Aula Nota 10 - Doug Lemov
183 pág.

Aula Nota 10 - Doug Lemov


DisciplinaMatemática54.292 materiais779.392 seguidores
Pré-visualização50 páginas
abaixo. Muitos professores acreditam que De surpresa é estressante para os
alunos, que serão obrigados a participar quando, de fato, não querem. Mas
as suas expectativas sobre os interesses dos alunos são, com frequência,
Motivar os alunos nas suas aulas l 43
profecias que se realizam. Ao ier a explicação de Colleen, faça uma lista das
coisas que ela diz e que você poderia usar ou adaptar se tivesse de apresentar
De surpresa aos seus alunos (e, espero, tentando enfatizar como é bom).
Colleen: "Alguns professores fazem uma atividade chamada: De surpresa,
Eu também faço. É quando você não levanta a mão para responder uma
pergunta, mas o professor pode pedir a você que responda. Não é uma prova.
É somente uma forma de fazer uma revisão rápida do que a gente aprendeu.
Eu prefiro chamar de "grande momento", porque é a oportunidade de vocês
mostrarem o quanto aprenderam. É uma ótima maneira de revisarmos as
definições e os termos que aprendemos. Agora, o lado difícil é que vocês
devem manter as mãos abaixadas. Eu vou fazer uma pergunta e chamar
uma pessoa. Vocês devem seguir essa pessoa com os olhos e depois voltar a
prestar atenção em mim. Entenderam?".
Fazer uma breve apresentação de qualquer das técnicas, não apenas
para De surpreso, é muito útil. Algumas que me vêm à mente são Certo é cerro
{Técnica 2), Sem escapatória (Técnica 1), Controle o jogo (Capítulo Dez) e Faça
de novo (Técnica 39).
Nesta sequência, Colleen rapidamente informa seus alunos como agir
durante a aplicação da técnica De surpresa, explica por que ela usa essa técnica
e define a atividade de forma positiva: uma oportunidade para mostrar que
o aluno é capaz.
A professora Summer Payne, da escola Elm City College Prep, muda o nome da
técnica De surpresa ao apresentá-la aos seus alunos de pré-escola. Ela canta, com
uma musiquinha alegre: "Um por vez! Ouça o seu nome!". E tanto as crianças de
Summer como as de Colleen adoram De surpresa. Se você souber apresentar a téc-
nica de forma positiva, seus alunos também vão adorar.
EM AÇÃO
DE SURPRESA E VOCABULÁRIO
Beth Verilli, da Academia North Star, demonstra o ensino exemplar de De
surpresa e Vocabulário (Capítulo Onze).
144 Aula nota l O
Beth dá aula de literatura para alunos do ensino médio. Ela usa a
técnica De surpresa para dar continuidade a eventos anteriores, ou seja, ela
sempre chama alguém de surpresa para dar exemplos do que foi falado
anteriormente ou para comentar a resposta de outro aluno. Isso constrói um
alto nível de engajamento dos alunos na aula e uma relação madura entre
os próprios alunos, o que é importante no caso de alunos mais velhos. O uso
desta técnica também ajuda a aumentar o rigor académico em classe, além
de manter o ritmo acelerado da aula.
Na discussão de MacBeth de Shakespeare, os alunos usam várias vezes
alguma versão da palavra "explorar" e o fazem de maneiras ligeiramente
diferentes ("explorar", "explora" e "explorou"), em cenários onde tanto as
pessoas (MacBeth} como conceitos abstratos (a confiança de Duncan) são
explicitados (veja Vocabulário, no Capítulo Onze). Se o objetivo do ensino
de vocabulário é que os alunos compreendam o significado profundo da
palavra e possam usá-la em múltiplos cenários (tanto em termos de sintaxe
como de significado), então os alunos de Beth alcançaram este objetivo
muito rapidamente.
TODOS JUNTOS
0 elemento básico de Todos juntos é este: você faz uma pergunta e a classe inteira
responde em coro. Parece simples, mas, quando é usada de forma eficiente em
todas as suas variações, Todos juntos pode ser uma ferramenta excepcional, não
apenas para envolver os alunos, mas também para ajudá-los a aprender.
