AULA 2 PSICANÁLISE

AULA 2 PSICANÁLISE


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TEORIAS E TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS
Aula 2
Abordagens Psicanalíticas
Profa. Gláucia Braga
Introdução as abordagens psicanalíticas
Várias modalidades de psicoterapia fundamentam-se na teoria psicanalítica: a psicanálise, a psicoterapia de orientação analítica, a psicoterapia de apoio, a psicoterapia breve dinâmica, além da terapia de grupo e de algumas formas de terapia familiar.
Psicoterapia psicodinâmica 
Psicoterapia expressiva-suportiva (de apoio) 
 Exploratória e expressiva quando seu objetivo preferencial é a analise das defesas, da transferência e a obtenção de insight sobre conflitos inconscientes.
Suportiva quando se propõe a fortalecer as defesas e a suprimir os conflitos inconscientes. 
Em um extremo expressivo - a psicánalise.
 No extremo suportivo - a terapia de apoio.
 Ambas têm por base a mesma teoria do desenvolvimento da personalidade e da formação dos sintomas.
Psicanálise 
e
 Psicoterapia de orientação analítica
O termo "psicanalise", significa dividir a mente em seus elementos constitutivos e nos seus processos dinâmicos.
Um conjunto de teorias psicologicas sobre o funcionamento mental, sobre a formação da personalidade e de aspectos do caráter, tanto aqueles considerados normais como os psicopatológicos (sexualidade infantil, inconsciente dinâmico, confito psiquíco, mecanismos de defesa e formação dos sintomas.
Um método ou procedimento de investigação dos conteúdos mentais, especialmente os inconscientes (livre associação, análise dos sonhos, análise da transferência).
O método psicoterápico propõe a efetuar modificações no caráter (ou em aspectos focais do caráter) por meio da obtenção de insight mediante a análise sistemática das defesas, na chamada neurose de transferência.
A psicanalise teve seu início nas experiências de Breuer e Freud ao tratar pacientes com sintomas conversivos por meio de hipnóse.
Após o abandono da hipnóse, Freud desenvolveu outras formas de acessar os conteúdos mentais inconscientes: a livre associação, regra fundamental da psicanálise, a interpretação dos sonhos e a análise da transferência.
No campo teórico, as ideias iniciais de Freud tiveram inúmeros desdobramentos, destacando-se a Psicologia do ego, liderada por Anna Freud; a Teoria das Relações de Objeto, Melanie Klein; a Psicologia do self, Heins Kohut; a Teoria do Apego, de Bowlby e Bion; O Processo de Separação e Individuação, de Margareth Mahler, entre outras. (Gabbard, 2005).
Psicologia do ego
O mundo intrapsíquico é caracterizado por conflitos entre três instâncias: o ego, o id e o superego, O conflito se manifesta pela ansiedade que, por sua vez, mobiliza os mecanismos de defesa do ego. 
Os sintomas representam soluções de compromisso entre a expressão plena dos impulsos. (ou sentimentos) e sua repressão ou manejo pelos mecanismos de defesa e moldam o caráter da pessoa. 
A análise das defesas que surgem como resistência ao tratamento e o foco da psicoterapia, a luz da Psicologia do ego (Gabbard, 2005).
Teoria das relações de objeto
Psicologia do self
A teoria das relates de objeto parte do princípio de que as relações são internalizadas muito precocemente, a partir dos primeiros meses de vida, e envolvem as representações do self, do objeto e dos afetos que ligam essas representações.
 Dissociação e projeção são os mecanismos de defesa mais utilizados nessa fase primitiva do desenvolvimento (Gabbard, 2005).
Para Kohut (psicologia do self, os pacientes narcisistas, em vez de conflitos, teriam deficits de uma relação empática com a mãe, o que os deixariam muito vulneráveis em questões de autoestima.
 Em sua formação, o self começaria sob a forma de núcleos fragmentados que adquiririam coesão como consequencia de respostas empáticas dos pais (Gabbard, 2005).
