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o processo, a execução e os 
recursos e o Regulamento nº 738 dispôs sobre os Tribunais de Comércio e o processo das 
falências. 
 
 O Código Comercial do Império foi obra pioneira do Continente Americano, neste 
gênero e teve como fontes os Códigos da França, Espanha e Portugal. Carvalho de Mendonça a 
ele se refere como um “trabalho original‖, que “não era cópia servil de nenhum deles” e, ao 
contrário, “apresentava cunho singular, respeitando a tradição jurídica e mostrando adiantamento 
notável sobre os seus modelos”.115 
 
 O Código de 1850, embora já bastante mutilado, principalmente depois da revogação 
de sua Parte Primeira pelo Código Civil de 2002, ainda está em vigor. A longevidade desse 
Estatuto prova o seu adiantamento notável. Pela técnica jurídica utilizada pelo nosso legislado ele 
serviu de modelo a vários códigos sul-americanos, notadamente o da Argentina de 1862 e o do 
Uruguai de 1865. Originariamente ele se compôs de três partes e de um título único, a saber: 
Parte I – Do comércio em geral; 
Parte II – D o comércio marítimo; 
Parte III – Das quedas; 
Título único – Da Administração da justiça nos negócios e causas comerciais. 
 
 
 2.3 - Código Civil Brasileiro. 
 
 As tentativas foram muitas, mas a demora foi mais longa do que o esperado. De fato, 
em que pese termos editado o Código Criminal em 1830 e o Código Comercial em 1850, a nossa 
codificação civil virou uma verdadeira ―via crucis‖ e um complicado cipoal, levando o Barão de 
Penedo, em 1845, afirmar no Instituto da Ordem dos Advogados que a ―situação em que se 
encontrava o nosso país, ainda regido pelas Ordenações e leis posteriores estabelecidas em 
Portugal, por leis denominadas extravagantes promulgadas no Brasil, após a 
Independência, formando um emaranhado indigesto e obscuro‖.
116
 
 
 2.3.1 - Elaboração do Código Civil Brasileiro de 1916. 
 
Mas o primeiro passo, partindo da autoridade pública, só se efetivou em 1855 
quando o insigne jurista baiano Augusto Teixeira de Freitas, preparou a Consolidação das Leis 
Civis, monumental trabalho de compilação e sistematização que depois de aprovado pelo Governo 
Imperial, passou a resolver boa parte das dificuldades do nosso Direito Civil. Em 
 
115
 Cf. CARVALHO MENDONÇA. Apud. Walter Vieira do Nascimento. Lições de História do Direito, 13ª ed, 
Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 219. 
116
 Cf. MIGUEL MARIA de Serpa Lopes, Curso de Direito Civil, Rio de Janeiro: Freitas Basto, 2000, p. 9. 
 
 
86 
 
1858 o Ministro da Justiça, Nabuco de Araújo, pelo Decreto Nº 2.318/58 resolveu confiar a 
Augusto Teixeira de Freitas 
117
 o encargo de preparar um projeto de Código Civil. 
 
 
Este, quase um lustro depois, ofereceu seu projeto, que ele 
mesmo denominou de Esboço, contendo 1.702 artigos, que mesmo 
não adotado no Brasil, constituiu um colosso legislativo e fonte de 
inspiração de vários Códigos das Américas, principalmente o Código 
Civil Argentino, como confessou com honestidade o jurista argentino 
Vélez Sarsfield 
 
Ainda no Império um jurisconsulto mineiro Joaquim Felício 
dos Santos, posteriormente senador no Primeiro Congresso da 
República, apresentou em 1881, seus ―Apontamentos para o 
projeto do Código Civil Brasileiro‖, que foi submetido a uma 
comissão, que acabou opinando contrariamente. 
 
