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Direito Processual Civil

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ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de 
experiências." 
 
11. Prova ilícita. 
 
 
APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Professor Heitor Miranda Guimarães 
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Aplicação do artigo 5º, LVI, da Constituição Federal, em consonância com o 
artigo 332 do CPC. 
 
 
XVII - AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 
 
I - Conceito. 
 
Ato processual em que o juiz convoca as partes a comparecerem à sede do juízo, com 
a finalidade de, nela, serem praticados atos processuais relevantes para o 
desenvolvimento procedimental. 
 
II - Espécies de Audiências: 
 
a) audiência preliminar ou de conciliação, audiência para a justificação prévia, nas 
ações cautelares e em quaisquer ações em que se pleiteia medida com base em 
cognição não exauriente, ou ainda para fins de interrogatório, inspeção judicial; 
audiência para fins de cumprimento de carta precatória (oitiva de testemunhas); 
 
b) audiência de instrução e julgamento - é o ato processual solene durante o qual as 
provas, em regra, são todas produzidas, a causa é debatida e sobrevém a sentença. 
 
Não é obrigatória quanto à sua realização, pois o processo pode estar sujeito ao 
julgamento antecipado. 
 
A audiência de instrução e julgamento está pautada em vários princípios 
processuais, como oralidade, imediatidade e decisório. 
 
III - Características: 
 
a) publicidade: qualquer pessoa pode assistir a audiência, desde que a presença seja 
submetida previamente à análise do juiz. O juiz tem poderes para manter a ordem 
dos trabalhos, inclusive ordenar a retirada da sala da audiência àquele que tiver 
comportamento inconveniente, nos termos dos artigos 444, 445, 446, do CPC. 
 
Nos casos de processo que tramitam em segredo de justiça, o livre acesso será 
negado pelo magistrado. 
 
b) direção pelo magistrado: o juiz organiza os trabalhos, ordena a seqüência de 
provas, colhendo-as pessoalmente e reprimindo os atos que possam atrapalhar o 
transcorrer do mencionado ato processual. Análise do artigo 446 do CPC. 
 
c) unicidade e continuidade: a audiência de instrução e julgamento é una, ou seja, 
tem começo, meio e fim. Em virtude de circunstâncias alheias à vontade do juiz, 
como sessões que podem estender-se por horas ou dias, número excessivo de pessoas 
que irão depor, ou a existência de testemunhas que serão ouvidas por carta 
precatória, a audiência de instrução e julgamento pode ser fracionada. 
 
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Professor Heitor Miranda Guimarães 
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d) identidade física do juiz: o juiz que realiza a audiência é o mesmo que deverá 
sentenciar nos autos, pois foi ele quem ouviu as partes, perito, testemunhas, esteve 
em contato direto com as provas colhidas nos autos. Há exceções, como convocação, 
licença, promoção ou aposentadoria (artigo 132 do CPC). 
 
 
IV - Atos preparatórios da audiência de instrução e julgamento: 
 
a) intimação das partes e seus advogados para a data designada. A intimação das 
partes, caso estas forem depor, deverá ser pessoal (Artigo 343, § 1º do CPC); 
 
b) caso as partes manifestarem interesse em ouvir o perito, este deverá ser intimado 
pessoalmente até 05 (cinco) dias antes da audiência (Artigo 435, parágrafo único do 
CPC); 
 
c) produção da prova testemunhal - é essencial que as partes depositem em cartório o 
rol de testemunhas no prazo marcado pelo juiz (prazo judicial) ou nos 10 (dez) dias 
anteriores à audiência, informando se a testemunha comparecerá pessoalmente ou 
através de intimação; 
 
d) compete ao escrivão providenciar as intimações das testemunhas, do perito e 
assistentes técnicos, pois é ato que independe de despacho (Artigo 162, § 4º), em 
tempo hábil e viabilizar a realização da audiência. 
 
V - Fases da Audiência. 
 
Pode ser dividida em 04 fases distintas: 
 
1ª Fase - Conciliação 
 
O artigo 125, IV, do CPC, possibilita ao juiz, em qualquer fase processual, conciliar as 
partes. 
 
