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Reportagem Redes Sociais no Ambiente de Trabalho

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maio de 2012 maio de 2012 o inconfidente # 7 6 # o inconfidente
las exercem funções 
diferentes nos seus 
respectivos empre-
gos: Paula* é assis-
tente administrativa 
numa empresa priva-
da e Michele Costa 
secretária geral na 
Secretaria de Turismo 
e Comunicação de 
Estância (SETURCOM). 
Ambas têm em comum 
um hábito próprio da 
vida moderna: vivem 
conectadas à internet 
e acessam diariamente 
as conhecidas redes so-
ciais. Neste aspecto o 
que as diferencia é que 
Paula não pode mais 
acessar sites de rela-
cionamentos no seu trabalho, mas 
Michele tem acesso liberado.
Antes de iniciar o expediente de 
trabalho, Paula seguia uma rotina 
diária: ligava o computador e aces-
sava o Orkut, o Facebook, o Twitter e 
o Windows Live Messenger. Sem in-
ternet em casa, era do trabalho que 
ela se conectava com o mundo. E 
somente depois de checar e respon-
der todos os scraps, depoimentos e 
mensagens que Paula começava, de 
fato, a trabalhar. “Às vezes eu perdia 
uma hora ou até mais entretida com 
as redes sociais, quando deveria es-
tar trabalhando”, confessa.
Contudo isso mudou. Há pouco 
mais de um ano, a empresa onde tra-
balha bloqueou os acessos a todas 
as redes sociais, além de outros sites 
como o YouTube, alegando questões 
de segurança e também a dispersão 
dos funcionários. “Até concordo com 
o bloqueio”, relata Paula. “Muitas 
pessoas abusavam e ficavam o dia 
todo batendo papo e esqueciam de 
concluir suas atividades. Por causa de 
uns, todos pagam”, desabafa.
Já Michele tem uma rotina bem 
diferente. Por trabalhar numa se-
cretaria de comunicação, o acesso 
às redes é liberado. “Geralmente passamos 
todo o tempo conectados não só às redes so-
ciais mas também visitando os principais si-
tes de notícias da região e do país”, esclarece. 
“Utilizamos as redes sociais como uma ferra-
menta de trabalho, divulgando os trabalhos 
da prefeitura através de notícias instantâneas 
e também respondendo perguntas de inter-
nautas”, complementa a secretária.
Não há dúvida de que as redes sociais es-
tão transformando a maneira como as pes-
soas se relacionam. De casa ou do trabalho, 
para uso pessoal ou profissional, o acesso às 
redes aumenta a cada dia.
Pesquisa da Palo Alto Networks, empre-
sa de segurança de rede, demonstra que no 
segundo semestre do ano passado houve um 
aumento de 300% nas atividades em sites 
como Facebook e Twitter em comparação ao 
mesmo período de 2010. Detalhe: a pesquisa 
foi realizada no meio corporativo e comprova 
que o número de profissionais utilizando as 
redes durante o expediente triplicou.
São dados que confirmam a popularidade 
cada vez mais ascendente das redes sociais. 
E as empresas não poderiam estar imunes a 
esse fenômeno.
PRÓS E CONTRAS
Estudo realizado pela Universidade 
Nacional de Singapura afirma que acessar 
as redes sociais e interagir com 
outras pessoas durante o expe-
diente aumenta a produtividade 
no trabalho e revigora o funcio-
nário após longos períodos de 
atividades. “Navegar na internet 
tem uma função restauradora 
importante”, dizem os pesquisa-
dores durante a conferência anu-
al da Academy of Management, 
ocorrida nos Estados Unidos em 
agosto de 2011. Segundo eles, 
após longos períodos de traba-
lho acessar a internet e intera-
gir nas redes sociais revigora a 
pessoa mentalmente e tem um 
efeito mais poderoso do que 
conversar com o colega de tra-
balho ao lado.
A estudante do curso de 
Administração pela Universidade 
Tiradentes (UNIT) Sandra Mary concorda 
com o estudo. Segundo ela, “a interativi-
dade no ambiente de trabalho, mesmo que 
virtual, deixa o funcionário mais descontraí-
do, mas desde que seja com moderação”. Já 
para o gerente de relacionamento da empre-
sa Orizon, Flávio Ricardo de Almeida, a libe-
ração irrestrita aos sites de relacionamentos 
no ambiente de trabalho poderia acarretar 
abuso: “As pessoas abusariam dos acessos e 
permaneceriam a maior parte do tempo veri-
ficando assuntos pessoais”.
