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comentarios a lei de Resp.Fiscal

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Lei de
Responsabilidade Fiscal
Guia de Orientação
para as Prefeituras
Amir Antônio Khair
Brasília
2000
MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO
BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL
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Khair, Amir Antônio
Lei de Responsabilidade Fiscal : guia de
orientação para as prefeituras / Amir Antônio
Khair. – Brasília : Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão; BNDES, 2000.
144p.
1. Lei de Responsabilidade Fiscal. I. Título
CDD 341.392
CDU 336.2 : 34
A elaboração deste trabalho foi patrocinada pelo BNDES, no âmbito de con-
vênio de cooperação técnica firmado com os Ministérios do Planejamento e do
Desenvolvimento e com a ENAP, visando apoiar a implantação da Lei
Complementar nº 101, de 4.5.2000, inclusive para efeito de atendimento do dis-
posto em seu art. 64. 
As opiniões aqui expressas são de exclusiva responsabilidade de seu autor e
não refletem necessariamente a posição dos órgãos federais.
Este documento pode ser reproduzido, em parte ou integralmente, desde que 
devidamente citada fonte e patrocinadores.
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SUMÁRIO
Síntese 5
Lei de Responsabilidade Fiscal: Simples Municipal 7
Apresentação – Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão 9
Apresentação – Presidente do BNDES 11
1. Introdução 13
1.1 Importância e Motivação 14
1.2 Destaque dos Pontos Principais 15
1.3 Cuidados 16
1.4 Apresentação Sucinta dos Capítulos 17
2. Apresentação de cada Artigo com Comentários e Exemplos 19
3. Quadros Ilustrativos 55
3.1 Limites 55
3.2 Prazos 56
3.3 Punições Fiscais 57
3.4 Penalidades 58
3.5 Crimes de Responsabilidade dos Prefeitos 58
4. Vantagens da Lei de Responsabilidade Fiscal 61
4.1 Orçamento Participativo 61
4.2 Transparência da Gestão 62
4.3 Maior Eficiência na Ação Governamental 63
4.4 Racionalização de Despesas 63
4.5 Crescimento das Receitas 64
4.6 Planejamento da Ação do Governo 67
4.7 Herança Fiscal 68
5. Considerações Finais 69
Anexos 73
• Lei de Responsabilidade Fiscal 75
• Íntegra da Lei de Responsabilidade Fiscal
(Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000) 77
• Artigos da Constituição Relacionados com a Lei de Responsabilidade Fiscal 117
• Resolução 78/98, do Senado 125
6. Glossário 144
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SÍNTESE
Está em vigor, desde 5 de maio de 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF), que se constitui no principal instrumento regulador das contas
públicas do País, merecendo destaques os seguintes pontos:
1 – São estabelecidos limites para os gastos de pessoal para as três esferas
de governo e para cada um dos Poderes, que terão dois exercícios para
se adequar a esses limites, representando um avanço em relação à legis-
lação atual, que prevê um limite global, sem explicitar a responsabilidade
de cada Poder.
2 – No último ano do mandato, passam a ficar mais difíceis os excessos de
despesas, sendo proibido o aumento das despesas com pessoal no segun-
do semestre, a contratação de antecipação de receita orçamentária (ARO)
e a contratação, nos oito últimos meses, de obrigações que não tenham
recursos gerados no próprio mandato para seus pagamentos. 
3 – Cada nova despesa de duração superior a dois anos, para ser efetiva-
da, deverá ter assegurada a sua fonte de financiamento. 
4 – Os prefeitos deverão assumir compromissos com metas fiscais e, a
cada quatro meses, apresentar ao Legislativo municipal e à sociedade
demonstrativos quanto ao cumprimento ou não dessas metas. 
5 – As dívidas continuam a ser limitadas pela Resolução 78/98, do Senado,
até nova aprovação pelo próprio Senado de proposta de limites a ser en-
viada pelo Presidente da República, no prazo de 90 dias.
