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Um_toque_de_clássicos - Durkheim Marx Weber - Sociologia

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também elementos subjetivos dos quais o pensamento necessita 
desembaraçar-se para organizar-se cientificamente, logicamente. Em suma, a ciência, a moral 
e a religião originam-se de uma mesma fonte: a sociedade. 
 
CONCLUSÕES 
 
Embora o método positivista - abraçado pelo autor em seu esforço de constituir 
uma Sociologia dotada de sólidas bases empíricas - tenha por vezes confundido analistas mais 
apressados que o identificaram com as tendências conservadoras do pensamento político e 
social da época, Durkheim esteve atento para o surgimento de novas crenças, ideais e 
representações, gerados em períodos revolucionários ou de grande intensidade da vida social, 
capazes de extinguir o “frio moral” pelo qual passavam as sociedades industriais. Seriam 
precisamente esses os momentos de exaltação da vida moral, quando forças psíquicas recém-
nascidas permitem aos homens recuperar o vigor de sua fé no caráter sagrado de suas 
sociedades e transformar seu meio, atribuindo-lhe a dignidade de um mundo ideal. Por outro 
lado, a profunda fé mantida por Durkheim na capacidade de convivência entre indivíduos 
idiossincráticos, sem que se pusesse em risco a existência da vida social, atesta sua 
 
89
 DURKHEIM. Las formas elementares de la vida religiosa, p. 19. 
sensibilidade para as tendências de mudança, embora de caráter pacífico e mesmo reformista, 
assim como sua esperança no exercício da liberdade responsável num quadro de justiça social 
e de ideais cosmopolitas que se estenderia a toda a humanidade. Apesar disso, reconhece “que 
ainda não estamos no tempo em que esse patriotismo poderá reinar totalmente, se é que esse 
tempo poderá chegar um dia”.90 
A obra de Durkheim, impulsionada pelo grupo de brilhantes intelectuais e 
pesquisadores que se formou, graças à sua liderança, em torno da revista L’Année 
Sociologique teve um impacto decisivo na Sociologia. Sua influência é particularmente 
visível no caso dos estudos sobre a Sociologia da religião e os sistemas simbólicos de 
representação. As reflexões que Durkheim realizara junto com Mareel Mauss (1872-1976) a 
respeito das representações coletivas e dos sistemas lógicos de compreensão do mundo 
originários de distintos grupos sociais estabeleceram uma ponte entre sua teoria sociológica e 
as preocupações que marcam a Antropologia contemporânea. Por outro lado, uma vertente do 
pensamento Durkheimiano, mais especificamente os aspectos ligados ao consenso e à 
integração do sistema social, foi incorporada à moderna teoria sociológica norte-americana 
através da interpretação de Talcott Parsons. Suas idéias inspiraram também estudos recentes 
sobre a desintegração de padrões tradicionais de interação devidos aos processos de 
urbanização, além de pesquisas sobre a família, a profissão e a socialização. 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
DURKHEIM, E. A Sociologia em França no século XIX. In: __ . A ciência social e a ação. 
Tradução de Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. Sociologia e ciências sociais. In: __. A ciência social e a ação. Tradução de 
Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. Propriedade social e democracia. In: __. A ciência social e a ação. Tradução 
de Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. Os princípios de 1789 e a Sociologia. In: __ .A ciência social e a ação. 
Tradução de Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. Sobre a definição de Socialismo. In: __ . A ciência social e a ação. Tradução 
de Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
 
90
 DURKHEIM. Lições de Sociologia: a moral, o direito e o Estado, p. 69. 
DURKHEIM, E. Socialismo e ciência social. In: __. A ciência social e a ação. Tradução de 
Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. A concepção materialista da história. In: __ . A ciência social e a ação. 
Tradução de Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. O individualismo e os intelectuais. In: __ . A ciência social e a ação. 
Tradução de Inês D. Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. O futuro da religião. In: __ . A ciência social e a ação. Tradução de Inês D. 
Ferreira. São Paulo: Difel, 1975. 
DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. Tradução de Maria Isaura P. Queiroz. São 
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974. 
DURKHEIM, E. De la división del trabajo social. Tradução de David Maldavsky. Buenos 
Aires: Schapire, 1967. 
DURKHEIM, E. Educação e Sociologia. 4. ed. Tradução de Lourenço Filho. São Paulo: 
Melhoramentos, 1955. 
DURKHEIM, E. Las formas elementales de Ia vida religiosa. Buenos Aires: Schapire, 1968. 
DURKHEIM. La famille conjugale. Revue Philosophique de la France et l’Étranger, Paris, n. 
XCI, p. 8, jan./juin 1921. 
DURKHEIM, E. Lições de Sociologia: a moral, o direito e o Estado. Tradução de B. 
Damasco Penna. São Paulo: T. A. Queiroz/Edusp, 1983. 
DURKHEIM, E. Sociología y filosofía. Tradução de M. Bolafío Hijo. Buenos Aires: Kraft, 
1951. 
DURKHEIM, E. O suicídio. Tradução de Nathanael Caixeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
MAX WEBER 
 
Maria Ligia de Oliveira Barbosa 
Tania Quintaneiro 
 
 
A tarefa do professor é servir aos alunos com 
o seu conhecimento e experiência e não 
impor-Lhes suas opiniões políticas pessoais. 
Max Weber 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
À época de Max Weber, travava-se na Alemanha um acirrado debate entre a 
corrente até então dominante no pensamento social e filosófico, o positivismo, e seus críticos. 
O objeto da polêmica eram as especificidades das ciências da natureza e do espírito e, no 
interior destas, o papel dos valores e a possibilidade da formulação de leis. Wilhelm Dilthey 
(1833-1911), um dos mais importantes representantes da ala antipositivista, contrapôs à razão 
científica dos positivistas a razão histórica, isto é, a idéia de que a compreensão do fenômeno 
social pressupõe a recuperação do sentido, sempre arraigado temporalmente e adscrito a uma 
weltanschauung
1
 (relativismo) e a um ponto de vista (perspectivismo). Obra humana, a 
experiência histórica é também uma realidade múltipla se inesgotável. 
Mas foram Marx e Nietzsche, reconhecidos pelo próprio Weber como os 
pensadores decisivos de seu tempo, aqueles que, segundo alguns biógrafos, tiveram maior 
impacto sobre a obra do sociólogo alemão. A influência de Marx evidencia-se no fato de 
ambos terem compartilhado o grande tema - o capitalismo ocidental - e dedicado a ele boa 
parte de suas energias intelectuais, estudando-o da perspectiva histórica, econômica, 
ideológica e sociológica. Weber propôs-se a verificar a capacidade que teria o materialismo 
histórico de encontrar explicações adequadas à história social, especialmente sobre as relações 
entre a estrutura e a superestrutura. Em suma, procurou compreender como as idéias, tanto 
quanto os fatores de ordem material, cobravam força na explicação sociológica, sem deixar de 
criticar o monismo causal que caracteriza o materialismo marxista nas suas formas vulgares. 
Weber também é herdeiro da percepção de Friedrich Nietzsche (1844-1900) 
segundo a qual a vontade de poder, expressa na luta entre valores antagônicos, é que torna a 
 
1
 Visão de mundo. 
realidade social, política e econômica compreensível. Isso refletia preocupações correntes de 
historiadores, sociólogos e psicólogos alemães, interessados pelo caráter conflituoso implícito 
no pluralismo democrático. 
Enfim, cabe lembrar a originalidade de Weber no refinamento dessas e de outras 
idéias que estavam presentes nos debates da época. Os conceitos com os quais interpretou a 
complexa