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Clínica de grandes animais

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língua, ferimento na base da língua, corpo estranho e tumores, entre outras causas. Toda vez que o animal apresentar dificuldade para engolir o alimento, este pode tomar a direção errada, indo parar na traquéia, podendo causar pneumonia por aspiração (presença de corpo estranho no pulmão). Quando o animal apresentar distúrbio na deglutição, a primeira hipótese a se questionar é que seja obstrução esofágica. Caso não seja, a segunda hipótese a se pensar é que seja uma lesão motora dos músculos. A terceira hipótese é que seja por alimentos de difícil deglutição. E a quarta hipótese mais provável é que seja esofagite. Um teste diagnóstico clássico é o feito com água: se o animal não a deglutir pode ser por obstrução ou carcinoma.
Anomalias da mastigação: a mastigação está ligada à salivação. É lenta e superficial em casos de estomatites, afecções dentárias, abscessos e lesões na língua (leva a dificuldade de motilidade da mesma). A mastigação torna-se impossível nos casos de trisma mandibular (o animal trava os dentes e não abre a boca – sinal patognomônico do tétano), fratura de mandíbula e paralisia dos músculos mastigatórios. Distúrbios do SNC também levam a alterações na mastigação.
Distensão abdominal: pode ocorrer por obstrução, cólicas, timpanismo, ascite.
Má condição corpórea / diminuição na eficiência: comum em cavalo senil, “boca lisa” (cavalo que perde os dentes), animais com distúrbio na apreensão de alimentos além de outras doenças.
Alteração no aspecto das fezes: sempre levar esse aspecto em consideração ao analisar o sistema digestivo de um animal.
Dor: observar a expressão facial do animal. Oferecer algum tipo de alimento e observar todo o processo de deglutição, mastigação e digestão para verificar se há alguma anomalia nestes processos.
Halitose: hálito com cheiro de uréia. Característico de lesão oral. A uremia provoca aftas, que por sua vez causam a halitose.
Dentes – verificar:
Irregularidade no desgaste;
Fraturas ou fissuras: podem ocorrer quando há pedaços de parafuso ou outro tipo de metal na ração.
Periostite alveolar (piorréia): pouco comum, mas pode ocorrer. Geralmente é proveniente do açúcar da ração.
Hiperplasia de palato: conhecida como Travagem. O principal sintoma é o emagrecimento progressivo. As causas podem ser fisiológicas (troca de dentes) ou patológicas (ingestão de alimentos muito fibrosos – causa física-mecânica). Neste caso o tratamento pode ser cirúrgico (cautério – com anestesia). Oferecer ao animal apenas alimentos macios.
Doenças infecciosas
Febre aftosa: zoonose. Causa lesões na boca (aftas) e no espaço interdigital (costuma atingir animais de cascos fendidos), podendo lesionar mamas e tetas. Pode ser confundida com estomatite vesicular. É um vírus (na verdade são quatro tipos de vírus) de fácil controle, pois a vacina é altamente eficaz, porém não é uma doença controlada no Brasil. Ovinos e caprinos servem como sentinelas da doença, pois a armazenam e não são vacinados.
Estomatite vesicular: os sinais clínicos são o aparecimento de aftas, vesículas, bolhas, desprendimento do epitélio, áreas ulceradas em “carne-viva” na língua e nos lábios, salivação, manqueira (também causa lesões nos cascos), febre e anorexia. Facilita a transmissão via mucosa oral, pois as vesículas são ricas nestes vírus.
BVD: imunodeficiência bovina. Retrovírus semelhante ao HIV humano.
IBR
Candidíase
Outras causas de distúrbios digestivos
Obstrução de glândulas salivares: ocorre por deposição de sais de cálcio nos ductos das glândulas.
Miopatia do músculo masseter: causada por pancadas ou deficiência de selênio.
Neoplasias: comumente causadas em ruminantes por ingestão de Pteridium aquilinum – samambaia. Tem efeito tóxico acumulativo e cancerígeno. Causa carcinoma epidermóide, cistite hemorrágica e anemia plásica.
Indigestão em Ruminantes
Acontece por alguma deficiência no processo digestório. Pode ocorrer por deficiência de vitamina B (porém é muito difícil) e também por deficiência motora no rumem.
Importância
Energia, equilíbrio de aminoácidos essenciais e vitaminas.
