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Direito Processual Civil

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perito, partes, testemunhas, procuradores, 
por justo motivo, desde que haja requerimento prévio, para que o juiz possa analisar 
a justificativa. 
 
Para o advogado, a justificativa pode ser feita na abertura da audiência, sob pena de 
serem expedidos ofícios à OAB para apuração de possível ilícito disciplinar, além de 
dispensa das provas requeridas pelo advogado faltante. 
 
Caso faltem os advogados das partes o juiz poderá colher as provas. 
 
O juiz também poderá analisar justificativa posterior à audiência feita pelo advogado 
faltante, mormente nos casos de fatos imprevisíveis que impeçam o comparecimento 
no dia e hora designados para o referido ato processual. 
 
Se a parte, intimada, faltar, sobrevirá a pena de confesso. 
 
 
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Se a testemunha e o perito, intimados, faltarem, poderão ser coercitivamente 
conduzidos. 
 
De qualquer forma, com as despesas oriundas do adiamento arcará quem lhe deu 
causa (artigo 29 do CPC) 
 
 
XVIII – DA SENTENÇA 
 
I - Conceito. 
 
É o pronunciamento judicial que tem por conteúdo o estabelecido nos arts. 267 e 269 
do CPC e por efeito principal o de pôr fim ao procedimento em primeiro grau de 
jurisdição e, em não havendo recurso, também ao processo. 
 
 
II - Sentenças processuais típicas. 
 
São aquelas que extinguem o processo sem julgamento de mérito, por ausência dos 
pressupostos processuais, condições da ação ou pela existência de pressuposto 
processual negativo. 
 
- Artigo 267, IV, V, VI, VII, XI (artigos 265, § 2º e 47, parágrafo único do CPC) 
 
Pressupostos processuais 
 
Pressupostos processuais de existência e validade – petição inicial 
 
Jurisdição – órgão jurisdicional competente e o impedimento 
 
citação 
 
capacidade postulatória - capacidade de ser parte, de estar em juízo 
 
Pressupostos processuais negativos – situam-se fora da relação jurídica processual 
que se esteja analisando. 
 
 
litispendência 
 
coisa julgada 
 
impedimento de repropositura da ação (art. 268 do CPC) 
 
convenção de arbitragem 
 
Condições da ação 
 
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possibilidade jurídica do pedido 
 
legitimidade das partes 
 
interesse de agir 
 
III - Sentenças processuais atípicas. 
 
São sentenças que extinguem o processo sem resolução do mérito em virtude de 
perempção de instância, abandono da causa por mais de 30 dias, desistência da ação, 
ação intransmissível (legitimidade), confusão entre autor e réu (falta de interesse). 
 
AS SENTENÇAS TERMINATIVAS (TÍPICAS OU ATÍPICAS), eminentemente 
processuais, serão proferidas em forma concisa, conforme preceitua o artigo 459, 
parte final, CPC. 
 
IV - Sentenças de mérito. 
 
"Sentença, no sentido estrito, sentença definitiva, é a sentença final de mérito. 
Conceitua-a Gabriel de Rezende Filho: - „sentença definitiva é aquela em que o juiz 
resolve a contenda, cumprindo a obrigação jurisdicional‟; ou „resolve a lide, 
satisfazendo a obrigação jurisdicional que lhe foi imposta pelo pedido do autor.‟” 
 
“A sentença definitiva resolve a lide. O conflito, suscitado pelo pedido do autor e 
contestação, real ou virtual, do réu, se compõe pela decisão que o juiz profere. Fica, 
em consequência, satisfeita a obrigação jurisdicional do Estado, esgotando-se a 
função do juiz e, pois, encerrando-se a relação processual.” (Moacyr Amaral Santos) 
 
Na sentença de mérito típica – artigo 269, I, do CPC – o Juiz acolhe ou rejeita o 
pedido formulado pelo autor, decidindo imperativamente, na qualidade de 
representante do Estado. 
 
