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01 - DIREITO PREVIDENCIÁRIO - 1ª Prova

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já que qualquer pessoa que tenha pago tributo ao Estado estará, indiretamente, contribuindo para o custeio da Previdência. São os sistemas ditos não contributivos. A Austrália e alguns países da Europa - a Dinamarca, por exemplo - adotam o sistema não contributivo.
O modelo brasileiro sempre foi o contributivo, atualmente previsto conforme o princípio constitucional estabelecido no art. 201, caput, da Constituição. Também se observa a previsão de que a União possa instituir contribuições sociais para a sociedade em geral, e os Estados e Municípios, para custeio dos regimes previdenciários de seus próprios servidores, art. 149 e seu parágrafo único. Assim, a própria Constituição identifica alguns contribuintes do regime: empresas, trabalhadores e apostadores em concursos de prognósticos. A arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos de Natureza Financeira (CPMF) também era destinada especificamente para as áreas de Saúde e Previdência Social, além do Fundo de Erradicação da Pobreza, tendo como contribuintes aqueles que efetuem movimentação financeira que torne exigível o tributo.
No sistema contributivo, os recursos orçamentários do Estado para o custeio do regime previdenciário também concorrem para este, mas não com a importância que os mesmos possuem no modelo não contributivo. Cumpre ao Estado garantir a sustentação do regime previdenciário, com uma participação que pode variar, já que eventuais insuficiências financeiras deverão ser cobertas pelo Poder Público (art. 16, parágrafo único, da Lei n. 8.212/91).
SISTEMAS CONTRIBUTIVOS DE REPARTIÇÃO E CAPITALIZAÇAO
Alguns sistemas adotam regras que estabelecem, como contribuição social, a cotização de cada indivíduo segurado pelo regime durante certo lapso de tempo, para que se tenha direito a benefícios. Assim, somente o próprio segurado ou uma coletividade deles contribui para a criação de um fundo individual ou coletivo com lastro suficiente para cobrir as necessidades previdenciárias dos seus integrantes. O modelo de capitalização, como é chamado, é aquele adotado nos planos individuais de previdência privada, bem como nos fundos de pensão, as entidades fechadas de previdência complementar.
Nesse sistema, a participação do Estado é mínima, e a do empregador vai variar conforme a normatização de cada sistema (art. 202 da Constituição). Primordial no sistema de capitalização é a contribuição do próprio segurado, potencial beneficiário, que deverá cumprir o número de cotas ou o valor estabelecido para garantir a proteção pelo sistema para si e seus dependentes.
Já no sistema de repartição, as contribuições sociais vertem para um fundo único, do qual saem os recursos para a concessão de benefícios a qualquer beneficiário que atenda aos requisitos previstos na norma previdenciária. A participação do segurado continua sendo importante, mas a ausência de contribuição em determinado patamar não lhe retira o direito a benefícios e serviços, salvo nas hipóteses em que se lhe exige alguma carência. Este modelo repousa no ideal de solidariedade, no pacto entre gerações já que cabe à atual geração de trabalhadores em atividade pagar as contribuições que garantem os benefícios dos atuais inativos, e assim sucessivamente, no passar dos tempos, idéia lançada no Plano Beveridge inglês, e que até hoje norteia a maior parte dos sistemas previdenciários no mundo.
O Brasil adota o sistema de repartição como modelo básico, e o regime de previdência complementar, facultativo, mediante o sistema de capitalização.
SISTEMAS PRIVADOS DE PREVIDÊNCIA
Na década de 80, inaugurou-se um terceiro modelo, no qual os trabalhadores contribuem individualmente para planos de benefícios mantidos por instituições privadas de previdência, de forma compulsória, cabendo ao indivíduo, exclusivamente, os aportes suficientes para a obtenção do benefício futuro. O Estado, nestes regimes, nada mais faz do que estabelecer as regras de funcionamento das entidades privadas de previdência e a compulsoriedade de vinculação de todo trabalhador a um plano de previdência privada. Mantém, ainda, um plano assistencial de renda mínima para aqueles que não obtiverem cotização bastante para receber os benefícios, além de permanecerem com o passivo das aposentadorias e pensões do regime público anterior, extinto.
Esse terceiro modelo, em que o trabalhador verte recursos compulsoriamente a entidades de previdência privada, sem a participação da empresa que o emprega, nem a do Estado, nem a de qualquer outro elemento da sociedade, foi adotado de forma precursora pelo Chile, e tem tido seguidores na América Latina - México e Peru.
Não se vislumbra, contudo, em tal modelo, um verdadeiro sistema de previdência social. A concepção de seguro social fica totalmente comprometida pelo fato de não haver participação da sociedade no custeio, mas, sim, a poupança de cada individuo para a capitalização. Caso o trabalhador não venha a contribuir e sofra algum infortúnio, deverá recorrer à assistência social.
A adoção de tal sistema resulta num retrocesso histórico, no qual o Estado se abstém da sua função precípua de promover o bem-estar de todos. Já se anotou, linhas atrás, que não se concebe previdência social sem a intervenção estatal, uma vez que somente esta é capaz de suprir as falhas do “mercado”, sempre sujeito a variações, conforme os humores de quem interfere na economia.
II - A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E A SEGURIDADE SOCIAL
A Constituição de 1988 estabeleceu o sistema de Seguridade Social, como objetivo a ser alcançado pelo Estado brasileiro, atuando simultaneamente nas áreas da saúde, assistência social e previdência social, de modo que as contribuições sociais passaram a custear as ações do Estado nestas três áreas, e não mais somente no campo da Previdência Social.
O Regime Geral de Previdência Social - RGPS, nos termos da Constituição (art. 201), não abriga a totalidade da população economicamente ativa, mas somente aqueles que, mediante contribuição e nos termos da lei, fizerem jus aos benefícios, não sendo abrangidos por outros regimes específicos de seguro social. Garante-se que o benefício substitutivo do salário ou rendimento do trabalho não será inferior ao valor do salário mínimo (art. 201, §5º). Os benefícios deverão ainda, ser periodicamente reajustados, a fim de que seja preservado seu valor real, em caráter permanente, conforme critérios definidos na lei.
Ficam excluídos do chamado Regime Geral de Previdência: os servidores públicos civis, regidos por sistema próprio de previdência; os militares; os membros do Poder Judiciário e do Ministério Público; e os membros do Tribunal de Contas da União, todos por possuírem regime previdenciário próprio; e os que não contribuem para nenhum regime, por não estarem exercendo qualquer atividade. Por isso, o art. 201 da Carta Magna alude a “planos de previdência, apontando na direção da existência de mais de um regime previdenciánio, em consonância com os arts. 40,42, § 9º, 73, § 3º, 93, VI, 129, § 4º, e 149, parágrafo único. Observe-se, também, que a proteção ao desemprego involuntário é considerada benefício da Previdência Social (seguro-desemprego, Lei n. 7.998/90), embora sua concessão fique a cargo do Ministério do Trabalho. 
No âmbito da Saúde, as ações na área de saúde, destinadas a oferecer uma política social com a finalidade de reduzir riscos de doenças e outros agravos, é responsável o SUS (art. 198 da Constituição), de caráter descentralizado. O direito à saúde, que deve ser entendido como direito à assistência e tratamento gratuitos no campo da Medicina, é assegurado a toda a população, independentemente de contribuição social, para que se preste o devido atendimento, tendo atribuições no âmbito da repressão e prevenção de doenças, produção de medicamentos e outros insumos básicos, bem como ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde, participar da política e execução das ações de saneamento básico, incrementar o desenvolvimento