentos sobre monumento histórico, o evento retratado na foto</p><p>reflete</p><p>a) mudanças na forma como aquela sociedade escolhe recordar e celebrar o passado.</p><p>b) a violência e o vandalismo dos movimentos sociais e manifestações públicas.</p><p>c) a intolerância do governo em relação à diversidade de orientação política.</p><p>d) a intensificação da xenofobia contra russos no Leste europeu.</p><p>e) substituição de materiais que causam danos ao meio ambiente em espaços públicos.</p><p>3. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>36</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Carlos Latuff, 2018.</p><p>A charge acima pode ser interpretada como uma crítica</p><p>a) ao elitismo cultural sustentado pelos museus brasileiros.</p><p>b) à memória eurocêntrica preservada pelas instituições culturais do país.</p><p>c) ao descaso dos governos brasileiros em relação ao patrimônio cultural.</p><p>d) à perpetuação de valores escravistas na política patrimonial brasileira.</p><p>e) à falta de acesso do povo brasileiro à sua história.</p><p>4. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Pedra Roseta, 196 a. C., Museu Britânico, Londres, Inglaterra.</p><p>A retenção de artefatos e patrimônios históricos de um país por outro pode ser interpretado</p><p>como</p><p>a) auxílio humanitário.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>37</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>b) superioridade intelectual.</p><p>c) aliança diplomática.</p><p>d) provocação de guerra.</p><p>e) perpetuação da violência colonial.</p><p>5. (ENEM 2014)</p><p>Queijo de Minas vira patrimônio cultural brasileiro</p><p>“O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais foi registrado nesta quinta-feira</p><p>(15) como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do</p><p>Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em reunião do</p><p>conselho realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte. O presidente do Iphan</p><p>e do conselho ressaltou que a técnica de fabricação artesanal do queijo está ‘inserida na</p><p>cultura do que é ser mineiro’”.</p><p>Folha de S. Paulo, 15 maio 2008.</p><p>Entre os bens que compõem o patrimônio nacional, o que pertence à mesma categoria</p><p>citada no texto está representado em:</p><p>a)</p><p>b)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>38</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>6. (ENEM 2019)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>39</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>Produzida no Chile, no final da década de 1970, a imagem expressa um conflito entre culturas</p><p>e sua presença em museus decorrente da</p><p>a) valorização do mercado das obras de arte.</p><p>b) definição dos critérios de criação de acervos.</p><p>c) ampliação da rede de instituições de memória.</p><p>d) burocratização do acesso dos espaços expositivos.</p><p>e) fragmentação dos territórios das comunidades representadas.</p><p>7. (ENEM 2009)</p><p>“O que se entende por Corte do antigo regime é, em primeiro lugar, a casa de habitação</p><p>dos reis de França, de suas famílias, de todas as pessoas que, de perto ou de longe, dela</p><p>fazem parte. As despesas da Corte, da imensa casa dos reis, são consignadas no registro das</p><p>despesas do reino da França sob a rubrica significativa de Casas Reais”.</p><p>ELIAS, N. A sociedade de corte. Lisboa: Estampa, 1987.</p><p>Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande efetividade política e terminaram por</p><p>se transformar em patrimônio artístico e cultural, cujo exemplo é</p><p>a) o palácio de Versalhes.</p><p>b) o Museu Britânico.</p><p>c) a catedral de Colônia.</p><p>d) a Casa Branca.</p><p>e) a pirâmide do faraó Quéops.</p><p>8. (ENEM 2016)</p><p>TEXTO I</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>40</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>TEXTO II</p><p>A eleição dos novos bens, ou melhor, de novas formas de se conceber a condição do</p><p>patrimônio cultural nacional, também permite que diferentes grupos sociais, utilizando as</p><p>leis do Estado e o apoio de especialistas, revejam as imagens e alegorias do seu passado,</p><p>do que querem guardar e definir como próprio e identitário.</p><p>ABREU, M.; SOIHET, R.; GONTIJO, R.(Org.). Cultura política e leituras do passado:</p><p>historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.</p><p>O texto chama a atenção para a importância da proteção de bens que, como aquele</p><p>apresentado na imagem, se identificam como:</p><p>a) Artefatos sagrados.</p><p>b) Heranças materiais.</p><p>c) Objetos arqueológicos.</p><p>d) Peças comercializáveis.</p><p>e) Conhecimentos tradicionais.