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Direito Processual Civil

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vale para nenhum. 
O litisconsórcio unitário, em regra, é também necessário; é preciso que todos 
participem do processo. 
 
O litisconsórcio unitário poderá ser facultativo, se a relação jurídica uma e 
incindível, apesar de ter vários titulares, puder ser postulada ou defendida em juízo 
por apenas um. 
É o que o corre, por exemplo, no condomínio. 
 
Litisconsórcio simples. 
 
É aquele em que, ao proferir o julgamento, não está o juiz obrigado a decidir 
de maneira uniforme para todos. 
A vítima de um acidente de trânsito que ajuíza ação em face da pessoa que 
dirigia o veículo e da que aparenta ser a proprietária, é possível que o pedido seja 
procedente quanto ao motorista e improcedente quanto ao proprietário (caso, por 
exemplo, ele prove que já tinha vendido o carro, ou que este tenha sido subtraído de 
suas mãos). 
 
O litisconsórcio simples pode ser necessário, quando, por exemplo, a lei 
determina que ele se forme. Por exemplo, nas ações de usucapião. Ou facultativo, 
como em todas as situações elencadas no CPC, art. 46. 
 
3. Momento de formação do litisconsórcio 
 
Em regra, o litisconsórcio forma-se por vontade do autor, quando ajuíza a 
ação. 
 
Haverá, se o juiz verificar que há um litisconsórcio necessário, determinará 
ao autor que emende a inicial, incluindo o litisconsorte faltante sob pena de 
indeferimento. Ou então, se não preenche nem os requisitos do art. 46, nem o do art. 
47, determinará, a exclusão de um dos litigantes ou indeferirá a petição inicial. 
 
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Também há a possibilidade de o autor, requerer o aditamento da inicial para incluir 
alguém no pólo ativo, ou passivo, o que sempre se admitirá desde que os réus não 
tenham sido ainda citados. Após a citação, a inclusão dependerá de anuência 
daqueles. 
 
Há casos, em que o litisconsórcio forma-se posteriormente, na hipótese de 
falecimento de uma das partes, sucedida por seus herdeiros, no curso do processo. 
 
Em outros, depende da vontade do réu, formado depois da citação, por 
exemplo, chamamento ao processo, para trazer ao pólo passivo o devedor principal 
ou os devedores solidários. Ou a denunciação da lide. 
 
Situações em que forma-se por determinação judicial, como na hipótese da 
obrigatoriedade da sua formação (litisconsórcio necessário). 
 
4. Regime do litisconsórcio. 
 
CPC, art. 48, revela que, regra geral, os litisconsortes são tratados de forma 
independente, como se fossem, perante a parte não prejudicam nem beneficiam os 
demais. 
As classificações fundamentais do litisconsórcio: necessário e facultativo; 
unitário e simples. 
a) Regime do litisconsórcio simples: é regido pelo CPC, art. 48. 
Cada litisconsorte será tratado perante a parte contrária como um litigante 
distinto, e os atos e omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão o outro. É o 
regime da autonomia dos litisconsortes. Se um contestar e o outro não, somente este 
será considerado revel, aplicando-se a ele a presunção daí decorrente. Se apenas um 
dos litisconsortes recorrer da sentença, o provimento do recurso beneficiará apenas 
a ele. 
 
Mesmo no regime da autonomia, no litisconsórcio simples, os atos 
processuais praticados por um dos litigantes podem acabar favorecendo o outro, 
desde que as alegações apresentadas por um sejam comuns ao outro. 
 
Por exemplo, se uma apelação interposta por um dos litisconsortes favorece 
também o outro, que não recorreu. 
 
b) Regime do litisconsórcio unitário: aqui a sentença há de ser igual para 
todos. Por isso, o regime não é mais o da autonomia, mas o da interdependência dos 
atos processuais praticados. 
 
Cumpre ao juiz verificar se o ato praticado pelo litisconsorte é benéfico ou 
prejudicial aos demais. Há atos favoráveis a apresentação de contestação. 
 
