A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
49 pág.
Texto - Metodologia Cientifica

Pré-visualização | Página 11 de 11

imagem acima. Como você pode observar, o Greenpeace, visando sensibilizar o leitor, usa a frase "Você não quer contar esta história para seus filhos, quer?". Note que alguns recursos foram utilizados, com o intuito de persuadir o outro (nós, leitores), tais como o uso do discurso direto, havendo a interpelação direta ao leitor, com o uso da interrogação. Ao vermos o quadrinho nossa memória nos remete a outra história infantil, a imagem é mundialmente conhecida "Chapeuzinho Vermelho", que também é de nosso conhecimento partilhado. Vejamos agora o mesmo texto apresentado de outra forma.
Texto 2
Chapeuzinho Vermelho
Millôr Fernandes
Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores - o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).
Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".
Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez - o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado - e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.
Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.
                                  Extraído do livro "Lições de Um Ignorante", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág.31
Fonte: http://www.releituras.com/millor_chapeuzinho.asp
AGORA É SUA VEZ!
Acesse o endereço abaixo e veja outra versão dessa história.
http://ilzeni.lf.sites.uol.com.br/chapeuzinho_vermelho.html
Você observou que narração interessante? Notou a forma que o narrador dialoga com o leitor? Observe no final do primeiro quadro o corte "E foi assim...." e inicia o outro quadro "Ou quase" , retomando o diálogo com o leitor. É justamente dessa trama que estamos falando, da teia discursiva que envolve o texto. E quanto a questão da intertextualidade? Ela se manifesta, justamente, nesse diálogo que o autor faz de um texto com o outro, é a dialogicidade que nos fala Bakthin.
Você sabia que na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade se faz presente? Com isso queremos dizer que a intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:
Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.
Mona Lisa, de Marcel Duchamp, 1919.
Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.
Mona Lisa, propaganda publicitária.
Vocês viram que interessante? Como já enfatizamos, todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em outros textos são exemplos de intertextualização. A intertextualidade é, então, esse diálogo que se estabelece entre os textos e nós, na qualidade de professores em formação podemos apontar esse caminho para o aluno. Então, é só colocar em prática!
Síntese
Nessa web aula iniciamos discutindo o processo de comunicação, estudamos os elementos desse processo e, sobretudo, a importância da interação para que o outro possa compreender nossas enunciações. Dialogamos, ainda, sobre as concepções de linguagem, pois somos professores em constante formação e é necessário que tenhamos clareza sobre a importância da concepção interacionista para que nossa prática pedagógica contemple a teoria abordada.
Ao versarmos sobre texto, ressaltamos a relevância do mesmo ser lido considerando alguns fatores, como o contexto no qual ele está inserido, o momento sócio-histórico-cultural que o mesmo foi produzido, pois esses elementos influenciam na produção de sentidos do texto.
Outro enfoque dado diz respeito às relações intertextuais, ou seja, o diálogo que o texto faz com outros textos, bem como admitimos a presença da polifonia, isto é, em nossas enunciações estão presentes outras vozes o que comprova que o discurso não é neutro, tampouco somos seus autores, no sentido literal, pois em nosso discurso ressoam outras vozes, ditas em outro tempo e espaço, lembrando que apesar de não ser uma enunciação inédita, pois alguém já enunciou antes, por um lado é única, pois nunca um enunciado será dito no mesmo momento, no mesmo tempo e no mesmo espaço, mesmo quando enunciado pela mesma pessoa o contexto será outro, e isso deve ser observado.