</p><p>9. (ENEM 2013)</p><p>“No dia 1º de julho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se a primeira do mundo a</p><p>receber título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. A candidatura,</p><p>apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi aprovada</p><p>durante a 36ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial. O presidente do Iphan explicou que</p><p>‘a paisagem carioca é a imagem mais explícita do que podemos chamar de civilização</p><p>brasileira, com sua originalidade, desafios, contradições e possibilidades’. A partir de agora,</p><p>os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas</p><p>visando a preservação da sua paisagem cultural”.</p><p>Disponível em: www.cultura.gov.br. Acesso em: 7 mar. 2013 (adaptado).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>41</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>O reconhecimento da paisagem em questão como patrimônio mundial deriva da</p><p>a) presença do corpo artístico local.</p><p>b) imagem internacional da metrópole.</p><p>c) herança de prédios da ex-capital do país.</p><p>d) diversidade de culturas presentes na cidade.</p><p>e) relação sociedade-natureza de caráter singular.</p><p>10. (ENEM 2017)</p><p>“O que o projeto governamental tem em vista é poupar à Nação o prejuízo irreparável do</p><p>perecimento e da evasão do que há de mais precioso no seu patrimônio. Grande parte das</p><p>obras de arte até mais valiosas e dos bens de maior interesse histórico, de que a coletividade</p><p>brasileira era depositária, têm desaparecido ou se arruinado irremediavelmente. As obras de</p><p>arte típicas e as relíquias da história de cada país não constituem o seu patrimônio privado,</p><p>e sim um patrimônio comum de todos os povos”.</p><p>ANDRADE, R. M. F. Defesa do patrimônio artístico e histórico. O Jornal, 30 out. 1936. In:</p><p>ALVES FILHO, I. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad, 1999 (adaptado).</p><p>A criação no Brasil do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), em 1937,</p><p>foi orientada por ideias como as descritas no texto, que visavam</p><p>a) submeter a memória e o patrimônio nacional ao controle dos órgãos públicos, de acordo</p><p>com a tendência autoritária do Estado Novo.</p><p>b) transferir para a iniciativa privada a responsabilidade de preservação do patrimônio</p><p>nacional, por meio de leis de incentivo fiscal.</p><p>c) definir os fatos e personagens históricos a serem cultuados pela sociedade brasileira, de</p><p>acordo com o interesse público.</p><p>d) resguardar da destruição as obras representativas da cultura nacional, por meio de</p><p>políticas públicas preservacionistas.</p><p>e) determinar as responsabilidades pela destruição do patrimônio nacional, de acordo com</p><p>a legislação brasileira.</p><p>11. (ENEM 2017)</p><p>As ruínas do povoado de Canudos, no sertão norte da Bahia, além de significativas para a</p><p>identidade cultural, dessa região, são úteis às investigações sobre a Guerra de Canudos e o</p><p>modo de vida dos antigos revoltosos.</p><p>Essas ruínas foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Iphan (Instituto do</p><p>Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) porque reúnem um conjunto de</p><p>a) objetos arqueológicos e paisagísticos.</p><p>b) acervos museológicos e bibliográficos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>42</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>c) núcleos urbanos e etnográficos</p><p>d) práticas e representações de uma sociedade.</p><p>e) expressões e técnicas de uma sociedade extinta.</p><p>12. (ENEM 2007)</p><p>“Não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas</p><p>tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos e</p><p>manifestações transmitidas oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao</p><p>longo do tempo. A essa porção intangível da herança cultural dos povos dá-se o nome de</p><p>patrimônio cultural imaterial”.</p><p>Internet: <www.unesco.org.br>.</p><p>Qual das figuras a seguir retrata patrimônio imaterial da cultura de um povo?</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 22 – História - ENEM 2021</p><p>43</p><p>89</p><p>AULA 22: História ENEM 2021</p><p>13. (ENEM 2006)</p><p>No início do século XIX, o naturalista alemão Carl Von Martius esteve no Brasil em missão</p><p>científica para fazer observações sobre a flora e a fauna nativas e sobre a sociedade indígena.</p><p>Referindo-se ao indígena, ele afirmou:</p><p>"Permanecendo em grau inferior da humanidade, moralmente, ainda na infância, a civilização</p><p>não o altera, nenhum exemplo o excita e nada o impulsiona para um nobre desenvolvimento</p><p>progressivo (...). Esse estranho e inexplicável estado do indígena americano, até o presente,</p><p>tem feito fracassarem todas as tentativas</p>

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