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22,23-27); Herança e 
Primogenitura (Deut. 21, 15-17); Defloração (Deut. 22, 28 e 29); Escravos ( Deut. 15,12-14-16 e 
17); Caridade (Deut. 15,7 e 8); Governo (Deut. 17,14 e 15- Samuel I e II e Reis I,II); Fraude 
Comercial e Juros ( Deut. 23,20 e 21); Fauna e flora (Deut. 20,19 e 22,6-7). Etc. 
 
2.4 – O Direito Hindu 
 
A Civilização Hindu teve seu primeiro florescimento por volta de 2500 a.C. no 
noroeste, aonde o Rio Indo e seus afluentes atravessam uma ampla planície. Estas terras baixas, 
aluviais e férteis foram colonizadas, a princípio, por grupos de agricultores que ali se instalaram 
aproximadamente há 3500 a.C. Da época do florescimento são conhecidos perto de uma centena 
de assentamentos que resultaram em sítios maiores como as cidades de Harappa e Mohenjo-
Daro. Quase todas as casas que foram encontradas nessas cidades eram de tijolo cozido, de um 
tamanho padrão: 24x17x7 cm. Muitas das casas eram do tipo sobrado e as ruas e passagens 
principais, tinham esgoto cobertos com tijolos e abertura para inspeções periódicas. As casas 
individuais tinham banheiros e privadas que se esvaziavam em um recipiente de cerâmica ou 
diretamente no esgoto da rua. 
Essas cidades eram habitadas por um povo de pele escura e baixa estatura, os 
Dravídicos, Dravidianos ou Dasyus. Posteriormente ali apareceu um povo de raça ariana, cuja 
origem exata é desconhecida, e dominou aquela gente, mas depois se acabou misturando – 
vencedor e vencidos – aparecendo o Hinduísmo. 
 
 
. 
 
 
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 MOHENJO DARO MAPA DA ÍNDIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 HARAPPA ARIANO DRAVIDIANO 
 
Os pontos principais da civilização hindu são a divisão por castas
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 e a 
Metempsicose
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 uma envolvida na outra e derivando-se ambos da interpretação da queda das 
almas e da sua futura reabilitação. A Metempsicose eternizou a distinção das raças, fazendo-a 
continuar mesmo depois da morte. Segundo Césara Cantu (História Universal, vol. I, pag. 353) 
“Brahma, deus, ou grande sábio, gerou primeiro quatro filhos, Brâmane, Xátria, Vásia e Sucha; o 
primeiro da boca, o segundo do braço direito, o terceiro da coxa direita, o quarto do pé direito. 
Deles nasceram as quatro raças (Castas), entre as quais Brahma proibiu toda a mistura; ele 
escreveu na testa de todos os homens o que lhe devia suceder do nascimento até a morte”. 
 
 
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 CASTAS, em sociologia, são sistemas tradicionais, hereditários ou sociais de estratificação, ao abrigo da 
lei ou da prática comum, com base em classificações tais como a raça, a cultura, a ocupação profissional, 
etc.Varna, a designação sânscrita original para "casta", significa "cor". 
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 METEMPSICOSE (do grego: meta: mudança + en: em + psiquê: alma) é o termo genérico para 
transmigração da alma, de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. É usualmente 
denominada de metacomorfose. Essa crença não se restringe à reencarnação humana, mas abrange a 
possibilidade da alma humana encarnar em animais ou vegetais. Era uma crença amplamente difundida na 
Pré-história e na Antiguidade, sendo encontrada entre os egípcios, gregos, romanos, chineses e na Índia, 
etc,. Entre os budistas tibetanos essa migração é possível, embora muito rara (os budistas descrevem várias 
formas de reencarnação, sob vários contextos diferentes). Os esquimós e outros povos atuais considerados 
"primitivos" mantém a mesma convicção. 
 
