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História das Relações Públicas

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seu 
próprio campo teórico, as relações públicas passaram a conceber a necessidade 
de abertura ao diálogo no lugar da mera idéia de “engenharia da informação”. A 
postura dialógica do pensamento latino-americano em Comunicação é atualizada, 
nos estudos e nas práticas de relações públicas, através da abertura de canais 
para que os diversos públicos de uma organização passem a expressar suas 
opiniões. A sociedade de opinião ganhava visibilidade política no bojo da 
emergência da sociedade de informação. Não é por acaso, portanto, como 
 
massa, diz que ele é. Por opinião da massa, ele entende as opiniões coletivas do povo norte-
americano considerado como um todo. Considera, no entanto, que a opinião pública é dinâmica e 
mutável. Deixa a entender que o inquérito de opinião seria uma possibilidade de aferição da 
opinião pública. Ver CHILDS, Harwood. Relações públicas, propaganda e opinião pública. Rio de 
Janeiro: Fundação Getúlio Vargas Edições, 1964. 
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pregam estudiosos do tema, que a opinião pública resulte justamente do maior 
fluxo de informação com o advento da comunicação de massa e, nos dias de 
hoje, com a multiplicação das possibilidades tecnológicas que descentralizaram a 
produção de informação e a emergência de novas correntes de opinião. 
De conceituação difícil e até hoje sem elaboração final ou pelo menos 
definitivamente aceita, a opinião pública traz junto com ela a idéia de interesse 
público, que é igualmente heterogênea e muito relativa dependendo do ponto de 
vista de quem a formula. Opinião pública, entre as muitas definições, não é uma 
opinião unânime; não é, necessariamente, a opinião da maioria; normalmente é 
diferente da opinião de qualquer elemento existente no público; é uma opinião 
composta, formada das diversas opiniões existentes no público; está em contínuo 
processo de formação e em direção a um consenso completo, sem nunca 
alcançá-lo.52 
O tema da opinião pública e da opinião dos públicos passou a ser de 
interesse para as organizações em geral, como estavam propondo os estudiosos 
de relações públicas. Afinal, com o grande impulso dado pela Declaração 
Universal dos Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas, em 1948, 
a sociedade civil tem demonstrado criatividade ao elaborar distintas formas de 
organização para cobrar dos governos, das empresas e das organizações em 
geral o cumprimento dos deveres correspondentes às suas atividades e funções. 
Vale dizer, implementava-se uma cultura de opinião baseada na maior 
circulação de informação entre as pessoas, devido, entre outros fatores 
socioeconômicos, à popularização dos meios de comunicação de massa, ao 
intenso processo de urbanização oriundo da industrialização e das migrações e, 
de certa maneira, ao maior número de pessoas alfabetizadas, a um crescente 
número de pessoas com formação em nível superior e à maior capacidade de 
organização da sociedade através dos sindicatos, das organizações não 
governamentais (ONGs), das associações de bairros, dos diversos movimentos 
sociais. 
Diante dessa nova realidade que então emergia, os estudos em relações 
públicas vieram propor um modelo de comunicação horizontal e também voltado 
para o receptor, que, no caso, é o motor dessa sociedade de opinião. Tal 
 
52 ANDRADE, Teobaldo de Souza. Obra citada, 1988. 
Cláudia Peixoto de Moura (Organizadora) 
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iniciativa aparece em função da pressão que os diferentes públicos exercem 
sobre as organizações.53 Hebe Wey54 aborda a implantação de uma filosofia de 
relações públicas nas empresas dentro de um conceito antropossociológico de 
“refinamento cultural”, que é possível ser encontrado em sociedades que 
conseguem fazer mais que suprir suas necessidades imediatas. 
Historicamente, as atividades de RP têm sido identificadas com o 
desenvolvimento da economia capitalista. No entanto, sua relação com o sistema 
pode ser considerada tanto de adesão quanto de crítica. Não sendo 
revolucionárias, porque trabalham alinhadas com as organizações em geral, as 
relações públicas podem ser consideradas como inovadoras, ao visualizar as 
crescentes demandas da sociedade contemporânea em sua relação com as 
instituições. Nos EUA do pós-guerra civil firmou-se a convicção liberal de que a 
riqueza era um sinal de virtude, enquanto a pobreza seria uma forma de fracasso, 
segundo parâmetros sociais construídos na perspectiva liberal. Dentro dessa 
visão de mundo, consolidou-se uma fase na vida socioeconômica americana 
afetada pela lei do mais forte, na mais explícita lei do capitalismo selvagem, sob 
influência direta do darwinismo social. 
Tratava-se de uma fase em que a opinião pública e a cidadania eram 
simplesmente ignoradas pelas empresas na busca de reprodução do capital. Era 
começo de século XX, muitos anos antes de serem declarados os direitos 
humanos pelas Nações Unidas e bem antes de amadurecerem os debates sobre 
o papel das organizações, em especial as empresas privadas, no mundo 
contemporâneo. É folclórica, no âmbito das atividades e dos estudos em relações 
públicas, a história de William Henry Vanderbilt, um dos criadores das ferrovias 
americanas que, em 1882, pronunciou a famosa frase “o público que se dane”, 
quando inquirido pela imprensa sobre atividades de sua empresa. O caso 
aconteceu, segundo relatam os primeiros registros da atividade de RP, quando 
Vanderbilt era interpelado por jornalistas sobre um novo trem expresso entre 
Nova York e Chicago. 
 
 
53O termo “organização”, na área de relações públicas, é usado para designar organizações em 
geral. Pode ser empresa pública ou privada, comercial ou industrial, sindicato patronal ou de 
trabalhadores etc. 
54WEY, Hebe. O processo de relações públicas. São Paulo: Summus Editorial, 1983. 
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“A expressão (‘O público que se dane’) traduzia... o 
sentimento de desrespeito dos grandes empresários norte-
americanos para com a opinião pública. Empresários de 
estradas de ferro como William H. Vanderbilt, banqueiros 
como J. P. Morgan, magnatas do petróleo, como John D. 
Rockefeller, e do aço, com Henry Clay Frick, acreditavam 
que não tinham motivos para dar satisfação de suas ações 
à opinião pública” 55 
 
O fato explicitava o descaso, e mesmo o repúdio, dos magnatas da época 
com o interesse público e a opinião pública. Ficava patente uma visão de 
produção econômica em que predominavam os valores do grande empresariado 
de forma totalitária sobre os valores dos demais cidadãos. Foi a partir desse 
episódio que o jornalista Ivy Lee vislumbrou a necessidade que as empresas 
deveriam ter de abrir canais de comunicação para dar satisfação à opinião 
pública. 
Detalhe importante: naquela época estava em alta cotação o jornalismo de 
denúncia, herdeiro da tendência dominante na literatura ocidental entre 1830 e 
1914 que foi o realismo. Folclórico ou não, o episódio de Vanderbilt é considerado 
um marco fundador das atividades de RP, que nasce, assim, baseada na 
abertura para a troca de informações entre as organizações e a imprensa, 
considerada historicamente uma das principais instituições formadoras e 
influenciadoras da opinião pública e, portanto, da crítica social. 
O modelo comunicacional dialógico nas atividades de relações públicas 
não emerge da beneficência das elites que comandam as grandes corporações, 
mas da pressão da opinião pública como instância própria da crítica