O emprego eficiente de Todos juntos pode atingir três objetivos principais:
1 Revisão e reforço. Pedir uma resposta ao grupo garante que todos poderão respon-
der. Quando um dos alunos dá uma boa resposta individual, pedir ao resto da
classe que repita essa resposta em coro é um jeito eficiente de reforçar esse con-
teúdo. A classe inteira repete e reforça, para o aluno que deu a resposta certa,
como é importante o que ele disse.
l Animação. Todos juntos é uma técnica dinâmica, ativa e espirituosa. Dá uma
sensação vívida de ser parte de um grupo de torcedores no estádio ou de um
programa de auditório. Geralmente, os participantes gostam de torcer no
meio da multidão e gostam de programas de auditório porque são atividades
Motivar os alunos nas suas aulas l 45
cheias de energia. Todos juntos pode tornar sua aula igualmente revigorante
e fazer com que seus alunos queiram estar lá.
l Medida disciplinar. Há um extraor-
dinário benefício oculto na técnica Os alunos não vêem Todos
Todos juntos: os alunos respondem juntos como forma de manter
ao estímulo em grupo, exatamente Q disciplina no C/asse, mós Q
quando solicitados, uma vez atrás fécn/C(J transforma em hábjto
da outra. E essa obediência à au-
a obediência ao comando
tondade docente se torna publica.
^ , f do professor.Iodos vêem todos os outros íazen-
do a mesma coisa. Você pede, eles
fazem, uma vez atrás da outra. Os
alunos não vêem Todos juntos como forma de manter a disciplina na classe,
mas a técnica transforma em hábito a obediência ao comando do professor.
Embora seja uma técnica bem direta, é fácil subestimar Todos juntos, focando
em suas formas mais simplistas: pedir aos alunos para repetir aforismos e refrões,
por exemplo. Na verdade, há cinco outros tipos de sequência Todos juntos, listados
em seguida, mais ou menos em ordem de rigor intelectual, do menor para o maior:
1. Repetir: nestas sequências, os alunos repetem o que seu professor disse ou
completam uma sentença familiar que ele começa. O tópico da sentença pode ser
comportamental ou académico.
2. Reportar: alunos que já terminaram seus problemas ou tarefas são solicitados
a reportar seus resultados ("Vou contar até três e vocês me dão a resposta para o
problema número três"). Esta versão permite relatar com dinamismo o trabalho
académico concluído.
J 3. Reforçar: Você reforça informação nova ou uma boa resposta ao pedir à classe
que a repita: "Alguém pode me dizer como se chama esta parte da expressão ma-
temática? Muito bem, Tadeu, esse é o expoente. Classe, como se chama esía parte
da expressão matemática?". Todos têm uma interação ativa adicional com um novo
conteúdo crucial e, quando é um aluno que provê a informação, Todos juntos refor-
ça a importância da resposta ("Minha resposta foi tão importante que o professor
pediu à classe inteira para repeti-la").
4. Rever. Neste caso, pede-se aos alunos que revisem respostas ou uma infor-
mação previamente abordada na mesma aula ou na unidade de conteúdo: "Quem
foi a primeira pessoa que Teseu encontrou a caminho da Grécia, classe? Quem foi
a segunda pessoa? E a terceira, quem foi?" ou "Qual é a palavra do vocabulário
que nós dissemos que significa não ter o suficiente de alguma coisa?".
146 Au Ia nota 10
5. Resolver: Esta é a variante mais difícil de executar e também a mais rigo-
rosa. O professor pede aos alunos para resolver um problema e dizer a resposta
em coro: "Se o comprimento é de 10 centímetros e a largura é de 12 centímetros,
quantos centímetros quadrados terá o nosso retângulo, classe?" Quando se pede
a um grupo de pessoas para resolver um problema em tempo real e responder em
uníssono, o desafio está em ter quase certeza de que haverá uma única resposta
clara, com alta probabilidade de que todos os alunos saibam como resolver o pro-
blema. Com esses senões em mente, este tipo de Todos juntos pode ser altamente
rigoroso - e os alunos acabam se surpreendendo com sua habilidade para resolver
problemas em tempo real.
Para ser eficiente em qualquer variante, Todos juntos deve ser universal. Ou seja,
todos os alunos devem responder. Para garantir isso, pense em usar um sinal espe-
cífico ("Classe!" "Pessoal!" "Um, dois..." ou mesmo um sinal não verbal, como um
dedo