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Direito Processual Civil

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– refere-se à clareza do pedido que deve ser expresso, não se admitindo 
pedido implícito, tanto no tocante ao tipo de provimento almejado (pedido 
imediato), como a qual bem da vida se espera obter (pedido mediato). 
 
b) Determinação – refere-se aos limites daquilo que o autor pretende, demonstrando 
sua extensão. 
 
5. Pedido Genérico. 
 
Pode o pedido mediato, quando não determinado, ser determinável, se tal fixação for 
impossível no momento da propositura da demanda. 
 
 
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Não é admissível a formulação de pedido totalmente desatrelado de parâmetros de 
determinação. 
 
O que se admite é que a determinação ocorra em momento posterior, pois a sentença 
obtida de pedido genérico, ilíquida, será posteriormente liquidada. 
 
5.1 - Artigo 286 do CPC: 
 
5.1.1 - AÇÕES UNIVERSAIS - Versam sobre direitos referentes às universalidades, 
como ocorre, por exemplo, com a herança. Se não for possível ao autor especificar, 
desde logo, quais os bens integrantes da universalidade que pretende para si, é lícito 
pedir a parcela que por direito lhe toca, pois estará apresentando pedido certo, cuja 
amplitude será verificável quando for possível a individuação de todos os bens que 
integram a herança. 
 
5.1.2 – NAS CONSEQUÊNCIAS DE ATO OU FATO ILÍCITO – em face da 
impossibilidade de ser aferido o caso em sub judice de plano. Exemplo: Acidente de 
trabalho com danos físicos que necessitam, durante a tramitação do processo, a 
verificação e extensão das lesões sofridas. 
 
5.1.3 – QUANDO A EXTENSÃO DA CONDENAÇÃO DEPENDER DE ATO A SER 
PRATICADO PELO RÉU. Exemplo: Ação de prestação de contas. O autor depende 
de atos que serão praticados pelo réu no curso dos autos para verificar a exata 
dimensão do valor que será conferido à causa. 
 
6 - Pedido Cominatório: 
 
Quando o autor formular pedido para condenar o réu a não praticar algum ato, ou 
tolerar alguma atividade, ou ainda, na prestação de obrigação de fazer de natureza 
personalíssima, é lícita a cumulação de um preceito cominatório (287), ou seja, a 
cominação de uma pena pecuniária para o caso eventual de descumprimento da 
determinação. 
 
Tal pedido cominatório é subsidiário, já que o pedido é a condenação nos termos do 
287, sendo assim, a multa é denominada astreintes, que é um meio coercitivo para o 
cumprimento da obrigação imposta. 
 
7 - Pedido Alternativo (288). 
 
O artigo 288 do CPC determina que o autor formulará pedido alternativo sempre que 
a natureza da obrigação expressada no pedido for alternativa, ou seja, quando o 
devedor puder cumpri-la de mais de um modo e quando a escolha lhe couber. 
8 - Pedidos Sucessivos 
 
O artigo 289 autoriza a formulação de mais de um pedido em ordem sucessiva. 
 
 
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O juiz analisará o pedido principal, e, somente, na hipótese de não ser possível 
concedê-lo, analisar-se-á o pedido subsidiário. 
 
Ex: Pleiteia-se a devolução da coisa. Na impossibilidade de devolução, o equivalente 
em dinheiro. 
 
9 - Pedido de prestações periódicas (290) 
 
A sentença abrangerá, nos casos que envolvem pedido de prestações periódicas, não 
somente aquelas vencidas ao tempo da propositura da demanda, como também as 
que se vencerem durante o curso do processo e, mesmo as vincendas (enquanto 
durar a obrigação), ressalvado, quanto a estas, que a execução só se viabilizará nos 
respectivos vencimentos e desde que não espontaneamente adimplidas. 
 
A finalidade da norma é evitar que sucessivas demandas sejam propostas para 
obtenção da mesma coisa, pois, afinal, a gênese das prestações sucessivas é uma só. 
 
10 - Cumulação de pedidos (292) 
 
Permite-se que o autor cumule, na mesma ação, mais de um pedido em face do 
mesmo réu. 
 
Trata-se de cumular mais de uma ação contra o mesmo réu, pois, já que cada pedido 
autoriza uma ação independente, realmente existem tantas ações quantos forem os 
pedidos. 
 
