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comentarios a lei de Resp.Fiscal

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RESPONSABILIDADE FISCAL
4.1 - Orçamento Participativo
A Lei de Responsabilidade Fiscal vai estimular a prática do orçamento par-
ticipativo ao estabelecer como condição prévia a participação popular e a
realização de audiências públicas na elaboração e discussão da Lei de
Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual.
O orçamento participativo amplia e aprofunda a democracia e desenvolve a
cidadania, na medida em que estabelece melhor controle social sobre o
Estado, reduz o clientelismo, cria maior co-participação entre governo e
comunidade e, no processo de seu desenvolvimento, são aprimoradas as
regras de discussão, deliberação e acompanhamento orçamentário das prio-
ridades pactuadas com o governo.
O orçamento participativo dá oportunidade ao governo de expor sua situação
financeira, seus problemas operacionais, seus planos e prioridades e propicia
à população apresentar suas reivindicações. É dessa interação que deve sair
a proposta orçamentária.
É possível crescer a receita própria municipal (IPTU, ISS, ITBI, taxas e
Contribuição de Melhoria) quando se discute o orçamento com a população,
mostrando que a realização dos programas que incorporam prioridades apre-
sentadas pela própria população depende dessa receita municipal, que, por
sua vez, depende de aprovação de legislação tributária a cada ano pela
Câmara Municipal. Isso se aplica especialmente ao IPTU, ITBI e taxas.
Da discussão prévia do orçamento poderá surgir o envolvimento da popu-
lação, possibilitando maior responsabilidade pelo pagamento dos tributos e
pela fiscalização das realizações. Isso é mais fácil acontecer em pequenos
Municípios, onde as relações entre governo e comunidade são mais próxi-
mas e menores os espaços de circulação. 
A população desconhece a importância da Câmara Municipal no processo de
aprovação e realização do orçamento. É da Câmara a última palavra na
definição do orçamento, pois ela pode mudar as prioridades estabelecidas
pelo Executivo e estabelecer outras, desde que não aumente a despesa total
prevista. O Legislativo pode assim proceder cortando despesas da proposta
do Executivo e alocando os recursos em outros itens, tanto em atividades
quanto em projetos. Pode também reduzir receitas, como o IPTU, o ITBI, as
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taxas e o ISS, ao não aprovar os projetos de reforma tributária propostos pelo
Executivo.
Por essa razão, a população deve também participar com o Legislativo para que
o orçamento contemple suas prioridades e as receitas necessárias para exe-
cutá-las. É preciso garantir a viabilização das receitas tributárias e, para tanto,
é fundamental acompanhar a aprovação dos projetos de reforma tributária.
Nesse processo, a prefeitura deve se organizar de forma a dar transparência
pública ao orçamento e às propostas de receitas tributárias para garantir sua
aprovação. Caso contrário, podem ser frustradas as expectativas criadas na
preparação e na discussão do orçamento.
Uma administração transparente e democrática deve mostrar o que vai fazer e
de onde vai tirar os seus recursos, para que possa contar com a confiança da
população, que pagará os seus tributos de uma maneira mais consciente e
m o t i v a d a .
4.2 - Transparência da Gestão
Característica marcante da Lei de Responsabilidade Fiscal é a obrigato-
riedade da transparência do planejamento e da execução da gestão fiscal.
A garantia de uma eficaz administração pública está centrada na boa inte-
ração entre governo e sociedade. Para os pequenos Municípios, essa inte-
ração é quase natural, pois a população conhece e tem mais fácil acesso ao
prefeito e à sua equipe. 
O mesmo ocorre com a Câmara Municipal, onde os vereadores devem
exercer seus mandatos em benefício da população para garantir a con-
tinuidade de suas carreiras políticas.
A interação Executivo e Legislativo com a sociedade poderá ser facilitada com
a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece maior transparência na ação
governamental por meio da ampla divulgação das prestações de contas e dos
relatórios de gestão e, especialmente, pelo incentivo à participação da
sociedade. 
As informações contidas nos relatórios exigidos, além de estabelecer
parâmetros e metas para a administração pública, permitem avaliar com pro-
fundidade a gestão fiscal do Executivo e Legislativo.
O orçamento participativo é apenas um dos instrumentos da aproximação
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entre o governo e a sociedade, existindo variadas formas de propiciar essa
interação, como a visita sistemática aos bairros para dialogar com a po-
pulação, a criação de conselhos comunitários, a presença nos meios de
comunicação local para informar e prestar contas dos atos de governo, a
promoção de sondagens de opinião, etc.
4.3 - Maior Eficiência na Ação Governamental
As dificuldades e a escassez de recursos levam os governos a fazer ver-
dadeiros milagres para conseguir executar os projetos essenciais do plano de
governo. A Lei de Responsabilidade Fiscal deverá conduzir os governos a
administrarem com mais eficiência seus recursos.
A arrecadação pode melhorar através de maior atuação da fiscalização e de
tributos mais bem instituídos e cobrados. As despesas poderão ser mais
seletivas e controladas e reduzidos seus custos.
Poderão ser postergadas obras não tão essenciais, estabelecidas parcerias
com o setor privado, estimulada a participação da população em mutirões e
criados e/ou desenvolvidos planos comunitários que darão maior eficiência à
ação governamental, contribuindo para o aprimoramento da gestão fiscal e
permitindo um volume maior e mais seletivo de realizações na cidade.
4.4 - Racionalização de Despesas
A Lei de Responsabilidade Fiscal tem como ênfase o controle e a contenção
das despesas, particularmente as despesas com pessoal, serviços de ter-
ceiros e despesas obrigatórias de caráter continuado.
As despesas com pessoal devem ficar abaixo de 60% da receita corrente
líquida em dois exercícios; a Câmara Municipal não poderá gastar mais de
70% de sua receita com a folha de pagamento; deve ser observado o limite
legal aplicado às despesas com pessoal inativo; e está proibido o aumento da
despesa total com pessoal expedido nos últimos 180 dias do mandato. 
Para o cumprimento dos limites estabelecidos durante o prazo fixado, os
Municípios farão a redução, em pelo menos 20%, das despesas com cargos
em comissão e funções de confiança e a exoneração dos servidores não
estáveis. Se essas medidas não forem suficientes, o servidor estável poderá
perder o cargo. 
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As despesas com serviços de terceiros não poderão ultrapassar o percentual
da receita corrente líquida verificada em 1999 até 2003 e o ato que criar a
despesa obrigatória de caráter continuado deverá ter seus efeitos financeiros
compensados.
Essas limitações forçam a administração municipal a racionalizar suas
despesas; caso contrário, incorrem no corte de transferências voluntárias e
demais sanções penais e políticas.
Diversas experiências exitosas no campo da racionalização de despesas vêm
ocorrendo nas prefeituras, encontrando-se consolidadas no livro “125 Dicas –
Idéias para a Ação Municipal”, do Instituto Pólis. O livro, patrocinado pelo
BNDES, é composto de relatos sobre experiências bem-sucedidas em diversas
áreas da administração municipal. Essas experiências podem ser encontradas no
site www.federativo.bndes.gov.br.
4.5 - Crescimento das Receitas
Para o crescimento da receita, é importante consultar o Manual de
Orientação para Melhoria da Receita Municipal Própria, elaborado pela
Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e patrocinado pelo BNDES, que o
enviou a todas as prefeituras do País. O manual aborda mecanismos para a
ampliação das receitas próprias e para as alterações necessárias na legis-
lação tributária local. Na primeira parte, são abordados