Classificação
Indigestões Primárias – distúrbios motores:
Reticuloperitonite traumática;
Timpanismo espumoso;
Timpanismo por gás livre;
Reticulite/ruminite;
Indigestão vagal;
Obstrução da cárdia;
Obstrução do orifício reticulomasal.
Indigestões Primárias – distúrbios fermentativos:
Indigestão simples;
Acidose láctica rumenal aguda;
Acidose rumenal crônica;
Alcalose rumenal – geralmente causada por intoxicação por uréia.
Indigestões Secundárias – secundárias a enfermidades sistêmicas:
Toxemia – febre e depressão que produzem anorexia, hipomotilidade rumenal secundária e queda na função fermentativa rumenal.
Fisiologia da seqüência de contrações
Ciclo primário de contração: 1x por minuto. Contração bifásica do retículo → contração que se desloca caudalmente pelo saco rumenal dorsal → saco rumenal ventral. 2ª contração reticular → orifício omasal relaxa → líquido passa para o omaso.
Este padrão de motilidade influencia diretamente a fermentação do rúmen:
Por misturar o material ingerido;
Impede o acúmulo de substâncias ou produtos finais da fermentação;
Distribui a saliva tamponante;
Promove o maior contato do líquido com a parede rumenal;
Estratificação de líquido e matéria particulada.
Ciclo secundário: Sacos cegos caudais → e a onda de contração avança cranialmente pelo rumem dorsal → empurrando a “cúpula” gasosa para a região da cárdia → eructação. Este ciclo ocorre tipicamente após 2 ciclos primários, de modo que 3 contrações ocorrem a cada 2 minutos.
Centros gástricos da medula integram as informações sensitivas e geram impulsos motores e as manifestações são conduzidas pelos nervos vagos.
Fisiologia da Ruminação
Ruminar: É um reflexo iniciado pela estimulação de receptores na mucosa do retículo – rumem. Ciclo composto por 4 fases:
Regurgitação;
Remastigação;
Reinsalivação;
Redeglutição.
Regurgitação de um bolo de massa alimentar → movimento respiratório com a glote fechada → cavidade torácica aumenta seu volume sem que os pulmões se inflem → pressão intrapleural diminui → maior diminuição do espaço do mediastino e nos órgãos localizados em seu interior → cárdia abre-se devido à pressão + diminuição no interior do esôfago → peristaltismo reverso é iniciado no esôfago → massa alimentar rapidamente é carreada pela boca → bolo regurgitado na boca → espreme o líquido dele e deglute → remastigação + reinsalivação → deglutição da saliva (2 a 3 vezes).
Química e microbiologia do Rumem
A fermentação ocorre no rúmen e retículo por ação de bactérias (80%) e protozoários (20%). A maioria das bactérias são anaeróbicas e produzem Ácidos Graxos Voláteis.
Ácido acético – 60 a 70%;
Ácido propiônico – 15 a 20%;
Ácido butírico – 10 a 15%;
CO2 e Metano.
População microbiana dos pré-estômagos
Dividem-se de acordo com o grupo fermentativo:
Grupo das celulolíticas ou proteolíticas:
CHO, celulose, hemicelulose, pectina, amido e açúcares.
Grupo das amilolíticas:
Produtos do grupo 1: pentoses, succinato e glicose.
	Alimento
	Conteúdo Ruminal
	Efeito Sobre a saúde
	Forragem primária de elevada qualidade, com longo comprimento da fibra. Fibra crua com menos de 18% da matéria seca; com suplementação de concentrado na base de 20 a 105 da ingestão total, nível de proteína moderado.
	pH = 6 – 7, AGV 60 a 120 mmol/L
Ac. acético(propiônico(butírico
	Normal, sadio, produtivo
	Excessiva forrageira de baixo valor nutritivo (corte tardio), com pouca suplementação com concentrado ou proteína.
	pH = 6.5 – 7, AGV diminuído, queda na atividade microbiana
	Baixa produção ou crescimento, inatividade da microflora e compactação rumenal, desnutrição causada por deficiência de proteína, energia, minerais e vitaminas.
	Elevado nível de alimentos concentrados (( 60%) com redução das forragens e/ou comprimento da fibra.
	pH 5 – 6.5, Aumento no AGV,

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