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Hemeneutica

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todas as possibilidades, três outros não podem ser esquecidos:
	 Princípio da força normativa. Este princípio assevera que, na interpretação da Constituição, é primordial atentar para a promoção de uma atualização constante de suas normas, deve constante devendo-se, assim, tomar em conta os aspectos históricos de sua edição, mas também a realidade social vigente, tratando de assegurar a maior otimização possível dos preceitos fundamentais.
	 Princípio da conformidade funcional. Também denominado como princípio da justeza ou correção, estabelece que as normas constitucionais devam ser interpretadas no sentido de não alterar a repartição das competências estabelecidas pela própria Constituição, inclusive no que se refere à separação funcional dos Poderes constituídos, isto é, Legislativo, Executivo e Judiciário. Lembrando, não se repartem os poderes, que são um todo integrado, exercido pelo Estado soberano em nome do povo; repartem-se as funções principias, mas não exclusivas, de cada segmento.
	 Princípio da concordância prática ou harmonização. Este determina que, na ocorrência de conflito entre bens jurídicos fixados por normas constitucionais diversas, deve-se buscar uma interpretação que melhor os harmonize, de maneira a conceder um dos direitos a maior amplitude possível, sem que um deles imponha a supressão do outro. De certo modo, este princípio se faz evidente quando é tratado daqueles de supremacia e unidade da norma constitucional, embora no presente radique a especificidade de considerar o conjunto do ordenamento jurídico.
	Por fim, entende-se que a desconsideração absoluta destes princípios destruiria a integridade do corpo constitucional, em função da imperativa necessidade de reconhecimento de uma certa conexão elementar entre princípios e a própria normatividade do texto constitucional (SAMENTO, 2000). Contudo, embora tê-los em conta seja primordial, não menos é incluí-los em um referencial ou ferramenta que discipline a interpretação constitucional. Demanda-se, pois, ter em conta os métodos de interpretação das normas e, especificamente, aqueles de interpretação constitucional. Estes pontos são tratados a seguir.
2.2.- Métodos Clássicos de Interpretação das Normas
	Entende-se que o conjunto desses métodos foram delimitados a partir do século XIX, cabendo o papel ao jurista alemão Friedrich Carl von Savigny, que os propôs não como excludentes, mas que demandavam sua sincretização com o fim de delimitar o sentido e alcance das normas constitucionais (BASTOS, 2012). Porém, hodiernamente, quando se fala em métodos clássicos de interpretação das normas, é necessário indagar com que propósito ou dirigido a que fim. Portanto, dependendo do foco, é possível classificar os métodos em três categoriais principais, que são detalhadas a seguir:
	 Quanto ao Agente que a Realiza. Três são as possibilidades ou os métodos que têm lugar quando o foco é o agente que realiza a norma constitucional, a saber: (1) interpretação autêntica, que é realizada pelo próprio legislador, que aclara, no próprio texto editado, ou em outro diploma normativo posterior, o sentido e alcance de determinada norma (2) interpretação doutrinária, que é realizada pelos doutos, por doutrinadores, nas obras ou pareceres que publicam, ao estudar determinada norma; e, por fim, (3) interpretação jurisprudencial, que é a realizada pelos Tribunais ao decidirem os casos concretos que lhes são submetidos a julgamento.
	 Quanto ao método ou meio de interpretação utilizado. Comumente são referidas quatro possibilidades de interpretação, que são: (1) interpretação gramatical, compreendendo aquela que busca o sentido literal das palavras e expressões constantes do enunciado normativo. Neste sentido, pode-se nomeá-la também de interpretação literal; (2) interpretação histórica, traduzindo-se naquela que busca nos fatos históricos que marcaram a elaboração da norma e as explicações para sua edição e seu alcance; (3) interpretação lógico-sistemática, vista como aquela que determina que a norma seja encarada como pertencente a um sistema jurídico, e não como um diploma normativo isolado; e, por fim, (4) interpretação teleológica, sendo a que busca o fim (telos) da norma, a finalidade pretendida pelo preceito normativo. Portanto, tem por objetivo alcançar a intenção, a vontade da lei.
	 Quanto à extensão ou resultado obtido. No que respeita a este aspecto, os métodos podem ser de três tipos principais: (1) interpretação declarativa, sendo aquela que não amplia ou restringe o alcance da norma; nestes termos, é também conhecida por interpretação especificadora; (2) interpretação ampliativa, cujo nome por si parece suficiente para indicar seu sentido: é aquela que acaba por ampliar o sentido original da norma interpretada; e, por último, (3) interpretação restritiva, que, contrariamente ao que persegue o método anterior, busca restringir o alcance da norma, dizendo menos que a norma pretendeu expressar.
	Em resumo, coerente com o que defende Silva (2005), é possível pensar a Constituição como "um texto que, como qualquer texto, tem seu ser nas palavras, no seu arranjo, que nem sempre exprimem com clareza sua intencionalidade" (p.14). 
2.3.- Métodos de Interpretação Constitucional
	La doutrina é possível mapear diversos métodos de interpretação constitucional. Não obstante, não existe o método ideal, o único, correto ou superior aos demais; qualquer um que tenha “seu eixo no valor justiça” (COELHO, 1997) e que leve a um resultado pautado em critérios de racionalidade, é digno de ser utilizado. No caso, presume-se que estará em consonância com a jurisprudência constitucional que teve lugar após a Constituição da República vigente, arrojando luz à interpretação da lei ordinária e servindo como fundamento para as diversas de decisões no ordenamento jurídico. Neste âmbito, Silva (2005) não traça um conjunto delimitado de métodos, mas aponta eixos centrais da hermenêutica constitucional, referindo-se àquela das palavras, do espírito e contextual, denotando que estes são aspectos que precisam orientar a interpretação constitucional. Porém, a título de organização didática, parece oportuno listar e descrever alguns métodos mais frequentemente citados, como indicados a seguir:
	 Método jurídico ou clássico. Este método considera o pressuposto de que a Constituição não deixa de ser uma lei; aliás, é a lei das leis, isto é, a norma jurídica fundamental, que ocupa o topo da pirâmide kelseniana. Porém, esta condição não a exime de ser interpretada como devem sê-lo as demais normas jurídicas.
	 Método tópico-problemático. Sugere que o intérprete, considerando que a Constituição é um sistema normativo aberto que admite diversos significados, deve partis de um problema ou caso concreto, e não da norma em abstrato com o fim de encontrar a melhor solução para referido caso. Neste contexto, precisa analisar todos os pontos de vista possíveis para encontrar a melhor interpretação jurídica que promova seus princípios fundamentais.
	 Método hermenêutico-concretizador. Contrariamente ao método anterior, este parte da pré-compreensão do intérprete acerca do conteúdo do texto normativo. Neste sentido, considera a norma em abstrato, e não o problema concreto para encontrar a melhor solução disponível, levando em consideração a realidade social e o contexto histórico que se apresentam.
	 Método normativo-estruturante. Partindo da premissa de que não existe identidade entre o “programa normativo” (os preceitos normativos em si) e o “âmbito normativo” (a realidade que eles pretendem normatizar), este método estabelece que a interpretação das normas constitucionais não se limite ao estudo da literalidade do texto normativo, levando em conta a realidade social que o texto constitucional pretende regular.
	 Método científico-espiritual. Parte-se da premissa de que a Constituição é um instrumento de integração social e política, impondo ao intérprete da norma que este leve em conta o “chamado da Constituição”, isto é, os princípios e regras que formam sua