A técnica da psicánalise
O analista adota uma atitude neutra, sentando-se nas costas do paciente, não havendo, portanto, um contato visual direto.
 O paciente é orientado a expressar -se livremente e sem censura seus pensamentos, sentimentos, fantasias, sonhos, imagens, assim como as associates que lhe ocorrem, sem prejulgar sua relevância ou significado.
 O terapêuta senta atrás do diva, mantendo uma atitude de curiosidade e de ouvinte atento, de tempos em tempos, interrompe as associações do paciente, fezendo-o observar determinadas conexões entre fatos de sua vida mental (interpretação), particularmente emoções ou fantasias relacionadas com a pessoa do terapêuta (transferência), que passam despercebidas, e refletir sobre o seu significado subjacente (inconsciente).
Se estabelece uma regressão e uma relaçãao transferencial por parte do paciente, que passa a deslocar para a pessoa do terapêuta pensamentos e sentimentos voltados, originariamente, para pessoas importantes do seu passado, repetindo padrões primitivos.
A psicanalise utiliza habitualmente quatro sessões por semana, podendo variar para três ou até cinco sessões semanais, que duram de 45 a 50 minutos. As sessões ocorrem sempre em horários pré estabelecidos, podendo o tratamento durar vários anos.
A técnica da psicoterapia de orientação analítica
Na terapia de orientação analítica, as associates não são tão livres como na psicanálise, pois habitualmente são dirigidas pelo terapeuta para questões-chave da terapia, a qual, a princípio, busca intervir em áreas circunscritas ou problemas delimitados, dentro da area selecionada (foco), o paciente e estimulado a explorer seus sentimentos, suas ideias e suas atitudes por meio de suas relações com figuras importantes de sua vida atual, do seu passado, e com o próprio terapeuta, com vistas ao insight.
 São interpretadas as defesas, mas as interpretações transferenciais são menos frequentes.
 É feito um uso maior de esclarecimento, sugestão e, até mesmo, de técnicas comportamentais (sugestão e reforços), do que na psicanalise.
Sem a utilização do divã, com o uso menor da associação livre e com sessões menos frequentes, a regressão é menor e a transferência não se desenvolve com a mesma intensidade, primitivismo e rapidez que a psicánalise (Ursano; Silberman, 2003; Person; Cooper; Gabbard, 2007).
A psicoterapia de orientação analítica utiliza-se de uma a três sessões semanais, com o paciente sentando-se em uma poltrona de frente para o terapeuta
O tratamento pode durar vários meses ou até anos.
Psicoterapia psicodinâmica
As terapias psicodinâmicas buscam a mudança essencialmente por meio do insight e da relação terapêutica. O insight é obtido em consequência das interpretações, tornando conscientes impulsos, sentimentos, medos, fantasias e desejos, especialmente quando se manifestam na relação transferencial.
Além do insight, algumas mudanças podem ser consideradas consequência da própria relação terapêutica. Em um tratamento prolongado como a psicanálise, com vários encontros semanais, é inevitável que o paciente internalize, na relação com o terapêuta, aspectos reais de sua pessoa, especialmente os aspectos idealizados e com os quais se identifica, e, como consequencia, sejam modificadas representações (de objeto e do self; das figuras parentais internalizadas na infância.
Um outro efeito do tratamento e o aumento da capacidade de refletir sobre si mesmo, de identificar sentimentos ligados a pessoas do passado e
 deslocados para pessoas da vida presente.
As terapias psicodinâmicas destinam-se ao tratamento de problemas de natureza crônica, cuja origem situa-se em dificuldades ocorridas na infância, em especial nas relações com os pais. Podem ser úteis, em principio, para pessoas com traços ou transtornos da personalidade que causam prejuízo a suas relações interpessoais, familiares ou profissionais, ou para tratar problemas caracteriológicos mais graves ou com atrasos em tarefas evolutivas, como, por exem-plo, aquisição e consolidação de identidade própria, independência e autonomia , trabalho introspectivo e transtornos de ajustamento.
É indispensável que o paciente:
Seja capaz de comunicar-se de forma honesta com o