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Texto - Metodologia Cientifica

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padrão.
Língua popular ou informal
Você já deve ter notado que a linguagem popular ou informal nem sempre obedece aos padrões cultos da língua. Podemos exemplificar de uma forma muito fácil, pois se trata da linguagem que utilizamos no nosso dia a dia. Diariamente, falamos de forma informal. Ao estudarmos essa forma, encontramos o predomínio de expressões populares, tais como a gíria, e vemos que não há a preocupação em seguirmos as regras da gramática normativa.
Caro aluno, preste atenção na imagem abaixo, pois ela exemplifica o que estamos enunciando.
Fonte: http://santiagoferreira.files.wordpress.com/2008/08/guarda-roupa.jpg
A imagem acima é exatamente o que você está vendo: um guarda-roupa. Metaforicamente, queremos dizer que, dependendo do lugar onde você vai, você procederá a escolha da roupa. Não é diferente com a linguagem, nós a adaptamos, dependendo da situação interativa na qual nos encontramos.
Bom, como já falamos sobre os elementos da comunicação, sobre as diversas formas que usamos a linguagem, agora versaremos sobre as concepções de linguagem. Preste muita atenção, pois essas concepções devem ser muito claras para o professor em formação da área de Letras, pois de acordo com a concepção adotada haverá reflexo na prática pedagógica do docente.
Observe as imagens abaixo:
                                      Fonte: INFANTE, 2001
Como você pode observar, as imagens acima representam as três concepções de linguagem. Vamos falar mais sobre elas?
Autores renomados, da nossa área, como Travaglia (1997), Cardoso (1999) e Matêncio (1994), postulam que a concepção de linguagem pode ser sintetizada em três perspectivas distintas, dentro do ensino de Língua Portuguesa: "a linguagem como expressão do pensamento, passando pela visão de língua como instrumento de comunicação, até chegar-se a uma concepção da linguagem como interação" (MATÊNCIO, 1994, p. 70).
Então, a primeira concepção de linguagem concebe a língua como representação do mundo e expressão do pensamento e apregoa que as pessoas que não conseguem se expressar, possivelmente, não são capazes de articular o pensamento de forma adequada, logo, não falavam/escreviam bem porque não pensavam logicamente. Seguidores dessa linha presumiram que era necessário criar regras, com o objetivo de "ditar" as normas de como falar "adequadamente", e a escola devia auxiliar nesse processo. Nessa concepção, o fato de as pessoas não serem capazes de ler/escrever pressupõe que também não pensam. Partindo desse pressuposto, então se um analfabeto "não pensa" como explicar termos muitos, ainda hoje, conseguindo sobreviver em nossa sociedade? Com o passar do tempo, notou-se que essa concepção de linguagem não contribuía para que houvesse um entendimento real dos conteúdos, pois os alunos decoravam as regras mesmo sem compreendê-las e depois as esqueciam em um curto espaço de tempo, além disso, o contexto de enunciação e a presença do outro eram desconsiderados.
A segunda concepção de linguagem, de acordo com Travaglia (1997), considera a linguagem como um instrumento de comunicação:
"Para essa concepção o falante tem em mente uma mensagem a transmitir a um ouvinte, ou seja, informações que quer que cheguem ao outro. Para isso ele a coloca em código (codificação) e a remete para o outro através de um canal (ondas sonoras ou luminosas). O outro recebe os sinais codificados e os transforma de novo em mensagem (informações). É a decodificação. "
(Travaglia, 1997, p. 22)
Caro aluno, como você sabe, apesar de a língua ser um instrumento de comunicação, não podemos reduzi-la a somente isso, pois vai muito além, conforme veremos na terceira concepção, que por nós está sendo adotada.
A terceira concepção de linguagem vê a língua como interação e é a concepção interacionista de linguagem que defendemos, justamente por crermos que ela auxiliará o professor na sua prática pedagógica. Segundo Suassuna (1995, p. 129), o prefixo "inter" supõe social, histórico, dialógico, já "ação" induz a uma postura inquieta diante do mundo.
