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Agenda 21 - acoes2edicao

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especificidades - potencialidades e fragilidades - do território, evitando impactos ambientais negativos mediante adoção de alternativas tecnologicamente mais sustentáveis. 
Reforçar o papel do planejamento de longo prazo da infra-estrutura, indicando as instâncias executivas responsáveis por planejamento, regulação, etc. 
Instituir mecanismos que garantam transparência na contabilidade ambiental de projetos de infra-estrutura, pela apropriação de seus custos diretos e indiretos, correntes e de capital, passados e futuros, neles incluindo os passivos ambientais. 
Priorizar o aumento da eficiência e da conservação de energia, a promoção da intermodalidade no transporte, o planejamento integrado do transporte interestadual e urbano. 
Promover a universalização do acesso a energia e comunicação como forma de aplicação do princípio da sustentabilidade na promoção da infra-estrutura. 
Incorporar a dimensão ambiental nos processos de elaboração de planos e projetos, em especial nos macroeixos de integração e desenvolvimento, não só como restrições, mas também como oportunidades de investimentos. 
Definir com maior clareza o papel das agências reguladoras e aperfeiçoar seu poder arbitral e seus processos de regulação, permitindo inclusive a participação dos cidadãos no processo de acompanhamento e controle, garantindo a transparência das ações e dos custos envolvidos, bem como da relação entre o público e o privado. 
Implementar a interligação entre os macroeixos de integração e de desenvolvimento de forma a fortalecer seu papel indutor de desenvolvimento e impedir a fragmentação econômica, social e política do espaço nacional. 
Respeitar, na reformulação do sistema institucional de incentivos fiscais, o princípio constitucional da subsidiariedade, as questões federativas e as atribuições regionais, estaduais e municipais. 
Criar um fórum nacional com ampla participação das agências regionais de desenvolvimento, entidades de desenvolvimento regional, órgãos municipais, estaduais, federais e representantes da sociedade civil, para discutir e avaliar a forma de adequar os fundos regionais para serem gerenciados pelas novas agências. 
Criar um suporte de infra-estrutura e instrumentos de atração locacional em cidades de médio porte, evitando a repetição de experiências negativas e de erros de planejamento urbano observados no desenvolvimento das metrópoles. 
Elaborar um plano diretor nacional de transporte de passageiros a longa distância, para a viabilidade de programas e projetos de criação e desenvolvimento dos transportes ferroviário e marítimo de passageiros, bem como programas destinados à segurança rodoviária e à redução de acidentes. 
Objetivo 4
Energia renovável e a biomassa
A energia é o fator essencial de promoção do desenvolvimento. É pela capacidade de gerar e consumir energia que se mede o nível de progresso técnico de uma civilização. Nos últimos duzentos anos, o desenvolvimento industrial teve como fonte de energia básica o carvão e o petróleo, altamente poluentes e não-renováveis e que são hoje os grandes responsáveis pelo efeito estufa. 
Não resta dúvida de que precisamos construir urgentemente alternativas ao uso do petróleo. Caminhamos para um modelo energético diversificado, mais limpo e renovável. O Brasil tem uma matriz energética eminentemente limpa, no que diz respeito à eletricidade: mais de 95% dela provém de fontes hídricas. No entanto, como se viu em 2001, essa configuração deixa o país vulnerável, dependente das condições meteorológicas. 
É preciso considerar que a participação das fontes renováveis na oferta interna de energia, embora decrescente, ainda permanece alta, tendo passado de 62%, em 1990, para 58% em 2000. Para que não haja retrocesso na matriz energética do país, é preciso investir nas energias renováveis, pensando sempre no atendimento das necessidades regionais e na promoção do seu desenvolvimento sustentável. 
O Brasil tem a valiosa experiência do Pró-Álcool, único programa bem-sucedido, no mundo, de substituição em larga escala dos derivados de petróleo. O biodiesel e as misturas de combustíveis, que usam derivados de soja, podem diversificar e tornar mais limpa a matriz energética brasileira. Também o dendê, o babaçu, a mamona e diversas espécies nativas são fontes potenciais de combustível. A energia de biomassa a partir de bagaço de cana, rejeitos de serrarias e lenha, em combustão direta ou em gaseificação, são fontes renováveis de energia e permitem dar um uso econômico a rejeitos que muitas vezes são simplesmente incinerados. 
Algumas regiões do Brasil apresentam grande potencial para a produção de energia eólica e diversas empresas vêm investindo no ramo. O uso de energia solar está se expandindo, seja a fotovoltaica seja a solar térmica. Esse crescimento deve continuar considerando o potencial que existe no Brasil e sua capacidade de atender a demandas descentralizadas. Uma fonte não-renovável, abundante em nosso país, é o gás natural, que vem contribuindo cada vez mais para a composição da matriz energética brasileira. 
O desafio que se apresenta é integrar todas essas opções para garantir, de modo sustentável, 
o suprimento de energia necessário. Não basta, porém, aumentar o suprimento energético em bases cada vez mais limpas. É preciso aumentar a eficiência no seu uso e na sua conservação. 
Ações e recomendações 
Tratar como prioridade o incentivo ao uso eficiente e à conservação de energia, que podem apresentar resultados mais rápidos, mais baratos e mais racionais que o aumento da oferta. O racionamento imposto pela escassez de chuvas no ano de 2001 mostrou que a sociedade e as empresas estão dispostas a cooperar. 
Retomar a função de planejamento de curto, médio e longo prazos, para o setor energético, por meio de um debate amplo, permanente e transparente sobre os planos de expansão para o futuro, inclusive introduzindo nas discussões a busca de alternativas sustentáveis à atual estratégia de consumo e uso de energia. 
Desenvolver e incorporar tecnologias de fontes renováveis de energia, considerando sempre as disponibilidades e as necessidades regionais. 
Reestruturar o Pró-Álcool e desvinculá-lo dos interesses do velho setor 
sucro-alcooleiro, propiciando sua reconversão. 
Prover recursos financeiros e humanos para a pesquisa e desenvolvimento de opções para produção de energia renovável. 
Priorizar o uso de fontes alternativas renováveis, notadamente no meio rural e nas localidades urbanas isoladas, promovendo a universalização do acesso ao uso de energia elétrica. 
Objetivo 5 
Informação e conhecimento para o desenvolvimento sustentável 
O conhecimento e a tecnologia têm sido o alicerce de todas as civilizações e culturas. O que diferencia a nossa época das demais é a quantidade e a qualidade das inovações geradas, o ritmo com que se propagam, e a forma como a sociedade as assimila no campo da ciência, da tecnologia, da cultura e dos serviços. Com o volume de conhecimento multiplicado por milhões de vezes desde a Grécia Antiga, especialmente nas últimas décadas, o seu valor é cada vez maior. 
Conhecimento é poder, entendido não como forma de dominação, mas como possibilidade de fazer. Levando em conta a universalidade do saber, é prioridade máxima inserir o Brasil na linha de frente da produção científica e tecnológica de atualidade mundial. Isso significa também ocupar nichos competitivos associados a oportunidades e vocações nacionais ou regionais. 
O Brasil tem obtido resultados expressivos nas áreas científica e cultural, e merecido especial destaque dentre os demais países em desenvolvimento. No entanto, o que chama a atenção é o fato de que produzimos mais ciência do que somos capazes de transformá-la em inovação tecnológica, ou seja, publicamos mais estudos científicos de nível internacional do que registramos patentes. 
Isso se deve, em boa parte, a pouca tradição das empresas brasileiras que, no ciclo áureo do desenvolvimento nacional,