Aula Nota 10 - Doug Lemov
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Aula Nota 10 - Doug Lemov


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"bom trabalho!" na margem
da tarefa do aluno por "bom trabalho por ter começado seu parágrafo com
um tópico frasal claro" ou mesmo "Belo tópico frasal - dá uma clara ideia do
principal assunto do parágrafo"? Se puder fazer isso, vai ajudar outros alunos
a reproduzir o sucesso académico.
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REFLEXÃO E PRÁTICA
As atividades abaixo ajudarão você a pensar e praticar as técnicas deste capítulo:
1. Escolha uma expectativa de aprendizagem do seu município ou estado.
Antes de analisá-la, tente adivinhar quantos objetivos você realmente
precisaria para que seus alunos a dominassem. Agora, divida essa
expectativa em uma série de objetivos viáveis e mensuráveis, que tenham
uma sequência lógica, da introdução da ideia ao domínio completo
do assunto. Em seguida, tente aumentar ou diminuir o número de dias
letivos disponíveis em 20%. Como isso muda seus objetivos?
2. Examine o projeto pedagógico da sua escola, com destaque para seus
objetivos. Dê notas mais altas àqueles que obedecem os Quatro critérios.
Conserte os que você puder e depois pergunte-se como é possível
melhorar o modo como o projeto pedagógico da escola estabelece,
expressa e formaliza por escrito esses objetivos.
5. Pense em uma aula que você deu recentemente e faça de conta que você é
um de seus alunos. Relate tudo o que você teria feito como aluno durante
essa aula, começando cada item com um verbo de ação: "ouvi" ou "escrevi"
por exemplo. Se quiser ousar um pouco, submeta seu relato a seus alunos
e peça que o avaliem. Mais ousado ainda seria pedir aos seus alunos que
fizessem uma lista do que estavam fazendo durante essa aula.
4. Faça um plano de ação para a configuração das carteiras em sala de aula:
a. Qual deveria ser o esquema-padrão e quais seriam os outros esquemas
mais comuns? Você vai usá-los com frequência suficiente para justificar
treinar seus alunos para mudaras carteiras de um esquema para outro?
b. Quais são as cinco coisas mais úteis e importantes que você poderia
pendurar nas paredes da sala de aula para ajudar seus alunos a fazer o
trabalho deles? Essas coisas já estão lá?
c. Que coisas estão nas paredes e não precisam estar lá? Liste cinco que
deveriam ser retiradas.
CAPÍTULO TRÊS
ESTRUTURAR E
DAR AULAS
Nas aulas dos professores exemplares em que este livro se baseia há uma pro-
gressão recorrente cuja melhor descrição é "Eu/Nós/Vocês". (Até onde sei, foi
Doug McCurry, fundador da escola charter Amistad Academy, que cunhou esta
expressão. Outros professores usam as expressões "instrução direta", "prática
guiada" e "prática independente" para descrever o que Doug quer dizer.) Este
nome indica uma aula em que a responsabilidade pelo conhecimento e pela
capacidade de aplicá-lo é gradualmente transferida do professor para o aluno.
A progressão começa com a etapa "Eu", em que o professor passa adiante, da
maneira mais direta possível, as informações-chave ou a estrutura do proces-
so que está sendo ensinado ao orientar os alunos por meio de exemplos ou
de aplicações desse conhecimento. Na etapa "Nós", o professor inicialmente
pede ajuda a seus alunos em alguns momentos-chave e depois, gradualmente,
permite que eles resolvam problemas interferindo cada vez menos na tarefa.
Finalmente, na etapa "Vocês", ele dá aos alunos múltiplas oportunidades de
praticar sozinhos. Em outras palavras, o Eu/Nós/Vocês é, na verdade, um pro-
cesso de cinco etapas:
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Etapa Segmento Quem está Frase típica
da aula com a bola?
1
2
3
4
5
"Eu" Eu
"Nós" Eu faço;
você ajuda
"Nós" Você faz;
eu ajudo
"Vocês" Você faz...
"Vocês" E
faz... e
faz... e
faz
"O primeiro passo para somar fraçÕes
com denominadores diferentes é tornar os
denominadores iguais."
"Muito bem, agora vamos tentar. Rafael, como
se faz mesmo para tornar os denominadores
iguais?"
