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do exame clínico, complementados 
pela radiografia simples do tórax, podem ser seguramente diferenciadas.
Um indivíduo que, há uma semana, foi acometido por uma virose respiratória mais ou menos bem evidente, 
mas melhorou. Atualmente, na hora que ele se abaixa para amarrar o sapato, ele sente dor precordial e piora com a 
respiração. Qual seria, neste caso, a melhor hipótese diagnóstica? Muito provavelmente, trata-se de uma pericardite 
aguda, pois piora com a respiração e tem antecedentes virais. A pleurite geralmente é uma dor não precordial, e 
quando existe, acomete a parte lateral do tórax ou nas costas.
Derrames pleurais.
Nos derrames pleurais, observados nas pleurites, pneumonias, neoplasias, colagenoses, síndrome nefrótica e 
na insuficiência cardíaca, pode haver dor (sem as características de dor pleurítica), tosse seca e dispnéia cuja a 
intensidade depende do volmue do líquido acumulado.
Na radiografia simples do tórax, observa-se, nos grandes derrames pleurais, o deslocamento de estruturas 
mediastínicas para o lado oposto, diferentemente do que ocorre nas atelectasias (em que o conteúdo mediastínico é 
desviado para o lado do colabamento pulmonar). Além disso, o derrame pleural é facilmente percebido quando a 
radiografia é feita com o paciente em decúbito lateral, de modo que o líquido (visível por ser radiopaco) passa a se 
acumular na região mais baixa, seguindo a gravidade.
No exame físico do tórax, observam-se, no lado derrame:
 Inspeção: expansibilidade diminuída.
 Palpação: expansibilidade diminuída e frêmito toracovocal abolido na área do derrame e aumentado 
na área do pulmão em contato com o líquido pleural.
 Percussão: macicez.
 Ausculta: murmúrio vesicular abolido da área do derrame.
Pneumotórax.
No pneumotórax, o que se acumula no espaço pleural é ar, que penetra através da lesão traumática, ruptura de 
bolha subpleural (blebs) ou como complicações de certas afecções pulmonares (tuberculose, pneumoconiose, 
neoplasias, asma grave) que põem em comunicação um ducto com o espaço pleural.
No exame por imagem, quando o pneumotórax é extenso (principalmente, nos casos de pneumotórax 
hipertensivo), observamos um desvio das estruturas mediastinais para o lado oposto, diferentemente do que ocorre na 
atelectasia, situação em que o mediastino será deslocado em direção ao lado acometido.
As principais manifestações clínicas são a dor no hemitórax comprometido, tosse seca e dispnéia. A 
intensidade da dispnéia depende da quantidade de ar e de outros mecanismos que podem acompanhar o 
pneumotórax.
Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
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Ao exame físico, observam-se no lado comprometido:
 Inspeção: normal ou abaulamento dos espaços intercostais quando a quantidade de ar é grande.
 Palpação: expansibilidade e frêmito tóracovocal diminuídos.
 Percussão: hipersonoridade ou som timpânico (ver OBS6), sendo este o que mais chama a atenção.
 Ausculta: murmúrio vesicular diminuído; ressonância vocal diminuída.
OBS6: Na percussão, os achados descritos como hipersonoridade e timpanismo, embora tenham o mesmo 
fundamento sonoro (aumento ou presença de ar na região percutida), apresentam bases fisiopatológicas e timbres 
diferentes. 
 A hipersonoridade representa um tipo de som timpânico mais fechado, como um misto entre o som maciço e o 
som timpânico. Tem-se hipersonoridade quando existe mais ar que o normal dentro do parênquima pulmonar. 
Como a onda sonora evocada pela percussão deve ultrapassar camadas de tecido orgânico (como o próprio 
parênquima pulmonar e as camadas da caixa torácica), observamos um tipo de som maciço mais claro e alto, 
representando a hipersonoridade. É semelhante ao soar de um bumbo, instrumento de percussão cujo 
diafragma (parte onde se percute com a baqueta) é composto por um tecido mais rígido, como couro.
 O timpanismo, por sua vez, representa um tipo de som timpânico mais aberto, semelhante à percussão de uma 
bexiga de borracha cheia de ar. Tem-se timpanismo no exame físico do tórax quando se percute ar represado 
no espaço pleural (pneumotórax). O timpanismo é evidente também na percussão das vísceras ocas do 
abdome.
Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
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RESUMO DOS ACHADOS SEMIOLÓGICOS DAS SÍNDROMES PLEUROPULMONARES
 Síndromes brônquicas
Síndromes
brônquicas Inspeção
Palpação 
(frêmito TV) Percussão Ausculta
Principais causas
OBSTRUÇÃO Tiragem inspiratória FTV normal ou 
diminuído
Hipersonoridade - Murmúrio vesicular 
diminuído com expiração 
prolongada;
- Sibilos
Asma brônquica
INFECÇÃO Expansibilidade 
normal ou diminuída
FTV normal ou 
diminuído
Normal ou 
diminuído
- Sibilos e roncos
- Estertores grossos 
disseminados
Bronquite aguda e 
crônica
DILATAÇÃO Normal ou 
expansibilidade 
diminuída
FTV normal ou 
aumentado
Normal ou 
submacicez
- Estertores grossos bem 
localizados
- Sibilos
Bronquiectasias
 Síndromes Pulmonares
Síndrome
Pulmonar Inspeção
Palpação 
(frêmito TV) Percussão Ausculta
Principais 
causas
CONSOLIDAÇÃO Expansibilidade 
diminuída
FTV aumentado Macicez ou 
submacicez
- Respiração 
brônquica ou 
broncovesicular;
- Estertores finos;
- Broncofonia;
- Pectorilóquia
- Pneumonia
- Infarto
- Tuberculose
ATELECTASIA - Expansibilidade 
diminuída;
- Retração dos 
espaços intercostais
(sinal de Lemos 
Torres);
- Presença de 
tiragens
FTV diminuído 
ou abolido
Macicez ou 
submacicez
- Respiração 
broncovesicular;
- Murmúrio 
vesicular abolido;
- Ressonância 
vocal diminuída.
- Neoplasia 
brônquica;
Corpo estranho 
intrabronquico
HIPERAERAÇÃO - Expansibilidade 
diminuída;
- Tórax em tonel
- Expansibilidade 
diminuída
- FTV diminuído
- Normal no início
- Hipersonoridade
- Murmúrio 
vesicular diminuído
- Ressonância 
vocal diminuída
Enfisema 
pulmonar
CONGESTÃO 
PASSIVA DOS 
PULMÕES
- Expansibilidade 
normal ou diminuída
FTV normal ou 
aumentado
Sonoridade normal 
ou submacicez nas 
bases
Estertores finos nas 
bases pulmonares
Insuficiência 
ventricular 
esquerda
 Síndromes Pleurais
Síndromes
Pleurais Inspeção
Palpação 
(frêmito TV) Percussão Ausculta
Principais causas
PLEURITE AGUDA Expansibilidade 
diminuída
- Expansibilidade 
diminuída;
- FTV diminuído
Sonoridade normal 
ou submacicez
Atrito pleural Processo 
inflamatório pleural
PLEURITE SECA 
CRÔNICA
- Retração torácica;
- Expansibilidade 
diminuída
- Expansibilidade 
diminuída;
- FTV diminuído
Macicez ou 
submacicez
- Murmúrio 
vesicular 
diminuído
- Ressonância 
vocal diminuída
Espessamento da 
pleura
DERRAME 
PLEURAL
Expansibilidade 
diminuída
FTV diminuído ou 
abolido
Macicez - Abolição do 
murmúrio 
vesicular;
- Egofonia
Presença de 
líquido no espaço 
pleural
PNEUMOTÓRAX Normal ou 
abaulamento dos 
espaços intercostais
- Expansibilidade 
diminuída;
- FTV diminuído
- Hipersonoridade;
- Som timpânico.
- Murmúrio 
vesicular 
diminuído;
- Ressonância 
vocal diminuída
- Presença de ar no 
espaço pleural.
Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
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DOENAS RELACIONADAS COM O SISTEMA RESPIRAT„RIO
CIANOSE
Cianose significa cor azulada da pele, manifestando-se quando a hemoglobina 
reduzida alcança no sangue valores superiores a 5g/100mL.
A cianose deve ser pronunciada no rosto, especialmente ao redor dos lábios, na 
ponta do nariz, nos lobos das orelhas e nas extremidades das mãos e dos pés (leito 
ungueal e polpas digitais). Nos casos de cianose muito intensa, todo o tegumento cutâneo 
adquire tonalidade azulada ou mesmo arroxeada.
Quanto à localização, pode ser generalizada ou localizada. No primeiro caso, a 
cianose é vista na pele toda e, no segundo, apenas segmentos corporais adquirem a 
coloração normal.