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comentarios a lei de Resp.Fiscal

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Legislativo, inclusive Tribunais de Contas, o Judiciário e o
Ministério Público; e
• as respectivas administrações diretas, os fundos, as autarquias, as fun-
dações e as empresas estatais dependentes (empresa controlada que receba
do ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com
pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso, aque-
les provenientes de aumento de participação acionária).
A Lei de Responsabilidade Fiscal alcança todos os Poderes e não ape-
nas o Executivo. O Congresso aprovou, recentemente, limitações de gas-
tos totais e de pessoal das Câmaras Municipais, visando permitir um me-
lhor ajuste fiscal nas contas públicas do País.
Os fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes pas-
sam agora a ter também maiores limitações em suas gestões fiscais,
devendo apresentar maior transparência fiscal perante a sociedade.
Receita Corrente Líquida (Art. 2º)
A receita corrente líquida (RCL) é a receita corrente menos a contribuição
dos servidores para a previdência e assistência social e menos as receitas 
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da compensação financeira da contagem recíproca do tempo de con-
tribuição para aposentadoria na administração pública e na atividade pri-
vada. Estão compreendidas as transferências constitucionais, inclusive as
da Lei Kandir e do Fundo para o Desenvolvimento do Ensino Fundamental
(Fundef). 
A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas
no mês em referência e nos 11 anteriores, excluídas as duplicidades.
A receita corrente líquida é referência para a fixação dos limites de
despesas como, por exemplo, as de pessoal, que não poderá superar 60% da
própria receita corrente líquida dos Estados e Municípios, e 50% da respec-
tiva receita da União.
Quanto mais crescer a receita corrente líquida mais se expandirão os limites
das despesas que estão a ela referenciadas. Assim, o Município que con-
seguir desenvolver sua receita própria, além do benefício de poder contar
com mais recursos, poderá ter mais folga em seus limites de despesas com
pessoal, serviço de terceiros e de endividamento.
Tendo como exemplo um Município com uma receita corrente líquida de
R$ 5.000.000,00 e uma despesa de pessoal de R$ 3.100.000,00, sua despe-
sa de pessoal corresponderá a 62% dessa receita, portanto, acima do limi-
te estabelecido pela lei. Se esse Município conseguir ampliar sua receita
corrente líquida para R$ 5.170.000,00, passará a ficar dentro do limite de
60% dessa receita para sua despesa de pessoal.
Lei de Diretrizes Orçamentárias (Art. 4º)
Pelo artigo 165 da Constituição Federal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias
é o instrumento de planejamento que estabelece as metas e prioridades da
administração pública, incluindo as despesas de capital para o exercício
financeiro subseqüente, que orienta a elaboração da Lei Orçamentária
Anual e dispõe sobre as alterações na legislação tributária. 
A Lei de Responsabilidade Fiscal define maior especificidade da Lei de
Diretrizes Orçamentárias, a saber: 
1 – Disporá sobre o equilíbrio entre receitas e despesas, critérios e forma de
limitação de empenho, normas para o controle de custos e avaliação dos
resultados dos programas e condições para transferências de recursos a enti-
dades públicas e privadas.
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2 – Conterá o Anexo de Metas Fiscais (Plano Trienal), que:
a) fixará metas anuais para receitas, despesas, resultados nominal e primário
e montante da dívida para o exercício a que se referirem e para os dois exer-
cícios seguintes;
b) fará a avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
c ) conterá demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e
metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, compa-
rando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores e evidenciando a con-
sistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica
nacional;
d) apresentará a evolução do patrimônio líquido nos últimos três exercícios,
destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de
ativos;
e) fará a avaliação financeira e atuarial de todos os fundos e programas
estatais de natureza atuarial; e
f) fará o demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e
da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.
3 – Conterá o Anexo de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos
contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas, informando as
providências, caso se concretizem. Exemplo disso é a possibilidade de
aumento das despesas de pessoal por força de possível decisão desfavorável
à prefeitura em processo movido por parcela do funcionalismo reivindicando
reajuste salarial não concedido, em suposto desrespeito à lei salarial em vigor.
4 – Determinará a forma de utilização e o montante, definido com base na
receita corrente líquida, dos pagamentos de passivos contingentes e outros
riscos e eventos fiscais imprevistos.
5 – Determinará as despesas que não serão objeto de limitação, respeitados
os limites para essas despesas definidos na Lei de Responsabilidade Fiscal. 
Os Municípios que não tinham a Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada
até 5 de maio de 2000 deverão elaborá-la segundo as novas regras da Lei de
Responsabilidade Fiscal. 
Até a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei de Diretrizes
Orçamentárias, para a maioria dos Municípios, era apenas um mero indi-
cador de intenções genéricas do governo municipal. Agora, a LDO deverá
ser um verdadeiro instrumento de planejamento e norteador de elaboração
da Lei Orçamentária Anual.
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Lei Orçamentária Anual (Art. 5º) 
A Lei Orçamentária Anual deverá ser elaborada de forma compatível com o
Plano Plurianual, com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e com a Lei de
Responsabilidade Fiscal, sendo que:
• conterá demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamen-
tos com os objetivos e metas constantes da Lei de Diretrizes Orçamentárias;
• será acompanhada do demonstrativo do efeito, sobre as receitas e despe-
sas, decorrente de renúncia de receita e do aumento de despesas obri-
gatórias de caráter continuado; 
• conterá reserva de contingência, definida com base na receita corrente
líquida, destinada ao pagamento de passivos contingentes; e 
• não consignará dotação para investimento, com duração superior a um
exercício financeiro, que não esteja previsto no Plano Plurianual ou em lei
que autorize sua inclusão. A realização desse tipo de investimento, sem
prévia inclusão no Plano Plurianual, ou sem lei que autorize sua inclusão, ca-
racterizará crime de responsabilidade, nos termos do parágrafo 1º do artigo
167 da Constituição Federal.
A Lei Orçamentária Anual conterá, também, três novas regras:
1 – As despesas relativas à dívida pública, bem como as receitas que as
atenderão, deverão constar da Lei Orçamentária Anual; já o refinanciamento
da dívida deverá constar separadamente. 
2 –A atualização monetária do principal da dívida mobiliária refinanciada
não poderá superar a variação do índice de preços previsto na Lei de
Diretrizes Orçamentárias ou em legislação específica.
3 – É vedado consignar na Lei Orçamentária Anual crédito com finalidade
imprecisa ou com dotação ilimitada.
Deve ser destacada a transparência proposta pela Lei Orçamentária
Anual, o que facilitará seu acompanhamento pelas Câmaras Municipais e
pela sociedade civil, através dos novos anexos, e principalmente um maior
controle das operações de crédito e serviço da dívida.
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A Constituição, em seu artigo 165, estabelece algumas regras que convém
ressaltar:
• o projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo sobre as
receitas e despesas contendo as isenções, as anistias, as