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dessa porcentagem a mais que os capitalistas retiram da classe do 
proletariado. Essa porcentagem pode ser atingida, por exemplo, 
aumentando o tempo de trabalho dos operários e mantendo o salário
84
 
 
Poderíamos afirmar que a luta iniciada entre a burguesia e o proletariado no século 
XVIII não acabou, pois ela é parte da eterna luta da sociedade humana entre a liberdade e a 
iguldade, pois esse embate que atravesou todo século XX, já chegou à atualidade com a questão 
da igualdade tanto no Reino Unido, como em Israel, sempre pedindo um Estado focado mais no 
bem estar social. 
c) - Convocação dos Estados Gerais. 
 
Estando a França vivendo uma violenta crise econômica e social, provocada, 
principalmente, pela arbitrariedade e pela opressão jurídica das classes privilegiadas, o Rei Luiz 
XVI, orientado por Necker, resolveu convocar os Estados Gerais para colaborarem com o governo. 
Em maio de 1789 os representantes dos três estados reuniram-se em Versalhes, o que não 
acontecia desde 1614. Durante os trabalhos os representantes do terceiro estado, formado pelo 
povo (burguesia) que era a enorme maioria da nação, pretenderam que as votações se fizessem 
pelo número de votantes ou ―por cabeças‖, com o que não concordaram os representantes da 
nobreza e do clero, pois recusaram-se a votar em comum com os deputados do povo, alegando 
que a votação sempre foi por classe (estado). 
Luiz XVI, irritado, ordenou aos representantes do terceiro estado que separassem; 
estes desobedeceram e apoiado por membros do clero e da nobreza erigiram-se, então, em 
Assembléia Nacional e juraram não se separarem antes de dar à França uma Constituição. O 
monarca teve que ceder reconhecendo, assim, um novo poder que limitava o seu. A partir deste 
momento não existia mais, de fato, a monarquia absoluta na França, que sucumbia à soberania 
popular. 
 
4.7.2 - Condições Subjetivas (ideais ou lógicas). 
 
 a) - O pensamento cristão - a Igreja até o séc. XVIII era favorável à monarquia 
absoluta, oferecendo a ideologia que sustentava a tese da origem divina do poder. Já o 
 
84
 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Luta_de_classes 
 
 
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cristianismo primitivo, ao contrario, continha uma mensagem de libertação do homem na sua 
afirmação da ―dignidade eminente da pessoa humana 
 
b) - A doutrina do Direito Natural dos séculos XVII e XVIII, fundada na natureza 
racional do homem, sustentava as teses dos direitos inatos, ou seja, direitos comuns a todos os 
homens, situados no plano dos valores absolutos, universais e intemporais. Fórmula capital, do 
jusnaturalismo, para uma nova legislação do poder político, capaz de situar determinadas esferas 
da convivência humana por cima das arbitrariedades de quem detém o poder. 
 
c) - Pensamento Iluminista surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da 
razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. 
 
4.7.3 - Processo Histórico-Dialético das Condições Econômicas - o aparecimento 
do proletariado, sujeito ao domínio da burguesia, deu novas condições materiais para 
fundamentar a origem dos ―Direitos Sociais e Econômicos‖. Essas novas fontes de Direitos 
Públicos e, principalmente, os Direitos Fundamentais são: 
 
a) - Manifesto Comunista e as doutrinas marxistas - crítica ao capitalismo 
burguês e ao sentido puramente formal dos direitos do homem (séc. XVIII), postulando liberdade 
e igualdade material. O Manifesto do Partido Comunista ou o Manifesto Comunista foi 
editado em Londres em 1848. Podemos considerar que o texto está, certamente, entre os mais 
úteis e belos produzidos na sociedade humana. Ele é a mais profunda das analisa entre os 
oprimidos e os opressores e não foi diferente dos que incendiaram os corações e mentes na luta 
contra a escravidão clássica, contra a servidão medieval, contra o obscurantismo religioso e 
contra todas as formas de opressão 
Ensina Norberto. Bobbio: 
―interpretação marxista. — Houve dois 
processos históricos — a Revolução industrial de onde se 
originou o Proletariado moderno, por um lado, e os movimentos 
de liberdade e os movimentos socialistas da primeira metade do 
século XIX, por outro — que transformaram radicalmente a 
conotação sociológica e política de ambos os grupos. Foram 
transformações que 
a obra de Karl Marx reflete e teoriza com grande vigor e 
profundidade. Com base em específicas noções de trabalho e 
exploração, nela o Proletariado é definido não tanto como uma 
condição social, quanto como algo que assenta numa relação 
sócia! de produção, historicamente determinada, em que ele se 
insere como um dos pólos, sendo o outro a burguesia. A 
distinção entre Proletariado e burguesia tende, na obra de 
Marx, a associar-se ou alternar-se com a de operários e capital. 
"Na mesma medida em que se alternar-se com a de operários e 
capital. Na mesma medida em que se desenvolve a burguesia, 
ou seja, o capital, cresce também o Proletariado, a classe dos 
operários modernos"
85
 
b) - Doutrina Social da Igreja ou Pensamento Social Cristão é o conjunto de idéias 
baseadas nos valores do cristianismo procurando fundamentar uma ordem mais justa ao 
capitalismo. A igreja vendo seu prestígio decair entre os fieis mais pobres, principalmente, os 
 
85
 - Norberto.Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, Dicionário de Política. trad. 
Carmem C. Varriale. 11ª ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998.p 1016 
 
 
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trabalhadores assalariados, ou seja, os operários das indústrias, afligidos por uma indigna miséria 
e explorados em todas as suas articulações sociais e políticas resolve o Papa Leão XIII em 1891 
baixar encíclica Rerum Novarum, sobre a questão operária, que se constituiu na verdade na carta 
magna da atividade cristã no campo social, em busca de uma ordem social justa. À vista dos 
problemas resultantes da revolução industrial que suscitaram o conflito entre capital e trabalho 
aquele documento enumera de modo preciso e atualizado a doutrina católica sobre o trabalho, o 
direito de propriedade, o princípio da colaboração em contraposição à luta de classes, sobre o 
direito dos mais fracos, sobre a dignidade dos pobres e as obrigações dos ricos, o direito de 
associação e o aperfeiçoamento da justiça pela caridade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Os operários das indústrias na Inglaterra do séc. XIX 
 Leão XIII que promulgou a encíclica 
 Rerum novarum em 15 de maio de 1891 
 
Baseado na Rerum Novarum ensina Norberto. Bobbio: 
 
"Embora, pois, o operário e o patrão estabeleçam, de 
comum acordo, um pacto e, nomeadamente, o valor do salário, entra aí sempre un 
elemento de justiça natural, anterior e superior à livre vontade dos contraentes, o de 
que a quantia do salário não deve ser inferior à do sustento do operário, frugal, 
entende-se, e de bons costumes. Se este, obrigado pela necessidade ou por medo de 
pior, aceita acordos mais pesados, que, sendo impostos pelo proprietário ou pelo 
empresário, hão de ser aceitos de bom ou de mau grado, isso é sofrer violência 
contra a qual a justiça protesta" (Rerum novarum, n.° 27). 
Este texto pode ser considerado como momento original 
do pensamento social cristão. O conteúdo do contrato é visto em função de um quid 
indeterminado, mas determinável, que é o "sustento do operário frugal". Aqui o 
Papa se opõe tanto à concepção liberalista da concorrência como medida única do 
preço do trabalho, ou de qualquer outro preço, quanto ã tese marxista do 
decrescimento necessário do salário. O tema fundamental é de que o lucro não pode 
ser tido como único critério para a fixação do salário.