A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
252 pág.
Direito Processual Civil

Pré-visualização | Página 22 de 50

ao mesmo tempo numa só sentença. 
 
- NÃO SE ADMITE RECONVENÇÃO NAS CAUSAS DE PROCEDIMENTO 
SUMÁRIO; NAS AÇÕES DE EXECUÇÃO, SEJAM ELAS FUNDADAS EM TÍTULOS 
EXECUTIVOS JUDICIAIS, OU EXTRAJUDICIAIS; NAS AÇÕES POSSESSÓRIAS, 
por desnecessário, o pedido reconvencional. 
 
- Obsta que o juiz tenha competência originária, ou adquirida, para conhecimento da 
ação e da reconvenção. 
 
- Na reconvenção não há necessidade de intimar o autor-reconvindo, basta intimar o 
seu advogado. 
 
3. Procedimento 
 
Prazo de 15 dias, simultâneo com a apresentação da defesa. (artigo 299 do CPC) 
 
A apresentação da reconvenção é feita em peça autônoma, devendo sua propositura 
ser anotada no distribuidor (artigo 253, parágrafo único do CPC) 
 
Petição escrita e juntada aos autos principais, porque ambas as ações seguirão no 
mesmo processo. 
 
Prazo para contestação da reconvenção é de 15 dias, observando-se todas as regras 
dos art. 300 a 303. 
 
Exemplos: 
Ação em que o autor pede a devolução da coisa porque o preço não foi pago, pode o 
réu reconvir pedindo a condenação do autor/reconvindo nas despesas que efetuou 
com a manutenção ou melhoria do bem, objeto do contrato. 
 
A mulher que pede separação judicial, fundada em conduta desonrosa que torne 
insuportável a vida em comum, pode o marido reconvir, também pedindo a 
separação, mas alegando violação do dever conjugal de fidelidade. 
 
O autor pede o cumprimento de uma obrigação inadimplida, o réu contesta alegando 
nulidade do pacto e apresenta reconvenção postulando perdas e danos decorrentes 
do negócio não realizado. 
 
XI - AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL 
Artigos 5º e 325 do CPC. 
 
É o instrumento jurídico processual utilizado pelo autor ou pelo réu em uma relação 
jurídica litigiosa, para fins de suscitar questão prejudicial, cujo resultado do 
provimento jurisdicional irá integrar a coisa julgada. 
 
APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Professor Heitor Miranda Guimarães 
89 
 
1. Características da ação declaratória incidental. 
 
As questões preliminares levantadas na contestação são aquelas de cujo exame 
resulta para o juiz a indicação do caminho de apreciar, ou não, o mérito da causa – 
artigo 301 do CPC. 
O resultado das questões prejudiciais determina ao juiz o modo como ele deve 
decidir o mérito. Verificada a questão prejudicial, o juiz não fica tolhido de examinar 
o mérito, mas a análise da questão prejudicial determinará o resultado da decisão de 
mérito. 
 
A ação declaratória incidental pode ser promovida por qualquer das partes (artigo 5º, 
do CPC). 
 
Tem por função alterar os limites objetivos da coisa julgada, desde que requerida 
pelas partes, conforme artigo 470 do CPC. 
 
A ação declaratória incidental promovida pelo autor só poderá ocorrer caso exista 
contestação, com conteúdo específico sobre a relação subordinante. Se a contestação 
não nega a relação jurídica, mas traz alegações de fatos novos (impeditivos, 
modificativos ou extintivos de direito alegado pelo autor), não é caso de ação 
declaratória incidental, porque um dos seus pressupostos é a litigiosidade, ou seja, 
que o réu tenha, pela contestação, tornada litigiosa a relação jurídica prejudicial ao 
mérito. 
 
O juízo da causa principal é também competente para a ação declaratória incidental 
(artigo 109 do CPC). Assim, não é ela admissível se o juiz for absolutamente 
incompetente para conhecer da matéria. 
 