"Muito bem, Camila, você nos orienta. Qual é
a primeira coisa que eu devo fazer?"
"Agora que resolvemos este exemplo, tentem
fazer um sozinhos."
"Bom, estamos começando a entender isto.
Há mais cinco exemplos no material distribuído.
Veja quantos vocês conseguem resolver
corretamente em seis minutos. Vamos lá?"
Note que a mudança de uma etapa para a outra ocorre apenas quando os alu-
nos estiverem prontos para avançar com essa independência adicional - não antes
disso. Chegar ao "Nós" e ao "Vocês" o mais rápido possível não é necessariamente
a melhor estratégia e pode reduzir a marcha mais adiante.
A fórmula pode parecer óbvia para alguns, mas em muitas salas de aula as coi-
sas não se passam dessa forma. Os alunos são frequentemente liberados para tra-
balhar sozinhos antes de estarem efetivamente prontos, sendo solicitados a resolver
um problema antes de terem aprendido a fazê-lo sozinhos ou a deduzir a melhor
solução, quando ainda têm poucas chances de fazer isso de maneira eficiente e efi-
caz. Em muitos casos, eles acabam praticando, sozinhos e com grande diligência,
uma determinada tarefa do jeito errado. Refletem sobre "grandes problemas" antes
de saberem o suficiente para fazer isso de forma produtiva. Em outras salas de aula
acontece o contrário. Os alunos tornam-se excelentes na arte de ver o professor
demonstrar o domínio do conteúdo e nunca aprendem a resolver os exercícios so-
zinhos. Há muito trabalho sendo feito na sala de aula, mas todo ele é feito pelos
adultos. A resposta, evidentemente, não é escolher entre esses extremos: instrução
centrada somente no professor ou apenas na atividade independente do aluno. É
preciso entender como evoluir de um para o outro.
Estruturar e dar aulas 91
Conduzir essa evolução não é fácil. Os fatores-chave para dar uma aula efeti-
va do tipo "Eu/Nós/Vocês" incluem não apenas a maneira e a sequência em que o
trabalho cognitivo é apresentado aos alunos, mas também a velocidade com a qual
o trabalho cognitivo lhes é entregue. Esta última parte requer que você verifique o
tempo todo o nível de compreensão do conceito trabalhado que seus alunos estão
alcançando, uma questão discutida ao longo deste capítulo.
EU/NÓS/VOCÊS: VISÃO GERAL
Técnicas "Eu"
l Técnica 12 - O gancho: quando necessário, use uma breve e envolvente
introdução para estimular os alunos a aprender.
l Técnica 13 - Dê nome às etapas: quando possível, dê ferramentas de solução
aos alunos - etapas específicas para trabalhar ou resolver problemas do tipo
que você está apresentando. Normalmente, isso envolve dividir uma tarefa
complexa em várias etapas específicas,
l Técnica 14 - Quadro = Papel: Apresente para seus alunos um modelo de
como selecionar as informações que precisarão lembrar de suas aulas;
assegure-se de que eles têm uma cópia exata daquilo de que vão precisar,
l Técnica 15 - Circule: movimente-se pela classe para envolver os alunos na
aula e engajá-los no trabalho.
Mais ideias sobre um bom "Eu"
l Inclua tanto modelagem (mostrar como fazer alguma coisa) quanto
explicação (dizer como fazer alguma coisa).
l Inclua interação com os alunos mesmo quando você está no comando
(você pode fazer perguntas e dialogar com os alunos durante a fase "Eu").
> Preveja: Kate Murray, uma professora exemplar de Boston, me disse uma
vez: "Eu soube que estava me tornando uma professora quando comecei a
conseguir saber de antemão onde meus alunos errariam e quais seriam seus
erros mais comuns. Dei-me conta, então, de que podia me planejar para
lidar com eles. Eu poderia lhes dizer o que iria confundi-los antes mesmo
que chegassem ao ponto da dúvida, de forma que eles estivessem alertas
para o perigo. Eu podia impedir que eles tropeçassem ou pelo menos ajudá-
los a reconhecer quando isso acontecesse. Desde então, meu processo de
planejamento inclui um diálogo comigo mesma sobre 'o que os alunos
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podem errar'. Assim, planejo ensinar-lhes todos os possíveis riscos e incluo
isso nos meus planos de aula," Amém.
Técnicas "Nós"
l Técnica 16 -