A tentativa da conciliação ocorre no curso da audiência de instrução e julgamento, 
portanto, após a abertura e pregão das partes para participar do mencionado ato 
processual. 
 
Pelo artigo 331 do CPC, existe uma audiência preliminar de conciliação que pode 
viabilizar a composição das partes. 
 
A conciliação possivelmente obtida na audiência de instrução e julgamento é a nítida 
aplicação do artigo 125, IV, do CPC. 
 
Obtida a conciliação, lavra-se o respectivo termo e, conforme o acordo, este se 
configura como título executivo judicial. 
 
 
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2ª Fase - Instrução 
 
Não obtida a conciliação, tem lugar a produção das provas. 
 
O artigo 451 do CPC dispõe que o juiz fixará os pontos controvertidos sobre que 
incidirá a prova. 
 
3ª Fase - As provas são produzidas na seguinte ordem: 
 
a) esclarecimentos dos peritos e assistentes técnicos; 
 
b) depoimentos pessoais, primeiro do autor e depois do réu (havendo litisconsórcio, 
pela ordem estabelecida na petição inicial), seguindo-se os depoimentos dos terceiros 
intervenientes, se houver; e, a final, os depoimentos testemunhais, na mesma ordem 
dos pessoais. 
 
Tanto em relação às partes como às testemunhas, aquele que ainda não depôs não 
pode presenciar o depoimento dos outros. Esgotados todos os meios de prova orais, 
o juiz declarará encerrada a instrução. 
 
c) Algumas observações: 
 
A acareação é feita após os depoimentos conflitantes das testemunhas; 
A prova da contradita é realizada, de preferência, na própria audiência de instrução. 
 
d) Debate 
 
Trata-se de momento propício para a sustentação das teses jurídicas que 
fundamentam a petição inicial; a contestação e demais peças processuais dos autos, 
elaboradas pelas partes. 
 
Nos debates orais, as partes, através de seus advogados procuram destacar os 
aspectos fáticos que entendem relevantes, apontando detalhes da prova que venham 
em socorro de suas pretensões. 
 
Em virtude do princípio da oralidade, o debate ocorre na audiência e, conforme o 
artigo 454 do CPC, há prazo legal para a manifestação: 20 minutos, prorrogáveis por 
mais 10, para cada parte, bem como para o Ministério Público. 
 
Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente, todos se manifestarão no prazo de 
30 (trinta) minutos (ou seja, os 20 (vinte) minutos normais, mais o da prorrogação 
que é de 10 (dez) minutos). Após, se houver oposição, manifestar-se-ão o opoente 
seguido dos opostos, pelo prazo de 20 (vinte) minutos cada um. (Artigo 454, §§ 1º e 2º 
do CPC); 
 
 
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Caso a matéria versada nos autos seja complexa, o juiz, a requerimento das partes, 
poderá (que é usualmente praticado) converter os debates, em memorais, nos termos 
do artigo 454, § 3º do CPC. 
 
4ª Fase - Decisão 
 
O juiz tem a faculdade de proferir a sentença após o término da instrução, na própria 
audiência. 
 
Em razão do acúmulo de serviço, números excessivos de processos, os processos são 
levados à conclusão, para que somente ao depois, nos dias que se seguem, seja 
proferida a sentença esperada pelas partes. 
 
Prazo de 10 (dez) dias para o juiz proferir a sentença (artigo 456 do CPC) 
 
A sentença é o ponto culminante do processo onde o juiz, que personifica o Estado, 
exerce plenamente a jurisdição. 
 
Tudo o que ocorrer na audiência será devidamente documentado através de termo 
de assentada, conforme dispõem os artigos 457, §§ 1º e 2º do CPC. 
 
O termo de audiência deverá constar dos autos (artigo 457, § 3º do CPC) 
 
VI - Adiamento da Audiência. 
 
O adiamento da audiência é exceção. 
 
Pode ocorrer nas hipóteses previstas pelo artigo 453 e incisos do CPC: 
 
I - convenção das partes: pode ocorrer apenas uma vez; 
 
II – impossibilidade de comparecimento: