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Tese Professor titular Crocco

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20,97 11,15 1.770 19,89 10,87 1.848 19,83 10,88 1.831 19,69 10,63 1.857 18,94 10,31 1.914 18,60 10,08
RJ 1.303 16,66 8,43 1.388 16,51 8,46 1.415 16,82 8,94 1.554 17,46 9,55 1.658 17,79 9,76 1.618 17,40 9,40 1.700 17,34 9,44 1.779 17,29 9,37
SP 4.620 59,07 29,88 4.897 58,24 29,84 4.956 58,90 31,33 5.292 59,47 32,51 5.508 59,10 32,42 5.530 59,48 32,11 5.877 59,95 32,62 6.211 60,37 32,70
Sudeste 7.821 100,00 50,58 8.408 100,00 51,23 8.414 100,00 53,19 8.898 100,00 54,66 9.320 100,00 54,85 9.298 100,00 53,99 9.803 100,00 54,41 10.288 100,00 54,17
PR 1.223 37,52 7,91 1.258 36,46 7,66 1.224 36,75 7,74 1.243 36,94 7,64 1.272 36,96 7,49 1.246 35,78 7,24 1.284 35,65 7,13 1.340 35,58 7,06
RS 1.301 39,91 8,41 1.398 40,52 8,52 1.332 39,99 8,42 1.341 39,85 8,24 1.368 39,74 8,05 1.407 40,41 8,17 1.463 40,62 8,12 1.530 40,63 8,06
SC 736 22,58 4,76 794 23,01 4,84 775 23,27 4,90 781 23,21 4,80 802 23,30 4,72 829 23,81 4,81 855 23,74 4,75 896 23,79 4,72
Sul 3.260 100,00 21,08 3.450 100,00 21,02 3.331 100,00 21,06 3.365 100,00 20,67 3.442 100,00 20,26 3.482 100,00 20,22 3.602 100,00 19,99 3.766 100,00 19,83
Brasil 15.464 100,00 16.413 100,00 15.819 100,00 16.278 100,00 16.991 100,00 17.221 100,00 18.018 100,00 18.992 504,30 100,00
Fonte: LEMTe/CEDEPLAR
2006 20082002 20041998 20001994 1996
 
110 
 
 
Antes de proceder a análise, uma consideração deve ser feita em relação aos 
dados da região Centro-Oeste. Como se sabe, esta região abriga no seu interior a 
capital do país, Brasília. Este fato impacta os dados coletados por razões políticas 
que devem ser consideradas. Em primeiro lugar, a sede dos dois maiores bancos 
públicos do país estão ali localizadas, a saber, Banco do Brasil e Caixa Econômica 
Federal. Em segundo lugar, todas as operações bancárias relacionadas à 
administração federal estão concentradas nesta cidade. Estes dois fatores 
interferem nos balancetes das agências bancárias ali localizadas, fazendo com que 
os indicadores desta região sejam influenciados não apenas por fatores 
econômicos, mas também pelo fator político. Em função disto, na análise que se 
segue os dados relativos à região Centro-Oeste serão apresentados sem a cidade de 
Brasília. 
 
II.2.1 INDICADORES DE ESCALA DO SISTEMA BANCÁRIO 
 
Dois indicadores de escala do sistema financeiro na economia local são 
utilizados, a saber: 
• Ativo Total / PIB: este indicador mede o tamanho relativo do sistema 
bancário em relação à economia local; 
• Ativo Total / População: possui o mesmo significado do anterior, 
porém utiliza a população como medida do tamanho de uma região; 
Como mostrado anteriormente, existe uma extensa literatura que estuda a 
relação entre sistema financeiro e crescimento econômico, o chamado nexo 
finanças – crescimento (finance-growth nexus). Entre os vários indicadores usados 
para mensurar este nexo, os dois acima citados são comumente utilizados e 
considerados como proxies do grau de desenvolvimento do sistema financeiro, 
principalmente na literatura Novo – Keynesiana (Levine 2004, entre outros). No 
entanto, a perspectiva aqui adotada difere deste porque entende que o 
 