O presidente da Elancers/Vagas Online e 
diretor executivo da ABRH-Nacional, Cezar 
Antonio Tegon, é contra o bloqueio das re-
des sociais no ambiente de trabalho. Ele tam-
bém acredita que algumas pausas curtas e 
moderadas, como uma navegação rápida na 
Internet, permitem que o colaborador des-
canse a mente e melhore a concentração para 
o trabalho: “É importante, dentro da rotina de 
trabalho, existirem momentos de descontra-
ção que comprovadamente aumentam a pro-
dutividade”, explica Tegon. “Prefiro cobrar 
resultados se existir dispersão. No caso de 
acessos excessivos a sites sem relação com o 
trabalho e não cumprimento de metas, o fun-
cionário deve ser chamado”, complementa.
A causa de toda essa incômoda situação, 
segundo explica Cezar Antonio Tegon, é a fal-
ta de regulamentação da internet: “A falta 
de parâmetros e limites claros acaba geran-
do inúmeros mal-entendidos, tanto no mun-
do corporativo, quanto no convívio entre as 
pessoas, ficando cada dia mais necessária a 
aplicação dos valores éticos como meio de fil-
tragem das ações e geração de conteúdo na 
rede. É preciso que cada usuário - empresas e 
pessoas físicas - saiba como estabelecer esse 
filtro, o que tem tornado a interação entre os 
indivíduos, ainda mais necessária, difundin-
do a troca de informações sobre qual seria a 
forma ideal de se relacionar em cada uma das 
‘novas’ redes sociais”.
BLOQUEAR NÃO RESOLVE
E é por causa dos abusos e excessos come-
tidos pelos próprios funcionários que muitas 
empresas brasileiras têm optado por bloque-
ar parcialmente o acesso à Internet, seguin-
do uma tendência corporativista. O Brasil é, 
hoje, o país que mais proíbe o acesso a redes 
sociais no ambiente de trabalho. Mas não são 
apenas o Facebook, o Orkut ou o Twitter as 
páginas impedidas. Sites com conteúdo por-
nográfico, jogos, bate-papo, rádios virtuais, 
apostas e assemelhados, além dos de com-
partilhamento de vídeos (YouTube) também 
estão na lista dos “vilões” bloqueados pelas 
empresas. As principais justificativas para o 
bloqueio são: a dispersão dos funcionários, a 
baixa produtividade, o risco de as redes cor-
porativas serem infectadas por vírus e ainda 
o vazamento de dados sigilosos.
O técnico de suporte de TI Alex Cavalcanti 
explica que as empresas estão restringin-
do os acessos dos funcionários à rede por 
uma série de fatores. Um deles é a seguran-
ça. “Se a empresa libera o acesso irrestrito 
à Internet ela está correndo muitos riscos”, 
explica. “O usuário poderia, por exemplo, 
clicar em um link e inadvertidamente baixar 
um arquivo que poderia contaminar o com-
putador ou toda a rede. O Orkut está cheio 
de links assim, que parecem inofensivos mas 
na maioria das vezes escondem um arquivo 
executável prejudicial”. Além disso, o técnico 
de suporte de TI esclarece que há o risco de 
sobrecarregar a rede e paralisar todo o siste-
ma se os funcionários começassem a baixar 
vídeos, por exemplo. “O tráfego de infor-
mações combinadas nesses casos poderiam 
A polêmica utilização das redes sociais 
no ambiente de trabalho 
Por causa dos abusos, empresas brasileiras têm sido as que mais restringem o acesso aos sites de relacion-
amentos. “Proibir é como tapar o sol com a peneira, não resolve”, diz especialista. Mas há quem discorde
E
TRABALHO TRABALHO
Joscivanio de Jesus
causar lentidão na rede ou até derrubar todo 
o sistema. E isso seria ruim para toda a em-
presa. Essa é uma das razões de impedir o 
acesso aos sites que permitem compartilhar 
vídeos, além dos sites de relacionamentos”, 
explana Alex Cavalcanti. E em seguida com-
plementa: “Sem contar que o expediente é 
para ser usado no desenvolvimento das ativi-
dades concernentes ao trabalho, e a Internet 
é uma ferramenta a mais que deve ser utiliza-
da como auxílio no desempenho das funções 
do funcionário.