A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
701 pág.
História das Relações Públicas

Pré-visualização | Página 27 de 50

democrático, faz surgir uma reação de alguns segmentos 
da sociedade - industriais, sindicalistas e fazendeiros - instituindo o chamado 
História das Relações Públicas 
93 
período populista. Consolida-se uma nova estrutura de poder, impulsionando o 
avanço da industrialização e urbanização. Nesse contexto, o governo mantém 
forte controle sobre a indústria, isolando a economia brasileira do sistema 
internacional, exercendo o controle das importações e do mercado de capitais 
interno. Sem concorrência externa, o setor industrial, com clientes cativos e 
garantidos, pode decidir por uma política de preços com elevadas margens de 
lucros. 
A avidez por produtos industriais e a escassez de oferta garantem a 
liberdade de decisão das empresas, tanto em relação à qualidade dos produtos, 
quanto à prática abusiva dos preços. A comunicação é empregada para divulgar, 
por meio das técnicas de Publicidade e Propaganda, os bens de consumo 
dirigidos a uma sociedade onde o exercício da opinião sobre a atuação política 
das organizações é irrelevante. São elas que determinam, pela escassez de 
oferta, quem são seus públicos e o que devem consumir. As Relações Públicas, 
como apoio ao Marketing, são exercidas com a aplicação de alguns instrumentos 
de comunicação, principalmente o Evento, para cumprir com objetivos de 
persuasão e convencimento, com fins de reforço de venda, prática que reforça a 
visão instrumental da ciência e atividade. 
Entre 1940 e 1960, o crescimento industrial, controlado pelo governo, 
concede um fortalecimento do poder à esfera pública, com pleno exercício do 
controle sobre as relações trabalhistas e às ações sindicais. A preocupação do 
governo sobre a reação das lideranças populares determina a criação de 
serviços, definindo atividades de Relações Públicas para promover boas relações 
com o público e demais órgãos da administração pública. Com esse objetivo, 
cria-se, em 1946, o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). 
Pelas vias da ciência da administração, são realizadas várias conferências sobre 
Relações Públicas, muitas delas proferidas por profissionais norte-americanos. A 
manutenção do modelo político do Estado Novo, impresso pela atuação de 
Vargas, permite que, em 1950, por meio de eleições, ele volte à presidência, 
reforçando ainda mais o poder do Estado. Com apoio popular, alavanca a criação 
e o desenvolvimento de empresas estatais e monopolistas, na área da infra-
estrutura, como petróleo, eletricidade e siderurgia. Esse contexto favorece a 
criação, em 1951, do Departamento de Relações Públicas da Companhia 
Cláudia Peixoto de Moura (Organizadora) 
94 
Siderúrgica Nacional e, em 1952, da primeira empresa de Relações Públicas, a 
Companhia Nacional de Relações Públicas e Propaganda. 
Sem o apoio dos militares, enfrentando uma série de escândalos e 
derrotas políticas, Vargas suicida-se, em agosto de 1954, virando o jogo político. 
A reação popular, com a perda do pai dos pobres, impede o golpe militar e, nas 
eleições de 1955, Juscelino Kubitschek dá continuidade a alguns planos de 
desenvolvimento sobre a base industrial estatal, instalada por Vargas. 
A segunda metade da década de 1950 é marcada por uma visão de 
progresso, e uma nova ordem social instalada, centrada na modernidade, faz 
surgir o sentimento de reinvenção dos brasileiros: em contraposição ao 
analfabetismo, ao artesanato, à dependência da natureza e à lentidão do meio 
rural. Valorizam-se as conquistas da vida urbana, os novos produtos da indústria, 
as diferenças da vida social, o maior acesso à educação e à cultura de massa. 
Surge a bossa nova, unindo a elite musical à cultura popular. O futebol oferece ao 
mundo a imagem de um Brasil-brasileiro, na figura dos tipos negros e mestiços 