6 – Ficam proibidos os refinanciamentos de dívidas de Estados e
Municípios, de forma que cada ente da Federação seja responsável pela
administração de suas finanças. 
7 – O descumprimento dos limites estabelecidos pela lei acarreta a sus-
pensão de transferências voluntárias, a contratação de operações de crédi-
to e a concessão de garantias para a obtenção de empréstimos.
Os que descumprirem as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal serão
punidos pelo Código Penal e pelas sanções propostas no Projeto de Lei
621/99, que prevê os crimes relacionados à Lei de Responsabilidade Fiscal
e que se encontra em fase final de tramitação no Congresso Nacional. 
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Lei de Responsabilidade Fiscal:
Simples Municipal 
O art. 64 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de
4.5.2000) prevê que: 
"A União prestará assistência técnica e cooperação financeira aos
Municípios para a modernização das respectivas administrações tributária,
financeira, patrimonial e previdenciária, com vistas ao cumprimento das nor-
mas desta Lei Complementar". 
O Presidente Fernando Henrique Cardoso, em seu programa de rádio (em
2.5.2000), dedicado à sanção dessa Lei, anunciou sua determinação para que o
Ministério do Planejamento e o BNDES desenvolvessem o Simples Municipal:
um conjunto de ações voltadas especialmente para prefeituras de pequeno
porte e do interior, visando facilitar a administração de suas contas e, ao mesmo
tempo, assegurar a implantação de um novo regime fiscal responsável. 
A publicação deste trabalho se insere nesse esforço governamental para
tornar mais fácil e mais eficaz as administrações locais. Faz parte da seguinte
série de trabalhos elaborados por entidades e técnicos de notória especia-
lização na área, exclusivos responsáveis pelas opiniões, mas cuja dis-
tribuição é apoiada pelos órgãos federais por ajudarem na compreensão da
lei e na implantação de um novo regime fiscal:
• "Manual de Orientação para Crescimento da Receita Própria Municipal", da
Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio
Vargas - FGV, São Paulo, 2000; e
• "125 Dicas – Idéias para a Ação Municipal", elaborado pelo Instituto de
Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais - PÓLIS, São Paulo, 2000.
O conteúdo integral deste guia e das publicações acima citadas está
disponível na Internet, para acesso gratuito e universal, através de consulta
ou de download, no site mantido pelo BNDES e especializado em finanças
públicas e federalismo fiscal, no endereço: www.federativo.bndes.gov.br.
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A P R E S E N TA Ç Ã O
A Lei de Responsabilidade Fiscal traz uma mudança institucional e cultural
no trato com o dinheiro público, dinheiro da sociedade. Estamos gerando
uma ruptura na história político-administrativa do País. Estamos introduzin-
do a restrição orçamentária na legislação brasileira.
A sociedade não tolera mais conviver com administradores irresponsáveis e
hoje está cada vez mais consciente de que quem paga a conta do mau uso
do dinheiro público é o cidadão, o contribuinte.
A irresponsabilidade praticada hoje, em qualquer nível de governo, resultará
amanhã em mais impostos, menos investimentos ou mais inflação, que é o
mais perverso dos impostos pois incide sobre os mais pobres.
O governo não fabrica dinheiro. 
Esta afirmação pode parecer óbvia para alguns, mas não para aqueles que
administram contas públicas gastando mais do que arrecadam. Deixando
dívidas para seus sucessores e assumindo compromissos que sabem, de
antemão, não poderão honrar. É este tipo de postura, danosa para o País, que
é coibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A decisão de aumentar gas-
tos, independentemente de seu mérito, precisa estar acompanhada de uma
fonte de financiamento.
A Lei reforça os princípios da Federação. Governantes de Estados e
Municípios não terão que prestar contas de seus atos ao governo federal mas
ao seu respectivo Legislativo, ou seja, à comunidade que