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Coletania Tematica de Jurisprudencia

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Celso de Mello, julgamento em 
17-3-2005, Plenário, DJ de 29-4-2005. 
"A duração prolongada da prisão cautelar afronta princípios constitucionais, especialmente, o 
da dignidade da pessoa humana, devido processo legal, presunção de inocência e razoável 
duração do processo. A demora na instrução e julgamento de ação penal, desde que gritante, 
abusiva e irrazoável, caracteriza o excesso de prazo. Manter uma pessoa presa cautelarmente 
por mais de dois anos é desproporcional e inaceitável, constituindo inadmissível antecipação 
executória da sanção penal." (HC 86.915, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 21-2-2006, 
Segunda Turma, DJ de 16-6-2006.) No mesmo sentido: HC 103.951, rel. min. Dias Toffoli, 
julgamento em 28-9-2010, Primeira Turma, DJE de 14-12-2010; HC 85.988, rel. min. Celso de 
Mello, julgamento em 4-5-2010, Segunda Turma, DJE de 28-5-2010. 
"O excesso de prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário -- não derivando, 
portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu -- traduz situação 
anômala que compromete a efetividade do processo, pois, além de tornar evidente o desprezo 
estatal pela liberdade do cidadão, frustra um direito básico que assiste a qualquer pessoa: o 
direito à resolução do litígio, sem dilações indevidas (CF, art. 5º, LXXVIII) e com todas as 
garantias reconhecidas pelo ordenamento constitucional, inclusive a de não sofrer o arbítrio da 
coerção estatal representado pela privação cautelar da liberdade por tempo irrazoável ou 
superior àquele estabelecido em lei." (HC 85.237, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 17-
3-2005, Plenário, DJ de 29-4-2005.) No mesmo sentido: HC 102.668, rel. min. Dias Toffoli, 
julgamento em 5-10-2010, Primeira Turma, DJE de 1º-2-2011; HC 103.793, rel. min. Celso de 
Mello, julgamento em 22-6-2010, Segunda Turma, DJE de 6-8-2010. 
"Alegação de excesso de prazo para o término da instrução criminal. (...) Ausência de 
constrangimento ilegal ao status libertatis do acusado, que, foragido, foi citado por edital e teve 
sua revelia decretada (CPP, art. 366). Excesso de prazo não caracterizado." (RHC 80.968, rel. 
min. Celso de Mello, julgamento em 18-9-2001, Segunda Turma, DJE de 17-9-2010.) 
 
