penal Direito Penal Ferigato
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penal Direito Penal Ferigato


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se não correr nesse período fato indicativo da persistência da periculosidade.
MEDIDAS DE SEGURANÇA EM ESPÉCIE
INTERNAÇÃO
	São apenas duas as espécies de medidas de segurança previstas com a reforma penal: a primeira, detentiva, é a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou à falta, em outro estabelecimento adequado, e a Segunda, de caráter restritivo, constitui-se na sujeição a tratamento ambulatorial.
	A internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico representa, a rigor, a fusão de medidas de segurança previstas na legislação anterior: internação em manicômio judiciário em casa de custódia e tratamento. Estabeleceu-se uma medida idêntica para os inimputáveis e semi imputáveis, que deverão ser submetidos a tratamento, assegurada a custódia dos internados.
	O internado deverá ser submetido obrigatoriamente aos exames psiquiátrico, criminológico e de personalidade.
TRATAMENTO AMBULATORIAL
	O grande inovação introduzida no capítulo das medidas de segurança pela reforma penal é a sujeição do sentenciado a tratamento ambulatorial.
	Corresponde a inovação às atuais tendências de desinstitucionalização do tratamento ao portador de doença mental ou de perturbação de saúde mental.
	Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, se a conduta do sentenciado revelar necessidade de providências para fins curativos, ele poderá ser internado
APLICAÇÃO
	Absolvendo-se o Réu em decorrência de sua imputabilidade, é obrigatória a aplicação da medida de segurança. Aos condenados que forem reconhecidas as medidas previstas no art. 26, parágrafo único (semi imputáveis) pode o juiz aplicar a pena, coma redução prevista no referido dispositivo, ou substituí-la pela medida de segurança se o sentenciado necessitar de especial tratamento curativo. Verificando-se a extrema periculosidade do agente, recomendável é a substituição da pena pela medida de segurança.
	Constitui constrangimento ilegal sanável inclusive pela via do habeas corpus o recolhimento de pessoa submetida a medida de segurança em presídio comum. Na absoluta impossibilidade, por falta de vagas, para a internação, deve-se substituir o internamento pelo tratamento ambulatorial.
	Inimputável ou semi imputável o sentenciado, poderá o juiz substituir a internação por tratamento ambulatorial se o fato praticado pelo agente é cominada abstratamente a pena de reclusão.
	Quando, no curso da execução de pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou perturbação da saúde mental, o juiz, de ofício, a requerimento do MP ou da autoridade administrativa, poderá determinar a substituição da pena por medida de segurança. A partir daí, o condenado passa à condição de sujeito à medida de segurança, de modo que a duração desta está submetida à duração da pena.
INÍCIO DA EXECUÇÃO
	Para a execução das medidas de segurança é indispensável que, transitada em julgado a sentença que as aplicou, seja expedida guia de execução, sem a qual não se poderá promover a internação ou a submissão a tratamento ambulatorial.
	Em curso a execução da medida de segurança, será efetuado obrigatoriamente exame de cessação de periculosidade ao fim do prazo mínimo, repetido de ano em ano, ou facultativamente se o determinar o juiz da execução.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
	Quanto à imposição de medida de segurança em sentença absolutória, em razão da inimputabilidade, em sentença condenatória, substituindo a pena privativa de liberdade para os chamados semi imputáveis, quando não foi esta fixada em concreto, o prazo de prescrição continua regulado pela pena em abstrato. Não há prazo de prescrição específico para a medida de segurança.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
PUNIBILIDADE
CONCEITO
	A prática de um fato definido na lei como crime traz consigo a punibilidade, isto é, a aplicabilidade da pena que lhe é cominada em abstrato na norma penal.	
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE - I
CAUSAS EXTINTIVAS
	Originado o jus puniendi, concretizado com a prática do crime, podem ocorrer causas que obstem a aplicação das sanções penais pela renúncia do Estado em punir o autor do delito, falando-se, então, em causas de extinção da punibilidade
	Há causas de extinção gerais (ou comuns) que podem ocorrer em todos os delitos (prescrição, morte do agente) e as causas especiais (ou particulares), relativas a determinados delitos (retratação do agente nos crimes contra a honra, etc.).
	Havendo concurso de agentes, as causas de extinção da punibilidade podem ser comunicáveis, aproveitando todos os autores, co autores e partícipes, como nas hipóteses de renúncia e perdão nos crimes contra a honra, de casamento do agente com a ofendida, etc. ou incomunicáveis, que valem para cada um, não atingindo os demais, como na retratação do agente nos crimes de calúnia e difamação, morte, etc.
EFEITOS
	As causas extintivas da punibilidade podem ocorrer antes do trânsito em julgado da sentença e, nessa hipóteses, regra geral, atinge-se o próprio jus puniendi, não persistindo qualquer efeito do processo ou mesmo da sentença condenatória.
	As causas extintivas podem ocorrer, também, depois do transito em julgado da sentença condenatória e, nessas hipóteses, extingue-se, regra geral. Apenas o título penal executório ou apenas alguns de seus efeitos, como a pena.
CAUSAS NÃO PREVISTAS NO ART. 107 DO CP
	A enumeração não é taxativa. O ressarcimento do dano no peculato culposo. É causa extintiva da punibilidade também a conciliação efetuada nos termos do art. 520 do CPC, nos crimes de calúnia, difamação e injúria, de competência do juiz singular, pois, havendo, reconciliação, é arquivada a queixa crime. Voltou a ser causa extintiva da punibilidade o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia, nos crimes definidos.
	Decorrido o prazo da suspensão condicional do processo sem sua revogação, deve ser julgada extinta a punibilidade.
	São também causas de extinção da punibilidade a morte do ofendido no adultério, quer tenha sido iniciada ou na a ação privada, a anulação do primeiro casamento no caso de bigamia, o decurso dos prazos do sursis e do livramento condicional.
MORTE DO AGENTE
	Extingue-se a punibilidade pela morte do agente em decorrência do princípio mors ominia solvit (a morte tudo apaga). Ao referir-se ao agente, a alei inclui o indiciado, o Réu e o condenado.
	A morte de um co autor não é causa de extinção da punibilidade que se comunique aos demais.
	No caso de morte do acusado, somente à vista da certidão de óbito, e depois de ouvido o MP, o juiz declarará extinta a punibilidade.
	A decisão que decreta a extinção da punibilidade pela morte do agente, como nas demais hipóteses contempladas no art. 107, transita em julgado.
	A morte do condenado não impede a propositura da revisão criminal, que pode ser pedida pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
ANISTIA
	Extinguem a punibilidade a anistia, a graça e o indulto. Soa causas extintivas motivadas por política criminal, além de processo de individualização da pena.
	A anistia pode ocorrer antes ou depois da sentença extinguindo-se a ação e a condenação e se destina a fatos e não a pessoas. Tem a finalidade de fazer olvidar o crime e aplica-se principalmente aos crimes políticos.
	Compete à União a concessão da anistia.
	A anistia opera ex tunc, isto é, para o passado, apagando o crime e extinguindo todos os efeitos penais da sentença. Não abrange, porém, os efeitos civis.
GRAÇA E INDULTO
	A graça, forma de clemência soberana, destina-se a pessoa determinada e não a fato, sendo semelhante ao indulto individual.
	O indulto individual (ou graça) pode ser total (ou pleno), alcançando todas as sanções impostas ao condenado, ou parcial, com a redução ou substituição da sanção, caso, em que toma o nome de comutação. Pode ser provocado por petição do condenado, por iniciativa do MP, do Conselho penitenciário, ou da autoridade administrativa.