Aula Nota 10 - Doug Lemov
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Aula Nota 10 - Doug Lemov


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esses professores fazem, focando
particularmente nas técnicas que diferenciam os excelentes professores não dos
ruins, mas daqueles que são apenas bons. Como Collins observou, uma lista
assim é muito mais relevante do que uma que mostre as diferenças entre os exce-
lentes professores e os ruins, ou os medíocres, já que o resultado da primeira lista
provê o mapa da mina da excelência. Com o tempo, minha lista cresceu tanto em
número de tópicos como no nível de especificidade de cada técnica. Nem todo
professor que observei usa cada uma dessas técnicas, mas, no conjunto, as que
incluo neste livro emergem como as ferramentas que separam excelentes profes-
sores daqueles meramente bons. Sim, existe uma "caixa de ferramentas" para
promover a igualdade no desempenho escolar, e eu tentei descrevê-la neste livro.
Devo dizer, com uma humildade reforçada a cada vez que entro na sala de
aula dos colegas que descrevo neste livro, que eu não sou nenhum professor
campeão de audiência. Longe disso. Minha tarefa não é inventar técnicas,
mas descrever como outros as usam e o que faz com que elas funcionem. Por
isso, dei nome a elas para ajudar a criar um vocabulário comum com o qual
analisar e discutir a sala de aula. Mas quero ser claro: o conteúdo deste livro
não é meu e, principalmente, não é uma teoria. É um conjunto de anotações
de campo sobre o trabalho de mestres, alguns dos quais você conhecerá neste
livro e outros que você não conhecerá, mas cuja diligência e habilidade servi-
ram de base e inspiraram este livro.
TÉCNICAS APLICÁVEIS, CONCRETAS, ESPECÍFICAS
Quando eu era um jovem professor, as pessoas me davam montes de conselhos.
Eu ia a cursos de capacitação e saía com a cabeça cheia de palavras importantes.
Eles falavam de tudo que me havia levado a querer ser professor. "Tenha altas
expectativas em relação a seus alunos." "Espere o máximo dos alunos todos
os dias." "Ensine crianças, não conteúdos." Eu ficava inspirado, pronto para
melhorar - até chegar à escola no dia seguinte. Eu me via perguntando: "Bom,
e agora? Como faço isso? Que iniciativa devo tomar às 8h25 da manhã para de-
monstrar essas altas expectativas?".
No fim, o que realmente me ajudou a aprender a ensinar foi quando um
professor mais competente do que eu me disse algo bem concreto, como isto:
"Quando você quiser que eles obedeçam sua orientação, fique parado. Se você
estiver andando pela classe, distribuindo materiais, parece que a orientação é
menos importante do que todas as outras coisas que você está fazendo. Mostre
que a sua orientação é importante. Fique parado. Eles vão responder a isso".
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Com o tempo, foi este tipo de conselho aplicável, específico, concreto, muito
mais do que as lembranças de que eu devia ter altas expectativas, que me permi-
tiram de fato elevar as expectativas na minha sala de aula.
Neste livro, minha abordagem reflete essa experiência. Eu tentei descrever
essas técnicas da maneira aplicável, específica e concreta que permite que você
possa começar a usá-las amanhã mesmo. Digo "técnicas" e não "estratégias",
mesmo que a profissão do magistério tenda a usar a última expressão. Para mim,
uma estratégia é uma abordagem generalista de problemas, um jeito de informar
decisões. Uma técnica é uma coisa que você pode dizer ou fazer de forma espe-
cífica. Se você é um velocista, sua estratégia pode ser simplesmente correr o mais
rápido que puder do começo até o final da pista; sua técnica pode ser inclinar o
corpo para frente em cerca de cinco graus à medida que move suas pernas para
cima e para a frente. Se você quer ser um grande velocista, praticar e melhorar
essa técnica vai lhe ajudar mais do que melhorar sua estratégia. Afinal, é a téc-
nica, não a estratégia, que faz você correr mais rápido. E, como uma técnica
é uma ação, quanto mais você praticar, melhor você fica. Pensar 100 vezes na
sua decisão de correr o mais rápido possível desde o começo da pista não vai
melhorar seu desempenho; mas praticar 100 corridas com a posição certinha
do corpo, vai. É por isso que, no fim, concentrar-se em polir e melhorar técni-
cas específicas é o caminho mais rápido para o sucesso, às vezes até mesmo em
detrimento de filosofia ou estratégia. Minha esperança é que, com prática, você
consiga apresentar-se diante de qualquer classe e aplicar as técnicas De surpresa
(Técnica 22) e Sem escapatória (Técnica 1) para manter seus alunos envolvidos
em uma aula que utilize as técnicas Discurso positivo (Técnica 43) e Proporção
(Técnica 17). Dominá-las será muito mais produtivo do que ter firmes convic-
ções, comprometer-se com uma estratégia e, no fim, apanhar da realidade das
salas de aula nos bairros mais difíceis de nossas cidades.
