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STF   Temas Penais

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"Há de ser reconhecida a circunstância atenuante de confissão espontânea do paciente, que, durante a instrução criminal,
mostrou-se arrependido e consciente do fato a ele imputado, tudo corroborado com as demais provas dos autos. Todavia,
é inócua a anulação do julgado questionado, nesse ponto, porque a pena-base aplicada no mínimo legal (doze anos de
reclusão) pelo Conselho Sentenciante foi mantida pelo STM. O acórdão inaugural deixou claro, quanto à aplicação da
pena, que 'avaliou as questões relacionadas à dosimetria da pena, entendendo por confirmá-la em sua inteireza, na
esteira dos fundamentos constantes da sentença de primeiro grau, transcrita quase que integralmente', que atendeu ao
princípio constitucional da individuação da pena, como assinalado no parecer da PGR. A fundamentação insuficiente para
o agravamento da pena, incompatível com os elementos existentes nos autos, consolidados na sentença, autoriza o
restabelecimento desta, preservada a natureza do habeas corpus no que diz com o reexame de provas." (HC 90.659,
rel. min. Menezes Direito, julgamento em 12-2-2008, Primeira Turma, DJE de 28-3-2008.)
"A confissão espontânea, ainda que parcial, é circunstância que sempre atenua a pena, ex vi do art. 65, III, d, do CP, o
qual não faz qualquer ressalva no tocante à maneira como o agente a pronunciou." (HC 82.337, rel. min. Ellen
Gracie, julgamento em 25-2-2003, Primeira Turma, DJ de 4-4-2003.) No mesmo sentido: HC 99.436, rel. min.
Cármen Lúcia, julgamento em 26-10-2010, Primeira Turma, DJE de 6-12-2010; HC 77.653, rel. min. Ilmar Galvão,
julgamento em 17-11-1998, Primeira Turma, DJ de 12-3-1999; HC 69.479, rel. min. Marco Aurélio, julgamento em
10-11-1992, Segunda Turma, DJ de 18-12-1992; HC 68.641, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 5-11-1991,
Primeira Turma, DJ de 5-6-1992.
"Jurisprudência de ambas as Turmas desta Corte no sentido de que o fato que serve para justificar a agravante da
reincidência não pode ser levado à conta de maus antecedentes para fundamentar a fixação da pena-base acima do
mínimo legal (CP, art. 59), sob pena de incorrer em bis in idem." (HC 80.066, rel. min. Ilmar Galvão, julgamento em
13-6-2000, Primeira Turma, DJ de 6-10-2000.) No mesmo sentido: HC 94.692, rel. min. Joaquim Barbosa,
julgamento em 14-9-2010, Segunda Turma, DJE 8-10-2010; HC 98.992, rel. min. Ellen Gracie, julgamento em 15-12-
2009, Segunda Turma, DJE de 12-2-2010; HC 74.023, rel. min. Moreira Alves, julgamento em 13-6-2000, Plenário,
DJ de 6-10-2000; HC 75.889, rel. p/ o ac. min. Maurício Corrêa, julgamento em 17-3-1998, Segunda Turma, DJ de
19-6-1998.
 Aplicação da Lei Penal
"A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação
da continuidade ou da permanência." (Súmula 711.)
"Caso no qual o acusado foi preso portando ilegalmente arma de fogo, usada também em crime de roubo três dias antes.
Condutas autônomas, com violação de diferentes bens jurídicos em cada uma delas. Inocorrente o esgotamento do dano
social no crime de roubo, ante a violação posterior da incolumidade pública pelo porte ilegal de arma de fogo, não há falar
em aplicação do princípio da consunção." (RHC 106.067, rel. min. Rosa Weber, julgamento em 26-6-2012, Primeira
Turma, DJE de 15-8-2012.)
"Tráfico de entorpecentes (art. 12 da Lei 6.368/1976). (...) A aplicação da lei mais favorável, vale dizer a Lei 6.368/1976,
sem a minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006, ou a novel Lei de Entorpecentes, com a minorante do § 4º de seu
art. 33, atende ao princípio da retroatividade da lei benéfica, prevista no art. 5º, XL, da CF, desde que aplicada em sua
integralidade." (HC 107.583, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 17-4-2012, Primeira Turma, DJE de 1º-6-2012.)