111 
 
desenvolvimento do sistema financeiro deve ser medido não pelo seu tamanho, 
mas sim por sua funcionalidade. Esta última pode ser definida como a capacidade 
do setor financeiro em suprir as necessidades de financiamento do setor real da 
economia sem se colocar em risco (Studart 1999) 46. Esta não é uma diferença 
pequena, pois é possível que o sistema bancário possua um total de ativo elevado 
em relação ao PIB, mas que parcela significativa deste ativo esteja alocada no 
circuito financeiro e não no circuito produtivo. Ou seja, é possível admitir que este 
indicador seja uma proxy não do desenvolvimento, mas sim do aprofundamento 
(deepening) do sistema bancário, i.e. de sua escala e/ou escopo. 
Os dados mostram um padrão muito claro: o peso do sistema bancário é 
relativamente maior em regiões mais desenvolvidas em comparação com as menos 
desenvolvidas (Tabela 3). A região Sudeste teve o maior valor deste indicador 
durante todo o período. Por outro lado, a região mais pobre, Norte, apresentou o 
menor resultado no mesmo período. As regiões Sul e Nordeste alternaram seus 
respectivos ranqueamentos durante os anos. Até 1997 o peso da região Nordeste 
era maior que o observado para a região Sul, após 1998, a situação se inverte. A 
redução do valor do indicador para a região Nordeste ocorreu devido à brusca 
redução do valor do total dos ativos bancários, refletindo o processo de 
reestruturação do sistema bancário durante os anos 1990s. Como pode ser visto na 
Tabela 2, a redução no número de agências bancárias na região Nordeste foi muito 
mais acentuada do que a observada para a região Sul. 
Do que foi dito anteriormente, pode-se afirmar que a região Sudeste foi, de 
longe, a grande beneficiada, em termos da relação Ativo Total / PIB, com o 
processo de reestruturação do sistema bancário no Brasil 
O processo de concentração bancária no SE também é observado quando se 
utiliza o indicador Ativo Total / População. De fato, o referido processo fica ainda 
mais evidente, uma vez que o valor obtido por esta região, fica cerca de 20 vezes 
maior que o observado para a região Norte, a menos desenvolvida (Tabela 4). 
 
 
46 Ver Studart (1999) para uma discussão detalhada sobre funcionalidade do sistema financeiro. 
 
112 
 
Tabela 3 
Ativo Total / PIB, 1994-2006 
Anos Centro-Oeste Centro-Oeste sem DF Nordeste Norte Sudeste Brasil
1994 2,43 0,49 0,57 0,23 1,42 1,14
1995 9,48 0,81 0,84 0,63 1,58 1,76
1996 6,61 1,49 1,12 0,56 1,48 1,58
1997 5,28 0,79 1,12 0,61 1,70 1,65
1998 3,16 0,47 0,62 0,36 2,14 2,04
1999 3,09 0,51 0,62 0,46 1,67 1,41
2000 3,48 0,73 0,62 0,44 1,71 1,46
2001 3,46 0,48 0,68 0,50 1,96 1,64
2002 2,73 0,42 0,66 0,52 1,85 1,55
2003 2,56 0,35 0,58 0,43 1,71 1,42
2004 2,56 0,34 0,55 0,36 1,69 1,40
2005 2,33 0,37 0,56 0,31 1,78 1,45
2006 2,41 0,36 0,52 0,30 1,76 1,44
2007 2,82 0,28 0,51 0,32 2,57 1,89
Fonte:LEMTe/CEDEPLAR 
 
Tabela 4 
Ativo Total / População, 1994-2007 
Anos Centro-Oeste Centro-Oeste sem DF Nordeste Norte Sudeste Sul Brasil
1994 19014,86 3046,14 2185,87 1359,60 16549,73 5464,14 9862,30
1995 81228,00 5606,01 3672,69 3848,56 21132,94 8738,95 17061,29
1996 60826,19 10872,56 5214,60 3547,88 20278,97 9257,95 15853,13
1997 50500,55 5815,85 5365,54 3753,63 24179,94 10096,77 17023,46
1998 32884,68 3532,69 2962,67 2217,55 30189,33 34137,16 21175,84
1999 30391,03 3897,17 3013,01 2825,76 23678,48 9093,02 14583,83
2000 37919,71 5898,41 3140,64 2868,05 24938,13 9567,26 15755,59
2001 39009,87 4037,45 3456,58 3344,21 28502,07 11389,89 17754,64
2002 41695,89 4478,01 3738,19 3801,94 29841,26 12657,92 18823,09
2003 39525,99 3917,50 3170,41 3108,21 26877,68 11494,42 17035,21
2004 41933,07 4023,41 3196,86 2831,51 27991,84 12254,19 17785,91
2005 37746,35 4212,14 3397,77 2500,37 30464,55 13038,63 18697,43
2006 39940,79 4062,24 3336,87 2507,93 31777,25 13157,25 19421,09
2007 51719,03 3675,54 3520,64 2772,18 50668,76 11771,22 28079,48
Fonte: LEMTe/CEDEPLAR 
A primeira conclusão a que se chega é que o processo de reestruturação 
bancária dos anos 1990s e 2000s significou um aumento do aprofundamento do 
sistema bancário (banking deepening) para as regiões mais desenvolvidas e uma 
redução deste nas regiões menos desenvolvidas. 
II.2.2 INDICADORES DE GESTÃO DO ATIVO 
O segundo conjunto de indicadores aqui analisado busca captar em que 
medida a forma de gestão do ativo das agências bancárias é influenciada por 
questões regionais. Para esta análise são utilizados sete indicadores, a saber: 
• Preferência pela Liquidez das Agências Bancárias (PLB): ela mede a