COMO USAR ESTE LIVRO
Organizei esta coleção de anotações de campo sobre minhas observações de pro-
fessores altamente eficazes como um manual e dividi as técnicas em duas partes.
A Parte l tem nove capítulos sobre técnicas essenciais que observei nas salas
de aula de professores excepcionais, cujos resultados são os mais claramente
eficazes, pois asseguram um ótimo desempenho mesmo de alunos mais carentes.
Entre eles estão muitos dos melhores professores das Uncommon Schools, a or-
ganização da qual sou diretor-executivo, e outros das melhores escolas do país,
onde tive o privilégio de poder observá-los. As técnicas estão agrupadas em ca-
pítulos organizados ao redor de temas mais abrangentes, que são relevantes para
Prefácio / Introdução 21
o ensino: elevar expectativas académicas e comportamentais; estruturar aulas;
criar uma cultura escolar forte e vibrante; e construir valores e confiança.
As 49 técnicas mencionadas no subtítulo do livro estão nos sete primeiros
capítulos. Os capítulos Oito e Nove discutem outras duas questões cruciais do
ensino: o ritmo da aula e o modo de fazer perguntas aos alunos. Não consegui
traduzir claramente em técnicas aquilo que observei nos professores que são
exemplares nestas duas questões. Portanto, as sugestões desses dois capítulos
não foram numeradas. Mesmo assim, acho que serão tão úteis quanto as técni-
cas numeradas. Como todo o material deste livro, esses dois capítulos também
surgiram da observação de excelentes professores. A Parte 2 concentra-se em
técnicas e habilidades fundamentais para ensinar leitura.
A estrutura do livro permite que você escolha técnicas para melhorar as-
pectos específicos da sua própria forma de ensinar, uma por vez e na ordem
que você quiser. Ao mesmo tempo, o leque completo das técnicas funciona em
sinergia; usar uma delas torna a próxima melhor ainda e a soma é maior do que
o conjunto das partes. Assim, espero que você ache tempo para ler o livro inteiro
e se esforce para praticar algumas das técnicas que não selecionou inicialmente.
Como alternativa, ler o livro de ponta a ponta pode ajudar você a entender mais
claramente em que pontos você quer se desenvolver, seja porque você já domina
um certo grupo de técnicas ou porque você gostaria de dominá-las.
Enquanto você pensa em como usar este livro, ofereço uma primeira refle-
xão sobre o desenvolvimento de pessoas, inclusive você. É comum adotar uma
atitude do tipo "conserte-o-que-está-errado" com você mesmo e com aqueles
por cujo desenvolvimento você é responsável. Mitigar os erros de alguém, in-
clusive os seus próprios, pode ser uma estratégia eficaz, mas a melhor opção é
concentrar-se em maximizar e alavancar as qualidades. Isso também se aplica
aos excelentes professores que observei ao longo do meu trabalho: eles também
têm fraquezas ao ensinar, a despeito de seus fantásticos resultados. Geralmente,
o que os torna excepcionalmente bern-sucedidos é um conjunto de coisas em que
eles são muito bons. É plausível que o desenvolvimento das características em
que você já é bom possa melhorar seu ensino, tanto quanto ou mais do que tra-
balhar suas fraquezas e seus defeitos. Mas é ainda mais provável que a combina-
ção das duas abordagens