de origem humilde, entre os quais Pelé, Garrincha, Didi e Djalma Santos. A onda 
do progresso, associada ao processo de industrialização, e alimentada pelos 
Estados Unidos, por meio da instalação de multinacionais, motiva a criação de 
cursos especializados na área de Relações Públicas, tendo como referência os 
ensinamentos de autoridades norte-americanas no assunto. A Escola Brasileira 
de Administração Pública, sediada na Fundação Getúlio Vargas, passa a 
promover cursos de Relações Públicas e, em 1954, é fundada a Associação 
Brasileira de Relações Públicas, com sede em São Paulo. 
O início de 1960 é marcado pela prosperidade do desenvolvimento 
econômico. Há expansão das multinacionais, como a Refinações de Milho Brasil, 
a Souza Cruz, ligada à British American Tobacco, a Johnson e Johnson, entre 
outras. A influência das organizações estrangeiras, no trato com o público, 
determina a realização de grandes feitos na área das Relações Públicas: em 
1958, realiza-se o Primeiro Seminário Brasileiro de Relações Públicas, no Rio de 
Janeiro. O entendimento da compreensão mútua entre a organização e seus 
segmentos de público consolida-se pela definição oficial da atividade, instituída 
pela Federação Interamericana de Associações de Relações Públicas (FIARP). 
Entretanto, o advento da televisão, como meio de comunicação de massa, 
incrementa o uso da publicidade comercial, possibilitando o acesso da sociedade 
História das Relações Públicas 
95 
brasileira às maravilhas da industrialização. A escassez de produtos 
industrializados, associada à novidade que continham, mascara o comportamento 
ético das organizações. A Publicidade e Propaganda, como ferramenta de 
incremento de vendas de produtos fabricados pelas multinacionais, é a grande 
responsável pelo crescimento do setor industrial. 
A euforia, na expressão de obras e investimentos significativos, tem seu 
preço: no início de 1961, Jânio Quadros, o sucessor dos 50 anos em 5, vê-se às 
voltas com um país endividado, iniciando o processo de renegociação da dívida 
externa, enfrentando os resultados de medidas impopulares — desvalorização da 
moeda, o fim do subsídio de alguns produtos e o aumento do custo básico na 
vida dos brasileiros. Quadros, envolvido em uma onda antipopular, renuncia, 
dando espaço a João Goulart, inicialmente, apoiado pelos militares. A sugestão 
de implantar medidas antipopulares para sanear a economia, defendida pela 
oposição ao governo, faz com que esta crie o fantasma do comunismo, 
persuadindo e conduzindo os militares à ação do golpe militar. Em abril de 1964, 
João Goulart é deposto da presidência, provocando uma marcha-ré na 
possibilidade de se ter o desenvolvimento das Relações Públicas enquanto 
atividade gestora do relacionamento entre as organizações - públicas e privadas - 
e os diversos segmentos de público, desta vez provocada pela implantação do 
regime militar. 
Por influência dos Estados Unidos, sob o rótulo da cooperação técnica, a 
educação é atingida em sua concepção: passa a ser implantada sob o paradigma 
tecnológico, que instrumentaliza a educação para o trabalho, a serviço do 
crescimento industrial. A relevância dada a essa concepção pode ser constatada 
na pesquisa realizada por Moura, sobre o curso de comunicação social no Brasil: 
 
A tendência técnico-linear, predominante nos estudos 
brasileiros desenvolvidos na área da Educação, também foi 
a mais observada nos autores que abordam a questão 
curricular em Comunicação Social, até porque desde 1962 
existe um currículo mínimo conduzindo esta formação 
(2002, p. 237). 
 
Nesse contexto, em 1967, surge o primeiro curso de Relações Públicas, 
em nível de graduação, com duração de quatro anos, na Universidade de São 
Paulo. Dois anos depois, o Conselho Federal de Educação aprova o Plano de 
Cláudia Peixoto de Moura (Organizadora) 
96 
Currículo das Comunicações, incluindo Relações Públicas como disciplina