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Silva: 
― Na origem, como é sabido, o Estado de Direito era um conceito tipicamente liberal; daí 
falar-se em Estado Liberal de Direito, cujas características básicas foram: a) submissão ao 
imperio da lei, que era a nota primária de seu conceito, sendo a lei considerada como ato 
emanado formalmente do Poder Legislativo, composto de representantes do povo, mas do povo-
cidadão; b) divisão de poderes, que separe de forma independente e harmónica os poderes 
Legislativo, Executivo e Judiciário, como técnica que assegure a produção dasleis ao primeiro e 
a independência e imparcialidade do último em face dos demais e das pressões dos poderosos 
particulares; enunciado e garantia dos direitos individuais. Essas exigências continuam a ser 
postulados básicos do Estado de Direito, que configura uma grande conquista da civilização 
liberal. 
A concepção liberal do Estado de Direito servira de apoio aos direitos do homem, 
convertendo os súditos em cidadãos livres, consoante nota Ver-dú, a qual, contudo, se 
tornara insuficiente, pelo que a expressão Estado de Direito evoluíra, enriquecendo-se com 
conteúdo novo. 
Houve, porém, concepções deformadoras do conceito de Estado de Direito, pois é 
perceptível que seu significado depende da própria ideia que se tem do Direito. Por isso, cabe 
razão a Cari Schmitt quando assinala que a expressão "Estado de Direito" pode ter tantos 
significados distintos como a própria palavra "Direito" e designar tantas organizações quanto 
as a que se aplica a palavra "Estado". Assim, acrescenta ele, há um Estado de Direito feudal, 
outro estamental, outro burguês, outro nacional, outro social, além de outros conforme com o 
Direito natural, com o Direito racional e com o Direito histórico. Disso deriva a ambiguidade da 
expressão Estado de Direito, sem mais qualificativo que lhe indique conteúdo material. Em tal 
caso a tendência é adotar-se a concepção formal do Estado de Direito à maneira de Forsthoff,
 
ou 
de um Estado de Justiça, tomada a justiça como um conceito absoluto, abstrato, idealista, 
espiritualista, que, no fundo, encontra sua matriz no conceito hegeliano do Estado Ético, que 
fundamentou a concepção do Estado fascista: totalitário e ditatorial em que os direitos e 
liberdades humanas ficam praticamente anulados e totalmente submetidos ao arbítrio de 
um poder político onipotente e incontrolado, no qual toda participação popular é 
sistematicamente negada em benefício da minoria (na verdade, da elite) que controla o poder 
político e económico‖.
89
 
 
5.2 - Do Iluminismo á Ação Concreta e Criadora do Direito Publico. 
 
Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de 
iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade. Entre os principais filósofos do Iluminismo 
 
 88 - John Locke, 1632-1704. Carta acerca da tolerância ; Segundo tratado sobre o governo ;Ensaio 
acerca do entendimento humano / John Locke ; tradução de Anoar Aiex e E. Jacy Monteiro. — 2. ed. 
— São Paulo : Abril Cultural, 1978. (Os pensadores). P 82 
 89 - José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional Positivo, 10ª ed, Rio de Janeiro, Malheiros 
Editores, 1995, p103. 
 
 
55 
podemos citar: John Locke (1632-1704), ele acreditava que o homem adquiria conhecimento com 
o passar do tempo através do empirismo; Voltaire (1694-1778), ele defendia a liberdade de 
pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), 
ele defendia a idéia de um estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu 
(1689-1755), ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; 
O Iluminismo atingiu o seu apogeu no século XVIII, que passou a ser conhecido como o 
Século das Luzes. Ele foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através 
de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros 
movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na 
Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil. Com suas idéias sobre a ordem natural, a exaltação às 
liberdades e a crença nos valores individuais do homem acima dos valores sociais. 
a) - Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) em1762: Publica O Contrato Social, sua 
Magnum opus
90
, que ―cuntribuiu para maior justiça e igaldadereinassem entre os homens‖. 
Defendia a idéia de um estado democrático que garanta igualdade para todos; 
... temos de: 
"Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja 
a pessoa e os bens de cada associação de qualquer força 
comum, e pela qual, cada um, unindo-se a todos, não 
obedeça, portanto, senão a si mesmo, ficando assim tão 
livre como dantes. Tal é o problema fundamental que o 
Contrato Social soluciona‖.
91
 
 
 
b) - Montesquieu (1689-1755), Charles-Louis de Secondatt, ou barão de La Brède e 
de Montesquieu. Defendeu a divisão do poder político (Tricotomia do Poder Político) em 
Legislativo, Executivo e Judiciário, considerado por muitos com o criador do Poder Judiciário. Sua 
principal obra foi o Espírito Das Leis. 
 
 DO ESPÍRITO DAS LEIS, II CAPÍTULO VI, Da Constituição da Inglaterra 
 
 
―Há, em cada Estado, três espécies de poderes: o poder 
legislativo, o poder executivo das coisas que dependem 
do direito das gentes e o executivo das que dependem do 
direito civil. Pelo primeiro, o príncipe ou magistrado faz leis 
por certo tempo ou para sempre e corrige ou ab-roga as que 
estão feitas. Pelo segundo, faz a paz ou a guerra, envia ou 
recebe embaixadas, estabelece a segurança, previne as inva-
sões. Pelo terceiro, pune os crimes ou julga as, querelas dos 
indivíduos. Chamaremos este último o poder de julgar e, o 
outro, simplesmente o poder executivo do Estado. 
 A liberdade política, num cidadão, é esta tranquilidade de 
espírito que provém da opinião que cada um possui de sua 
segurança; e, para que se tenha esta liberdade, cumpre que o 
governo seja de tal modo, que um cidadão não possa temer 
outro cidadão. 
 
90
 - Magnum opus, em latim, significa grande obra. Refere-se à melhor, mais popular ou renomada obra de 
um artista ou escritor 
91
 - Jean- Jacques Rousseau, O Contrato Social – Princípios de Direito Político, tradução de Antônio de P. 
Machado, EDIOURO, P35. 
 
 
56 
 
 Quando na mesma pessoa ou no mesmo corpo de 
magistratura o poder legislativo está reunido ao poder 
executivo, não existe liberdade, pois pode-se temer que o 
mesmo monarca ou o mesmo senado apenas estabeleçam 
leis tirânicas para executá-las tiranicamente. 
 Não haverá também liberdade se o poder de julgar 
não estiver separado do poder legislativo e do executivo. Se 
estivesse ligado ao poder legislativo, o poder sobre a vida e 
a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, pois o juiz seria 
legislador. Se estivesse ligado ao poder executivo, o juiz 
poderia ter a força de um opressor. 
Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo 
corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse 
esses três poderes: o de fazer leis. o de executar as 
resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as 
divergências dos indivíduos‖.
92
 
 Montesquieu 
5.3 – Liberalismo. 
O liberalismo foi teoricamente defendido em 1689 por John Locke em sua obra clássica, 
―Dois Tratados sobre Governo‖, ensinava que o Estado foi criado para servir ao povo, e ―não 
para servir-se do povo‖. Os liberais consideram o exercício da liberdade individual como algo 
intrinsecamente bom, ou seja, um modo de entender a natureza humana e uma proposta destinada 
a possibilitar que todos alcancem o mais alto nível de prosperidade de acordo com seu potencial, 
condição insubstituível para alcançar