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2.01___Luminotecnica_e_Lampadas_Eletricas_(Apostila)

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lâmpadas de 70 W a 
2000 W, sendo utilizadas em aplicações onde a reprodução de cores é 
determinante, como por exemplo, em estúdios cinematográficos, iluminação de 
vitrines e na iluminação de eventos com transmissão pela televisão. 
 
Lâmpadas de luz negra 
 
São lâmpadas a vapor de mercúrio, diferindo destas somente no vidro 
utilizado na confecção da ampola externa. Nesse caso utiliza-se o bulbo externo de 
vidro com óxido de níquel (vidro de Wood), que sendo transparente ao ultra-violeta 
próximo absorve em grande parte o fluxo luminoso produzido. 
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Faculdade de Engenharia Elétrica 
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São usadas em exames de gemas e minerais, apuração de fabricações, 
setores de correio, levantamento de impressões digitais, na indústria alimentícia 
para verificar adulterações, etc. 
 
4. Projeto de Iluminação 
 
O projeto de iluminação tem por objetivo estabelecer o melhor sistema de 
iluminação para uma dada aplicação, notando que muitas vezes a definição de 
“melhor” é complexa e leva em conta fatores subjetivos. Na elaboração de um 
projeto de iluminação são considerados, por um lado, os diferentes tipos de 
lâmpadas e luminárias disponíveis comercialmente e, por outro lado, os requisitos 
da aplicação, os quais incluem o tipo e o grau de precisão da atividade a ser 
desenvolvida no local, as pessoas que desenvolverão essa atividade, etc. 
De uma forma geral, o sistema de iluminação deve garantir níveis de 
iluminamento médio adequados em função das características do local e da 
atividade a ser desenvolvida. Para tanto, as normas técnicas possuem valores de 
referência habitualmente utilizados em projetos de iluminação. Uma vez escolhida a 
luminária a ser utilizada, a etapa final do projeto consiste em determinar o número 
de luminárias necessárias para alcançar o valor de iluminamento médio 
especificado e ainda proceder a ajustes de uniformização levando em conta a 
simetria do local. 
Define-se iluminamento médio (EM) em uma dada superfície como: 
S
EM
φ
=
 
 Em que: φ - é o fluxo luminoso total que atravessa a superfície (lm); 
 S - é a área da superfície considerada (m2). 
A unidade do iluminamento é lm/m2, mais conhecida por lux. É através do 
iluminamento médio que são fixados os requerimentos de iluminação em função da 
atividade a ser desenvolvida em um determinado local. 
Outro conceito fundamental em luminotécnica é o de curva de distribuição 
luminosa (ver figura 4.1), descrita no item 2.1 desta apostila. Os valores de 
intensidade luminosa são fornecidos considerando luminária equipada com fonte 
luminosa padrão com fluxo luminoso total de 1000 lm. Caso a lâmpada produza um 
fluxo diferente, os valores de intensidade luminosa deverão ser corrigidos 
proporcionalmente. 
Tem-se ainda o objetivo de eliminar o ofuscamento provocado pela 
iluminação. O ofuscamento gera uma redução na capacidade de visualização dos 
objetos e desconforto visual. Pode ser direto, isto é, ocorrendo pela visualização 
direta da fonte de luz, que pode ser uma lâmpada ou luminária, podendo ser 
neutralizado pela utilização de aletas ou difusores nas luminárias. Pode também ser 
indireto, ocorrendo quando a reflexão da luz sobre o plano de trabalho atinge o 
campo visual, podendo ser causado pelo excesso de luz no ambiente ou pelo mal 
posicionamento das luminárias. 
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Figura 4.1 – Exemplo de curva de distribuição luminosa 
 
 
 
 
4.1 Previsão de Carga (NBR 5410) 
 
Como regra geral, a NBR 5410 estabelece que as cargas de iluminação 
devem ser determinadas como resultado da aplicação da NBR 5413: Iluminância de 
interiores – Procedimento. Como alternativa ao uso da NBR 5413, e 
especificamente em unidades residenciais, a NBR 5410 apresenta o seguinte 
critério de previsão de carga de iluminação para cada cômodo ou dependência: 
 
 
 
A norma adverte que os valores indicados são para efeito de 
dimensionamento dos circuitos, não havendo qualquer vínculo, com potência 
nominal de lâmpadas. 
Em cada cômodo ou dependência de unidades residenciais deve ser previsto 
pelo menos um ponto de luz fixo no teto, com potência mínima de 100 VA, 
comandado por interruptor de parede. 
 