Há aqueles que são prejudiciais, como o reconhecimento jurídico do pedido e 
a confissão. 
 
 
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Quando o ato processual é benéfico, favorece a todos os litisconsortes. 
 
Se o ato é prejudicial, não poderá prejudicar os demais litisconsortes, porque 
não se pode afastar a regra básica de que um litigante jamais poderá ser prejudicado 
por ato do outro. 
 
O ato nocivo não será eficaz nem mesmo em relação a quem o praticou. 
 
O ato será ineficaz em relação a todos os litisconsortes. 
 
No regime do litisconsorte unitário, basta que o ato benéfico seja praticado 
por um, para ser eficaz e favorecer a todos, mas o ato prejudicial só será eficaz se 
por todos praticado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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V – DA INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 
 
V.1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS 
 
 Segundo o Professor João Batista Lopes (Curso de Direito Processual Civil, 
volume 1: Parte Geral. Vol. 1. São Paulo: Atlas, 2005, pág. 204), o termo 
intervenção é de origem latina (inter = entre e venire = vir), significando 
ingerência, intromissão de alguém em discussão ou disputa alheia. 
 
 Deste modo, pode-se dizer o terceiro que intervém na relação processual alheia é 
aquele que não figura como parte no processo, sendo assim, intervenção se 
caracteriza por ser o ingresso de uma pessoa, seja ela física ou jurídica, em 
processo alheio, justificando-se somente se o interveniente tiver interesse jurídico 
na causa. 
 
 São espécies de terceiros: 
o Desinteressados: que é aquele titular de relação jurídica que se situa 
num mesmo prisma; ex: o terceiro, proprietário de bem objeto de 
disputa em processo alheio, ingressa no processo para fazer valer seu 
direito; 
o Interessados de fato ou economicamente: situam-se em plano inferior 
ou subordinado; ex: o sublocatário, em cuja relação jurídica encontra-se 
subordinado a outra, o contrato de locação; 
 
 
V.2 - MODALIDADES DE INTERVENÇÃO: 
 
V.2.1 - OPOSIÇÃO 
 
o Forma de intervenção espontânea de terceiros 
o Tem natureza jurídica de ação. 
o Pode ser de duas espécies: 
 Interventiva 
 Autônoma. 
 
o Na primeira, a oposição não ensejará a formação de um novo processo. 
 
o Autônoma 
o Aquela que ensejará a formação de um processo independente, 
 Embora distribuído por dependência 
 ao juízo em que corre o originário. 
 
o Apenas a oposição interventiva pode ser qualificada como intervenção de 
terceiros, 
 
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o Pois somente nela haverá o ingresso de terceiro em processo 
alheio. 
o Na autônoma, isso não ocorre, 
o Porque a demanda do terceiro forma um processo novo. 
 
o Seja qual for a espécie da Oposição 
o Um terceiro deduz uma pretensão 
o que coincide com aquela posta em juízo 
o entre o autor e o réu da demanda principal. 
o Ela pressupõe a existência, em curso, 
o De uma ação, 
o Na qual um bem ou interesse é disputado entre o autor e o réu. 
o Exemplo: 
 A estiver em juízo reivindicando um bem que está com 
B. 
 Esse bem é o objeto litigioso. 
 O terceiro que quiser ir a juízo para reclamá-lo para si, 
aduzindo que não pertence nem ao autor nem ao réu da 
ação originária, 
 Deverá fazer uso da oposição. 
 
o A pretensão do oponente em relação ao autor da ação principal 
o É diferente daquela em relação ao réu. 
o Ele pedirá que o juiz declare que o autor da ação principal não tem 
direito à tutela jurisdicional pretendida sobre o bem. 
o Postulará que se conceda a ele, oponente 
o Uma tutela sobre esse mesmo bem, 
o Que era objeto da ação principal. 
 
o Objeto da oposição: 
o No todo ou em parte, a pretensão já posta em juízo. 
o Deve manter com o processo principal