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 - PAULO NADER, Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Ed. Forense, 2000. p. 212. 
 
 
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condições de vida e trabalho da população, exigindo do Estado uma atuação positiva em prol dos 
explorados, compreendendo, dentre outros, o direito ao trabalho, à saúde, ao lazer, à educação e à 
moradia. Na atualidade com o Estado Democrático de Direito temos a garantia de intervenção nas 
funções econômicas nas condições abaixo: 
 
―Funções Econômicas – intervindo mais ou menos numa economia moderna, espera-se 
do Estado que: 
 
 Estabilize a economia e garanta o seu bom funcionamento; 
 Defina as regras jurídicas que regulamentam a vida econômica; 
 Promova o crescimento e o desenvolvimento econômico 
 Para exercer a função econômica o Estado dispõe de vários instrumentos. Pode 
recorrer à intervenção direta, produzindo bens e serviços para satisfazer necessidades 
coletivas ou para serem comercializados, ou pode socorrer-se de políticas econômicas. 
Outro instrumento importante é o planejamento da atividade econômica, articulando 
diferentes políticas com vista a permitir não só o crescimento econômico, mas, 
sobretudo o desenvolvimento global da sociedade ―
101
. 
 
 
QUINTA PARTE 
 FORMAÇÃO DO DIREITO BRASILEIRO. 
 
 
De modo genérico, podemos dizer que quanto ao conteúdo o nosso Direito e em 
especial o nosso Direito Privado, através do Direito Português, sofreu a influência do Direito 
Romano, do Direito Canônico, do Direito Germânico, da Moral Cristã e do Capitalismo. 
 
A fonte primordial de nosso Direito Privado é o Direito Romano. Embora os nossos 
juristas tenham colhido grande número de suas soluções nas Ordenações do Reino, na legislação 
portuguesa e brasileira anterior à publicação do CCB, no Código Napoleônico de 1804 e no Código 
Alemão de 1896 (BGB), ―sua verdadeira fonte é a legislação Justinianéia, fonte principal, 
também, destes monumentos legislativos citados, pois bem sabemos que o Código Civil Francês e 
Código Civil Alemão, não são senão a acomodação escrita do direito Romano à civilização 
moderna‖. 
102
 
 
Os Primeiro Documentos Jurídicos: 
 
 
Mesmo antes de Cabral tomar posse das terras do Brasil, o nosso território já era alvo de 
uma grande disputa entre Portugal e Espanha que estavam iniciando o ―Ciclo das Grandes 
Navegações.‖ O que resultou historicamente nos três primeiros documentos sobre o que mais 
tarde seria o Brasil: 
 
 
 Tratado de Toledo de 6 de março de 1480, que dava a Portugal a exclusividade de 
águas e terras ao sul das Canárias. 1492 Colombo realiza seu sonho de explorar 
os mares, com o consentimento dos Reis Católicos de Aragão e Castela – Fernando 
II e Isabel I, Colombo chega às terras que hoje formas as Américas o que levou a um 
serio estremecimento entre Portugal e Espanha; 
 
 
101
 - http://aprenderestado.blogspot.com/ 
102
 Cf. RENÉ DAVID, Apud. Silvio Rodrigues, Direito Civil-Parte Geral, São Paulo: Saraiva, 2002, p.10. 
 
 
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 a Bula Inter Coetera - Isabel e Fernando, os Reis Católicos da Espanha, para se 
defenderem recoreram ao Papa Alexandre VI que em 4 de maio de 1493 expediu a 
Bula Inter Coetera dando domínio exclusivo de todas as ilhas e terras firmes, já 
descobertas ou que se viessem a descobrir situadas a ocidente de uma linha 
meridiana traçada de polo a polo que passasse cem léguas a oeste de qualquer das 
ilhas dos Açores e Cabo Verde, contanto que estas ilhas e terras não fossem 
possuídas por algum príncipe cristão antes do Natal de 1492; 
 
 
 
