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01 - DIREITO PREVIDENCIÁRIO - 1ª Prova

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do Governo, dos trabalhadores, dos empregadores e dos aposentados.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Princípio da solidariedade - a previdência social se baseia na solidariedade entre membros da sociedade. Assim, como a noção de bem-estar coletivo repousa na possibilidade de proteção de todos os membros da coletividade, somente a partir da ação coletiva de repartir os frutos do trabalho, com a cotização de cada um em prol do todo, permite a subsistência de um sistema previdenciário. Uma vez que a coletividade se recuse a tomar como sua tal responsabilidade, cessa qualquer possibilidade de manutenção de um sistema universal de proteção social.
Princípio da vedação do retrocesso social - consiste na impossibilidade de redução das implementações de direitos fundamentais já realizadas. Impõe-se, com ele, que o rol de direitos sociais não seja reduzido em seu alcance (pessoas abrangidas, eventos que geram amparo) e quantidade (valores concedidos), de modo a preservar o mínimo existencial. Tal princípio, ainda que não expresso de forma taxativa, encontra previsão constitucional no §2º do art. 5º da Constituição e no art. 7º, caput, o qual enuncia os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, “sem prejuízo de outros que visem à melhoria de sua condição social”.
O legislador brasileiro, a partir de 1932 e desde 1974, vem tratando o problema da proteção à gestante, cada vez menos como um encargo trabalhista (do empregador) e cada vez mais como de natureza previdenciária. Essa orientação foi mantida mesmo após a Constituição de 1988, cujo art. 6º determina que a proteção à maternidade deve ser realizada nos termos previstos do art. 7º, XVIII: “licença à gestante, sem prejuízo do empregado e do salário, com a duração de cento e vinte dias”.
Princípio da proteção ao hipossuficiente - ainda que não aceito de modo uniforme pela doutrina previdenciarista, vem sendo admitido com cada vez mais freqüência o postulado de que as normas dos sistemas de proteção social devem ser fundadas na idéia de proteção ao menos favorecido. Na relação jurídica existente entre o indivíduo trabalhador e o Estado, em que este fornece àquele as prestações de caráter social, não há razão para gerar proteção ao sujeito passivo como acontece em matéria de discussões jurídicas sobre o direito dos beneficiários do sistema a determinado reajuste ou revisão de renda mensal, por dubiedade de interpretação da norma.
Daí decorre, como no Direito do Trabalho, a regra de interpretação in dubio pro misero, ou pro operario, pois este é o principal destinatário da norma previdenciária. Observe-se que não se trata de defender que se adote entendimento oposto na aplicação das normas, por uma interpretação distorcida dos enunciados dos textos normativos: o intérprete deve, dentre as várias formulações possíveis para um mesmo enunciado normativo, buscar aquela que melhor atenda à função social, protegendo, com isso, aquele que depende das políticas sociais para sua subsistência.
PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
Além dos princípios da Seguridade Social aplicáveis à Previdência Social, dos quais merecem destaque o da universalidade; o da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; o da seletividade e distributividade; o da irredutibilidade do valor dos benefícios; e o da gestão descentralizada, constam do texto constitucional mais alguns princípios no que tange à relação previdenciária.
Princípio da filiação obrigatória - na mesma linha doutrinária do princípio da compulsoriedade da contribuição, todo trabalhador que se enquadre na condição de segurado é considerado pelo regime como tal, desde que não esteja amparado por outro regime próprio (art. 201, caput). O esforço do Estado em garantir o indivíduo em face dos eventos protegidos pela Previdência não surtiria o efeito desejado caso a filiação fosse meramente facultativa.
Na compulsoriedade de contribuição se exige a participação dos individuos pertencentes à sociedade e das pessoas jurídicas no financiamento do sistema de seguridade.
Na filiação somente se aplica aos indivíduos que exercem atividade vinculada ao regime geral previdenciário que lhes garanta a subsistência, estando, a partir da inserção na parcela da população economicamente ativa, a salvo da perda ou redução dos ganhos decorrentes da atividade laborativa, nas hipóteses de eventos cobertos pela norma previdenciária.
Assim, nem todo indivíduo que contribui para a Seguridade é, ao mesmo tempo, filiado ao regime geral previdenciário, é o que ocorre com o servidor público federal que, simultaneamente, é empregador doméstico, ou faz apostas em concursos de prognósticos, embora não seja filiado ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS - pois como servidor tem regime próprio - será contribuinte da Seguridade Social, pois sua relação se enquadra no fato gerador da contribuição devida pelos empregadores domésticos e pelos apostadores em sorteios.
Princípio do caráter contributivo - dispõe a Constituição que a Previdência Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo (art. 201, caput), será custeada por contribuições sociais (art. 149). A legislação ordinária - Lei n. 8.213/91 - estabelece em seu art. 1º que a participação do indivíduo na Previdência Social se dará mediante contribuição. Assim, a universalidade, no que tange ao regime previdenciário oficial, também corresponde à exigência de que o segurado venha a contribuir para o custeio do regime. Isto é, não há direito a benefício àquele que não é contribuinte do regime, por ausência de filiação.Tal afirmação não significa, contudo, que o segurado obrigatório que, porventura, não venha recolhendo as contribuições devidas não esteja abrangido pelo sistema. Partindo-se dessa premissa, o segurado que viesse a sofrer acidente de trabalho no primeiro dia do seu primeiro emprego, sem ter portanto feito qualquer contribuição até então, não estaria protegido. Uma vez exercendo atividade que o enquadre como segurado, ou, ainda, filiando-se facultativamente, terá direito a benefícios, obedecida a carência, quando exista. As prestações previdenciárias, todovia, guardam estreita relação com as contribuições que, uma vez não recolhidas, podem acarretar o indeferimento, pelo INSS, de requerimentos de benefícios, quando a responsabilidade de realizar os recolhimentos caiba ao próprio segurado.
O regime previdenciário estabelecido na Constituição Federal e na legislação ordinária segue a forma de repartição da receita entre os segurados que dela necessitem. Não há vinculação direta entre o valor das contribuições vertidas pelo segurado e o benefício que possa vir a perceber, quando ocorrente algum dos eventos sob a cobertura legal. Isto significa que há segurados que contribuem mais do que irão receber à guisa de benefícios, e outros que terão situação inversa.
Princípio do equilíbrio financeiro e atuarial - (art. 201, caput), significa que a Previdência Social deverá, na execução da política previdenciária, atentar sempre para a relação entre custeio e pagamento de benefícios, a fim de manter o sistema em condições superavitárias, e observar as oscilações da média etária da população, bem como sua expectativa de vida, para a adequação dos benefícios a estas variáveis. Com base nesse princípio, o regime foi recentemente modificado para incluir, no cálculo de benefícios de aposentadoria por tempo de contribuição e idade, o chamado fator previdenciário, resultante das variáveis demográficas e atuariais relativas à expectativa de vida, comparativamente à idade de jubilação - Lei n. 9.876/99.
Princípio da garantia do benefício mínimo - o §2º do art. 201 da Constituição estabelece como princípio de Previdência Social a garantia de renda mensal não inferior ao valor do salário mínimo, no que tange aos benefícios substitutivos do salário de contribuição ou do rendimento do trabalho - aposentadorias, auxílio-reclusão e auxílio-doença, pensão por morte e salário-maternidade (Lei