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2° estágio - SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)

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cinzenta ventral. 
A substância cinzenta da medula origina- se, portanto, da zona intermediária do 
neuroepitélio, o manto. Já a substância branca tem origem da zona mais externa, 
marginal, onde ficam contidos os prolongamentos das células do manto. Depois de 
serem formados os neurônios, a partir das células precursoras, os neuroblastos; as 
células precursoras da glia ( glioblastos ou espongioblastos) originam a macróglia, 
formada de oligodendrócitos e astrócitos. Os oligodendrócitos formados a partir da 
camada marginal e, portanto, presentes na substância branca, responsáveis pela 
mielinização dos axônios do SNC, o que caracteriza a cor da substância branca. Os 
astroblastos oriundos dos glioblastos e precursores dos astrócitos, conforme sejam 
formados na zona intermediária ou na zona marginal se diferenciam em astócitos 
protoplasmáticos ( presentes na substância cinzenta) ou fibrosos ( presentes na 
substância branca), que são diferentes morfologicamente. No final da quarta semana, o 
SN deixa de ser nutrido pelo âmnio e passsa a receber nutrientes do sistema vascular 
formado, oriundo do mesoderma. Com o advento da vascularização surgem os 
microgliócitos, células que constituem a micróglia e que são derivadas dos monócitos ( 
céllulas de defesa presentes no sangue). 
Uma camada de revestimento de células ectodérmicas envolta da medula primitiva 
forma as duas meninges internas: a aracnóide e a pia- máter. O revestimento externo 
mais espesso, a dura- máter, é formado de mesênquima. 
 
RELAÇÃO COM O CANAL VERTEBRAL 
 
Noções: A medula está revestida pelo canal vertebral ósseo e os nervos espinhais 
emergem pelos forames intervertebrais. C1 emerge entre o atlas e o osso occipital, de 
C2 a C7 emergem acima de sua vértebra correspondente e C8 emerge entre a sétima 
vértebra cervical e a primeira torácica. Todos os nervos torácicos, lombares e sacros 
emergem abaixo de sua vértebras correspondentes. No adulto, a extemidade caudal da 
medula espinhal- o cone medular- fica situada entre a primeira e a segunda vértebras 
lombares. Os nervos cervicais emergem lateralmente, contudo, quanto mais caudal o 
nível de emergência, mais o nervo cursa pelo interior do canal vertebral, antes de sair 
pelos forames intervertebrais. No embrião, inicialmente, todos os nervos espinhais 
emergem lateralmente. À medida que prossegue o desenvolvimento, a partir do 4
o 
mês 
de vida intra- uterina, a coluna vertebral cresce mais rapidamente que a medula 
espinhal, provocando um deslocamento dos segmentos medulares em relação aos locais 
de emergência dos nervos espinhais do canal vertebral. Estes fenômenos são mais 
pronunciados na parte caudal, onde as raízes nervosas descem quase verticalmente antes 
de emergirem da medula, formando a cauda eqüina, que é uma estrutura abaixo de L2, 
constituída de raízes nervosas e meninges (os envoltórios do SNC) e da Cisterna 
lombar- o líquor presente neste espaço. Há, portanto, como conseqüência da diferença 
de ritmos de crescimento entre a coluna e a medula, um afastamento dos segmentos 
medulares das vértebras correspondentes. 
Embora a medula termine próximo ao nível das primeira e segundas vértebras lombares, 
o saco da dura- máter continua até o nível da segunda vértebra sacral (S2). O cone 
medular dá origem ao filamento terminal ( filamento terminal interno) que se estende 
até a base do saco dural. Este filamento atravessa o saco dural, formando o ligamento 
coccígeo ( filamento terminal externo ou filamento da dura- máter espinhal), que fixa 
tanto a medula como o saco dural, cheio de líquido, à base do canal vertebral. Entre L2 
e S2 só há o filamento terminal e as raízes que formam a cauda eqüina. 
 
