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comentarios a lei de Resp.Fiscal

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à disposição da Câmara Municipal, do Tribunal de
Contas e do Ministério Público, no mínimo 30 dias antes do prazo final para
o encaminhamento de suas propostas orçamentárias, os estudos e as esti-
mativas das receitas, inclusive da receita corrente líquida, para o exercício
subseqüente e as memórias de cálculo. 
Até 30 dias após a publicação dos orçamentos, as receitas previstas serão
desdobradas em metas bimestrais de arrecadação, com especificação das
medidas de combate à evasão e à sonegação, quantidade e valores de ações
para a cobrança da dívida ativa e dos créditos passíveis de cobrança admi-
nistrativa.
Vinha sendo prática corrente na maior parte das prefeituras estabelecer
primeiro as despesas e depois prever as receitas, de forma que essas tota-
lizassem o valor daquelas. Isso fazia com que o orçamento ficasse artificial,
gerando uma série de problemas, como a disputa interna no governo por ver-
bas, atritos com a Câmara Municipal e desgaste com a população, que con-
cluía que não bastava ter a reivindicação incluída no orçamento se não havia
os recursos necessários. 
A Lei de Responsabilidade Fiscal obriga o Executivo a apresentar a pre-
visão detalhada e tecnicamente justificada da receita 30 dias antes da
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entrega da proposta orçamentária, bem como seu desdobramento em metas
bimestrais para melhor controle da gestão das receitas.
Passam a ser obrigatórias a instituição e a efetiva arrecadação de
todos os tributos da competência da prefeitura; a inobservância disso
impedirá que ela receba transferências voluntárias. Os poucos Municípios
que ainda não cobram os tributos de sua competência deverão preparar
projetos de leis tributárias para ser apreciados pelas Câmaras Municipais,
ainda este ano, para vigorar a partir de 2001. É importante destacar que a
maioria dos Municípios já vem cobrando seus tributos. Pelos dados de 1997
da Secretaria do Tesouro Nacional, do total de Municípios, 95% cobravam
ISS, 94% taxas, 90% IPTU e apenas 18% Contribuição de Melhoria. 
Renúncia de Receita (Art. 14)
A renúncia de receita compreende a anistia, a remissão, o subsídio, o
crédito presumido, a concessão de isenção em caráter não geral, a alte-
ração de alíquota ou a modificação de base de cálculo que implique
redução de receita. 
Toda renúncia de receita deverá:
a) estar acompanhada de estimativa do impacto orcamentário-financeiro no
exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois exercícios seguintes; e
b) atender ao disposto na Lei de Diretrizes Orçamentárias e a pelo menos
uma das seguintes condições:
• demonstração, pelo proponente, de que a renúncia foi considerada na esti-
mativa de receita da Lei Orçamentária Anual e que não afetará as metas de
resultados fiscais previstas; e
• estar acompanhada de medidas de compensação no exercício em que deva
iniciar sua vigência e nos dois exercícios seguintes.
Essa compensação poderá ser concretizada através do aumento de recei-
ta proveniente da elevação de alíquotas, da ampliação da base de cálculo
e da majoração ou criação de tributo ou contribuição. Caso seja necessária
a adoção da compensação, a renúncia só entrará em vigor quando
implementadas as medidas de compensação. 
Pode ser feita a renúncia de receita para o cancelamento de débito cujo mon-
tante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança.
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A Lei de Responsabilidade Fiscal, ao dificultar a renúncia de receita, deverá
garantir maior nível de arrecadação, eliminando a pressão dos contribuintes
que visam obter benefícios fiscais sobre o Executivo, e imporá restrições à
guerra fiscal entre Municípios. 
Geração da Despesa (Art. 15 e 16)
É irregular, não autorizada e lesiva ao patrimônio a criação, a expansão ou
o aperfeiçoamento de ação de governo que acarrete aumento da despesa
quando não for acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-
financeiro e não contenha declaração do ordenador da despesa de que o
aumento é compatível com a Lei Orçamentária Anual, com o Plano
Plurianual e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias. A estimativa deve
apresentar as premissas e a metodologia de cálculo utilizadas.
Para ser compatível com a Lei Orçamentária Anual, a despesa deve ter
dotação específica e suficiente ou estar abrangida por crédito genérico, de
forma que, somadas todas as despesas da mesma espécie, realizadas e a
realizar, previstas no programa de trabalho, não sejam ultrapassados os limi-
tes estabelecidos para o exercício.
Enquadram-se nessas restrições o empenho e a licitação de serviços, o
fornecimento de bens ou a execução de obras e a desapropriação de imóveis
urbanos.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias poderá indicar a despesa considerada
irrelevante, para as quais não se aplicam essas restrições. Trata-se de despe-
sas de valor inferior a um certo montante de pequeno valor.
A Lei de Responsabilidade Fiscal impõe, assim, sérias restrições às despesas
não previstas, fazendo com que o Executivo faça uma proposta orçamentária
mais cuidadosa e realista. O ordenador da despesa passa a assumir maior
responsabilidade, pois terá de declarar que o aumento de despesa foi
previsto na Lei Orçamentária Anual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias
e no Plano Plurianual, bem como responder por tal afirmação.
Despesa Obrigatória de Caráter Continuado (Art. 17)
É a despesa corrente derivada de lei, medida provisória ou ato adminis-
trativo normativo que fixe a obrigação legal de sua execução por um perío-
do superior a dois exercícios.
Incluem-se como despesa de caráter continuado, por exemplo, os aumen-
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tos salariais ao funcionalismo dados acima do reajuste que recompõe a
perda inflacionária, contratar funcionários, adequar planos de carreiras, o
ato que cria ou aumenta os cargos públicos, prestar novos tipos de
assistência social, a instituição do programa de renda mínima e progra-
mas de bolsa-escola. 
Essas despesas têm tratamento especial na lei, pois geram despesas além do
normal da administração, criando déficits orçamentários, a menos que haja
compensações que anulem seu efeito financeiro. Com a Lei de
Responsabilidade Fiscal, essas despesas tornam-se mais difíceis de ser rea-
lizadas, pois os atos que as criarem ou as ampliarem (salvo para o serviço da
dívida ou o reajustamento de remuneração de pessoal) deverão satisfazer a
três condições:
• apresentar a estimativa do impacto orcamentário-financeiro no exercício
em que deva entrar em vigor e nos dois exercícios subseqüentes, com as pre-
missas e metodologia de cálculo utilizadas;
• demonstrar a origem dos recursos para seu custeio, devendo seus efeitos
financeiros ser compensados pelo aumento permanente de receita ou pela
redução permanente de despesa; e 
• apresentar a comprovação de que a despesa criada ou aumentada não afe-
tará as metas de resultados fiscais previstas no Anexo de Metas Fiscais.
Considera-se aumento permanente de receita aquele proveniente da ele-
vação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de
tributo. Não são consideradas para esse efeito as melhorias na adminis-
tração das receitas, como, por exemplo, a ampliação do número de con-
tribuintes e o resultado do combate à sonegação.
A criação ou a ampliação dessas despesas não será executada antes da
implementação dessas medidas, que integrarão o instrumento que as cria-
rem ou aumentarem. Sua criação deve incorporar a anulação de impacto ne-
gativo no resultado primário ou nominal.
Despesas com Pessoal (Art. 18 a 20) 
A despesa total com pessoal é o somatório dos gastos com ativos, inativos,
pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos,
civis, militares e de membros de Poder, com vencimentos e vantagens,
fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pen-
sões, adicionais, gratificações,