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Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media

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que converte signos em sinais, como
a rádio, o telefone, o fax, o telemóvel, a televisão ou o computa-
dor, ou que possibilita a transmissão de sinais e signos, como
livros, jornais, revistas, fotografias e obras de arte.
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Os meios de difusão, de comunicação social, ou mass me-
dia são os meios que permitem a difusão de uma mesma mensa-
gem a uma audiência vasta e heterogénea. Este conceito está na
base do conceito de comunicação de massas (mass communica-
tion). No entanto, como o conceito de comunicação de massas
pressupõe, de certa forma, uma audiência passiva, que se com-
porta homogeneamente na sua heterogeneidade, foi sendo subs-
tituído por outras designações, que dão melhor conta da indivi-
dualidade e capacidade reactiva e interpretativa de cada recep-
tor/destinatário, bem como da elevada heterogeneidade e segmen-
tação -que chega à personalização e individualização- de meios e
mensagens. A designação "comunicação social", por exemplo,
foi proposta pelo Concílio Vaticano II para substituir o termo "co-
municação de massas".
Os meios de comunicação com possibilidades de comunica-
ção massiva também têm sido aproveitados por indivíduos ou pe-
quenos grupos e muitas vezes são usados como self-media. Por
exemplo, um indivíduo pode decidir fazer um pequeno jornal para
os amigos. Neste caso, está a usar o jornal como um self-medium.
Esta utilização dos meios com potencial de comunicação massiva
por indivíduos ou pequenos grupos também contribui para desa-
creditar o conceito de comunicação de massas e para pôr em des-
taque a desmassificação da produção e do consumo de produtos
comunicacionais, que se iniciou com o processo de segmenta-
ção e especialização dos meios de comunicação e se desenvolveu
com a utilização individual dos meios de comunicação, a inte-
ractividade, a personalização das mensagens recebidas por um
receptor, etc.
Há meios unidireccionais, como a televisão clássica, e meios
bidireccionais, como o telefone ou a televisão interactiva. O mo-
delo de Lasswell, como vimos atrás, não dá conta da possibilidade
de feedback e de interactividade, pois, como se disse, foi elabo-
rado a pensar, essencialmente, na comunicação mediada através
dos mass media unidireccionais.
Na actualidade as fronteiras entre alguns meios estão a esbater-
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se e a dar origem a meios multimédia. O principal meio multimé-
dia e interactivo é a Internet. Mas existem outros. Por exemplo, a
rádio pode usar imagens, graças ao sistema digital conhecido por
DAB (Digital Audio Broadcasting). Isso torna-a semelhante à te-
levisão. Um meio unimediático está a tornar-se um meio multime-
diático. Assiste-se, neste caso, a um fenómeno de convergência
mediática.
1.7.3 O modelo de Shanon e Weaver (1949)
Historicamente, um terceiro modelo do processo de comunica-
ção foi apresentado, em 1949, pelo matemático Claude Shannon
e pelo engenheiro Warren Weaver. Tratava-se de um modelo para
o estudo da comunicação electrónica. No entanto, o modelo pode
ser aplicado ao estudo de outras formas de comunicação.
Para Shannon e Weaver (1949), o processo de comunicação
electrónica pode ser descrito graficamente da seguinte maneira:
Segundo o esquema, a fonte de informação elabora e envia
uma mensagem; a mensagem chega a um transmissor, que trans-
forma a mensagem num sinal. O sinal pode estar sujeito a ruído
(interferências). Por esta razão, o sinal emitido pode ser diferente
do sinal captado pelo receptor. O receptor capta o sinal e fá-lo re-
tornar à forma inicial da mensagem, de maneira a que esta possa
ser percepcionada e compreendida pelo receptor.
Num exemplo prático, um jornalista de rádio pode enviar uma
mensagem oral aos destinatários por meios analógicos. Essa men-
sagem será transformada pelo microfone e pelo transmissor de rá-
dio numa onda electromagnética análoga à onda sonora, o sinal.
