História do Cinema Mundial

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conhecidos pelas versões de O 
corcunda de Notre Dame (Wallace Worsley, 1923) e O fantasma da ópera 
(Rupert Julian, 1925) - Leni se destacaria pela realização de filmes de horror 
com toques de humor, entre os quais O gato e o canário (1927) e O homem que 
ri (1928). O primeiro trazia uma típica história de casa mal-assombrada e se 
tornaria um paradigma para o gênero. O segundo, estrelado por Conrad Veidt, 
contava a história trágica de um homem deformado na infância, com um 
sorriso permanente, que se apaixona por uma artista cega. 

Morto por septicemia em 1929, deixou um legado fundamental para o 
cinema fantástico: seu talento para criar ambientes mágicos com base na 
cenografia e na iluminação marcaria os filmes de horror da Universal nos anos 
1930, entre eles Drácula (1931), de Tod Browning, e Frankenstein (1931), de 
James Whale - ambos clássicos do cinema de horror de todos os tempos. 

Desdobramentos 

O cinema alemão da década de 1920 - muitas vezes descrito como 
violento, extremo, decadente - é geralmente apontado como "carro-chefe" 
cultural da instável República de Weimar (1919-1933) e, por isso, como uma 
das fontes preparadoras do nazismo. Assim, não é surpreendente que tenha 
adquirido uma ambígua reputação. 

De fato, parece impossível esquecer que, entre esses filmes e nós, 
interpõe-se o nazismo, o que se torna ainda mais importante quando 
observamos continuidades significativas entre o cinema alemão pré e pós-
1933 (sobretudo no que se refere ao poderio da UFA). Mas existem outros 
olhares pelos quais podemos examinar o cinema do período, conforme 
tentou-se mostrar neste capítulo. 

Além disso, é preciso recordar que o êxodo de cineastas, atores e 
técnicos alemães espalhou influências "expressionistas" em diferentes pontos 
do planeta, notoriamente nos Estados Unidos. Muitas figuras importantes do 
cinema alemão foram trabalhar em Hollywood e, diferentemente de escritores 

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exilados como Thomas Mann e Bertolt Brecht (que continuaram a produzir 
1iteratura "alemã"), contribuíram para o cinema norte-americano (Nowell-
Smith 2001), difundindo elementos de sua técnica e de seu estilo por 
diferentes estúdios e gêneros. 

Ao final da Segunda Guerra, em 1945, esses profissionais não podiam 
simplesmente voltar à Alemanha e retomar atividades como se nunca 
houvessem partido. Ao mesmo tempo, os que estavam no país e haviam 
colaborado com o nazismo não encontravam trabalho. Assim, dividido pelos 
nazistas em 1933 e pela Guerra Fria em 1947, o cinema alemão levaria muitos 
anos para se recuperar, conquistando um novo período de prestígio apenas nos 
anos 1970, com o trabalho de cineastas como Rainer Werner Fassbinder, 
Werner Herzog e Wim Wenders. 

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IMPRESSIONISMO FRANCÊS 

Fernanda A. C. Martins 

A eclosão da Primeira Guerra Mundial iria modificar por completo o 
curso da história do cinema. Quando as companhias cinematográficas 
européias se viram forçadas a reduzir sua produção, uma grande leva de filmes 
americanos foi importada para suprir a demanda do mercado europeu. A 
partir desse momento, os Estados Unidos se tornariam o maior fornecedor de 
filmes do mercado cinematográfico do mundo, posição que ocupam até hoje. 
É nesse contexto histórico, de crise da indústria cinematográfica européia, que 
surge o movimento impressionista francês. 

Em face da hegemonia americana, a França tenta reformar a sua 
produção e imprimir às imagens fílmicas um poder de expressão que só se 
realizará na forma de uma arte. Até então considerado um espetáculo 
essencialmente popular, o cinema deveria adquirir um novo estatuto, o de 
uma arte tão legítima quanto a literatura, o teatro, a pintura, a música. De 
início, foram poetas como Guillaume Apollinaire e Blaise Cendrars, além de 
outros artistas e críticos, que começaram a perceber o cinema não mais como 
um simples entretenimento, mas como uma rica fonte de inspiração. Mas foi 
com a adesão do poeta, dramaturgo e crítico de teatro Louis Delluc, ao qual se 
uniriam o escritor Mareei UHerbier, o também poeta Jean Epstein e os 
cineastas Abel Gance e Germaine Dulac, que o ideal se realizou. Eles não 

somente fizeram filmes e escreveram sobre cinema, como constituíram o 
chamado Impressionismo francês. 

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Antecedentes históricos 

Desde os seus primórdios, a indústria cinematográfica francesa gozara 
de uma posição de privilégio, buscando explorar os mais variados expedientes 
no campo da produção, da distribuição e da exibição de filmes. Em 1907, a 
sociedade Pathé Frères, fundada por Charles Pathé e seus irmãos em 1896, 
tornara-se a maior empresa cinematográfica do mundo, detendo o controle do 
mercado de cinema. Começou a distribuir seus próprios filmes, alugando-os, 
em vez de vendê-los. Nos anos seguintes, a Pathé distribuiria também os 
filmes de outras companhias, por intermédio de filiais