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Agenda 21 - acoes2edicao

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públicas e privadas, propiciando o fomento e racionalização dos recursos, práticas e gestão do Programa Nacional de Reforma Agrária. 
Assegurar que o Plano de Desenvolvimento dos Assentamentos/PDA - seja elaborado de forma a garantir sustentabilidade econômica, social e ambiental para os projetos de reforma agrária, como forma de minimizar os impactos sobre os recursos naturais e evitar o abandono das áreas, pelos assentados. 
O apoio e ajuda da União às articulações intermunicipais devem ser dirigidos prioritariamente: à realização do zoneamento ecológico-econômico; à expansão e ao fortalecimento das empresas de pequeno porte de caráter familiar, a começar pela agricultura familiar, que inclui aqüicultores, extrativistas e pescadores; 
aos agricultores familiares dos assentamentos de reforma agrária. 
As políticas de desenvolvimento rural da União e dos estados deverão integrar pelo menos as seguintes dez dimensões das ações governamentais: I) educação, capacitação e profissionalização; II) assistência técnica e extensão integradas às redes de pesquisa; III) manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas; IV) saúde; V) habitação; VI) infra-estrutura e serviços; VII) crédito; VIII) seguro; IX) cooperativismo e associativismo; X) comercialização. 
O desenvolvimento sustentável do Brasil rural deve se tornar um dos macroobjetivos do Plano Plurianual (PPA), composto de diversos programas, entre os quais pelo menos quatro devem ser considerados estratégicos: a) a promoção do acesso à terra (pelos assentamentos de reforma agrária e das ações de crédito fundiário para combate da pobreza rural); b) o fortalecimento da agricultura familiar (pelas cinco diretivas do Pronaf: crédito, infra-estrutura e serviços públicos municipais, capacitação, assistência técnica e comercialização); c) a diversificação das economias rurais, por meio do apoio à criação de micro e pequenas empresas; d) a reconstrução sobre novas bases da educação rural. 
Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de ações afirmativas voltadas às mulheres, às crianças, aos negros, aos índios, e aos deficientes. 
Todos os programas de desenvolvimento sustentável do Brasil rural deverão ter um forte componente de educação ambiental, particularmente no que se refere ao manejo dos recursos naturais das microbacias hidrográficas. 
Objetivo 12
Promoção da agricultura sustentável
A idéia de uma agricultura sustentável revela o desejo social de novos métodos que conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis, sem comprometer os níveis tecnológicos já alcançados, de segurança alimentar. 
Aplicada isoladamente a um setor da economia, como a agricultura, dificilmente a noção de sustentabilidade fará sentido. Essa constatação é ainda mais crucial para a agricultura atualmente praticada, na medida que ela é envolvida e integrada pela indústria e pelos serviços. 
Não será fácil implantar uma agricultura que preserve os recursos naturais e o meio ambiente, já que as soluções consideradas "sustentáveis" são específicas dos ecossistemas e exigentes em conhecimento agroecológico _ portanto, de difícil multiplicação. São raras as práticas "sustentáveis" que podem ser adotadas em larga escala. 
É possível que a situação se altere sob pressão social, mas não com a velocidade embutida na idéia de "revolução super ou duplamente verde". Não há por que pensar que a biologia molecular, combinada com a emergente agroecologia, venha revolucionar a produção de alimentos em trinta anos. 
Existe, portanto, uma relação dialética entre inovação e conflito. O que está em questão não é apenas o ritmo das inovações. Também são decisivas as modalidades de regulação dos conflitos, tanto para a força das tendências inovadoras quanto para os tipos de inovação. 
Sul e Sudeste 
A partir do final da década de 1960, com o pacote tecnológico da ‘Revolução Verde' _ fertilização química dos solos, mecanização do plantio e colheita e controle químico de pragas _ o esgotamento das áreas de lavoura baseadas essencialmente em sistemas de queimada e rotação de culturas foi contornado no Sul e Sudeste do país. 
Essa substituição de bases técnicas permitiu a implantação de monoculturas em larga escala, favorecidas por subsídios no crédito, investimentos em pesquisa e extensão agrícola, além da fase ascendente da economia brasileira. A despeito dos fortes ganhos de produtividade, essa dinâmica logo foi abalada pelos problemas sociais e ambientais gerados, que persistem até os dias atuais. 
Nordeste 
Mais de dois terços dos pobres rurais brasileiros estão no Nordeste. Qualquer ação integrada que se proponha para melhorar a situação rural dessa região, pelo aumento da produtividade agrícola, terá de enfrentar o histórico problema da seca na grande mancha semi-árida que abrange 70% de uma área da região e 63% de sua população. 
Um dos grandes obstáculos a uma solução efetiva para a falta de água no semi-árido é a visão de que se trata única e exclusivamente de um problema ecológico ou climático. O que mais importa é a coincidência entre a fragilidade social e a limitação agroecológica do conjunto das unidades geoambientais que formam o "Nordeste seco". As iniciativas de enfrentamento dessa problemática acabam muitas vezes por agravá-las, somando-se às causas. 
Nos últimos trinta anos houve forte alteração da realidade econômica do Nordeste, com o surgimento de pólos ou manchas de dinamismo econômico, cujas ligações com a agropecuária mais tradicional da região ainda são pouco estudadas. O crescimento econômico da região foi fortalecido em razão desses pólos, mas não significou desenvolvimento humano efetivo para a maior parte dos nordestinos. A principal característica da região continua a ser a pobreza extrema de grande parte de seus habitantes. 
Centro-Oeste 
Considerados improdutivos até o final da década de 1960, os solos do cerrado respondem hoje por 30% dos principais cultivos brasileiros, além de abrigar 40% do rebanho bovino e 20% dos suínos do país. Apenas 7% do cerrado, entretanto, não sofreu algum tipo de exploração intensiva ou extensiva. 
É preciso lembrar, porém, que o crescimento de culturas nesses solos supõe sua adaptação, bem como a do regime hídrico, a plantas cujas exigências não podem ser satisfeitas pelos recursos disponíveis. A mecanização, o uso em larga escala de fertilizantes químicos, de agrotóxicos e da irrigação contribuem decisivamente para empobrecer a diversidade genética desses ambientes. 
Assim, em detrimento de sua enorme riqueza natural, as regiões brasileiras de cerrados foram e continuam sendo vistas, por políticas públicas e pelos agentes privados que investem na área, como fronteira agropecuária. Deve ser revista a ótica de que os cerrados representam essencialmente uma área a ser ocupada, onde as dificuldades naturais impostas pelos ecossistemas devem ser vencidas para adaptá-los às exigências da produção agropecuária. Cerca de um quarto de seus 220 milhões de hectares já foi incorporado à dinâmica produtiva, respondendo por grande parte da oferta de grãos, de gado de leite e de corte do país. 
Norte 
A ótica da "ocupação" dos espaços como estratégia de soberania e desenvolvimento do país guiou a quase totalidade dos projetos governamentais para a Amazônia nas décadas de 1960 e 1970. Os planos de desenvolvimento foram direcionados para favorecer a implantação de grandes projetos, por meio de subsídios e incentivos fiscais e do acesso facilitado à terra para grandes grupos privados. Como conseqüência, encontram-se a concentração fundiária e o conflito no campo, a aceleração do desmatamento, a desorganização do espaço social e cultural das comunidades locais, os desequilíbrios ecológicos, causados pelas hidrelétricas, a poluição por mercúrio e a pauperização das cidades. 
No rastro desses programas chegou também a pecuária extensiva que, em estreita simbiose com a extração madeireira, tornou-se