Apostila de Processos Patológicos
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Apostila de Processos Patológicos


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UNIFESO
Medicina Veterinária
Patologia Veterinária
Índice
Coleta e remessa de material							pág. 03
Alterações cadavéricas								pág. 03
Patologias do sistema urinário							pág. 06
Patologias do aparelho circulatório						pág. 12
Patologias do sistema hemolinfático (linfonodos)				pág. 18
Patologias do sistema hemolinfopoiético (baço)				pág. 21
Patologias do sistema digestório	(e anexos)					pág. 23
Patologias do sistema locomotor						pág. 39
Estudo dirigido									pág. 44
Patologias do sistema respiratório						pág. 50
Patologias do sistema tegumentar						pág. 58
Patologias do sistema endócrino							pág. 63
Patologias do sistema nervoso							pág. 68
Patologias do sistema genital feminino						pág. 76
Patologias do sistema genital masculino					pág. 81
Patologia Veterinária
Coleta e Remessa de Material
Deve-se coletar um fragmento da área que se apresenta normal, de uma área intermediária e da área lisada. Caso não seja possível coletar os três fragmentos, coletar apenas da área lisada.
Os fragmentos retirados devem ter de um a dois centímetros. Se a lesão for muito grande (ex: tumor), retira-se toda a lesão e faz-se cortes na mesma para o fixador fixá-la melhor.
O frasco onde serão colocadas as amostras deve ter boca larga e tampa de rosca.
Deve-se usar fixadores para preservar a amostra. O frasco deve estar sempre cheio do fixador (10 a 20 vezes mais fixador do que fragmentos). O mais utilizado é a solução de formol a 10%, diluído em água. No SNC utiliza-se formol a 20% (fixa o tecido em 12 a 24h). O líquido de Bouin é bom para fixar glândulas e sistema genital (fixa mais rápido e mantém por 6 a 12h, mas depois é preciso deixar mais 12h no álcool \u2013 por isso não é muito utilizado). Sua composição é o ácido pícrico e o formol.
A identificação deve ser com uma etiqueta, contendo todos os dados do animal, do lado de fora do frasco. Deve-se usar lápis, pois caso ocorra vazamento não há perigo de borrar a tinta, como poderia acontecer se fosse escrito a caneta. 
Alterações Cadavéricas
São alterações bioquímicas, estruturais e morfológicas que ocorrem no corpo do animal após sua morte.
Deve-se conhecer bem as alterações cadavéricas para poder diferenciá-las das causas patológicas anteriores à morte. Também é importante saber a quanto tempo o animal morreu (cronotanatognose).
Fatores que influenciam o aparecimento precoce ou tardio das alterações cadavéricas
Temperatura ambiente \u2013 quanto mais quente, mais rápido ocorrem as alterações. Por isso o animal deve ser congelado o mais rápido possível, para que se inibam as enzimas lisossomais (que promovem a autólise \u2013 destruição do tecido por suas próprias enzimas) e a proliferação bacteriana (heterólise \u2013 destruição do tecido por bactérias de sua flora ou concomitantes).
Tamanho do animal \u2013 quanto maior mais difícil o congelamento rápido, portanto as alterações se instalam mais depressa.
Estado de nutrição \u2013 se for bom, algumas alterações demoram a se instalar.
Causa mortis \u2013 patologias que causam hipertermia e gasto energético muito grande (logicamente anteriores à morte) favorecem o aparecimento das alterações. Intoxicação por estricnina, traumatismo no SNC, tétano.
Classificação
Não transformativas \u2013 não alteram o estado geral do cadáver.
Imediatas \u2013 insensibilidade, imobilidade, parada respiratória e cardíaca, arreflexia (ausência de reflexo). É a constatação da morte somática ou clínica.
Mediatas ou tardias \u2013 decorrentes da autólise. Frialidade cadavérica (algor mortis), hipóstase cadavérica (livor mortis), rigidez cadavérica (rigor mortis), coagulação do sangue, embebição pela hemoglobina, embebição pela bile.
Transformativas \u2013 alteram o estado geral do cadáver. Decorrentes da putrefação ou heterólise.
Meteorismo ou timpanismo cadavérico;
Pseudo prolápso retal;
Deslocamento, torção e ruptura das vísceras;
Pseudo melanose;
Enfisema cadavérico;
Maceração;
Coliquação;
Redução esquelética.