Você deve estar se perguntando:
 O que muda ao adotarmos a concepção interacionista?
Ora, muda simplesmente TUDO! Se você adotar a concepção interacionista, estará considerando o contexto histórico e social no qual estamos inseridos, notará que ele influencia, inclusive, nos discursos que enunciamos. Dito de outra forma, você estará admitindo que o sujeito é o enunciador do seu discurso, porém este é influenciado pelo outro.Sabe por que dizemos isso? Justamente porque a concepção interacionista de linguagem se preocupa com o uso da língua considerando a circunstância e a finalidade.
Então a linguagem não é mais mera expressão do pensamento, tampouco apenas um código, mas sim interação, na qual o outro exerce um papel fundamental, isso quer dizer que à proporção que vamos aprendendo a língua estamos interagindo e participando das mais diversas situações comunicativas. Gostou?
Diante do exposto, podemos concluir, nesta unidade, que a linguagem não se limita a um amontoado de frases soltas ou palavras desconexas, de acordo com Suassuna (1995, p.118), ela deve ser entendida na sua relação dialética com o saber: ela é saber, é produzida com/pelo saber, produz o saber e me faz recriar o saber, e assim por diante, numa cadeia ininterrupta. E para conhecermos mais sobre essa "cadeia ininterrupta", a seguir, na unidade 2, abordaremos a questão do texto.
Agora é sua vez! Para finalizar essa unidade proceda a leitura da entrevista do Prof. Luiz Carlos Travaglia e poste no fórum  a sua opinião sobre o que mais chamou a sua atenção.
Acesse a entrevista!
http://www.letramagna.com/travagliaentre.htm
WEB AULA 1
Unidade 4 – O Texto1
Caro aluno observe, com atenção, a imagem abaixo, pois ela representa um texto.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teia
Você deve estar se perguntando o motivo de termos seleciono a imagem acima para representar um texto. Bom, inicialmente, para dialogarmos sobre texto, é interessante ressaltarmos que o texto é um todo de sentido, para a construção desse sentido é necessário uma teia de elementos que asseguram o seu significado. Daí, a justificativa para a imagem selecionada. E quanto à definição do que vem a ser texto? Qual será a origem dessa palavra? Observe que nossa primeira definição de texto fala sobre a origem da palavra. Vejamos:
A palavra texto provém do latim textum, que significa tecido, entrelaçamento. (...) O texto resulta de um trabalho de tecer, de entrelaçar várias partes menores a fim de se obter um todo inter-relacionado. Daí poder  falar em textura ou tessitura de um texto: é a rede de  relações que garantem sua coesão, sua unidade".
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. Editora Scipione. São Paulo. 1991, p. 28.
Ocorre, ainda, que temos outras definições muito interessantes que objetivam esclarecer o que vem a ser um texto. Vamos conhecê-las?
"...em um sistema semiótico bem organizado, um signo já é um texto virtual, e, num processo de comunicação, um texto nada mais é que a expansão da virtualidade de um sistema de signo."
ECO, Umberto. Conceito de texto. São Paulo : T.A. Queiroz, 1984. p.4.
É a coerência que faz com que uma sequencia linguística qualquer seja vista como um texto, porque é a coerência, através de vários fatores, que permite estabelecer relações (sintático-gramaticais, semânticas e pragmáticas) entre os elementos da sequencia (morfemas, palavras, expressões, frases, parágrafos, capítulos, etc), permitindo construí-la e percebê-la, na recepção, como constituindo uma unidade significativa global. Portanto é a coerência que dá textura etextualidade à sequencia linguística, entendendo-se por textura ou textualidade aquilo que converte uma sequencia linguística em texto. Assim sendo, podemos dizer que a coerência dá início à textualidade."
KOCH, I.V. & TRAVAGLIA L. C. A coerência textual. São Paulo, Contexto, 1995. p.45.
[1] Eliza Adriana Sheuer Nantes
[1] Eliza Adriana Sheuer NantesUm texto não é simplesmente uma seqüência