O sinal pode estar sujeito a interferências, ou seja, a ruído. Um
receptor de rádio, como os pequenos rádios domésticos a pilhas,
capta esse sinal e converte-o, de novo, em ondas sonoras. Ou seja,
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converte a mensagem na sua forma original (se não existir ruído).
A mensagem é captada pelo destinatário.
O modelo de Shannon e Weaver pode ser criticado pela sua
linearidade, incompletude e estatismo (por exemplo, não reco-
nhece fenómenos como o feedback). No entanto, representou
um avanço na figuração paradigmática do processo de comuni-
cação. Além disso, não deve ser ignorado que os seus autores
procuravam traduzir exclusivamente o processo de comunicação
electrónico mediado (como acontece quando se usa o telefone, um
telégrafo, etc.).
De acordo com o seu modelo, os autores identificaram três
ordens de problemas no estudo da comunicação:
1. Problemas técnicos, ligados à precisão da transmissão dos
sinais;
2. Problemas semânticos, ligados à precisão do significado
pretendido para uma mensagem;
3. Problemas de eficácia, ligados à forma como o significado
recebido influencia o comportamento do destinatário.
Shannon e Weaver enfatizam, como é visível, a problemática
da significação das mensagens e das interferências sobre o pro-
cesso de significação, mas não deixam de referenciar a questão
dos efeitos da comunicação (já enfatizada por Lasswell).
1.7.4 O modelo de Newcomb (1953)
O modelo de Newcomb, apresentado em 1953, apresenta uma
forma triangular, introduzindo, pela primeira vez, o papel da co-
municação numa sociedade, num grupo ou numa relação social.
O modelo, tributário do Interaccionismo Simbólico, evidencia que
muitos dos fenómenos de comportamento social que se podem
classificar como "interacções"são, na realidade, actos comunica-
tivos.
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Interpretando o modelo, A e B, emissor e receptor, relacionam-
se com entidades externas (X). Este sistema relacional tende para
o equilíbrio. Por exemplo, se A e B são amigos e ambos se rela-
cionam com X, para o sistema manter o equilíbrio A e B devem
ter atitudes semelhantes em relação a X. Se A gostar de X e B não
gostar, a relação entre ambos será pressionada:
No entanto, a tendência é que A e B cheguem a um novo ponto
de equilíbrio na sua atitude para com X, negociando as suas ori-
entações em relação a este último. Ou seja, os esforços de co-
orientação de A e B em relação a X tendem a conduzir, com o
tempo, a nova situação de simetria:
Quanto mais X for importante para A e B (uma pessoa impor-
tante, uma instituição importante, etc.), mais necessidade existe
para A e B restabelecerem o equilíbrio, comunicando. Por exem-
plo, se X é o patrão de A e B e A gostar do patrão e B não gostar,
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então A e B vão ter de comunicar entre ambos para tentarem che-
gar a um consenso a respeito de X. Se X muda, mais A e B ne-
cessitam de comunicar para estabelecer a sua atitude em relação a
X. No exemplo anterior, se a empresa mudar de patrão (X), mais
A e B necessitam de comunicar para negociarem uma posição
comum em relação ao novo patrão. A comunicação é, por con-
sequência, vista como o agente capaz de providenciar equilíbrio
ao sistema social. As pessoas precisam de informações para sa-
berem como se inter-relacionarem e socializarem e também para
saberem como reagir ao meio ambiente.
A aplicação do modelo de Newcomb não é extensível a todo
e qualquer acto comunicativo, pois pressupõe que:
• A comunicação desenvolvida entre A e B é interpessoal;
• A e B se encontram em associação continuada;
• Um dos interlocutores desencadeia intencionalmente a co-
municação e obtém feedback do outro.
Em suma, pode dizer-se que o modelo de Newcomb, mais
do que descrever como decorre um acto comunicativo, atenta nos
motivos que explicam as dinâmicas e motivações comunicacio-