Importância: Clinicamente, a área entre L2 e S2 tem importância para a coleta do 
líquido cefalorraquidiano e para a administração de anestésicos espinhais. A topografia 
vertebromedular é importante para o diagnóstico, prognóstico e tratamento de lesões da 
medula. Assim, uma regra prática diz que os segmentos medulares de C2 a T10 
correspondem aos processos espinhosos acrescidos de duas unidades, que os cinco 
segmentos lombares correspondem aos processos espinhosos T11 e T12 e que os cinco 
sacrais correspondem ao processo espinhoso L1. 
 
 
 
MACROSCOPIA 
 
MORFOLOGIA: A superfície da medula é marcada por uma série de sulcos 
longitudinais, que a percorrem em toda a sua extensão: sulco mediano posterior, 
contínuo, internamente, com o septo mediano posterior, que é uma membrana glial. Na 
superfície anterior fica a fissura mediana anterior com profundidade de 2
 
a 3 mm, na 
qual se invagina a pia- máter ( meninge mais interna). O seu assoalho é a comissura 
branca anterior. Nas superfícies laterais ficam o sulco lateral posterior ( local de entrada 
das raízes dorsais) e o sulco lateral anterior ( local de emergência das fibras das raízes 
ventrais). Na medula cervical, segundo o autor Ângelo Machado, e estendendo- se dos 
níveis cervicais superiores até os torácicos médios, de acordo com o Burt, existe ainda o 
sulco intermediário posterior, situado entre o mediano posterior e o lateral posterior e 
que continua em um septo intermédio posterior, uma membrana glial, no interior do 
funículo posterior. O padrão básico da morfologia, presente desde o embrião, é mantido 
no adulto, com a substância cinzenta ocupando posição central e apresentando a forma 
de uma borboleta ou de um H. A substância branca circundante, de situação periférica é 
formada, em sua maior parte, por fibras nervosas de curso longitudinal, a maioria 
mielínicas, que ascendem da medula para o encéfalo ou descem deste para os diferentes 
níveis da medula espinhal. Há também fibras espino- espinhais intersegmentares que 
ascendem ou descendem por distâncias variáveis. Tais fibras formam o fascículo 
próprio. Assim, os segmentos cervicais contêm maior número de fibras, além de maior 
área de secção transversa da substância branca que os níveis lombares. Estas fibras 
longitudinais podem ser agrupadas de cada lado em três funículos ou cordões: funículo 
anterior ( entre a fissura mediana anterior e o sulco lateral anterior), o funículo lateral ( 
entre os sulcos lateral anterior e posterior) e o funículo posterior ( entre o sulco lateral 
posterior e o mediano posterior). Este funículo é dividido pelo sulco intermédio 
posterior e pelo septo de mesmo nome em fascículo grácil, de situação medial, e 
cuneiforme, mais lateral. A substância cinzenta, por outro lado, é composta de duas 
porções simétricas unidas na linha mediana por conexão transversa ( comissuras) de 
substância cinzenta que contém o diminuto canal central ou seu remanescente. Nela, 
pode- se distinguir três colunas ou cornos: anterior, posterior e lateral. Esta última, 
entretanto, só aparece na medula torácica e lombar superior, sob a forma de uma 
projeção triangular lateral. Há vários critérios para a divisão da substância cinzenta. Um 
deles considera duas linhas que tangenciam os contornos anterior e posterior do ramo 
horizontal do H, dividindo esta substância em coluna anterior, posterior e substância 
cinzenta intermédia, que pode ser dividida em substância cinzenta intermédia central e 
lateral. De acordo com este critério, a coluna lateral faz parte da substância cinzenta 
intermédia lateral. 
CANAL CENTRAL: O canal central da medula ou canal do epêndima se estende por 
todo o comprimento da medula durante o desenvolvimento. É revestido por células 
ependimárias e segundo o autor Jack de Groot, este canal é cheio de líquido 
cefalorraquidiano, contradizendo o Ângelo Machado que afirma que este canal não 
apresenta líquor. Ele se abre em cima na parte inferior do quarto ventrículo. Em adultos,