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Clínica de grandes animais

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Ruptura ou obstrução intestinal;
Deslocamento ou úlcera de abomaso.
Laparotomia
Pode não ser RPT e sim uma torção de alça intestinal, peritonite simples, deslocamento de abomaso, abscesso hepático (os ruminantes têm muita propensão a formar abscessos hepáticos, pois os AGV’s formados na digestão seguem para o fígado – para sofrer gliconeogênese; sobrecarregando-o em casos de alimentações ricas em carboidratos). Portanto, antes de proceder a rumenotomia, faz-se uma laparotomia exploratória.
Tentar o acesso à área cardíaca e hepática (em pequenos ruminantes, pois em grandes é difícil chegar a essas regiões, já que o comprimento do braço do cirurgião não é suficiente), por fora do rumem. Se não identificar o problema faz-se rumenotomia para ter acesso ao retículo e retirar seu conteúdo.
Tratamento
Antibioticoterapia: largo espectro – tetraciclina, gentamicina, cefalosporina, penicilina – por 7 a 10 dias no mínimo.
Antiinflamatório: AINEs.
Obs: A colocação de um imã (com aplicador que o deposita direto no esôfago) no retículo diminui a incidência de RPT, mas não resolve o problema. Os objetos metálicos ingeridos ficam aderidos ao imã, mas dependendo da posição em que se fixarem, podem perfurar o retículo mesmo assim. Além disso, nem todo corpo estranho é metálico.
Prognóstico
A RPT tem prognóstico obscuro, pois dependerá da resposta do animal.
Síndrome da Indigestão Vagal ou Síndrome de Hoflund
Definição
Deficiência do nervo vago por hipofunção ou afunção do nervo, que pode ser causada por lesão ou compressão.
O nervo vago inerva rumem, retículo, omaso, peritônio, diafragma, etc. O nervo é altamente ramificado e suas ramificações passam pela parede do peritônio, podendo sofrer lesões por traumatismos ou na laparotomia exploratória (comum em suspeita de RPT).
Ocorrência
Não é muito comum. Está relacionado a traumatismo na região abdominal (flanco) por coices ou chifradas e também pode ocorrer após cirurgia de laparotomia exploratória, onde pode-se lesar ramificações do nervo ou causar um processo inflamatório perineal, que leva a compressão dessas ramificações, impedindo a passagem de impulso.
Fisiopatogenia
Leva a hipofuncionalidade dos pré-estômagos, mais raro à afuncionalidade, pois como o nervo vago tem muitas ramificações, é difícil lesionar todas.
Falha no transporte omasal – impede o fluxo da ingesta através do orifício reticulomasol. Ocorre por:
Atonia do orifício reticulorumen associada com timpanismo crônico recorrente.
Motilidade rumenal normal ou aumentada.
Falha no transporte pilórico – impede o fluxo através do piloro e pode ocorrer continuamente ou intermitente.
Sinais Clínicos
Histórico de timpanismo crônico (freqüente).
Não se alimenta direito.
Histórico de traumatismo.
Pode ser secundário a RPT – laparotomia exploratória.
Hipomotilidade do rumem.
Tratamento
Determinar a causa: freqüentemente é por laparotomia exploratória. Neste caso, tratar com antiinflamatório, pois geralmente não há rompimento da fibra e sim uma área inflamada que impede a passagem do impulso.
Administrar terapia específica, de acordo com a causa: Antibióticos, AINE’s, remoção do corpo estranho ou liberação da obstrução, drenagem do abscesso.
Aliviar a distensão dos pré-estômagos: normalmente deve ser repetido (caso tenha timpanismo).
Limitar a ingestão de água e alimentos: administrar somente pequena quantidade de alimentos palatáveis com alta proporção de fibra.(porque o processo de passagem do alimento está diminuído).
Transfaunação (para melhorar a flora).
Fístula rumenal se tiver timpanismo crônico.
Deve-se estimular o animal a mastigar, pois a mastigação causa estímulo vagal.
Massagem rumenal: com o punho ou joelho, pois também causa estímulo vagal.
Úlceras Abomasais
(Estômago verdadeiro)
Causas
Estresse – liberação de catecolaminas: leva a diminuição da produção do muco protetor da mucosa.
Pós-parto da vaca leiteira – a produção de leite começa a subir e o pico de lactação se dá seis semanas após o parto. Ocorre principalmente em novilhas pela falta de experiência (nível de estresse alto).