A ação declaratória incidental seguirá no mesmo processo da ação principal e será 
julgada na mesma sentença. É necessário que ocorra compatibilidade de 
procedimento. 
Prazo – para o autor o prazo é de 10 dias, com fundamento no artigo 325 do CPC. 
 
Quanto ao prazo do réu, a doutrina e jurisprudências majoritárias, sustentam que a 
ação declaratória incidental tem que ser suscitada no prazo da defesa. Outros 
julgados contêm entendimento de que pode ser manejada a ação declaratória 
incidental a qualquer tempo. 
 
O prazo para resposta da ação declaratória incidental, segundo julgado RT 482/271 
– Simp. Concl. XXXI – Theotônio Negrão – é de 15 (quinze) dias. 
 
A mesma sentença que julgar a ação principal abrangerá a declaração incidente. 
 
A ação declaratória é incidental depende do destino da ação principal. Se for extinta 
a ação principal, por qualquer razão, também a incidental se extingue. 
 
APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Professor Heitor Miranda Guimarães 
90 
 
O objeto da ação declaratória incidental é a RELAÇÃO JURÍDICA e não um fato. 
 
A ação declaratória incidental não inova quanto à matéria, que necessariamente há 
de já constar do processo, não sofrendo, portanto, alterações os limites do objeto de 
conhecimento do juiz. 
 
4. Diferenças da ação declaratória incidental com a reconvenção. 
 
A reconvenção é autônoma. A ação declaratória incidental é dependente. 
 
A reconvenção visa trazer ao mesmo processo outra ação, do réu contra o autor, que 
pode versar outro tema, distinto daquele que está na ação principal. 
 
A ação declaratória incidental visa a que se produza a autoridade de coisa julgada 
sobre a relação jurídica que, caso contrário, não integraria a parte dispositiva da 
sentença. 
 
Na reconvenção, somente o réu (reconvinte) tem legitimidade para propor tal ação. 
Na ação declaratória incidental, tanto o autor como o réu tem legitimidade. 
 
A reconvenção pode ter conteúdo constitutivo ou condenatório. Na ação declaratória 
incidental só pode objetivar a declaração (positiva ou negativa) da relação jurídica 
subordinante. 
 
A reconvenção pode ser apresentada independentemente de contestação. Na ação 
declaratória incidental, há necessidade da existência de contestação. 
 
Somente pode a ação declaratória incidental versar sobre uma relação jurídica que já 
se encontra na ação principal (mas que não será acobertada pela coisa julgada, sem a 
ação declaratória incidental), enquanto a reconvenção pode trazer ao conhecimento 
do juiz, matéria envolvendo outra relação jurídica que ainda não havia sido 
ventilada. 
 
Exemplo: 
Saber se alguém é, ou não, herdeiro é questão prejudicial na ação de petição de 
herança. O mérito da ação de petição de herança só será julgado se for resolvida a 
questão prejudicial (ser, ou não, herdeiro). As questões prejudiciais não fazem coisa 
julgada material, podendo ser apreciadas em nova ação. Para evitar que a questão 
venha a ser rediscutida, podem as partes requerer ao juiz que a coisa julgada se 
estenda à questão prejudicial, de modo que a decisão se torne imutável. 
 
 
 
 
 
 
APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Professor Heitor Miranda Guimarães 
91 
 
XII - TUTELA ANTECIPADA (Art. 273 do CPC) 
 
"O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos 
da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se 
convença da verossimilhança da alegação e: 
 
I – haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou 
 
II – fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito 
protelatório do réu 
 
Parágrafo primeiro – Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará , de modo 
claro e preciso, as razões do seu convencimento. 
 
Parágrafo segundo – Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo 
de irreversibilidade do provimento antecipado. 
 
Parágrafo terceiro – A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e 
conforme sua natureza, as normas previstas nos artigos 588, 461, §§ 4º e 5º, e 461-A. 
 
Parágrafo quarto – A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a 
qualquer tempo, em decisão fundamentada. 
 
Parágrafo quinto – Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo 
até final julgamento. 
 
Parágrafo Sexto - A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou 
mais dos pedidos