 
 
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Das quatro castas as três primeiras são distintas pela cor, provavelmente 
descendentes dos invasores arianos: A Casta dos Brâmanes, formada pelos sacerdotes e pelos 
sábios, talvez saída de uma tribo Semita que tinha conservado melhor a tradição das ciências e 
das crenças patriarcais; A Casta dos Xátrias que compreende os guerreiros e os magistrados; A 
Casta dos Vásias, formada pelos negociantes, artistas e cultivadores, sendo mais numerosa que 
as outras castas; A Casta dos Sudras, provavelmente, descendentes dos Dravidianos, era 
formada por servos dos brâmanes, dos guerreiros e dos comerciantes. Existiam ainda na Índia, os 
Párias, que viviam separados de todas as castas e eram excluídos do culto dos deuses nacionais. 
As outras castas recusam-lhes até a simpatia, que concediam aos animais irracionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 UMA INTOCÁVEL - (PÁRIA) 
Todo o conhecimento hindu é concentrado em três grandes setores fundamentais: 
Dharma-Sastra (lei sagrada da Índia antiga); Artha-sastra (ciência da economia, da utilidade); e 
Kama-Sutra (ciência do prazer). Sendo toda a atividade humana baseada na tríade – Darma, 
Artha e Kama. 
 
Dos livros sagrados da Índia, para o nosso estudo, os mais importantes são os 
Dharmasastra e entre eles o Código de Manu (Manu-smrti) que se divide em Religião, Moral e 
Leis civis. Os hindus consideram Manu como progênie de Brahma e como o mais antigo 
legislador do mundo; a data de promulgação de seu Código não é certa, alguns estudiosos 
calculam que seja aproximadamente entre os anos 1300 e 800a.C. Lembramos que o Código de 
Hammurabi é mais antigo que o de Manu em pelo menos 1000 a. Porém, não é um verdadeiro 
código no sentido técnico da palavra, mas uma coletânea de normas que o abrange vários 
assuntos e preceitos 
A tradução mais difundida desse Código foi feita do sânscrito para o francês, em 1850 
por A. Loiseleur-Deslongchamps em sua obra ―Lois de Manu‖. No Brasil temos desde 1924 a 
tradução do francês para o português feito pelo Prof. Hersílio de Souza na sua obra “Novos 
Direitos e Velhos Códigos”, onde encontramos esse precioso resumo: 
―O código de Manu – Manava-Dharma Sastra –‖Livro das Leis de Manu – além das 
matérias de que trata ordinariamente um código, contém ainda um a sistema de cosmogonia , 
idéias metafísicas, preceitos determinantes da conduta do homem nos diversos períodos de sua 
existência, numerosas regras relativas a deveres religiosos, a cerimônia do culto, a observância 
religiosa e à expiação, regras de purificação e de abstinência, máximas de moral, noções de 
política, de arte militar e de comércio, um exposto das penas e das recompensas depois da morte, 
assim como das diversas Transmigração da alma e dos meios de chegar à beatitude. 
O Código foi redigido em forma poética e imaginosa, as normas são expostas em 
versos. Cada norma ou regra consta de dois versos cuja metrificação é atribuída a um Santo 
eremita chamado Valmiki. 
 Existem estudos indicando que originalmente o Código era composto por mais de 
 
 
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cem mil dísticos (grupo de dois versos) e que, através, de manipulações e cortes feitos em 
diferentes épocas chegou ao nosso tempo com 2685 dísticos ou artigos, distribuídos em 12 livros, 
dos quais para o mundo jurídico os que interessam são os Livro Oitavo e o Livro Nono. 
 
No Direito Hindu os contratos de compra-e-venda, decorridos três dias, tornavam-se 
irrevogáveis. O credor podia escolher entre chamar o devedor relapso a Juízo ou transformá-lo em 
escravo. A usura não era proibida. Como meio de prova se admita o ordálio
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 e a prova 
testemunhal. A mulher era venerada, mas sua posição social era sempre subordinada ao homem, 
se solteira, estava sob a autoridade do pai; se casada, sob a do marido, e se viúva, sob a do filho 
mais velho e não tinha direito ao divorcio. Todavia prescreva o Código de Manu: “Não se bate em 
uma mulher nem mesmo com uma flor, qualquer que seja a falta por ela cometida‖. No 
campo sucessório, só o filho mais velho herdava