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## Resumo sobre Amálgama Dental: Presente e FuturoO amálgama dental é um material restaurador utilizado na odontologia há mais de 160 anos, com relatos históricos que remontam ao ano 659 d.C., na China. Sua trajetória é marcada por avanços técnicos, controvérsias e adaptações que refletem a busca por um material durável, resistente e funcional para restaurações dentárias, especialmente em dentes posteriores. A monografia de Viviane Maria Francio do Valle apresenta uma análise detalhada sobre a evolução histórica do amálgama, suas ligas, preparo cavitário, toxicidade do mercúrio e a comparação com materiais alternativos, destacando a importância do amálgama no contexto atual e suas perspectivas futuras.### Histórico e Evolução do Amálgama DentalA história do amálgama é complexa e cheia de controvérsias. O uso inicial de uma pasta de prata misturada com mercúrio foi documentado na China, no manuscrito da Dinastia Tang, com uma fórmula que combinava mercúrio, prata e estanho. No século XVI, na Alemanha, Iohannes Stocker desenvolveu uma liga com cobre e foi o primeiro a nomear o material como amálgama. Durante os séculos XVII e XVIII, materiais metálicos variados foram usados, mas com problemas de toxicidade e desconforto para os pacientes.No século XIX, os irmãos Crawcour popularizaram o uso do amálgama na Europa e nos Estados Unidos, mas sua técnica inadequada e falta de preparo cavitário correto geraram falhas e má reputação ao material, culminando na chamada "primeira guerra do amálgama", quando a Sociedade Americana de Cirurgiões Dentistas chegou a proibir seu uso. A virada ocorreu com as pesquisas de Greene Vardiman Black, que estabeleceu regras para o preparo cavitário e desenvolveu ligas balanceadas, melhorando significativamente as propriedades do amálgama.No século XX, avanços importantes foram feitos, como a criação da primeira liga de fase dispersa, o Dispersalloy, por David Innes e Bill Youdelis, que aumentou a resistência e reduziu a corrosão do material. Posteriormente, Asgar desenvolveu a liga de composição única (Tytin), que apresentou desempenho semelhante ao Dispersalloy. Esses avanços consolidaram o amálgama como um material confiável e duradouro, apesar das controvérsias relacionadas ao mercúrio.### Composição, Propriedades e Controvérsias do AmálgamaAs ligas para amálgama são classificadas principalmente pelo teor de cobre e pela presença da fase gama 2, que é a fase menos resistente e mais suscetível à corrosão. As ligas convencionais possuem baixo teor de cobre (4 a 6%) e apresentam a fase gama 2, que se dissolve com o tempo, causando fragilização e perda da integridade da restauração. Já as ligas enriquecidas com cobre (9 a 30%) praticamente eliminam essa fase, formando compostos mais resistentes, como o Cu6Sn5, que conferem maior durabilidade e resistência à corrosão.A prata, principal componente das ligas, contribui para a resistência e estabilidade do amálgama, enquanto o zinco, mesmo em pequenas quantidades, pode causar a chamada "expansão tardia" em presença de umidade, embora também melhore a plasticidade e o endurecimento do material. O mercúrio é fundamental para a plasticidade e condensação do amálgama, mas é também o elemento que gera maior controvérsia devido à sua toxicidade potencial. Apesar das preocupações, estudos recentes indicam que não há diferenças significativas na saúde de pacientes com ou sem restaurações de amálgama.O preparo adequado da cavidade e a técnica de condensação são essenciais para garantir a resistência e longevidade da restauração. Amálgamas com partículas esféricas, comuns nas ligas de alto teor de cobre, facilitam a condensação, mas podem causar maior sensibilidade pós-operatória se a técnica não for correta. A condensação deve ser feita com movimentos laterais e angulados para evitar microinfiltrações. Além disso, amálgamas modernos de alto teor de cobre não necessitam de polimento após a colocação, pois a escovação diária mantém a superfície adequada.### Amálgama versus Materiais Alternativos e Perspectivas FuturasApesar do surgimento de diversos materiais alternativos para restauração dentária, como resinas compostas e cerâmicas, o amálgama ainda é considerado um material de qualidade, principalmente pela sua durabilidade, resistência ao desgaste e facilidade de manuseio. A principal limitação do amálgama é a falta de estética e adesividade, o que motivou o desenvolvimento dos sistemas adesivos que associam o amálgama a outros materiais para melhorar sua fixação, embora esses sistemas ainda sejam questionados quanto à sua eficácia.A toxicidade do mercúrio permanece como um tema controverso, mas a literatura atual não comprova efeitos adversos significativos em pacientes com restaurações de amálgama. A busca por um material ideal continua, com a expectativa de que no futuro seja possível encontrar um substituto biocompatível, estético, adesivo e com propriedades mecânicas equivalentes ou superiores às do amálgama.Portanto, o amálgama dental permanece como um pilar importante na odontologia restauradora, especialmente em situações que exigem resistência e durabilidade, enquanto a pesquisa e o desenvolvimento de novos materiais continuam a avançar para superar suas limitações.---### Destaques- O amálgama dental tem uma história longa e controversa, com avanços significativos a partir das pesquisas de Greene Vardiman Black e a criação da liga de fase dispersa.- Ligas com alto teor de cobre eliminam a fase gama 2, aumentando a resistência e durabilidade das restaurações.- O mercúrio é essencial para as propriedades do amálgama, mas sua toxicidade é controversa; estudos recentes não mostram efeitos adversos significativos.- Técnicas adequadas de preparo cavitário e condensação são fundamentais para o sucesso das restaurações com amálgama.- Apesar do surgimento de materiais alternativos, o amálgama ainda é valorizado por sua resistência, durabilidade e facilidade de uso, com expectativas de futuros materiais biocompatíveis e estéticos.