Princípios Penais e Processuais Penais 
Princípio do Contraditório 
 
“Em se tratando de laudo pericial do Instituto Médico Legal relativo à vítima, dispensável é a 
observância do contraditório, o que mais se robustece no que realizada audiência para as 
elucidações cabíveis.” (RHC 119.861, rel. min. Marco Aurélio, julgamento em 5-8-2014, 
Primeira Turma, DJE de 5-9-2014.) 
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“A formulação de pedido de prisão, pelo MPF, na véspera da sessão de julgamento cuja data 
havia sido veiculada com a devida antecedência, não conduz à necessidade de adiamento do 
julgamento já anteriormente designado, para oitiva prévia da defesa sobre o pleito ministerial 
que, ademais, não foi objeto do julgamento. Ausente qualquer violação à ampla defesa ou ao 
contraditório.” (AP 470-QO-décima primeira, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 13-
11-2013, Plenário, DJE de 19-2-2014.) 
"Suspensão condicional do processo. (...) Não há que se falar em falta de prévio contraditório 
nesta nossa instância quando se observa que, logo em seguida ao pronunciamento do PGR, o 
acusado teve vista efetiva dos autos, em atendimento a requerimento por ele apresentado, 
nada peticionando. Inconformismo que foi manifestado apenas depois de exarada a decisão 
revogatória do benefício, por meio do presente recurso, cujo conhecimento, per se, afasta 
eventual prejuízo, não demonstrado na espécie." (AP 512-AgR, rel. min. Ayres Britto, 
julgamento em 15-3-2012, Plenário, DJE de 20-4-2012.) 
"Direito do assistente de acusação de ser intimado por ocasião da remessa dos autos ao juízo 
competente. Direito do assistente de acusação devidamente habilitado de ser intimado pelo 
juízo competente para dizer se tem interesse em prosseguir no feito. Não ocorrência de trânsito 
em julgado para a acusação em razão da ausência de intimação do assistente. Ofensa ao 
princípio do contraditório." (RHC 106.710-segundo julgamento, rel. min. Gilmar Mendes, 
julgamento em 27-9-2011, DJE de 22-11-2011.) 
"(...) em procedimento administrativo-disciplinar, instaurado para apurar o cometimento de falta 
grave por réu condenado, tendo em vista estar em jogo a liberdade de ir e vir, deve ser 
observado amplamente o princípio do contraditório, com a presença de advogado constituído 
ou defensor público nomeado, devendo ser-lhe apresentada defesa, em observância às regras 
específicas contidas na LEP (...)." (RHC 104.584, voto do rel. min. Gilmar Mendes, julgamento 
em 24-5-2011, Segunda Turma, DJE de 6-6-2011.) No mesmo sentido: HC 112.020-MC, rel. 
min. Joaquim Barbosa, decisão monocrática, julgamento em 23-2-2012, DJE de 1°-3-2012. 
Vide: HC 109.536, rel. min. Cármen Lúcia, julgamento em 8-5-2012, Primeira turma, DJE de 
15-6-2012. 
"A ausência de intimação do advogado constituído pelo paciente para o oferecimento de 
contrarrazões ao recurso especial interposto importa violação aos princípios do contraditório, 
da ampla defesa e do devido processo legal." (HC 106.833, rel. min. Ricardo Lewandowski, 
julgamento em 12-4-2011, Primeira Turma, DJE de 6-5-2011.) 
"O acervo probatório que efetivamente serviu para condenação do paciente foi aquele obtido 
no inquérito policial. Segundo entendimento pacífico desta Corte não podem subsistir 
condenações penais fundadas unicamente em prova produzida na fase do inquérito policial, 
sob pena de grave afronta às garantias constitucionais do contraditório e da plenitude de 
defesa." (HC 103.660, rel. min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 30-11-2010, Primeira 
Turma, DJE de 7-4-2011.) 
"Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, quando, em julgamento de 
recurso de apelação do Ministério Público, o Tribunal aplica agravante não reconhecida pelo 
juiz de primeiro grau, mas cuja existência consta dos autos." (RHC 99.306, rel. min. Ricardo 
Lewandowski, julgamento em 16-6-2010, Primeira Turma, DJE de 20-8-2010.) 
"Delito de concussão (...). Funcionário público. Oferecimento de denúncia. Falta de notificação 
do acusado para resposta escrita. Art. 514 do CPP. Prejuízo. Nulidade. Ocorrência. (...) O 
prejuízo pela supressão da chance de oferecimento de resposta preliminar ao recebimento da 
denúncia é indissociável da abertura em si do processo penal. Processo que, no caso, resultou 
em condenação, já confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no 
patamar de três anos de reclusão. Na concreta situação dos autos, a ausência de oportunidade 
para o oferecimento da resposta preliminar na ocasião legalmente assinalada revela-se 
incompatível com a pureza do princípio constitucional da plenitude de defesa e do contraditório, 
mormente em matéria penal. Noutros termos, a falta da defesa preliminar à decisão judicial 
quanto ao recebimento da denúncia, em processo tão vincado pela garantia constitucional da 
ampla defesa e do contraditório, como efetivamente é o processo penal, caracteriza vício 
insanável. A ampla defesa é transformada em curta defesa, ainda que por um momento, e já 
não há como desconhecer o automático prejuízo para a parte processual acusada, pois o fato é 
que a garantia da prévia defesa é instituída como possibilidade concreta de a pessoa levar o 
julgador a não receber a denúncia ministerial pública. Logo, sem a oportunidade de se 
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contrapor ao Ministério Público quanto à necessidade de instauração do processo penal -- 
objetivo da denúncia do Ministério Público --, a pessoa acusada deixa de usufruir da garantia 
da plenitude de defesa para escapar à pecha de réu em processo penal. O que traduz, por 
modo automático, prejuízo processual irreparável, pois nunca se pode