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Clínica de grandes animais

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Acaba causando acidose sistêmica e o animal tenta compensar hiperventilando. Causa dilatação das alças intestinais, que aumentam o peristaltismo.
Obs: os bezerros possuem a goteira esofágica, que leva o leite direto para o abomaso, evitando sua fermentação no rumem. Se administrar ração ao bezerro e logo em seguida ocorrer a mamada, o leite acabará ficando retido no rumem, levando a fermentação excessiva e ao timpanismo.
Sinais Clínicos
Dor.
Prostração e apatia.
Aumento de volume abdominal.
Mucosas desidratadas e cianóticas – grau de desidratação severa.
Processo inflamatório.
Tempo de coagulação aumentado.
Freqüência respiratória (dispnéia) e cardíaca muito aumentadas.
Hipertermia – a troca de calor no ruminante é respiratória e fica dificultada pela dispnéia.
Patologia Clínica
Análise do liquido ruminal:
Cor: A cor do liquido ruminal varia de acordo com o alimento oferecido aos animais:
Feno: verde-oliva à verde-acastanhado
Pastagem: verde –escuro
Silagem/grãos: castanho-amarelado
Estase ruminal - leva à decomposição da ingesta: negro-esverdeada
Acidose: verde-leitoso.
Consistência: A consistência característica do liquido ruminal é ligeiramente viscosa. Caso esteja inativo terá consistência aquosa. Uma eventual contaminação por saliva durante a coleta aumenta a viscosidade.
Odor: O odor do líquido ruminal é considerado “aromático”. Alterações desta característica indica inatividade da flora.
Odor pútrido: material protéico em decomposição
Odor ácido: acidose lática
Odor de amônia: intoxicação por uréia
pH: O pH do liquido ruminal varia de acordo com a composição da dieta a qual os animais são submetidos, sendo em dietas compostas por forrageiras de 6 a 7 e em dietas compostas com alimento fibroso e cereais entre 5,5 e 6,5.
Sedimentação/Flotação: Este método constitui-se em um modo grosseiro de avaliação de atividade da microflora ruminal, porém de utilidade relevante em nível de campo. O liquido deve ser filtrado e colocado em um tubo logo após a coleta e, em condições normais, dentro de 4 a 8 minutos, as partículas finas tendem a se sedimentar.
Teste de redução do azul de metileno: Este método avalia indiretamente o metabolismo fermentativo das bactérias e tem relação com a composição da dieta. Coloca-se 0,1ml de azul de metileno para 20ml de suco ruminal e aguarda-se por 4 minutos. Se o azul de metileno desaparecer logo, o suco está normal (ativo). Se não desaparecer ou demorar muito (mais de 10 minutos), significa que o suco está inativo. As bactérias e os protozoários do suco é que consomem o azul de metileno.
Microscopia: Analise do líquido ruminal.
Achados de necropsia
Verificar o rumem. Em casos de timpanismo, a mucosa ruminal estará descolando facilmente da muscular, se encontrará espessada, com sua coloração enegrecida e ulcerada.
Diagnóstico
Sintomatologia clínica.
Histórico do paciente.
Patologia clínica do líquido ruminal.
Prognóstico
Dependerá do tipo de timpanismo, do quanto o animal ingeriu e da prontidão do atendimento. Se for por ingestão excessiva de grãos é ruim.
Tratamento
Sonda ou trocater - para aliviar a pressão. Emergencial em casos de timpanismo por gases livres. Em seguida deve-se higienizar o local e cobrir com curativo para evitar infecção.
Fluidoterapia
Ruminotomia – indicada em casos mais graves (proceder a retirada do conteúdo ruminal).
Transfaunação – transfusão de 10 a 15 litros do fluido ruminal – retira-se de uma vaca sadia e administra-se na outra, via sonda: sua função é equilibrar a flora que está alterada. Em fazendas muito grandes é comum manter uma vaca fistulada para a coleta do líquido ruminal e proceder a transfaunação.
Bicarbonato de sódio a 5% em volume de 5 litros de água morna – paliativo: resolve momentaneamente, mas não soluciona a causa do problema (pois o conteúdo ruminal continuará a produzir ácidos).
Hidróxido de magnésio ou hidróxido de alumínio: dose de 1g/kg de peso vivo diluído em 10 litros de água. São protetores de mucosa, mas não são muito usados na rotina.