 
IV.1 - Classificação das sentenças de mérito. 
 
a) Meramente declaratórias = declara a existência ou a inexistência de uma relação 
jurídica; 
 
b) Constitutiva = constitui ou desconstitui uma relação jurídica; 
 
c) Condenatórias = declara a existência de lesão e estabelece uma sanção 
correspondente à citada violação; 
 
d) Mandamentais = O Estado-juiz ao sentenciar, desempenha ato de autoridade, 
emitindo uma ordem para ser cumprida, e não apenas substituindo-se às partes. 
 
 
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e) Executivas = lato sensu, contêm além da condenação, aptidão intrínseca para levar 
à efetiva satisfação do credor, independentemente do processo de execução. 
 
V - Requisitos da sentença. (artigo 458 do CPC) 
 
A sentença contém a síntese do processo, o trabalho lógico feito pelo juiz, no exame 
da causa e a decisão. 
Assim, a sentença, na sua estrutura, como ato escrito e solene, deverá compor-se de 
03 (três) partes: 
a) o relatório; 
b) motivação; 
c) o dispositivo, ou decisão (artigo 458 do CPC) 
 
A) Relatório 
 
"O relatório é a síntese do processo. É a exposição, que o juiz faz de todos os fatos, as 
razões de direito que as partes alegaram, e da história relevante do processo." (Pontes 
de Miranda) 
 
Artigo 458 – I – são requisitos da sentença: o relatório, que conterá os nomes das 
partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais 
ocorrências havidas no andamento do processo. 
 
O juiz faz um resumo do processo; expõe tudo o que lhe parece relevante, como 
fatos, razões de direito alegadas pelas partes, o pedido, a defesa. 
 
O juiz menciona no relatório as principais ocorrências havidas no curso do processo. 
 
Tem-se no relatório "...a representação do material de que há de partir a convicção, 
mas do material tal como o juiz o encontrou antes, durante e depois da instrução." 
(Pontes de Miranda) 
 
B) Fundamentação (motivação) 
 
Artigo 458, II – são requisitos da sentença: os fundamentos, em que o juiz analisará as 
questões de fato e de direito. 
 
Na fundamentação, exporá o juiz as razões de seu convencimento de forma clara e de 
molde a que tantos quantos a lerem tendam chegar à mesma conclusão a que chegou. 
É a concretização do princípio do livre convencimento previsto no artigo 131 do CPC. 
 
A sentença é um ato de inteligência e de vontade. Não se pode confundir a sentença 
com um ato de imposição pura e imotivada de vontade. Aplicação do artigo 93, IX, 
da Constituição Federal. 
 
A necessidade da motivação ainda mais se encarece em face da recorribilidade da 
sentença. Impugnando-a para obter sua reforma, o recorrente terá que atacá-la por 
 
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incidir em erro de fato (sentença injusta) ou de direito (sentença errada), donde há 
necessidade de mostrar onde o erro se encontra. 
 
C) Dispositivo (decisão) 
 
Artigo 458, III, do CPC - são requisitos da sentença – o dispositivo em que o juiz 
resolverá as questões que as partes lhe submeterem. 
 
Neste elemento, tem-se a conclusão das operações lógicas desenvolvidas pelo juiz na 
motivação, e, pois, os termos da sua decisão, ou seja, as proposições em que 
consubstancia o decisum. É no dispositivo que reside o comando que caracteriza a 
sentença. 
 
Aplicação do artigo 459, 1ª parte, do CPC: O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou 
rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor. 
 
Aplicação do artigo 269, I, do CPC: Extingue-se o processo, com julgamento de 
mérito: I – quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor; 
 
Requisitos da sentença, quanto à inteligência do ato (Moacyr Amaral Santos) 
 
A sentença deve ser clara e precisa. 
 
Clareza = insuscetível de interpretações ambíguas ou equívocas. A sentença clara 
exige linguagem simples, em bom vernáculo, com aproveitamento, quando for o 
caso, de palavra técnica do vocabulário jurídico. 
 
Obscuridades e contradições existentes na sentença, são esclarecidas através de 
recurso específico denominado embargos