O algor mortis corresponde à perda de temperatura corporal (aproximadamente 1ºC a cada hora). É o frio da morte, o resfriamento do corpo, que ocorre pela parada dos processos metabólicos e pela perda das fontes de energia, o que faz com que o organismo pare de produzir calor.
Livor mortis são as manchas cadavéricas, que se iniciam rosadas e vão ficando roxas. Ocorrem pela perda do tônus das vênulas e capilares. Se acumulam no lado de decúbito do animal (na pele e nos órgãos), pois o acúmulo de sangue segue a força da gravidade. Para diferenciar livor de hemorragia: se o acúmulo de sangue for por alteração post-mortem, ao comprimir o órgão ele demora a voltar ao normal. Se for por hemorragia, ele retorna logo ao normal.
Rigor mortis é a rigidez cadavérica. Ocorre pela contração muscular, deixando os músculos rígidos, o que se dá pela falta de ATP, formando pontes de ligação entre actina e miosina, mantendo o músculo contraído. Ao tentarmos mover a mandíbula e os membros, encontramos dificuldade pelo enrijecimento da musculatura. Surge após 2 a 3 horas da morte, durando até 12h (quando começam a se desfazer as pontes, por degradação). Inicia-se pela cabeça, seguindo pela região cervical, tronco e membros, desaparecendo pela mesma ordem. Primeiro ocorre na musculatura lisa, depois na esquelética.
Na coagulação do sangue percebe-se coágulos no sistema cárdio-circulatório, principalmente no coração esquerdo. Os coágulos podem ser confundidos com trombos (que são formados antes da morte e podem ser a causa dela). O coágulo é liso, brilhante e elástico. É encontrado sempre solto, não aderido. O trombo é friável (quebra fácil), seco, opaco e está sempre aderido a parede dos vasos e no endocárdio.
A embebição pela hemoglobina decorre da hemólise de eritrócitos nos vasos sangüíneos. A hemoglobina liberada entra em solução com o plasma sangüíneo e, ao mesmo tempo, as paredes dos vasos tornam-se mais permeáveis aos líquidos. Com isso os tecidos ao redor dos vasos e do endocárdio ficam embebidos por um líquido avermelhado.
A embebição pela bile é o vazamento de bile através da parede autolisada da vesícula biliar (que sofre uma autólise muito rápida), corando de verde (ou verde-amarelado) os tecidos adjacentes (fígado, estômago, alças intestinais).
O meteorismo corresponde ao aumento do volume abdominal decorrente do acúmulo de gás. Esse aumento é muito variável, podendo ser maior ou menor em cada indivíduo. Para diferenciar do timpanismo anti-mortem verifica-se as alterações circulatórias. O timpanismo em vida causa alterações circulatórias que se observam no baço e fígado (que ficam pálidos) e nas alças intestinais (que ficam avermelhadas e congestas).
O prolápso retal que ocorre após a morte não causa alterações circulatórias, mas o anterior a morte sim.
A pseudomelanose é a presença de manchas esverdeadas ou verde-acinzentadas próximas ao trato gastrintestinal e na parede intestinal. Isso ocorre pela degradação do conteúdo gastrintestinal, liberando ácido sulfídrico, que associado ao ferro da hemoglobina origina sulfametahemoglobina, acarretando a coloração verde.
O enfisema cadavérico corresponde à presença de bolhas no tecido subcutâneo e no parênquima dos órgãos. Esse gás é oriundo da degradação dos tecidos pelas bactérias.
Maceração é o desprendimento das mucosas dos órgãos. A mucosa ruminal, mesmo sem a putrefação (a ação das bactérias) já se desprende.
Coliquação é a liquefação das vísceras, que ficam amorfas. A medular da adrenal normalmente fica liquefeita logo em seguida à morte do animal.
A redução esquelética ocorre pela degradação de ossos, dentes, chifres, unhas e cascos.
Patologias do Sistema Urinário
Funções homeostáticas vitais dos rins
Manutenção da concentração de sais e água no corpo;
Regulação do equilíbrio ácido-básico;
Produção de hormônios e outras substâncias: Eritropoietina (formação de hemácias), renina