"Princípio da ofensividade como vetor interpretativo e de aplicação da lei penal. Não tenho dúvida de que o princípio da
Publicações Temáticas - Versão Integral :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/publicacaoTematica/verTema.asp?lei=1024[07/02/2013 10:11:20]
ofensividade vincula toda a atividade de interpretação da lei penal. E, com mais razão, deve orientar a própria aplicação
da lei penal. Ipso facto, deverá o juiz, diante das circunstâncias específicas do caso concreto que lhe foi posto para
julgamento, aferir o grau de potencial ou efetiva lesão ao bem jurídico protegido pela norma penal, para só então aferir a
tipicidade (material) da conduta supostamente criminosa. A simples adequação formal fato/norma não é suficiente para
qualificar como delituosa a conduta do agente. Não tenho a intenção de repisar todos os argumentos que já foram objeto
dos votos dos eminentes ministros desta Corte. Não obstante, creio que o Tribunal pode evoluir nessa fundamentação,
para consagrar o princípio da lesividade, intrinsecamente conectado com o princípio da proporcionalidade, como limite não
apenas à atividade judicial de interpretação/aplicação das normas penais, mas também à própria atividade legislativa de
criação/conformação dos tipos legais incriminadores, o que estaria a possibilitar o exercício da fiscalização, por parte da
Jurisdição Constitucional, da constitucionalidade das leis em matéria penal." (HC 104.410, rel. min. Gilmar Mendes,
julgamento em 6-3-2012, Segunda Turma, DJE de 27-3-2012.)
"Se um crime é meio necessário ou fase normal de preparação ou de execução de outro crime, encontrando-se, portanto,
o fato previsto em uma lei inserido em outro de maior amplitude, permite-se apenas uma única tipificação, por óbvio, a
mais ampla e específica (por força do fenômeno da consunção) (...)." (Inq 3.108, rel. min. Dias Toffoli, julgamento em
15-12-2011, Plenário, DJE de 22-3-2012.)
"Reconhecimento da falta grave que implicou na perda integral dos dias remidos. Impossibilidade. (...) A nova redação
conferida pela Lei 12.433/2011 ao art. 127 da LEP limita ao patamar máximo de 1/3 a revogação do tempo a ser
remido. Por se tratar de uma novatio legis in mellius, nada impede que ela retroaja para beneficiar o paciente no caso
concreto. Princípio da retroatividade da lei penal menos gravosa." (RHC 109.847, rel. min. Dias Toffoli, julgamento
em 22-11-2011, Primeira Turma, DJE de 6-12-2011.) No mesmo sentido: HC 109.536, rel. min. Cármen Lúcia,
julgamento em 8-5-2012, Primeira Turma, DJE de 15-6-2012; HC 110.851, rel. min. Ricardo Lewandowski,
julgamento em 6-12-2011, Segunda Turma, DJE de 19-12-2011; HC 110.566, rel. min. Ayres Britto, julgamento em
28-2-2012, Segunda Turma, DJE de 8-6-2012; HC 110.636, rel. min. Luiz Fux, julgamento em 6-3-2012, Primeira
Turma, DJE de 21-3-2012; HC 110.040, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 8-11-2011, Segunda Turma, DJE
de 29-11-2011.
"A conduta do 'fogueteiro do tráfico', antes tipificada no art. 12, § 2º, da Lei 6.368/1976, encontra correspondente no art.
37 da lei que a revogou, a Lei 11.343/2006, não cabendo falar em abolitio criminis. (...) A revogação da lei penal não
implica, necessariamente, descriminalização de condutas. Necessária se faz a observância ao princípio da continuidade
normativo-típica, a impor a manutenção de condenações dos que infringiram tipos penais da lei revogada quando há,
como in casu, correspondência na lei revogadora." (HC 106.155, rel. p/ o ac. min. Luiz Fux, julgamento em 4-10-
2011, Primeira Turma, DJE de 17-11-2011.) No mesmo sentido: HC 103.741, rel. min. Rosa Weber, julgamento
em 19-6-2012, Primeira Turma, DJE de 9-8-2012.
"(...) ao dispor que o pagamento dos tributos antes do recebimento da denúncia extingue a punibilidade dos crimes
previstos na Lei 4.729/1965, a Lei 9.249/1995 acabou por abranger os tipos penais descritos no art. 334, § 1º, do CP,
entre eles aquelas figuras imputadas ao paciente -- alíneas c e d do § 1º. (...) afigura-se paradoxal afirmar que a Lei
9.249/1995 se aplica aos crimes descritos na Lei 4.729/1965 e não se aplica