10.1 – Requisitos (§ 1º, 292): 
 
10.1.1 – COMPATIBILIDADE - Na cumulação exige-se que os pedidos não sejam 
excludentes porque todos poderão ser atendidos. 
 
10.1.2 – COMPETÊNCIA - O juízo tem que ser competente para dirimir e julgar os 
pedidos cumulados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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V - DA CITAÇÃO 
 
1 – CONCEITO: 
 
É o ato judicial pelo q 
ual se dá ciência ao réu dos termos da ação para que ele possa comparecer em juízo e 
defender-se (213) 
 
1.1 - Trata-se de ato complexo que compreende: 
- a ciência dada ao réu dos termos da petição inicial e documentos que a 
acompanham; 
- o chamamento do réu a juízo para, querendo, defender-se. 
 
2 – NATUREZA JURÍDICA: 
 
2.1 - Para uma corrente é pressuposto processual de existência, ou seja, sem ela o 
processo não existe; 
2.2 – Outros preferem classifica-la como pressuposto processual de validade, ou seja, 
mesmo se ela o processo pode existir, embora eivado de nulidade. 
2.3 – Não se poderá imaginar que o juiz conceda liminar ou profira sentença sem que 
haja um processo instaurado, portanto, conclui-se que a citação não é requisito para 
sua existência. 
 
3 – ESPÉCIES DE CITAÇÃO: 
 
Art. 221: 
I – Pelo correio; 
II – Por oficial de justiça; 
III – Por edital; 
IV – Por meio eletrônico, conforme regulado em lei própria (11.419, de 19 de 
dezembro de 2006). 
 
3.1 – Citação Real: pode ser PESSOAL ou pelo CORREIO. 
 
É o ato judicial pelo qual se dá ciência, direta e pessoalmente ao réu, dos termos da 
ação. 
 
a) CORREIO (222) 
 
a.1) É a regra. 
Não será admitida: 
- nas ações de estado ou em que for ré pessoa incapaz ou pessoa de direito; 
- nos processos de execução; 
- onde não houver serviço domiciliar de correspondência; 
- quando o autor preferir outra forma. 
 
 
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a.2) Formalidades: 
- o escrivão deve remeter ao réu cópias da petição inicial e do despacho do juiz; 
- constará da carta a advertência de que se presumirão verdadeiros os fatos, se não 
forem contestados; 
- será mencionado o prazo para resposta do réu 
- a carta terá de ser registrada, devendo o carteiro exigir o recibo do réu. 
 
a.3) Pessoa Jurídica: 
- a entrega será feita a pessoa da gerência, da administração ou a empregado que se 
identifique e assine o AR (STJ – Min. NANCY ADRIGHI) 
 
a.4) Será feita por outra forma se o autor requerer. 
 
b) CITAÇÃO PESSOAL - VIA OFICIAL DE JUSTIÇA: 
 
É a forma tradicional de efetivação do ato e a que confere maior grau de 
credibilidade. 
 
b.1) Requisitos: o juiz expedirá ordem (mandado) que conterá os requisitos 
indicados no art. 225. 
b.2) Procedimento do Oficial de Justiça: 
- Procurar o réu no endereço indicado no mandado; 
- quando encontrar o réu efetivará a citação lendo os termos da ordem judicial; 
- entregará cópia ao réu e certificará a prática do ato; 
- deve colher a assinatura do réu ou certificar sua recusa (fé-pública). 
 
3.2 – Citação FICTA: pode ser feita COM HORA CERTA ou POR EDITAL. 
- A citação ficta só deve ser realizada quando não for possível a citação real. 
 
a) COM HORA CERTA: 
- é cabível na hipótese de suspeita de ocultação do réu (227); 
 
a.1) Procedimento (228): 
- ordinariamente deverá o oficial de justiça procurar o réu em seu domicílio ou 
residência para tentar efetivar a citação pessoal; 
- caso não o encontre deverá retornar ao endereço mais duas vezes, em horários 
diferentes; 
- restando frustradas as tentativas e o oficial desconfiar que o réu se oculta para 
impedir o ato, intimará pessoa da família ou um vizinho de que, no dia imediato, e 
em hora que indicar, voltará para efetuar a citação; 
- na hora marcada retornará