Tabela 4.1 – Exemplo do método da precisão de carga 
Dependência Dimensões – área 
(m²) 
Potência de iluminação (VA) 
 
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Sala 3,25 x 3,05 = 9,91 9,91m² = 6m² + 3,91m² 
 
 
100VA 
100VA 
 
Copa 
 
3,10 x 3,05 = 9,45 
 
9,45m² = 6m² + 3,45m² 
 
 
100VA 
 
100VA 
 
Cozinha 
 
3,75 x 3,05 = 11,43 
 
11,43m² = 6m² +4m² + 1,43m² 
 
 
 100VA + 60VA 
 
160VA 
 
Dormitório 
 
3,25 x 3,40 = 11,05 
 
11,05m² = 6m² +4m² + 1,05m² 
 
 
 100VA + 60VA 
 
160VA 
 
Banho 
 
1,80 x 2,30 = 4,14 
 
4,14m² 
 
 
100VA 
 
100VA 
 
Nos próximos itens serão abordados os principais métodos para projeto de 
iluminação, como o Método dos Lumens e o Método Ponto. O primeiro se destina 
principalmente a projetar a iluminação de recintos fechados, onde a luz refletida por 
paredes e teto contribui significativamente no iluminamento médio do plano de 
trabalho (o plano onde serão desenvolvidas as atividades; por exemplo, o plano das 
mesas em um escritório). O Método Ponto a Ponto se destina principalmente ao 
projeto de iluminação de áreas externas, onde a contribuição da luz refletida pode 
ser desprezada sem incorrer em erros significativos. Além disso, o Método Ponto a 
Ponto pode ser utilizado como cálculo verificador de um projeto elaborado pelo 
Método dos Lumens. 
 
4.2 Métodos de Cálculo 
 
4.2.1. Método dos Lumens ou do Fluxo Luminoso. 
 
O Método dos Lumens tem por finalidade principal determinar o número de 
luminárias necessárias para garantir um valor de iluminamento médio especificado a 
priori. Ele pode ser resumido nos passos a seguir. 
 
Passo 1 
 
Estabelecer o iluminamento médio do local, em função das dimensões do 
mesmo e da atividade a ser desenvolvida. Conforme mencionado anteriormente, as 
normas técnicas possuem valores de referência para o iluminamento médio. 
De acordo com a NBR 5413, para a determinação da iluminância conveniente 
é recomendável considerar as seguintes classes de tarefas visuais. 
 
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Tabela 4.2 – Iluminância por classe de tarefas visuais 
Classe Iluminância (lux) Tipo de atividade 
20 – 30 – 50 Áreas públicas com arredores 
escuros 
50 – 75 – 100 Orientação simples para 
permanência curta 
100 – 150 – 200 Recintos não usados para 
trabalho contínuo; depósitos 
A 
 
Iluminação geral para áreas 
usadas interruptamente ou com 
tarefas visuais simples 
200 – 300 – 500 Tarefas com requisitos visuais 
limitados, trabalho bruto de 
maquinaria, auditórios 
500 – 750 – 1000 Tarefas com requisitos visuais 
normais, trabalho médio de 
maquinaria, escritórios 
B 
 
Iluminação geral para área de 
trabalho 1000 – 1500 – 2000 Tarefas com requisitos 
especiais, gravação manual, 
inspeção, indústria de roupas 
2000 – 3000 – 5000 Tarefas visuais exatas e 
prolongadas, eletrônica de 
tamanho pequeno 
5000 – 7500 – 10000 Tarefas visuais muito exatas, 
montagem de microeletrônica 
C 
 
Iluminação adicional para 
tarefas visuais difíceis 
10000 – 15000 – 20000 Tarefas visuais muito especiais, 
cirurgia 
Nota: As classes, bem como os tipos de atividade não são rígidos quanto às iluminâncias