Deslocamento de abomaso – ou torção de abomaso. Leva a desvitalização da mucosa.
Linfoma – transmitido por vírus, causa aumento dos linfonodos (a região pilórica é rica em linfonodos) levando a obstrução da passagem do alimento para o intestino, acumulando o bolo alimentar dentro do abomaso com proliferação de HCl.
Indigestão vagal – leva a acúmulo de alimentos no abomaso e liberação de HCl.
Transição de alimentação – mudanças no hábito alimentar.
Classificação
Profundidade da penetração;
Grau de hemorragia;
Grau de peritonite.
ÚLCERA TIPO 1: costuma se resolver sozinha. Difícil diagnóstico.
Não perfurada.
Sem hemorragia.
Fezes normais com sangue oculto.
Quadro inespecífico.
Pode resolver espontaneamente em 4 a 6 dias.
ÚLCERA TIPO 2: evolução da tipo 1.
Não perfurada.
Hemorragia evidente.
Melena intermitente – enviar amostra para laboratório, pois o volume de fezes é muito grande e nem sempre se visualiza o sangue.
Sintomas de indigestão.
Anemia – mucosa clara: perda de sangue por muito tempo.
ÚLCERA TIPO 3: já é grave.
Perfurada com peritonite localizada.
Quadro semelhante a RPT.
Processo bem seqüestrado (localizado).
ÚLCERA TIPO 4:
Perfurada com peritonite difusa.
Choque septicêmico.
Morte.
Diagnóstico
Tipo 1 = difícil (sangue oculto).
Tipo 2 = específico (característica fecal) – presença de sangue nas fezes.
Tipo 3 = confunde-se com RPT.
Tipo 4 = prognóstico péssimo.
Tratamento
Tipo 1 e Tipo 2
Cimetidina: 5 a 15 mg/kg TID (ou ramitidina) – inibidores de H (impedem a formaçào de HCl).
Caolim pectina: 1l TID
Omeprazol – é mais viável em eqüinos.
Tipo 2:
Transfusão de sangue – casos de anemia grave, quando o hematócrito está abaixo de 16 ou 18%.
Dieta de boa qualidade e pouca quantidade (evitar alimento fibroso).
Tipo 3:
Prognóstico ruim – pode fazer peritonite difusa: administrar antibióticos para ajudar o organismo a encapsular e localizar a peritonite.
Deslocamento de Abomaso
Definição
É o deslocamento da víscera para esquerda ou para direita.
O abomaso não possui fixações (aponeuroses e ligamentos) que o prendam a outras estruturas, sendo uma víscera bem flexível e livre.
Ocorrência
É mais comum ocorrer o deslocamento em novilhas, principalmente pós-parto, pois ficam com o abdome muito distendido (por causa da gestação) e com o parto fica “sobrando” espaço interno, facilitando o deslocamento do abomaso.
A presença de gás (fermentação) no abomaso também é um fator predisponente para o deslocamento. Novilhas quando entram em lactação passam a ser alimentadas com maior quantidade de concentrado. Dessa forma, estas novilhas passam a ter dois fatores predisponentes: o pós-parto e a fermentação do concentrado no abomaso.
Para diminuir o risco, o ideal é alimentar cada novilha em seu coxo, pois se alimentá-las todas juntas, uma irá comer mais do que a outra e aumentar a probabilidade de deslocamento.
Fisiopatogenia
O abomaso pode se deslocar para direita ou para esquerda. Leva a aumento de volume para o lado onde se deslocou.
Quando é para a direita é mais grave, pois também sofre torção, o que não ocorre quando o deslocamento é para esquerda, por haver mais espaço.
Deslocamento para direita: na área de torção a região fica enegrecida, pois impede o fluxo sangüíneo (o plexo venoso fica interrompido). O animal entra em alcalose, pois o HCl fica preso no abomaso – é uma das raras causas de alcalose em ruminantes. Leva a ulceração da mucosa. Casos de deslocamento de abomaso para a direita devem ser encaminhados para cirurgia em no máximo 6h, caso contrário entram em septicemia e morte.
Deslocamento para esquerda: é mais tranqüilo e em alguns casos ocorre remissão espontânea. Mesmo com remissão espontânea, a chance de recidiva é grande, sendo ideal proceder uma omentopexia (fixando o duodeno ao omento), impedindo um novo

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