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Artigo_Análise Tributária

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Que sentido 
haveria numa discriminação rigorosa de competências, quando se 
permitisse que uma pessoa delegasse a outra as habilitações recebidas? 
(CARVALHO, 2008, p.239) 
 
A subdivisão dos tributos pela competência na instituição dos mesmos, 
gera uma forma de classificação quanto a distribuição nos diversos níveis de 
governo: União, Estados e Distrito Federal e os Municípios. Oliveira et al (2003) 
descreve: 
Cabe à União a instituição do (a): 
• Imposto de Renda - IR; 
• Contribuição Social Sobre o Lucro - CSSL; 
• Imposto de Importação - II; 
• Imposto de Exportação - IE; 
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• Imposto sobre Produto Industrializado - IPI; 
• Programa de Integração Social - PIS; 
• Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS; 
• Entre outros; 
Compete aos Estados e ao Distrito Federal a instituição do (a): 
• Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de 
Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicações - ICMS; 
• Imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens e 
direitos - ITCMD; 
• Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores - IPVA; 
E cabe ainda aos Municípios a instituição dos impostos sobre: 
• A propriedade predial e territorial urbana - IPTU; 
• Transmissão inter vivos - ITBI; 
• Serviços de qualquer natureza - ISS; 
Dessa forma, define-se o responsável pela instituição do tributo e também 
a qual ente federativo o contribuinte deve-se reportar para discutir matérias 
relacionadas a cada tributo. 
 
 
2.3 Princípios Constitucionais Tributários 
 
 
As limitações do poder de tributar são estabelecidas pelos princípios 
constitucionais tributários. Consideram-se impedimentos ao ente tributante, pois, nas 
questões tributárias, as normas jurídicas devem obedecer rigorosamente os 
princípios, dentre os quais se destacam os presentes no artigo 150 da Constituição 
Federal: Legalidade, Irretroatividade Tributária, Anterioridade, Noventena, Isonomia 
Tributária, entre outros. 
Oliveira, G. (2005, p. 69) salienta que “o tributo não existe sem fronteiras 
e reside nessas a limitação do poder de tributar. Tais limitações são formadas pela 
união de traços que demarcam o modo, o campo, a forma e a intensidade com que 
atuará o poder de tributar.” 
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A seguir, serão apresentados os conceitos e algumas características dos 
princípios constitucionais tributários citados, a fim de facilitar a identificação de 
inconstitucionalidades por parte do governo quanto ao poder de tributar. 
 
 
2.3.1 Princípio da Legalidade 
 
 
Os tributos não podem ser instituídos ou majorados sem que uma lei 
fundamente tal pretensão. Para tanto, a Constituição Federal determina: 
“Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, 
é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
I - Exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...)” 
Este princípio, além da Constituição, é citado também no Código 
Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso I, onde consta que “somente a lei pode 
estabelecer a instituição de tributos ou a sua extinção.” 
Contudo, há exceções quanto às próprias regras impostas pela 
Constituição. Pêgas (2007, p. 31) destaca que “o parágrafo 1° do artigo 153 da 
Constituição, diz que o poder executivo poderá, atendidas as condições e os limites 
estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos seguintes impostos: II, IE, IOF, e IPI.” 
Neste caso, por exemplo, ao incumbir o poder executivo de alterar tais alíquotas, a 
redação constitucional cria uma exceção a regra de que somente é possível exigir ou 
aumentar tributos mediante uma lei que o estabeleça. 
A respeito deste caso, Denari (2008, p. 62) afirma que “o texto 
constitucional, com relativa frequência, permite-se criar exceções a suas próprias 
regras mandamentais e princípios, como o fez nessa passagem.” Cabe resaltar que, 
como tal situação está prevista em lei, a incumbência ao poder executivo é válida e 
legal. 
Fabretti (2001), faz também uma consideração importante a respeito do 
princípio da legalidade, ao lembrar que este, diz claramente que a lei é a fonte 
principal, e não decretos, portarias, instruções normativas, etc., que são 
considerados como fontes secundárias do direito. 
 
 
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2.3.2 Princípio da Irretroatividade Tributária 
 
 
Este princípio está definido no parágrafo 3º do art. 150 da Constituição 
Federal, in verbis: 
Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) 
III – cobrar tributos: 
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei 
que os houver instituído ou aumentado; (...) 
 
Dessa forma, fica proibido exigir tributos em relação a fatos geradores que 
tenham ocorrido em um período anterior a vigência da Lei em questão. Oliveira. G, 
(2005, p. 70) explica que: 
Tal princípio corrobora com a segurança jurídica do contribuinte, afastando 
a incidência tributária sobre fatos geradores passados em relação a Lei que 
apareceu depois. A obrigação tributária só poderá ser exigida em fatos 
ocorridos após à vigência da lei que a houver instituído ou majorado, a não 
ser nos casos previstos no art. 106 do CTN que se vocacionam para 
atuarem no passado com suas equivalentes bases. 
 
De certo modo, este princípio tem a mesma abrangência do princípio da 
irretroatividade das leis, instituído no art. 5o, XXXVI, da Constituição Federal, que 
protege o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Porém, não deixa 
de ter valia ao se fundamentar um planejamento tributário, pois exclui qualquer 
possibilidade de eventos passados interferirem nas projeções. 
 
 
2.3.3 Princípio da Anterioridade 
 
 
O objetivo deste princípio é assegurar que o contribuinte tenha tempo 
hábil para se adaptar a exigibilidade dos tributos. A Constituição define: 
Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) 
III – cobrar tributos: (...) 
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os 
instituiu ou aumentou; (...) 
 
Carvalho (2008) destaca que, uma lei instituidora ou majoradora de 
tributos pode ser imediatamente aplicada caso o diploma legislativo a publique, no 
tempo que antecede o ano em que se pretende efetuar a cobrança. 
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Machado (2006, p.61) define este princípio, conforme segue: 
O princípio da anterioridade quer dizer que nenhum tributo pode ser 
cobrado sem que a lei que o instituiu, ou aumentou, tenha sido publicada 
antes do início do exercício da cobrança. Um imposto instituído em lei 
publicada em 1999, somente a partir de 2000 pode ser cobrado. Mas 
poderá ser cobrado também nos anos seguintes, indefinidamente. 
 
Assim, para se instituir ou majorar um tributo no exercício de 2011, por 
exemplo, a lei deverá ser promulgada até no máximo em 31/12/2010. 
 
 
2.3.4 Princípio da Anterioridade Nonagesimal 
 
 
Também intitulado de Princípio da Noventena, tal limitação regulamenta a 
exigibilidade do tributo apenas após transcorridos 90 dias da publicação da lei que o 
instituiu ou aumentou. Foi instituído pela Emenda Constitucional (EC) n° 42, de 
19/12/2003 e dispõe que: 
Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) 
III – cobrar tributos: 
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a 
lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea “b”; (...) 
 
Combinado ao princípio da anterioridade, citado anteriormente, tal 
princípio zela por um período mínimo de adaptação à instituição ou aumento de 
tributos. 
Machado (2006, p.59) ressalta 
Este princípio,