Carvão ativado por via oral na dose de 2g/kg.
Antibióticos – para prevenir a contaminação proveniente do trocater ou da ruminotomia e também para evitar contaminação secundária, pois o animal teve alteração de sua flora rumenal e está debilitado.
Antox pó (tiossulfato de sódio + hidróxido de alumínio + acido tânico) – 100ml diluído em água morna.
Blo Trol (acetil tributil citrato) – 20 a 30 ml/ animal, diluídos em meia garrafa de água.
Ruminol, Panzinol, Timpanzil.
Metoclopramida, Fibrostigmine, Pilocarpina – aumentam a motilidade intestinal, esvaziando seu o conteúdo. Com isso proporcionam esvaziamento do rumem. Podem causar excitação do animal, pois estimulam o SNC, por isso seu uso não é muito aconselhável.
Obs: Em casos de Angústia respiratória:
Trocater na fossa paralombar.
Intervenção cirúrgica – ruminotomia.
Reticulite e Ruminite
Lesões inflamatórias do reticulomem (levam a alterações de mucosa) são eventos comuns como seqüelas de outras moléstias primárias. As causas mais importantes são RPT (retículo-peritonite-traumática: causada por corpo estranho) e acidose láctica aguda. Infecções localizadas produzem inflamação das paredes destes órgãos e dor na porção anterior do abdome. Ambos estes fatores inibem a motilidade, o apetite e o fluxo aboral do material ingerido.
Obs: O corpo estranho pode não perfurar o retículo, mas apenas lacerar sua mucosa. Causando reação inflamatória.
Diagnóstico
Muito difícil. Geralmente só se diagnostica na necropsia, identificando as alterações de mucosa.
Tratamento
Antibiótico e antiinflamatório.
RPT – Retículo Peritonite Traumática
Ocorre por ingestão de corpo estranho. O corpo estranho ingerido geralmente se aloja no retículo, levando a perfuração do mesmo (dependendo do corpo estranho) e afetando órgãos anexos, principalmente peritônio, diafragma e pericárdio. Pode lesar o fígado e o pulmão, dependendo de para onde irá se deslocar. Pode ou não levar a um comprometimento sistêmico, por exemplo: um prego contaminado que perfura o fígado pode levar a septicemia, pois é um órgão muito vascularizado.
Apesar de a RPT não ser muito freqüentemente diagnosticada (pois nem sempre fornece sintomas – os bovinos são muito resistentes), a pericardite por RPT é a lesão circulatória mais estudada em ruminantes. Não é comum o corpo estranho chegar a perfurar o coração, pois é um músculo muito vigoroso, em constante trabalho. Geralmente o que ocorre é uma lesão no pericárdio, causando pericardite. A pericardite leva a efusão pericárdia, com ausculta. A dor fica localizada no final do esterno.
O ruminante possui muita eficiência em isolar (localizar) uma infecção abdominal, evitando uma peritonite generalizada. Geralmente a peritonite se mantém localizada. Mas se não tratada (diagnosticada) acaba se expandindo e se tornando generalizada.
Ocorrendo a perfuração do retículo, (RPT) é comum ocorrer aderências entre as estruturas (peritônio, diafragma e pericárdio).
Obs: Vacas leiteiras freqüentemente ingerem corpos estranhos.
Exame clínico
Percussão dolorosa – feita com martelo de borracha. O animal geme de dor se houver corpo estranho.
Pega no dorso – puxa-se a pele do dorso do animal e ele reclama de dor.
Bastão – passa o bastão transversalmente no ventre do animal (uma pessoa pega de cada lado do bastão) e pressiona-se o tórax e o abdome. Chegando na região do retículo o animal geme de dor.
Além destes três testes específicos para corpo estranho, há também o detector de metais e o teste da rampa íngreme, que consiste em colocar o animal para descer em um local íngreme. Os órgãos irão comprimir o retículo e o animal irá gemer de dor.
Exame laboratorial
Hemograma (neutropenia com desvio para esquerda).
Raio X – só se fosse de alta penetração, pois normalmente não atinge o retículo.
Diagnóstico diferencial
Peritonite simples;
Abscessos hepáticos;
Pericardite infecciosa;

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