 Tratado de Tordesilhas embora a 
demarcação da bula Bula Inter Coetera tenha 
salvaguardado as rotas portuguesas do 
Atlântico Sul. D. João II recusou-se a aceitar 
a e pressionou a Espanha o que resultou no 
Tratado de Tordesilhas de junho de 1494, o 
acordo que deu fim a longas negociações 
entre as duas coroas. Conforme a principal 
cláusula do diploma as duas monarquias 
estabeleciam o meridiano traçado a 370 
léguas a oeste das Ilhas Cabo Verde, tudo o 
que estivesse a oeste seria espanhol, a leste 
de Portugal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Folha de rosto do Tratado de Tordesilhas (1494) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
 
Não podemos deixar de reconhecer que a mais influente fonte do nosso Direito 
Privado foi o Direito Português e principalmente as Ordenações do Reino. 
 
 1 – Ordenações do Reino. 
 
A Ordem Jurídica Portuguesa encontrava-se nas Ordenações do Reino, que, 
resumidamente, compreenderam: 
 
1.1 - Ordenações Afonsinas (1446 – 1514), aparecidas no séc. XV no reinado de 
Afonso V o Africano sendo seus compiladores João Mendes, Ruy Fernandes Lopo Vasques, Luiz 
Martins e Fernão Rodrigues e foi resultado do esforço do lendário jurista João das Regras que 
desejou libertar Portugal dos últimos vínculos com a Espanha. 
 
Compunham-se de cinco livros, versando sobre as seguintes matérias: 
Livro I – Organização Judiciária e Competência; 
Livro II – Direito Dos Eclesiásticos, do Rei, dos Fidalgos e dos Estrangeiros; 
Livro III – Processo Civil; 
Livro IV – Direito Civil e Direito Comercial; 
Livro V – Processo Penal e Direito Penal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Túmulo de João das Regras (século XV) 
 na Igreja de S. Domingos de Benfica. 
 Ordenações Afonsinas 
 
As Ordenações Afonsinas foram a primeira compilação eminentemente portuguesa 
tendo como fonte de inspiração os Direitos: Germânico, Romano,Canônico e até o Mulçumano 
(vindicta privada) 
 
“Segundo Flávia Lages103 a Estrutura Judiciária colocada pelas Ordenações Afonsinas era 
formada por Magistrados Singulares e Tribunais Colegiados de segundo e terceiro graus de 
jurisdição, além de magistrados com funções específicas postos acima dos Tribunais 
Colegiados. 
 
Os Magistrados Singulares eram: 
 Os Juizes Ordinários: estes não eram bacharéis em direito, eram eleitos pelos 
"homens-bons" da Câmara Municipal. 
 Os Juizes de Fora: bacharéis em direito, nomeados pelo rei, podiam substituir os 
juizes ordinários. 
 Os Juizes de Órfãos: sua competência era o julgamento de causas referentes aos 
interesses de menores, inventários e tutorias. 
 
103
 -CF. CASTRO, Flávia Lages, ―História do Direito – Geral e Brasil”, 8ºed. Rio de Janeiro, Lúmen Júris, 2010, 
p. 273 e 274. 
 
 
71 
 
 Os Juizes de Vintena: eram os juizes de paz nas localidades com até vinte famílias. 
 Os Almotacéis: que passaram a ter por função a apreciação de litígios sobre 
servidão urbana e crimes praticados por funcionários corruptos. 
 Os Juizes de Sesmaria: cuja função era o julgamento de questões envolvendo 
terras. 
 Os Juizes Alvazis dos Avençais e dos Judeus: que tinham por obrigação dirimir 
questões havidas entre funcionários régios e entre judeus. 
 
Os Tribunais Colegiados - Segundo Grau de Jurisdição eram 
 assim compostos: 
 Desembargo do Paço: tinha por objetivo apreciar questões cíveis relativas 
à liberdade do indivíduo, tais corno graça, perdão, indulto, privilégios etc. 
 Conselho da Fazenda: a sua função precípua era a de solucionar litígios acerca 
de arrecadação de tributos. 
 
 Mesa da Consciência e Ordem: responsável pela apreciação dos recursos