 
Augusto Teixeira de Freitas 
 
 
No início da República, pelo decreto de 1890, o Ministro da Justiça Campos Salles, 
incumbia o jurista Coelho Rodrigues, antigo professor da Faculdade de Recife, de preparar um 
projeto, que como os demais, não foram convertidos em lei. Campos Salles, já Presidente da 
 
República designou seu antigo colega de Congregação da 
Faculdade de Direito de Recife, Clóvis Beviláqua, professor de 
Direito Comparado, para elaborar um novo projeto aproveitando 
tanto quanto possível o de Coelho Rodrigues. No mesmo ano de 
1899 o eminente jurisconsulto apresentou o seu projeto, o qual, 
depois de 15 anos de debates, se converteu na Lei nº 3.071 de 1º 
de janeiro de 1916. - O CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO -, 
promulgado a 1º de janeiro de 1916, entrou em vigor em 1º de 
janeiro de 1917. De fato, merecem registro as emendas de Ruy 
Barbosa e o debate intelectual que ele travou com Carneiro 
Ribeiro. A respeito ensina Sílvio Venosa: 
 
 
 
 CLÓVIS BEVILÁQUA, 
―Numerosas foram as reuniões para críticas e emendas até ser 
encaminhado à Câmara dos Deputados, onde a chamada ‗Comissão dos 
21‘ redige oito volumes de atas. Em 1902, a câmara aprova o Projeto e 
remete ao Senado. Ruy Barbosa é o Relator da comissão e redige em três 
 
117
 AUGUSTO TEIXEIRA DE FREITAS, o Jurisconsulto das Américas, o Maior Codificador Brasileiro, 
filho do Barão de Itaparica, foi o mais importante jurista brasileiro do séc. XIX. Nasceu na cidade de Cachoeiro 
província da Bahia a 19 de agosto de 1816 e faleceu no Rio de Janeiro a 12 de dezembro de 1883. Formado 
em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Olinda. Aos 29 anos já era um jurista de 
invejado renome. A Consolidação e o Esboço, pelo seu método e doutrina, foram suficientes para apontá-los 
ao mundo como uma nona vertente do Direito, contrapondo-se ao Código de Napoleão, influenciou os 
Códigos Sul-Americanos, Europeus e Asiáticos. Teixeira de Freitas passou a brilhar entre os mais notáveis 
juristas da época, colocando-se ao lado de Andrés Bello e Josef Story, como um dos três maiores juristas das 
Américas. 
 
 
87 
dias o seu parecer, que se prende mais ao ponto de vista da forma que 
de fundo. Seguiu-se energética discussão sobre a matéria, ficando 
famosa a Réplica de Ruy, na porfia com Carneiro Ribeiro, que redige a 
erudita Tréplica. Carneiro Ribeiro tinha sido antigo professor de Ruy 
Barbosa no Liceu Baiano‖.
118
 
 
A respeito do Código Civil de 1916, ensina o eminente jurista Silvio Rodrigues: 
 
―Estupendo monumento da cultura jurídica. o Código Civil 
Brasileiro representava, ao tempo de sua feitura, aquilo que 
de mais completo se conhecia no campo do direito. Seu 
defeito, se tem algum, é o de ter sido elaborado ao fim do 
século XIX e representar a cristalização da cultura de uma 
época, porventura desadaptada à evolução que se seguiu‖
119
. 
 
 
 2.3.2 - Elaboração do Código Civil de 2002. 
 
O atual Código Civil Brasileiro a despeito de suas manifestas qualidades e aceitáveis 
inovações já nasceu defasado da nossa realidade social por conta de mais de vinte anos de 
tramitação no Congresso Nacional. Acreditamos que a melhor solução teria sido a da reforma e 
atualização do monumento jurídico de Clóvis Beviláqua, cuja espinha dorsal, tal qual o Código 
vigente, é a mesma do Esboço de Teixeira de Freitas. 
 
A primeira tentativa de reforma do Código de 1916 deu-se no início da década de 
quarenta quando surgiu o Anteprojeto de Código de Obrigações, de autoria dos insignes juristas 
Orozimbo Nonato, Philadelpho Azevedo e Hahnemann Guimarães, que se prendeu apenas à Parte 
Geral das Obrigações, resultando em uma frustrada tentativa de reforma 
 
Entre a primeira e segunda tentativa, (nas décadas de sessenta e setenta), de 
reformar o Código de 1916, assistimos o surgimento de numerosas leis extravagantes que 
alteraram de modo fundamental o conteúdo do Código Civil vigente, dais quais podemos citar: 
 Lei nº 883 / 49 (reconhecimento de filhos adulterinos); Lei nº 2.437 / 55 (prazo de 
prescrição); Lei nº 
 3.113 / 57 (alterou o instituto da adoção); Lei nº 4.121 / 62 (situação jurídica da 
mulher casada) e a Lei nº 6.515 / 77 (institui o divórcio). 
 
A segunda tentativa de reforma, que também não logrou êxito, ocorreu por meio de 
anteprojetos dos renomados