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comentarios a lei de Resp.Fiscal

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voluntárias para pagamento de despe-
sas de pessoal;
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c) a comprovação, por parte do beneficiário:
• de que se acha em dia com o ente transferidor no tocante ao pagamento de
tributos ou empréstimos, bem como quanto à prestação de contas de recur-
sos anteriormente dele recebidos; 
• do cumprimento dos limites constitucionais relativos à educação e à saúde;
• da observância dos limites das dívidas, operações de crédito, de inscrição
em restos a pagar e da despesa total com pessoal;
• da previsão orçamentária de contrapartida; e
d) é vedada a utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da
pactuada.
Para fins da aplicação das sanções de suspensão de transferências volun-
tárias constantes da Lei de Responsabilidade Fiscal, excetuam-se aquelas
relativas a ações nas áreas de educação, saúde e assistência social, fican-
do protegida a população do Município caso a prefeitura incorra nas
sanções previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, à exceção do não-
cumprimento do limite da despesa total com pessoal que viole o artigo
169, parágrafo 2º, da Constituição, já referido, quando os repasses relativos
a ações na área social são suspensos.
Destinação dos Recursos Públicos para o Setor Privado (Art. 26 a 28)
A destinação de recursos para cobrir necessidades de pessoas físicas ou
déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, aten-
der às condições estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na Lei
Orçamentária Anual ou em seus créditos adicionais. Compreende a con-
cessão de auxílios, subsídios, subvenções e a participação em constituição
ou aumento de capital.
Dívida e Endividamento (Art. 29)
Os conceitos de dívida são os seguintes:
1 – Dívida pública consolidada ou fundada – Montante das obrigações finan-
ceiras assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e de
operações de crédito, para amortização em prazo superior a um ano e aque-
las de prazo inferior a um ano cujas receitas tenham constado do orçamento.
2 – Dívida pública mobiliária – Dívida em títulos emitidos pelas três esferas
de governo.
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3 – Operação de crédito – Compromisso financeiro assumido em razão de
mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada
de bens, recebimento antecipado da venda a termo de bens e serviços,
arrendamento mercantil e outros derivativos financeiros, além da assunção,
reconhecimento ou confissão de dívidas pelo Município.
4 – Concessão de garantia – Compromisso de adimplência de obrigação
financeira ou contratual assumida.
5 – Refinanciamento da dívida mobiliária – Emissão de títulos para paga-
mento do principal acrescido da atualização monetária.
O refinanciamento do principal da dívida mobiliária não excederá, ao térmi-
no de cada exercício, o montante do final do exercício anterior mais as ope-
rações de crédito autorizadas no orçamento para esse efeito e efetivamente
realizadas, acrescido de atualização monetária.
Limites da Dívida Pública e das Operações de Crédito (Art. 30)
No prazo de 90 dias após a publicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o
Presidente da República submeterá ao Senado proposta de limites, em per-
centual da receita corrente líquida, para a dívida consolidada da União, dos
Estados e dos Municípios. A proposta conterá a metodologia de apuração
dos resultados primário e nominal.
Até a aprovação pelo Senado, continuam valendo as regras da Resolução
78/98, do próprio Senado, destacando-se:
a) as operações de crédito realizadas em um exercício não poderão exceder
o montante das despesas de capital fixadas na Lei Orçamentária Anual,
ressalvadas as autorizadas pelo Legislativo, por maioria absoluta;
b) as operações de crédito dos Municípios e de suas respectivas autarquias
e fundações observarão simultaneamente os seguintes limites:
• o montante das operações realizadas em um exercício não poderá ser
superior a 18% da receita líquida real anual;
• o dispêndio anual com o serviço da dívida não poderá exceder a 13% da
receita líquida real; e
• o saldo da dívida não poderá superar em duas vezes a receita líquida real,
para os pleitos analisados em 1998, decrescendo essa relação à base de 1/10
por ano, até atingir valor equivalente a uma receita líquida real para os
pleitos analisados de 2008 em diante;
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c) são excluídas dos limites do serviço da dívida as operações de crédito
contratadas pelos Municípios com organismos multilaterais de crédito ou
com instituições oficiais federais de crédito ou de fomento, a fim de finan-
ciar projetos de investimento para a melhoria da administração das receitas
e das gestões fiscal, financeira e patrimonial; e
d) o saldo das garantias concedidas não poderá exceder a 25% da receita líqui-
da real e o saldo devedor das AROs não poderá exceder a 8% dessa receita.
Entende-se como receita líquida real aquela realizada nos 12 meses ante-
riores ao mês em que se estiver apurando, sendo excluídas as receitas
provenientes de operações de crédito, de anulação de restos a pagar, de
alienação de bens, de transferências vinculadas e transferências volun-
tárias ou doações recebidas com o fim específico de atender a despesas
de capital. O superávit financeiro das autarquias e fundações, excluídas
as de caráter previdenciário, será considerado como receita.
Sempre que alterados os fundamentos das propostas de limites, em razão de
instabilidade econômica ou de alterações nas políticas monetária ou cam-
bial, o Presidente da República poderá encaminhar ao Senado solicitação de
revisão dos limites. 
Os precatórios judiciais não pagos durante a execução do orçamento em
que houverem sido incluídos integram a dívida consolidada para fins de
aplicação dos limites. Essa mudança poderá trazer impacto sobre o endi-
vidamento dos Municípios devedores dos precatórios. Observe-se, con-
tudo, que essa obrigação só se aplica a partir do orçamento de 2000, não
atingindo o estoque de atrasados anterior. 
Para fins de verificação do atendimento do limite, a apuração do mon-
tante da dívida consolidada será efetuada ao final de cada quadrimestre. 
Recondução da Dívida aos Limites (Art. 31)
Se a dívida consolidada ultrapassar o limite ao final de um quadrimestre, de-
verá ser a ele reconduzida em um ano, reduzindo o excedente em pelo menos
25% no primeiro quadrimestre. Enquanto perdurar o excesso, a prefeitura
estará proibida de realizar operação de crédito, inclusive ARO, e deverá obter
resultado primário necessário à recondução da dívida ao limite.
Vencido o prazo para o retorno da dívida ao limite, e enquanto perdurar o
excesso, o Município ficará também impedido de receber transferências
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voluntárias. As restrições se aplicam imediatamente se o montante da dívi-
da exceder o limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato.
O Ministério da Fazenda divulgará, mensalmente, a relação dos entes que
tenham ultrapassado os limites das dívidas consolidada e mobiliária.
A obrigação de cumprir os limites da dívida consolidada, conceito agora
definido na Lei de Responsabilidade Fiscal, só ocorrerá depois que o Senado
fixá-los após proposta do Presidente da República, tendo os Municípios um
ano para se ajustar aos novos limites. Enquanto isso, as limitações ficarão
por conta da Resolução 78/98, do Senado, que é bastante restritiva quanto à
contratação de operações de créditos, fazendo com que a ultrapassagem
dos limites só ocorra se houver elevação dos encargos financeiros das dívi-
das do Município ou queda em sua receita corrente líquida. 
Vamos supor o caso de um Município que apresente um saldo total da dívi-
da de R$ 1.000.000,00 e uma RLR de R$ 600.000,00, correspondendo a dívi-
da a 1,67 RLR, que é inferior ao limite para este ano, que é