futurismo italiano
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sua obra, \u201cAutomóvel + ve-
locidade + luz,\u201d, mostrou preocupação com o dina-
mismo das formas, usando a simultaneidade ou de-
sintegração delas, em repetição quase infinita, que
permite ao observador captar de uma só vez todas
as seqüências do movimento. Esse dinamismo e a
ânsia de explorar da vida levam os artistas futuristas

Anais do XIII Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 21 e 22 de outubro de 2008
ISSN 1982-0178

a criarem uma imagem de revolucionários com suas
formas de se expressarem por meio de materiais não
convencionais.

Figura 2.\u201cAutomovél + Velocidade + Luz\u201d, Giacomo Balla.

3. A ARTE E O TOTALITARISMO

O totalitarismo mostra a Arte como uma saída para a
propaganda favorável ao regime, explorando as ima-
gens do poder de Mussolini. A expressão artística
passa a ser fonte de informação, pois tem a finalida-
de de transmitir uma mensagem. Geralmente os ar-
tistas criticam o que a sociedade, que não tem voz
ativa para isso, gostaria de criticar, pois através da
Arte, a crítica pode acontecer de forma suave ou vi-
olenta e ainda levar o apreciador a pensar, refletir,
sobre o tema. Mas também ela torna possível ao po-
der manipular esses pensamentos, a fim de que os
fruidores cheguem às conclusões direcionadas. As-
sim, a Arte transforma-se em ambiente de meta-
morfose e divisões, isto é, uma ferramenta de publi-
cidade e propaganda.

Os Fascistas tentam conquistar o apoio dos intelec-
tuais, com a publicação do Manifesto dos Intelectuais
Fascistas, escrito por Giovanni Gentile, que estabe-
lece fortes laços pessoais com a direita liberal e na-
cionalista. Benedetto Croce, filósofo e historiador,
imediatamente reage com um manifesto antifascista,
apoiado por assinaturas de prestígio, afirmando que
a cultura não podia ser confiada ao governo. Mas, a
força de atração do poder e o conformismo produzido
pelo clima de repressão e descrença no país em cri-
se, acabariam levando grande parte dos intelectuais
a colaborar com o regime. Em 1933, Mussolini impôs
aos professores universitários um juramento de fide-
lidade ao regime, formando um novo espaço de re-
produção ideológica, onde inculcava a doutrina fas-

cista e a ideologia corporativa. Mesmo com mani-
festos, os profissionais não foram capazes de ir além
da simples oposição silenciosa.

O fascismo procurou promover uma política, no
campo da Arte e da Cultura, que atingisse quase to-
das as correntes da pintura, que se beneficiavam do
apoio de um ou outro dirigente fascista, que financia-
va eventos e prêmios: Cremona, de tendência tradi-
cional, mas claramente fascista; também o Bérgamo
-; o Estado se constituiu como o maior comprador de
trabalhos artísticos. Além de sustentar artistas de
inspiração modernistas, os dirigentes fascistas aca-
bavam causando, com essas atitudes, uma produção
artística que, ao mesmo tempo tentava agradar e
criticar o regime, o que resultava em um \u201cmeio ter-
mo\u201d e um ecletismo que desagradavam a todo o
mundo artístico, desde os mais conservadores até os
da vanguarda italiana.

O governo totalitário demonstra assim forte censura
sobre os artistas, despertando neles a necessidade
de expressarem os ideais a respeito dessa situação
nas obras, pela critica ou fazendo com que a socie-
dade refletisse sobre a liberdade de expressão, con-
tida no regime fascista, ou ainda, com que os favorá-
veis à ideologia expusessem a imagem como a me-
lhor a todas.

Figura 3. \u201cRetrato de Marinetti \u201d,Carlo Carrá.

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Carlo Carrá, ao retratar Marinetti, tendo como sua
linha, a mítica do realismo, demonstra uma figura
distorcida com seus parâmetros do corpo, sua pintu-
ra metafísica. Ele usa cores fortes como vermelho e
preto como manchas de um pulmão comprometido
com a fumaça do fumo que penumbra o rosto car-
rancudo com o olhar de atenção e coagido; no fundo,
aparecem figuras geométricas atrás de uma tela
suja. As imagens parecem oníricas, pois estão irraci-
onalmente justapostas e parecem perturbadas. Ex-
citando os jovens artistas a uma renovação da lin-
guagem expressiva: o corpo em um êmbolo realça
uma caneta em sua mão e um papel onde se escre-
ve, o que remete à profissão de Marinetti: artista lite-
rário.

A arte é uma linguagem profundamente rica, fruto de
articulações entre códigos e elementos distintos: luz,
sombra, linha, ponto, cor, perspectivas e planos.
Juntos, esses elementos são suficientes para expli-
cá-la, mesmo em se tratando de um período que
busca uma linguagem absolutamente inovadora
como formas de expressão e compreensão de rela-
ções invisíveis estabelecidas. Diferente da escrita,
cuja compreensão pressupõe domínio pleno de códi-
gos e estruturas gramaticais convencionados, a pin-
tura está ao alcance de todos sem a necessidade da
habilidade para interpretar os códigos e signos pró-
prios dessa forma de construir a mensagem nela
retratada. Mas isso não significa que não seja neces-
sário conhecer os sistemas de signos, pois isso nos
permite fruir melhor e mais prazerosamente a obra.
O significado cultural de uma obra é sempre revelado
no contexto em que ela é vista ou produzida. Ela está
sempre relacionada a mitos, crenças, valores e práti-
cas sociais, pois nosso entendimento é permanen-
temente mediado por normas e valores da nossa
cultura e pela experiência que temos com outras
formas de expressão (linguagens). Mesmo aquelas
obras, cuja linguagem ou estrutura de significação
escapem aos padrões convencionais ou retratem
hábitos e práticas distintas daquelas com as quais
estamos familiarizados, podem ser bem compreen-
didas.

Por fim, conclui-se que toda a intervenção política,
religiosa, cultural ou que venha questionar, criticar ou
originar novas formas de pensamentos e técnicas
cientificas, acabam por favorecer novas pesquisas e
olhares \u201cfuturistas\u201d que são sempre bem incorpora-
dos à revolução constante da humanidade.

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Professor de História, Wolnei Coliessi,
por emprestar os livros de estudo, usados e a Prof.ª
Drª Dulce A. Adorno-Silva, por me presentear com
seu estimulo em pesquisar, despertando o prazer em
discutir, criticar, dialogar com o passado, entendendo
o pensar dos que influíram tanto em percursos da
historia da humanidade.

REFERÊNCIAS

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